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Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

Antes de decidir, porém, ele deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados.  Fonte: Agência Brasil

Público madruga para assistir ao desfile na Esplanada dos Ministérios

Quando o relógio despertou nesta madrugada, às 3h da manhã, a aposentada tocantinense Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos, levantou imediatamente, tamanha era a ansiedade pelo desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ela está hospedada na casa de uma amiga no Recanto das Emas, a 30 quilômetros do centro da capital. No entanto, a viagem dela veio de muito mais longe.

Moradora de Tocantinópolis, Maria de Fátima pegou uma van até Araguaína (TO) a mais de duas horas de distância de casa, madrugou na rodoviária para cedinho encarar mais mil quilômetros até a capital do país. Foram mais de 15 horas de viagem. Chegou no sábado (6) e descansou um pouco para assistir ao nascer do sol de dentro do ônibus.

 “Enquanto eu viver, eu venho para esse desfile”, afirmou, ansiosa também por ouvir as mensagens no desfile sobre o passado de escravização e opressão no Brasil

Maria de Fátima morou em Brasília nos anos 1980 quando foi doméstica. Voltou para o Tocantins para recomeçar. Foi quebradeira de coco. Depois, continuou em empregos precários, inclusive catou latinhas para cumprir o sonho de comprar um sax para tocar. Conseguiu estudar e se formou no ano passado em licenciatura de educação no campo. “Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira. É muito lindo isso aqui”.

Brasília (DF), 07/09/2026 - Maria de Fátima Barbosa chegou cedo para acompanhar o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Maria de Fátima Barbosa chegou cedo para acompanhar o Desfile da Independência na Esplanada dos Ministérios – Foto Lula Marques/Agência Brasil

Brasilienses que moram na periferia da capital também madrugaram para chegar cedo à Esplanada. Entre eles, o casal, Jorge Fernandes, de 55 anos, que é pintor de casa, e Adabel Daiane, de 42, dona de casa. Eles foram acordados por Maria Alice, de 8, que antes das 4h pediu para vir logo ao desfile. Pegaram um ônibus de Sobradinho 2.

“Como era a primeira vez, nem dormi direito”. A mãe entende que é algo que ficará para a história. “Assim, a gente constrói memórias para ela. E de patriotismo”. O pai, que já foi soldado do Exército, diz que nunca deixou de vir”.

Brasília (DF), 07/09/2026 - Jorge Fernandes, Adabel Faina e a filha Maria Alice chegaram cedo para acompanhar o Desfile da Independência - 7 de Setembro. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Jorge Fernandes, Adabel Faina e a filha Maria Alice dizem que nunca deixaram de assistir ao desfile – Lula Marques/Agência Brasil

Outro ex-militar, Maurício Batista, de 33, colocou a bandeira do Brasil sobre a camisa, como faz a cada ano. “Eu fico emocionado mesmo”.

Também estava sensibilizada a família do paratleta dos 100 metros rasos, Leonardo Carvalho, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Ele iria desfilar.

Preocupado com o horário, acordou antes das 4h da manhã. Ao chegar à rodoviária, viu a luz do amanhecer e correu. Não era novidade para quem redescobriu a vida em velocidade. “Faço 100 metros em menos de 12 segundos. Vou correr porque está chegando a hora”, disse à reportagem da Agência Brasil.

A mãe, Maura, e toda a família que o acompanhava, sorriu com a pressa do rapaz. “Ele ama estar aqui e o esporte. Ele fica ansioso e a gente na torcida por tudo dar certo na vida dele”. O desfile ainda não tinha começado, mas eles já chamavam o momento de “inesquecível”. Fonte: Agência Brasil

Sete de setembro: soberania, Copa e combate ao feminicídio serão temas

Começa logo mais, às 9h, o desfile cívico-militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília. Para este ano, o governo federal definiu três eixos temáticos: a soberania nacional, o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

O desfile terá duração de duas horas e contará com a tradicional programação militar, com a participação de tropas do Exército, Marinha e Força Aérea. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros de seu governo estarão presente.

Temas

O combate à violência contra as mulheres tem sido um assunto recorrente neste ano. Em fevereiro, por exemplo, os Três Poderes lançaram um pacto nacional contra o feminicídio. O acordo reconhece que a violência contra as mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.

