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Envio de jumentos para abate quase triplica no PI com alta da demanda; pele pode valer até R$ 4 mil

Envio de jumentos para abate cresce e ultrapassa 3,3 mil animais no Piauí em 2026 — Foto: Camila Lima/SVM

O Piauí enviou cerca de 3,5 mil jumentos para abate em frigoríficos da Bahia entre janeiro e agosto de 2026, segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adapi). O número é quase três vezes maior que o registrado em todo o ano de 2025. Segundo pesquisadores, o aumento está ligado à maior demanda internacional pela pele do animal. No mercado asiático, cada pele pode ser vendida por até R$ 4 mil.

g1 conversou com pesquisadores que avaliam que o aumento pode estar relacionado à desvalorização do animal no meio rural e ao aumento da demanda internacional pela pele.

De acordo com a Adapi, o município de Marcos Parente, no Sul do Piauí, concentra a maior quantidade de asininos destinados ao abate no estado, segundo a Adapi. Eles são comprados por proprietários e reunidos em uma propriedade rural até o momento do embarque.

Apesar do crescimento nos embarques, a Adapi informou que não tem uma projeção de quantos animais ainda poderão ser enviados até o fim de 2026. Segundo o órgão, não há propriedades no Piauí voltadas especificamente para a criação de jumentos destinados ao abate.

Jumentos perderam valor e passaram a ser vendidos por preços baixos

Segundo o professor universitário e doutor em ciência animal Raniel Lustosa, o jumento, historicamente utilizado no transporte e em atividades agrícolas, perdeu espaço com a mecanização do campo. Em muitas regiões, passou a ser considerado um animal sem utilidade econômica.

“Essa baixa utilização, junto com a proliferação desordenada, faz com que eles sejam comercializados por valores muito baixos”, explicou Raniel.

Para a pós-doutoranda no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e consultora de campanha no Brasil pela organização britânica The Donkey Sanctuary, Patrícia Tatemoto, essa desvalorização contribuiu para que a atividade com os jumentos assumisse um caráter extrativista.

O período de reprodução também precisa ser considerado. A gestação dura cerca de 12 meses e, após o nascimento, o animal leva aproximadamente 18 meses para atingir uma idade considerada adequada para o abate. Ao todo, são cerca de dois anos e meio entre a reprodução e a chegada do animal ao frigorífico.

“Não existe uma valorização comercial desses animais. O que existe é uma atividade extrativista. Ninguém produz em fazendas esses animais, porque leva anos para ele ficar pronto para abate e gestação é longa, de até um ano. Custa caro. Então, essa atividade só se mantém dessa forma extrativista”, contou.

Demanda chinesa impulsiona mercado

 

Além da oferta de animais a baixo custo, o crescimento da demanda internacional também contribui para o aumento dos abates. Segundo Raniel Lustosa, a China reduziu significativamente a população de jumentos nas últimas décadas e passou a buscar a matéria-prima em outros países.

A principal finalidade do abate é a retirada da pele, utilizada na produção do ejiao, produto tradicional da medicina chinesa e que é produzido a partir do colágeno presente na pele do jumento. Nos frigoríficos brasileiros, a pele passa por tratamento e conservação antes de ser exportada para a China.

“Esse é um produto utilizado na medicina chinesa, nem tanto comprovada [cientificamente], mas é utilizado há milhares de anos e que, vamos dizer assim, faz parte da questão cultural deles. Então, é um produto que tem uma importância, tem um nicho de mercado para os consumidores da China”, explicou.

 

A pesquisadora Patrícia Tatemoto ressaltou que a pele é o principal produto de interesse econômico desses abates, mas que a carne também é exportada como subproduto.

“No passado, acreditava-se que era um jumento que tinha pelagem escura, que era o ideal para essa finalidade, de aumentar o capital estético da pessoa, de beleza, mas depois, com a redução das populações de jumentos, eles passaram a consumir todos os jumentos”, explicou Patrícia.

Pele de jumento pode valer milhares de reais

 

Enquanto o jumento é adquirido por valores entre R$ 50 e R$ 150, o valor da pele aumenta ao longo da cadeia comercial.

Segundo Raniel Lustosa, uma pele pode ser comercializada pelo frigorífico por cerca de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. No mercado oriental, o produto pode alcançar valores entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, dependendo do processamento e do tipo de produto final.

“A gente está falando de um animal que é adquirido por valores irrisórios, de R$ 50, R$ 100, R$ 150, e cuja pele pode chegar a valores de R$ 2 mil a R$ 4 mil no mercado oriental”, destacou.

