A cidade de Ilha Grande, no litoral do Piauí, deve receber uma força-tarefa da Polícia Militar pelo período mínimo inicial de 60 dias. O município de 9.274 habitantes registrou, de janeiro de 2025 a maio de 2026, 29 boletins de ocorrência por violência doméstica contra a mulher, segundo a Polícia Civil.
Uma força-tarefa é uma estratégia operacional temporária que reúne policiais, e muitas vezes outros agentes de segurança, com o objetivo de cumprir uma missão específica. Ela é montada para responder rapidamente a crises, combater focos de criminalidade intensa ou lidar com eventos que exigem atuação multidisciplinar.
A implementação da força-tarefa foi um pedido do Ministério Público, feito em 31 de março, ao Comando-Geral da PM no Piauí. Na data, o promotor Edilvo Augusto de Oliveira Santana, da 7ª Promotoria de Justiça de Parnaíba, deu um prazo de 30 dias para a polícia responder se poderia cumprir a demanda.
Procurada pelo g1, a Polícia Militar informou que a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) respondeu ao MP dentro do prazo. A corporação está em “fase de planejamento da montagem e execução” da força-tarefa, que deve incluir reforço do efetivo policial e apoio de forças de segurança.
Reunião com ONG e moradores
De acordo com o promotor Edilvo, a solicitação feita à PM foi elaborada após uma reunião do Ministério Público, em 16 de janeiro, com representantes da ONG Comissão Ilha Ativa e da Associação de Catadores de Mariscos de Ilha Grande (ACMIG).
Na reunião, os representantes apresentaram relatos que apontaram um aumento significativo da criminalidade em Ilha Grande nos últimos dois anos, principalmente nos casos de violência doméstica contra a mulher.
O MP também considerou, para pedir a criação da força-tarefa, que a insegurança local provocou “graves impactos sociais” e expôs a vulnerabilidade das mulheres nessa situação, as quais enfrentam “barreiras tecnológicas e geográficas” para denunciar os agressores.
O g1 procurou representantes da ONG Comissão Ilha Ativa e da Associação de Catadores de Mariscos de Ilha Grande (ACMIG) para comentar os relatos apresentados ao Ministério Público. A representante da associação informou que não iria se manifestar sobre o caso. Já a integrante da ONG não havia retornado o contato até a última atualização desta reportagem.
Casos denunciados
Segundo a Polícia Civil, Ilha Grande registrou 19 boletins de ocorrência por violência doméstica contra a mulher, em todo o ano de 2025, e 10, até 7 de maio de 2026.
Os BOs incluem casos tentados e consumados. Confira, abaixo, a quantidade de denúncias formalizadas a cada mês:
Como identificar e denunciar a violência doméstica
A violência contra a mulher pode ocorrer de várias formas e nem sempre envolve agressões físicas. O problema pode começar com ataques verbais ou psicológicos e evoluir para casos mais graves, como agressões físicas e até feminicídio. Por isso, reconhecer os sinais e saber onde buscar ajuda é fundamental para interromper esse ciclo.
No Brasil, esses casos são enquadrados na Lei Maria da Penha quando ocorrem em relações de convivência, confiança ou afeto. A lei reconhece cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.