Este ano marcou a criação de leis pensadas para fortalecer a proteção às mulheres. Entre elas está a criação de um Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Violência Contra a Mulher. O cadastro facilita a localização de criminosos foragidos. Isso previne crimes, reduz riscos de reincidência, inclusive quando os agressores mudarem de estado.

A soberania nacional é outro tema que tem sido recorrente após as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros exportados para lá. Mesmo após o Brasil argumentar que o país norte-americano tem superávit na relação entre ambos, as tarifas foram aplicadas.

Clique aqui e confira a cobertura da Agência Brasil sobre o tarifaço.

Mesmo sem deixar a mesa de negociação e reiterar sua boa relação com Donald Trump, Lula falou diversas vezes que os EUA não podem usar tarifas para interferir na política brasileira ou nos interesses do país.

As críticas do governo daquele país ao PIX, sistema eletrônico e gratuito de pagamentos usado no Brasil, acenderam ainda mais o sentimento de proteção ao mercado nacional.

O terceiro eixo temático será a Copa do Mundo feminina de futebol 2027, que será realizada no Brasil de 24 de junho a 25 de julho.

O evento terá 64 jogos em oito municípios. A cidade que receberá mais partidas é São Paulo, com dez, seguida por Rio de Janeiro e Fortaleza (nove), Belo Horizonte (oito), Brasília, Salvador, Porto Alegre e Recife (sete).

O anúncio da escolha do Brasil como sede ocorreu em maio de 2024, em um congresso da Fifa em Bangkok, na Tailândia. O Brasil obteve 119 votos e venceu a disputa com a aliança formada por Alemanha, Holanda e Bélgica, que conseguiu 78 votos.

Acesso ao desfile

O público deverá acessar as arquibancadas pela via S1. Quem for de carro terá acesso à via S2.

A via N2 será interditada para circulação de veículos a partir das 7h. A partir de 23h do domingo (6), as vias N1 e N2 estarão bloqueadas.

Proibido levar

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, é proibido acessar a área do desfile com:

  • latas, copos, coolers ou isopores;
  • fogos de artifício ou similares;
  • artefatos Explosivos;
  • armas em geral;
  • apontador a laser ou similares;
  • animais em geral, com exceção de cães-guia;
  • bolsas com mais de 100cm na soma das dimensões dos três lados (altura, profundidade e largura);
  • malas, pastas, caixas ou similares;
  • sprays e aerossóis;
  • capacetes ou máscaras de qualquer tipo e tamanho;
  • fogões ou similares que utilizem gás e/ou eletricidade;
  • mastros confeccionados com qualquer tipo de material para sustentar, ou não, bandeiras, cartazes, etc;
  • churrasqueira de qualquer tamanho;
  • barracas e similares de qualquer tamanho ou tipo. Fonte: Agência Brasil

Homem condenado por tráfico de drogas em São Paulo é preso em Campina Grande

Um homem condenado por tráfico de drogas em São Paulo foi preso em Campina Grande neste sábado (5). Segundo a Polícia Militar, a prisão ocorreu no bairro Santa Rosa.

A PM explicou que, durante um patrulhamento, o homem apresentou um comportamento suspeito ao perceber a aproximação da viatura. Diante da suspeita, foi feita a abordagem e, após checagem, foi constatado que existia um mandado de prisão em aberto contra o homem.

Segundo constava na ordem judicial, o homem de 35 anos havia sido condenado por tráfico de drogas, em São Paulo e era procurado há alguns dias.

Fonte: G1-PB

Suspeito de matar policial militar morre em confronto com a PM em Teresina

Antônio Marcos Oliveira de Sousa, apontado como suspeito de matar o capitão da Polícia Militar do Piauí (PMPI) Antônio José Batista dos Santos, morreu após trocar tiros com policiais militares na madrugada deste domingo (6), em Teresina. O oficial foi assassinado na tarde de sábado (5), no bairro Vale Quem Tem, na Zona Leste da capital.

Segundo a polícia, outros três homens foram presos durante a operação. Entre eles estão Miguel, apontado como proprietário da motocicleta usada no crime, e Janiielson, que teria emprestado o veículo ao suspeito.