Criação pode levar cerca de dois anos e meio

 

Para o professor, uma alternativa seria estruturar uma cadeia produtiva organizada, com produtores cadastrados, associações e cooperativas, em vez da retirada aleatória de animais.

Ele defende que frigoríficos e investidores interessados no mercado estabeleçam acordos com produtores para criar os animais de forma controlada e legalizada.

“Esses investidores que estão com esses frigoríficos poderiam criar uma rede melhor, de associação, cooperativas, pessoas que possam produzir e atender esse mercado ao qual eles estão exportando e não buscar uma forma de dizimar a população de jumentos que nós temos nos estados do Nordeste”, disse.

Viagem pode passar de 1,3 mil quilômetros

 

Os jumentos são transportados em caminhões. A partir de Marcos Parente, principal ponto de origem dos animais, a distância até os frigoríficos da Bahia pode ultrapassar 1,3 mil quilômetros.

O percurso é de cerca de 1.141 quilômetros até Amargosa (BA) e de 1.314 quilômetros até Itapetinga (BA).

Durante o transporte, os responsáveis devem seguir regras de bem-estar animal. Entre as exigências estão respeitar a capacidade dos caminhões e realizar paradas para alimentação e hidratação em viagens com duração superior a 12 horas. Também é proibido usar instrumentos de choque durante o embarque dos animais.

Fiscalização acompanha animais até saída do Piauí

 

A demanda pela emissão de Guias de Trânsito Animal (GTAs), documento obrigatório para o transporte dos animais, também reflete o cenário. Em 2026, foram emitidas mais de 70 guias. Em 2025, foram 26, e em 2024, apenas oito, ano em que 303 jumentos foram enviados para abate.

Após a emissão da GTA, a Adapi acompanha os animais apenas até a saída do Piauí. O monitoramento ocorre em Cristalândia, no Sul do estado, onde funciona um posto fixo de fiscalização agropecuária.

A conferência da quantidade de jumentos que chega aos frigoríficos é realizada por fiscais federais responsáveis pela inspeção do abate nos estabelecimentos de destino.

Segundo Daniela Rabelo, o compartilhamento de informações entre a Adapi e os órgãos de fiscalização da Bahia ocorre “Somente se solicitado”. Fonte: G1-MA

Homem é preso suspeito de ameaçar divulgar fotos íntimas da ex-companheira em Codó

Homem é preso suspeito de ameaçar divulgar fotos íntimas da ex-companheira em Codó — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Um homem foi preso em flagrante na manhã desta quinta-feira (3), em Codó, no Maranhão, suspeito de ameaçar divulgar fotos íntimas da ex-companheira e de praticar violência psicológica contra ela.

A prisão foi realizada pela Polícia Civil do Maranhão, por meio da Delegacia da Mulher de Codó, com apoio da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil e do Grupo de Pronto Emprego (GPE).

A prisão ocorreu durante a Operação Mulher Segura, iniciativa que tem como objetivo intensificar as ações de prevenção e combate à violência contra a mulher em todo o Maranhão.

Segundo as investigações, o homem teria passado a perseguir a ex-companheira após o fim do relacionamento e adotado comportamentos que provocaram danos emocionais à vítima. Em uma das ocasiões, ele teria ameaçado divulgar fotos íntimas dela.

Diante das ameaças, a vítima procurou a Delegacia da Mulher de Codó e relatou a situação aos policiais. Após o registro da ocorrência, as equipes realizaram diligências para localizar o investigado, que foi encontrado e conduzido à unidade policial.

Após os procedimentos legais, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de ameaça e violência psicológica e encaminhado à Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Codó, onde permanece à disposição da Justiça.

Sobre a operação

 

A Operação Mulher Segura integra as ações da Polícia Civil do Maranhão voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. A iniciativa busca fortalecer a investigação dos casos, responsabilizar os suspeitos e ampliar a proteção às vítimas. Fonte: G1-MA

Justiça determina que banco mantenha agências na Cohama e na Rua da Paz, em São Luís

Martelo da Justiça. — Foto: Reprodução

A Justiça determinou que o Banco Itaú Unibanco mantenha, no prazo de 30 dias, o funcionamento presencial das agências bancárias desativadas na Cohama e na Rua da Paz, em São Luís. Em caso de descumprimento, o banco deverá pagar multa diária de R$ 10 mil por unidade.

A sentença foi proferida em 1º de setembro pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís. Além de determinar a manutenção do atendimento presencial, o magistrado condenou o Itaú ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil.

