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Uma das pacientes afetadas por complicações oculares após participar de um mutirão de procedimentos oftalmológicos em um hospital de Campina Grande, no último dia 15 de maio, a pedagoga Errta Rianny Rodrigues Mendes, de 43 anos, afirma que perdeu a visão e enfrenta dores constantes, mesmo após ser submetida a um novo procedimento cirúrgico nesta terça-feira (20), em João Pessoa.
“No momento, não estou enxergando e ainda sinto dor. Parou a saída do líquido do meu olho. Estou sofrendo, tenho crise de ansiedade e síndrome do pânico”, informou ao g1.
Nesta terça-feira, Errta precisou passar por um procedimento em uma clínica de João Pessoa para tratar complicações que surgiram após a injeção ocular no mutirão, e, em seguida, foi transferida para o Hospital Metropolitano, em Santa Rita. Durante o mutirão realizado no Hospital de Clínicas, em Campina Grande, ela recebeu a segunda aplicação de uma injeção ocular, parte do tratamento de uma condição crônica que combina baixa visão, miopia grave e glaucoma. Segundo a própria paciente, o acesso ao medicamento foi garantido por meio de uma ação judicial movida contra o Estado, devido ao alto custo do tratamento.
Errta é uma das nove pacientes que apresentaram desconfortos ou complicações após os procedimentos realizados durante o mutirão. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), 64 pacientes foram submetidos às intervenções oftalmológicas na última quinta (15).
“Eu já vinha de um processo na Justiça, entrei contra o Estado para ter o direito à injeção, porque a injeção é bastante cara, com um valor que excede o que nós recebemos. Diante dos fatos, que foi tudo deferido, deu tudo certo, eu estava na segunda aplicação no dia 15 de maio”, relatou a pedagoga.
“Quinta e sexta estava tudo bem, não estava sentindo dor, estava aplicando colírio antibiótico prescrito pela médica. Quando foi sábado, por volta das 4h, acordei com dores fortes e intensas que não estava entendendo o que estava acontecendo, e saía muito líquido do meu olho. E eu fiquei sem entender”, disse.
A partir daí, Errta iniciou uma busca por atendimento de emergência entre diferentes unidades de saúde. Ela foi orientada pela equipe médica a procurar atendimento no Hospital de Trauma de Campina Grande, e de lá encaminhada à Fundação Rubens Dutra Segundo.
“Chegando lá, tinha vários pacientes. Fui atendida, fez ultrassom, disseram que era uma infecção séria, e eu já estava sem ver. O olho já com a parte branca, que é da bactéria”, relatou. Diante do agravamento do quadro, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) encaminhou a paciente, junto com outros afetados, para João Pessoa, onde foi submetida a um novo procedimento nesta segunda. Segundo ela, a situação ainda é crítica.
A pedagoga diz que ela e outros pacientes seguem sendo monitorados por equipes médicas, mas não há prazo ou garantias sobre a possibilidade de recuperação. “O doutor falou que temos que estar diariamente sendo assistidos e possivelmente semanas aqui [em João Pessoa]. Paralisamos nossas vidas”, resumiu.
Outra paciente perdeu completamente a visão de um olho
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Paciente relata perda de visão após mutirão de procedimentos oftalmológicos na PB — Foto: Adriana Costa/Arquivo pessoal
Além de Errta, outra paciente também enfrenta as consequências do mutirão de procedimentos oftalmológicos. Anita Terina da Costa, de 89 anos, perdeu praticamente a visão do olho esquerdo após o procedimento.
Segundo o filho dela, Inácio Quaresma Neto, a idosa vinha tratando um edema macular há cinco meses, com aplicações mensais que apresentavam resultados positivos.
“Quinta-feira (15), ela fez o procedimento e agora o olho dela perdeu a visão total. […] Quando ela saiu de lá, já saiu com o olho doendo e dizendo que tinha dado errado. Foi um mutirão, tinha mais gente. O pessoal que fez o procedimento todos dando entrada nos hospitais, com o mesmo problema”, relatou.
Uma das filhas de Anita, Adriana Costa, contou ainda que a mãe está em casa, mas muito abalada. “Está deprimida, triste, perguntando toda hora se vai ver, se o olho está aberto ou fechado. Não tem condições de ficar sozinha nenhum momento”, disse.
Segundo ela, a médica que acompanha a idosa informou que há apenas 2% de chance de Anita recuperar a visão.Fonte: G1-PB