Um quarto homem, identificado como “Pedro Maconha”, foi preso por tráfico de drogas e encaminhado à Central de Flagrantes. Até a última atualização desta reportagem, a polícia não havia informado se ele tem relação com o assassinato do capitão.

“Operamos durante toda a noite e a madrugada em várias frentes e regiões da cidade, principalmente na Zona Sul, na região do Grande Angelim”, afirmou o o comandante do Policiamento Metropolitano da PMPI, coronel Pitombeira, sobre as prisões.

Antônio Marcos chegou a ser socorrido e levado ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com a polícia, o suspeito morava no Promorar, na Zona Sul da capital, e tinha antecedentes por tráfico de drogas e homicídio.

Segundo o coronel Pitombeira, ele foi preso pela Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) por homicídio em julho de 2025, mas estava solto.

Ainda conforme o coronel, Antônio Marcos também era investigado por participação em outros crimes, entre eles o latrocínio do empresário conhecido como Ed Peças, ocorrido na Zona Sul de Teresina em 2025.

Arma, motocicleta e capacete são apreendidos durante operação

 

Durante a operação, os policiais apreenderam uma arma de fogo, uma motocicleta e um capacete. De acordo com o coronel Pitombeira, a arma teria sido usada no assassinato do capitão.

“Apreendemos outros materiais que estavam com o suspeito e aparecem nas imagens analisadas pela investigação. Também colhemos os depoimentos dos conduzidos”, afirmou o coronel.

Como aconteceu o crime

 

O capitão Antônio José Batista dos Santos foi morto a tiros no início da tarde de sábado (5), no bairro Vale Quem Tem, na Zona Leste de Teresina.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem em uma motocicleta se aproxima do policial e atira contra ele. O capitão foi atingido no peito.

Segundo o coronel Pitombeira, o capitão estava na casa de um amigo quando foi surpreendido pelo atirador. A motivação do crime ainda é investigada pela Polícia Civil.

“O que a gente sabe é que ele estava estava na casa de um amigo, estava sentado na porta, não sei se esperando algo, quando foi surpreendido por esse indivíduo. A gente vai agora tentar saber se realmente foi uma tentativa de assalto, ou algo diferenciado”, afirmou.

Ainda segundo o coronel, nenhum pertence do policial foi levado pelo criminoso.

Equipes da Polícia Militar do Piauí (PMPI), da Polícia Civil, da perícia criminal e do Instituto de Medicina Legal (IML) foram acionadas. A área foi isolada para os procedimentos de investigação.

Capitão havia sido promovido neste ano

 

Antônio José Batista dos Santos, conhecido como “Dos Santos”, havia sido promovido ao posto de capitão neste ano. Ele estava na ativa e acumulava 38 anos de serviços prestados à Polícia Militar.

“Ele estava na ativa. Eu o conhecia há muito tempo, conheci quando era sargento no 5º Batalhão. Foi promovido no meio deste ano ao posto de capitão, com uma vasta vida profissional de serviços prestados à corporação”, disse o coronel Pitombeira.

Segundo o major Marinho, subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), o capitão desempenhou diferentes funções ao longo da carreira.

“Um militar com 38 anos de serviços prestados, um militar que tinha diversas funções no batalhão. Era um dos militares do 5º BPM que mais servia com amor, de uma forma de não sabemos nem mensurar”, lamentou o major.

Testemunhas relataram que o policial costumava comprar refeições em um restaurante próximo ao local onde foi morto.

A Polícia Militar do Piauí lamentou a morte do capitão e prestou solidariedade aos familiares e amigos.

Nota da Polícia Militar

A Polícia Militar do Piauí lamenta com imenso pesar o falecimento do Policial Militar Antônio José Batista dos Santos.

O Comando-Geral da PM-PI e toda a família policial militar prestam solidariedade aos familiares e amigos. Fonte: G1-PI

Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras

No Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (5), especialistas destacam a urgência de investimento na restauração de terras degradadas em territórios indígenas, o que significa ir além do plantio de árvores ou da recomposição da vegetação perdida.

A recuperação pode proteger nascentes, aumentar a segurança alimentar, trazer de volta espécies usadas pelas comunidades, fortalecer conhecimentos tradicionais e gerar renda.

A discussão ganha mais importância no momento em que o Brasil amplia suas metas de recuperação de áreas degradadas. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país apresentou o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030.