Segundo a decisão, o valor deverá ser corrigido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e acrescido de juros de 1% ao mês, a contar do evento. A quantia será destinada ao Fundo Especial de Direitos Difusos. O banco também foi condenado ao pagamento de custas e honorários advocatícios de 10% sobre o valor da condenação.

A decisão atendeu a um pedido do Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon-MA) e do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), em Ação Civil Pública movida contra o Itaú Unibanco.

Entenda a decisão

 

Na ação, as entidades pediram à Justiça a suspensão e, posteriormente, a proibição do encerramento das atividades presenciais nas duas agências bancárias da capital.

De acordo com o Procon-MA, o fechamento das unidades era uma medida de “extrema gravidade”. O órgão afirmou que as duas agências concentravam cerca de 6 mil consumidores, dos quais aproximadamente 3 mil são aposentados e pensionistas do INSS.

Ainda segundo o Procon-MA, parte desses clientes depende do atendimento físico para receber benefícios e resolver demandas bancárias. O órgão também apontou que a desativação das unidades prejudica especialmente pessoas idosas, consumidores de baixa renda e pessoas sem letramento digital.

Para o Procon-MA, o fechamento das agências força os consumidores a procurarem outras unidades já sobrecarregadas, o que pode aumentar filas, superlotação e precarizar o atendimento.

Em resposta, o Itaú Unibanco defendeu que os canais digitais, como aplicativos e internet, seriam suficientes para atender os clientes. O banco também citou a expansão das transações remotas como justificativa para a desativação da rede física presencial.

No entanto, o Judiciário não aceitou a justificativa. Na sentença, o juiz Douglas de Melo Martins afirmou que o serviço bancário tem relevância pública e caráter essencial à vida em sociedade.

O magistrado também destacou que os serviços bancários estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor. Pela legislação, os fornecedores devem prestar serviços “adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos”.

De acordo com o juiz, o fechamento simultâneo das duas unidades de grande porte, localizadas em áreas de grande circulação de pessoas e comércio, representou uma “quebra injustificada do dever de continuidade do serviço”.

Na decisão, o magistrado citou ainda entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual a quebra dos padrões de qualidade e a intranquilidade social gerada pela piora na prestação dos serviços bancários justificam reparação por dano moral coletivo. Fonte: G1-MA

Polícia prende dois suspeitos de matar jovem no Porto da Balsa, em Imperatriz

Polícia prende dois suspeitos de matar jovem no Porto da Balsa, em Imperatriz — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Dois homens, de 19 e 25 anos, investigados pelo homicídio do jovem João Paulo Camelo de Aquino Ferro foram presos na quarta-feira (2), pela Polícia Civil do Maranhão (PCMA). O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2025, no bairro Porto da Balsa, em Imperatriz, a 629 km de São Luís.

Segundo a polícia, um dos investigados foi localizado e preso em Imperatriz por investigadores da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com as investigações, ele teria conduzido a motocicleta usada no apoio logístico e na fuga após o crime.

O segundo investigado foi localizado e preso no município de Anápolis, em Goiás, onde foi cumprido o mandado de prisão temporária. As investigações apontam que ele seria o responsável pelos disparos de arma de fogo que atingiram a vítima.

O homicídio aconteceu na Rua Luiz Domingues, no bairro Porto da Balsa, em Imperatriz. A polícia informou que a vítima estava em via pública, acompanhada de uma familiar, quando ocorreu um desentendimento motivado por manifestações verbais em um bar da região.

Durante a situação, o jovem foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu ainda no local.

Com o cumprimento dos dois mandados judiciais, os investigados permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do crime e concluir o caso. Fonte: G1-MA

Fachin dá 5 dias para Mendonça e Gonet responderem acusação de Moraes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (4) cinco dias de prazo para que o ministro André Mendonça, também da Corte, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestem-se sobre supostas irregularidades na condução do caso Master. 

Tais irregularidades foram apontadas pelo também ministro do Supremo Alexandre de Moraes. Para embasar suas afirmações, ele apresentou um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF), embora o documento não traga o cabeçalho da instituição ou a assinatura de algum delegado, como é de praxe para esse tipo de documento. 

Moraes apontou atos que considera improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça, a quem acusa de ter direcionado a investigação do caso Master para atingi-lo.

No relatório apresentado por Moraes consta a sugestão de que Mendonça pudesse estar direcionando as investigações do caso Master para atingir desafetos políticos, incluindo o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). 

