Aos 67 anos, Francisco Albino de Sousa celebrou nesta terça-feira (26) uma conquista adiada por décadas. Após uma infância trabalhando em circo e sem acesso regular à escola, ele concluiu o processo de alfabetização durante cerimônia realizada em Teresina, ao lado de outros adultos e idosos que retomaram os estudos.
Francisco contou ao g1 que a rotina itinerante da infância impediu que ele frequentasse a escola. Segundo ele, a vontade de aprender ressurgiu anos depois, já estabelecido em Teresina, e foi fortalecida pelo incentivo da família.
“Todos são formados e me incentivaram a voltar. Quando a gente volta a estudar, se sente revigorado. A gente se sente vivo”, disse.
A história dele se soma à de outros estudantes que celebraram a conclusão da alfabetização como um recomeço.
Moradora de uma comunidade quilombola na zona rural de São José do Piauí, Raquel Monteiro da Silva, de 42 anos, contou que decidiu voltar à sala de aula após insistência da filha de 8 anos.
Inicialmente, ela resistiu ao convite feito por uma vizinha para participar das aulas, mas mudou de ideia após ouvir os apelos da menina.
Segundo Raquel, a experiência transformou sua rotina e ampliou seus planos. Além de administrar uma lanchonete, ela montou uma loja de cosméticos e pretende continuar estudando.
“Minha filha dizia que eu precisava aprender. Foi ela quem me motivou. Agora quero seguir focada nos estudos”, afirmou.
Raquel Monteiro da Silva — Foto: Aric Lages
Outro formando, Antônio Rodrigues da Silva, de 66 anos, disse que a oportunidade surgiu depois que os filhos já estavam ‘criados’. Ele destacou o apoio da família no retorno à sala de aula e definiu o momento como uma realização difícil de descrever.
“Eu não tenho palavras. No meu período de estudar eu não estudei. Agora estou tendo essa oportunidade”, relatou.
As histórias foram celebradas durante a certificação de mil adultos e idosos que concluíram o processo de alfabetização. Fonte