Parte do esforço deverá alcançar territórios indígenas.

Dados do TerraClass de 2022 indicam que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, predominantemente ocupadas por pastagens. Outros 24,4 mil hectares estão destinados à agricultura e 18,9 mil hectares à mineração.

Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Diana Nascimento especialista em restauração indígena da TNC Brasil.
Foto: Diana Nascimento/Arquivo pessoal
Para a líder do povo Kaingang, Diana, a participação indígena muda até a definição do que é restaurar. Foto: Diana Nascimento/Arquivo pessoal

Também foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somadas às áreas degradadas, elas representam um potencial de restauração estimado em 1,79 milhão de hectares dentro de terras indígenas da Amazônia.

Apesar das pressões, esses territórios continuam entre as áreas mais conservadas do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, diz que os números de hectares recuperados não são suficientes para medir o sucesso de uma iniciativa. É preciso também participação ativa dos que vivem nos territórios.

“Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida”, afirma.

Segundo Diana, a participação indígena muda até mesmo a definição do que é restaurar.

“Não se trata apenas de quantos hectares foram restaurados ou quantas árvores foram plantadas, mas de entender quais espécies são importantes para aquele povo, quais alimentos e conhecimentos precisam ser recuperados, quais áreas são prioritárias e o porquê, e ainda como essa restauração pode contribuir para fortalecer a gestão e a autonomia do território”, explica Diana.

Onde restaurar

A definição das áreas prioritárias é um dos desafios diante da extensão dos territórios e da limitação de recursos. Uma área muito degradada, por exemplo, não será necessariamente aquela capaz de produzir os maiores benefícios para uma determinada comunidade.

Para ajudar nesse planejamento, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações para apoiar decisões sobre conservação e restauração em terras indígenas.

A iniciativa reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, mudanças climáticas, governança territorial, sustentabilidade, educação e saúde, entre outros fatores. O sistema foi desenvolvido em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT.

Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que a ferramenta permite combinar diferentes variáveis e atribuir pesos a elas conforme os objetivos de cada projeto. Uma terra indígena com áreas de preservação permanente, cabeceiras de rios ou matas ciliares degradadas pode receber prioridade mesmo sem apresentar o maior nível de degradação.

“Podemos considerar áreas localizadas em regiões com maior insegurança hídrica, a partir do índice de segurança hídrica, ou mais ameaçadas pelo fogo, outro critério presente no sistema. Dessa forma, conseguimos construir modelos customizados”, explica.

O sistema utiliza uma metodologia de análise multicritério, pela qual o usuário seleciona as variáveis e estabelece a importância relativa de cada uma. O resultado é um índice comparativo que ajuda a indicar quais territórios merecem maior atenção diante de determinado objetivo.

Florez ressalta, entretanto, que o resultado matemático não substitui a decisão das comunidades.

Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Guillermo Florez Montero da TNC Brasil
Foto: Guilhermo Florez Montero/Arquivo pessoal
Guillermo, da TNC Brasil, ressalta que resultado matemático não substitui decisão das comunidades. Foto: Guilhermo Florez Montero/Arquivo pessoal

“O modelo pode indicar uma terra indígena específica para a implementação de determinado projeto. Mas, se a liderança não quiser, não estiver interessada ou se a iniciativa não estiver entre as prioridades da gestão daquele território, isso deverá ser respeitado”, garante.

A ferramenta pode ser utilizada, por exemplo, quando surgirem recursos destinados à recuperação de áreas degradadas ou projetos de restauração com finalidade produtiva.

“Se tenho um território com altíssima insegurança alimentar, por exemplo, posso priorizar a restauração socioprodutiva nessa área, desde que as demais condições necessárias também sejam atendidas”, diz.

Restaurar cultura e alimento

Segundo Diana, povos indígenas acumulam conhecimentos transmitidos entre gerações sobre sementes, espécies nativas, ciclos naturais, períodos de plantio e colheita, manejo dos solos, plantas medicinais e alimentos tradicionais.

As mulheres indígenas, acrescenta, têm papel especialmente importante em muitos territórios por sua atuação na produção de alimentos, conservação de sementes e transmissão de conhecimentos.

