O Instituto Federal do Maranhão Campus Caxias realizou o evento “A cultura do estupro: um debate pertinente”. A programação foi ampla e contou com a colaboração de profissionais de várias áreas, abordando a questão sob as perspectivas sociológica, histórica, psicológica, filosófica e jurídica do tema. Durante os três turnos, ocorreram palestras, mostras de vídeos e debates com os alunos de todas as modalidades de ensino.
De acordo com a professora de sociologia, Juciana Sampaio, o evento foi de extrema importância, uma vez que serviu para desnaturalizar as desigualdades de gênero na nossa sociedade, a violência sofrida por mulheres ou pessoas que são tidas como pertencentes ao feminino (homossexuais, travestis, transexuais) reproduzido culturalmente, deslegitimando a cultura do estupro “aquele modo de viver, de pensar e de agir no qual o estupro e demais agressões são naturalizados e passam a ser de certa forma, incentivados e aceitáveis. O estupro não deve ser visto como algo banal, algo comum e natural. É necessário discutir, problematizar os elementos violentos silenciados ao longo dos anos em torno dessa violência”, destacou.
A professora de filosofia, Nêmora Procópio chamou atenção para o fato de que a cada 11 minutos uma mulher é violentada no Brasil e que, “na maioria dos casos, a vítima é desacreditada, vista como provocadora e responsabilizada pela violência sofrida”. Para a psicóloga Vanessa Alves, “a cultura do estupro é tão difundida que as vítimas são culpabilizadas e os agressores acabam ficando impunes, apesar das provas que muitas vezes produzem e até divulgam com certo orgulho, falando da importância de conversar sobre a dor que atinge essas vítimas”.
Pelo Campus Caxias, participaram da organização do evento as professoras Juciana Sampaio, Jacklady Dutra e Nêmora Procópio, a psicóloga do Vanessa Alves, além do psicólogo da Secretaria Municipal da mulher, Antônio Francisco Soares Júnior e a juíza da 5º vara, Marcela Lobo. A presença da juíza Marcela Lobo e do psicólogo Antônio Soares Júnior foi importante para os alunos e servidores tirarem dúvidas a respeitos dos procedimentos jurídicos e de atendimento à vítima. O público recebeu o tema de forma positiva, entendendo a atividade como informativa, reflexiva e educativa. Após o evento, muitos participantes relataram que passaram a encarar a cultura do estupro de forma mais crítica e combativa.
IFMA – Caxias