O mesmo documento, contudo, diz que as afirmações são uma “análise de cenário” e também “sem valor probatório”. O relatório apócrifo foi tornado público pelo Supremo.

Mensagens

A crise entre ministros do Supremo emergiu nesta semana, após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que traz mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do banco Master, a Moraes, segundo o documento. 

As conversas mostram citações aos nomes de Moraes e Gonet. As mensagens foram recuperadas do celular de Vorcaro, alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master. O caso é relatado por Mendonça.

As dezenas de mensagens sugerem, por exemplo, que Moraes editou um contrato de mais de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. 

Fachin

Na quinta-feira (3), Fachin já havia cobrado que Gonet, Moraes e Mendonça se manifestassem sobre as informações constantes no relatório da PF sobre as conversas de Vorcaro.

O presidente do STF escreveu que levará ao plenário, no momento oportuno, um pedido do PGR para que as investigações supervisionadas por Mendonça sejam anuladas.  

“Cabe à Presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, escreveu.

Em novo despacho nesta sexta-feira, Fachin determinou que Gonet apresente parecer também sobre o pedido de investigação contra Mendonça, feito na noite de ontem por Moraes 

Ainda no despacho de hoje, Fachin determinou que o documento apresentado por Moraes para fazer as acusações contra Mendonça seja retirado do inquérito das Fake News, relatado pelo próprio Moraes, e anexado a uma petição separada, relatada pelo presidente do Supremo.

“As providências ora determinadas destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações”, escreveu Fachin na decisão. Fonte: Agência Brasil

Presidente do STF diz que gravidade dos fatos não autoriza atalhos

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em Brasília, que será dentro da legalidade a resposta do Judiciário brasileiro aos fatos relacionados a supostas irregularidades na condução do caso do Banco Master e ao vazamento de trocas de mensagens entre o também ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou o ministro Edson Fachin.

Diante da crise no Poder Judiciário acentuada nesta semana, o presidente da Suprema Corte prometeu que a apuração dos fatos seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo ordenamento jurídico.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou o presidente do STF.

O ministro Edson Fachin também reiterou a necessidade de as instituições da República serem preservadas, sobretudo em momentos de maior tensão. Ele frisou que nenhuma autoridade e nenhum Poder da República estão acima da Constituição Federal, pois “nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante o evento de sanção de leis que criam fundos para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

Igualdade

No mesmo evento no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou o presidente Lula.

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. “Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou.

Vazamentos seletivos

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública.

“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira.

“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

Entenda a crise

Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o pedido de abertura de inquérito contra o ministro do Supremo Alexandre Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master.

Em resposta, nesta quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra a atuação do Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.​​

​Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro. ​​

​Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso​. Fonte: Agência Brasil

TRE indefere candidatura de José Roberto Arruda ao governo do DF

Brasília (DF) - Ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, teve seus direitos políticos cassados e ficará 12 anos inelegível. Foto: Pedro França/Agência Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) decidiu nesta quinta-feira (3) indeferir o registro da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) ao cargo de governador do Distrito Federal. 

Arruda foi condenado por improbidade administrativa em um dos processos da Operação Caixa de Pandora e está impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. 

Segundo o relator, desembargador Guilherme Pupe, até a decisão do TSE, o candidato pode continuar a campanha eleitoral.

“Enquanto perdurar essa condição, ficam lhe asseguradas as práticas de atos relativos à campanha, inclusive propaganda e utilização de horário eleitoral”, decidiu.

Nas redes sociais, Arruda diz que respeita a decisão do TRE, mas irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A decisão do TRE não encerra a nossa caminhada. Vamos recorrer ao TSE e seguir em frente. Não vou abaixar a cabeça nem abandonar Brasília”, disse.   Fonte: Agência Brasil

Moraes encaminha a Fachin pedido de investigação contra Mendonça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (3) o sigilo de decisão que aponta supostas irregularidades na atuação do ministro André Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes encaminhou a decisão e os relatórios de inteligência da Polícia Federal que a fundamentam ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A decisão foi tomada no âmbito do Inquérito 4.781, instaurado em 2019 para apurar notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e outras infrações contra integrantes do Supremo, além de possíveis esquemas de financiamento e divulgação de fake news em massa nas redes sociais.

Na decisão, Moraes determinou que o conjunto de documentos seja encaminhado a Fachin “para as providências que entender necessárias”. Também determinou que a Procuradoria-Geral da República seja comunicada. Fonte: Agência Brasil

Obra de reconstrução da ponte do Estreito dos Mosquitos terá início no dia 10; tráfego será restrito no feriado

O Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciaram que a obra de reconstrução do lado esquerdo da Ponte do Estreito dos Mosquitos, na BR-135, que liga São Luís ao continente, terá início na próxima quinta-feira (10).