“Valorizar esse conhecimento pode contribuir para recuperar espécies e alimentos tradicionais, fortalecer a segurança alimentar, aumentar a resiliência das comunidades, ao mesmo tempo que conservam grandes áreas de biodiversidade”, afirma.

Para ela, o conhecimento tradicional não deve ser colocado em oposição ao conhecimento técnico.

“Quando conhecimentos tradicionais e conhecimentos técnicos dialogam, podemos encontrar soluções mais adequadas às características de cada território”, diz.

“A restauração, portanto, pode ser também um processo de recuperação de conhecimentos, práticas culturais, sementes, alimentos e relações com o território”, complementa Diana.

Prevenção

Mineração, fogo, expansão de pastagens e outras formas de alteração do uso da terra atingem de maneiras diferentes cada território. Por isso, as ações de restauração precisam estar associadas à prevenção de novos impactos e ao fortalecimento da gestão territorial.

A existência de instrumentos de gestão ambiental e territorial indígena, a disponibilidade de água, a vulnerabilidade às mudanças climáticas e as condições de saúde das comunidades estão entre os critérios considerados pelo sistema desenvolvido pela Funai e parceiros.

A proposta está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e também dialoga com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê recuperar 12 milhões de hectares até 2030.

Para Diana, fortalecer as próprias comunidades deve ser entendido como parte do processo.

“Um território com uma governança fortalecida e comunidades mais resilientes tem maior capacidade de conservar seus recursos naturais, enfrentar as pressões externas e responder aos impactos das mudanças climáticas”, avalia. Fonte: Agência Brasil

Anvisa aprova importação de remédio experimental para piloto Lito

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso de uma medicação experimental para o tratamento do piloto e youtuber Lito Sousa, diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob. A informação foi confirmada pela família via redes sociais.

Segundo a esposa de Lito, Mila Seidl, a expectativa é que a medicação chegue ao Brasil entre sete e nove dias a contar da última sexta-feira (4). “O impossível está virando realidade! Estamos prontos para receber o tratamento”, comemorou Mila no post, destacando que não houve regalias no processo.

“Vi algumas pessoas dizendo que a Anvisa abriu uma exceção rara. Não foi. Isso é um regulamento, está previsto em lei. Alguns países adotam o uso compassivo de medicação e aí você tem um trâmite legal que precisa ser cumprido. Não é algo que foi feito excepcionalmente para o Lito”, explicou a esposa do youtuber.

Mila lembrou que qualquer pessoa em situação similar pode pleitear o mesmo tipo de autorização. “Cabe à Anvisa analisar, deferir ou indeferir. A gente apresentou bastante documentação. [O processo] estava bem robusto”, completou, a citar documentos enviados pela farmacêutica e exames diversos.

“Uma das nossas missões é mostrar o caminho que famílias que passam por isso – por doenças raras, não necessariamente a nossa, mas outras – podem seguir para conseguir o uso experimental de medicamentos, a importação, a entrada em estudos”, destacou a esposa de Lito.

Ainda segundo Mila, houve um entendimento, por parte do governo brasileiro, incluindo o Ministério da Saúde e a própria Anvisa, bem como da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, sobre a urgência e a celeridade da causa de Lito.

“Mesmo assim, sendo muito sincera, foi muito angustiante porque esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana e, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas”, disse, ao se referir ao quadro do marido. “Mas eu entendo. Eles têm que estar calçados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem canetar, precisam apreciar.”

A doença

A comunidade científica tem, até o momento, mais perguntas e hipóteses do que certezas absolutas a respeito da Doença de Creutzfeldt-Jakob. A condição é rara, com menos de 100 casos suspeitos registrados por ano no Brasil.

A doença se instala quando formas anormais de uma proteína produzida dentro das células cerebrais, os príons, passam a se acumular, comprometendo o funcionamento do órgão. O quadro progride rapidamente com desfecho fatal. Fonte: Agência Brasil

Corrupção, defesa da democracia, combate ao crime: Quaest mostra o que mais pesa na escolha do eleitor

Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (6) aponta quais são as características do candidato que os eleitores consideram ser as mais importantes na decisão do voto para presidente. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Globo e pela Globo.

  • 31% dos entrevistados citam não estar envolvido com corrupção.
  • para 28%, o mais importante é ter compromisso com a democracia.
  • 15% respoderam que é ser duro no combate à violência e ao crime.
  • apenas 2% citaram a opção ser crítico ao STF.

