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Sem formas de controlar a reprodução do inseto, especialistas apontam solução de podar ou cortar árvores comprometidas. Nesta terça-feira (24), mais duas árvores atacadas pelo besouro caíram em Fortaleza.
Em Fortaleza, a ameaça dos besouros metálicos tem derrubado árvores da mesma família botânica há pelo menos três anos. Nesta terça-feira (24), mais duas mungubeiras caíram pela ação dos insetos, também conhecidos como baratão-verde-metálico ou mãe-do-sol. Enquanto não há inseticida para conter o Euchroma gigantea, as soluções recomendadas incluem nutrição das árvores, podas e cortes.
A presença do besouro assusta porque as larvas dele perfuram a madeira e enfraquecem a base das árvores, que chegam a perder galhos ou cair por completo. O dano é significativo porque cada larva pode possuir uma cabeça de dois centímetros, o que gera vários buracos na estrutura da planta.
O besouro tem sido avistado em Fortaleza há dez anos e começou a provocar quedas de árvores de grande porte nos últimos três anos, como detalha Leonardo Jales, ambientalista e membro do Movimento Pró-Árvore. Como explica, o besouro tem atacado árvores da família Malvaceae e da subfamília Bombacoideae.
Espécies de árvores atacadas em Fortaleza:
- Mungubeira (amazônica)
- Paineira ou samaúma (amazônica)
- Barriguda-do-sertão (nativa)
- Xixá (nativa)
- Baobá (africana)
O ambientalista esclarece que, até agora, os insetos conseguiram derrubar apenas mungubeiras e samaúmas da cidade. Espécies como xixá, baobá e barriguda-do-sertão não caíram, mas tiveram a presença dos besouros, acendendo um sinal de alerta para riscos no futuro.
Nesta terça-feira (24), mais duas mungubeiras foram ao chão pela ação do inseto gigante: uma no Parque Adahil Barreto, no bairro Dionísio Torres, e outra em uma rua do bairro Passaré. Com elas, já são pelo menos dez quedas de árvores da cidade neste mês de outubro.
A invasão do besouro metálico, nativo da Amazônia, desperta a preocupação de quem acompanha o tema. Ele tem se espalhado pelas cidades brasileiras sem a presença e o controle dos predadores naturais. Além da perda das árvores, o problema representa riscos para pessoas e patrimônio nos casos de quedas.
Embora grupos de pesquisadores em São Paulo e Minas Gerais tenham buscado desenvolver um controle químico, ainda não existem inseticidas para combater o besouro metálico, comenta o Lamartine Soares, professor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Assim, monitorar a saúde das árvores que podem ser atingidas é uma das principais estratégias para tentar contornar o problema.
“A solução é remover, de maneira imediata, os indivíduos (árvores) que apresentam sinais e sintomas mais acentuados. Se estiver na fase inicial, é possível reduzir o peso da copa, investindo em nutrição dessa planta, entrando com adubação para tentar fortalecer o indivíduo. E avançando os sinais e sintomas, aumentando a presença do inseto nesse processo de monitoramento, é preciso recomendar a supressão”, explica o pesquisador.
Qualquer pessoa pode identificar se uma árvore está sendo atacada pelo baratão-verde-metálico. Além dos sinais visíveis, a planta que está sendo enfraquecida pela ação das larvas do inseto soltam uma substância pegajosa no tronco com um odor forte e característico.
Como identificar a presença do inseto nas árvores:
- As ponteiras apresentam desfolha
- As folhas da planta danificada ficam menores e amareladas
- Na base da planta, começa a aparecer gomose, que é como se fosse uma secreção que a espécie contaminada desenvolve para se proteger do invasor, com um odor malcheiroso
- Em estado avançado, há descamação na base da planta. Ou seja, o tronco desfarela e raízes superficiais quebram facilmente
- Exemplo de Minas Gerais
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O primeiro semestre do ano traz mais preocupações: além de ser um período de mais reprodução do inseto, os ventos e as chuvas aumentam os riscos de queda das árvores.
Como alerta o ambientalista Leonardo Jales, a poda ou o corte das árvores não pode ser feito sem autorização da Prefeitura. Em Fortaleza, o cidadão pode solicitar o serviço quando houver necessidade de corte de até nove árvores.
Estes serviços podem ser solicitados pelo telefone 156 ou pela abertura de processo nas Centrais de Acolhimento nas 12 Regionais da Prefeitura de Fortaleza.