➡️ Durante o feriado da Independência, também haverá restrição de horários para a circulação de veículos pesados na estrutura, segundo o DNIT (leia mais abaixo sobre isso).

O contrato tem valor de R$ 176,7 milhões, e a ordem de serviço foi emitida nesta terça-feira (1º), mesma data em que o documento foi publicado no Diário Oficial da União (DOU). A previsão é que os trabalhos sejam concluídos em 2027, mas ainda não há uma data definida para a entrega.

Inspeções realizadas na ponte identificaram deslocamento de blocos de concreto, corrosão da camisa metálica, elevado grau de fissuração, intensa exposição e oxidação das armaduras e perda de rigidez estrutural.

Segundo o DNIT, as condições encontradas exigem a demolição da estrutura e a construção de uma nova travessia. O processo será realizado de forma controlada e gradual ao longo dos próximos meses para não comprometer a estrutura que permanece em operação.

Ainda de acordo com o órgão, o lado direito da ponte segue funcionando normalmente. Foram executadas obras de melhoria e recuperação das juntas de dilatação, o que contribuiu para melhores condições de circulação no local.

O DNIT informou que a ponte não apresenta anormalidades e continua sendo monitorada 24 horas por dia. A estrutura permanece em pleno funcionamento e não haverá sistema de Pare e Siga durante a execução das obras.

Restrição de caminhões no feriado

 

Ponte do Estreito dos Mosquitos é interditada parcialmente para obras preventivas, em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

O DNIT publicou, nesta quinta-feira (3), uma portaria para oficializar a restrição de horários para caminhões de grande porte. A medida será testada durante o feriado de 7 de setembro e, caso apresente resultados positivos, poderá ser adotada de forma permanente, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A restrição valerá para combinações de veículos com largura superior a 2,60 metros, altura acima de 4,40 metros, comprimento maior que 19,80 metros ou Peso Bruto Total Combinado (PBTC) superior a 58,5 toneladas, mesmo que possuam Autorização Especial de Trânsito (AET).

Veja os horários da restrição

 

A circulação dos veículos que ultrapassarem os limites estabelecidos ficará proibida nos seguintes períodos:

  • sexta-feira (4): das 16h às 22h;
  • sábado (5): das 7h às 12h;
  • segunda-feira (7): das 12h às 18h.

 

A restrição vale no trecho entre os quilômetros 24,40 e 24,90 da BR-135, na travessia do Estreito dos Mosquitos.

Quais veículos serão afetados

 

Segundo a portaria, a proibição vale para veículos ou combinações de veículos que ultrapassem pelo menos um dos seguintes limites:

  • largura superior a 2,60 metros;
  • altura superior a 4,40 metros;
  • comprimento total superior a 19,80 metros;
  • Peso Bruto Total Combinado (PBTC) superior a 58,5 toneladas.

 

Mesmo os veículos que possuem Autorização Especial de Trânsito (AET) ou Autorização Específica (AE) deverão cumprir a restrição durante os períodos estabelecidos.

Sobre a nova ponte

 

O projeto da nova estrutura ficará sob responsabilidade do Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pelas empresas Construtora A. Gaspar S/A e Arteleste Construções Ltda.

A contratação ocorre de forma integrada, dentro do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). O contrato contempla todas as etapas necessárias para substituir a estrutura interditada, desde a elaboração dos estudos e projetos até a construção da nova ponte.

A Ponte Marcelino Machado, sobre o Estreito dos Mosquitos, na BR-135, é composta por duas estruturas paralelas: uma no sentido de entrada para São Luís, com 459 metros de extensão, e outra no sentido de saída da capital, com 465 metros.

A estrutura que será demolida é a do sentido de entrada, construída em 1960. Já a ponte do sentido de saída foi erguida posteriormente, durante a ampliação do acesso à ilha.

A ponte original foi projetada para suportar veículos de até 24 toneladas, padrão adotado à época. Atualmente, as normas para novas pontes preveem capacidade para veículos de até 45 toneladas.

Segundo o DNIT, isso significa que a estrutura cumpriu sua vida útil sob um padrão de carga já superado pelo transporte rodoviário brasileiro.

Pela travessia dos Estreitos dos Mosquitos e dos Coqueiros passa todo o abastecimento da capital maranhense, além do acesso rodoviário ao complexo portuário de São Luís. Fonte: G1-MA