 

Veja os dados completos abaixo:

  • Não estar envolvido com corrupção: 31%
  • Ter compromisso com a democracia: 28%
  • Ser duro no combate à violência e ao crime: 15%
  • Ser experiente na política: 9%
  • Ser religioso: 4%
  • Não ter sido político antes: 2%
  • Ser crítico ao STF: 2%
  • Ser crítico ao Congresso: 1%
  • Ser aliado do Congresso: 1%
  • Ser aliado do STF: 0
  • Nenhuma dessas características: 3%
  • Não sabem/Não respondeu: 4%
  • Quaest: características mais importantes para decidir votar em um candidato a presidente — Foto: Arte/g1

    Quaest: características mais importantes para decidir votar em um candidato a presidente — Foto: Arte/g1

    Na divisão do eleitorado por posicionamento político, 33% dos eleitores independentes citaram o não envolvimento com a corrupção como o fator mais importante, e 26% citaram a defesa da democracia.

    Há uma diferença entre lulistas e bolsonaristas. Entre os primeiros, a característica mais mencionada (29%) foi o compromisso com a democracia. Já no grupo bolsonarista, 41% consideram que é essencial o candidato não ter ligações com casos de corrupção. Veja o detalhamento no gráfico abaixo:

    Quaest: característica mais importante para decidir voto para presidente por identificação política — Foto: Arte/g1

    Quaest: característica mais importante para decidir voto para presidente por identificação política — Foto: Arte/g1

Cadela é internada após ser agredida com pedaço de concreto na UFMA, em São Luís

Cadela é internada após ser agredida com pedaço de concreto na UFMA, em São Luís — Foto: Divulgação/Redes Sociais

Uma cadela de nove meses, chamada Dora, está internada há quatro dias em uma clínica veterinária após ser agredida dentro do campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. O caso aconteceu na noite da última terça-feira (1).

Segundo informações divulgadas nas redes sociais pelo Projeto Protetoras de Animais do campus da UFMA, uma mulher que fazia caminhada pelo local teria atingido Dora com um pedaço de concreto (Veja o vídeo acima).

Ainda de acordo com a publicação, a agressão teria sido presenciada por uma funcionária de uma empresa terceirizada da universidade.

O caso foi comunicado ao supervisor da funcionária, mas Dora não recebeu atendimento naquele momento e a mulher apontada como responsável pela agressão não foi imediatamente abordada pela vigilância.

Por volta das 20h, a cadela foi resgatada por uma integrante do Projeto Protetoras UFMA e encaminhada para atendimento veterinário.

Em entrevista à TV Mirante, a voluntária do projeto Poliana contou que encontrou Dora em uma situação grave

“Quando eu cheguei ao local, eu realmente constatei que a situação era de extrema violência, que aquele animal havia sofrido”, afirmou.

 

Também em entrevista à TV Mirante, a médica-veterinária Ana Paula Santos informou que a cadela chegou à clínica com dificuldade para apoiar os membros, principalmente os traseiros.

Ainda de acordo com a veterinária, Dora ainda apresenta dificuldade para se movimentar por causa dos pontos na região atingida, mas tem evoluído bem.

O que diz a UFMA

 

Em nota enviada à TV Mirante, a Universidade Federal do Maranhão informou que levantou imagens das câmeras de segurança e registrou um boletim de ocorrência sobre o caso (Confira a nota na integra abaixo).

“A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) informa que tomou conhecimento da ocorrência envolvendo um animal em suas dependências e que já providenciou o levantamento de todas as imagens de vídeomonitoramento do local.

A Instituição ressalta que todas as providências cabíveis estão sendo rigorosamente adotadas. Isso inclui o registro de Boletim de Ocorrência e o encaminhamento das imagens e dos relatórios às autoridades competentes, para a devida investigação.

Ressalta, ainda, o compromisso e a sensibilidade da reitoria e de toda a comunidade acadêmica com a causa animal, assegurando, de forma contínua, a atuação e promoção de um ambiente de proteção e respeito, inclusive por meio de projetos específicos direcionados ao bem-estar animal.

A UFMA repudia qualquer ato de violência e reitera que a prática de maus-tratos e abandono de animais é crime.” Fonte: G1-MA