A massa de ar frio que atingiu o Brasil nesta semana ainda deixará as temperaturas em baixa, especialmente, nas regiões Sul e Sudeste do país neste fim de semana. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aos poucos essa massa começa a se dissipar, principalmente na porção centro-norte. A previsão para este domingo (22) é de geada no Sul e no Sudeste, na região entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, no entorno da Serra da Mantiqueira.
Olívio Bahia, meteorologista do Inmet, aponta que o frio mais intenso deve perder força ao longo da próxima semana, mas as madrugadas e manhãs geladas devem permanecer no centro-sul do país. “É bem típico dessa época do ano [outono]. O Sol sai, dá aquela ligeira aquecidinha”, explicou. As máximas devem chegar a 22ºC mais ao Sul. “As localidades que ficam com temperatura quente é parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste, que também é normal ficar ali na casa acima de 30ºC”, pontuou.
A umidade também ficará baixa nas regiões mais frias. “Até o meio de semana, sem condição para chuva no centro-sul, pelo menos até quarta ou quinta-feira, então fica seco em parte do Brasil. A chuva fica concentrada mais no extremo norte do país, na faixa norte do Amazonas, do Pará, Amapá, Roraima, parte do Nordeste também, e no restante da área esse tempo seco, com umidade abaixo dos 30%”, destacou Bahia.
O meteorologista explica que o outono é um período de transição, em que se espera temperaturas frias, o que faz com a chegada da massa de ar frio não seja atípica, mas incomum. “Periodicamente, em algum momento, você tem uma entrada de ar frio, como foi o caso agora, parece que a estação fria mesmo começou mais cedo, o que a gente chama de variabilidade anual”, esclareceu. No Distrito Federal, por exemplo, foi registrada a temperatura de 1,4ºC, a mais baixa desde 1977.
Bahia acrescenta que não é possível afirmar que o inverno deste ano será mais rigoroso, mas é certo que houve uma antecipação de temperaturas normalmente observadas a partir de junho. “O frio é mais para frente, mas ele parece que já veio para ficar, já chegou com força”. Ele aponta que “a expectativa é que tenha periodicamente essas massas de ar frio entrando, de moderada a forte, até o final do inverno”.
Entre os cuidados necessários neste período, o meteorologista do Inmet destaca a prevenção de queimadas, tendo em vista a antecipação do período seco, a atenção às doenças respiratórias e o acolhimento da população de rua. “Daqui até o final do inverno, as noites vão ser um pouco mais ou um pouco menos, mas sempre agressivas, principalmente para quem está em situação de rua”, afirmou. Duas pessoas morreram na cidade de São Paulo nas noites mais frias desta semana.
O campeão olímpico Isaquias Queiroz conquistou neste sábado a medalha de prata na prova do C1 500 metros (m) da Copa do Mundo de Canoagem Velocidade que está sendo disputada na localidade de Racice (República Tcheca). O baiano completou a prova em 1min44s24, 0s31 atrás do tcheco Martin Fuksa, que ficou com o ouro. O bronze foi conquistado pelo romeno Catalin Chirila.
É PRAAAAAAAAAATA! 🥈🛶🇧🇷
É de Isaquias Queiroz, na etapa de Racice 🇨🇿 da Copa do Mundo.
Ele fechou o C1 500m em 1:44.24.
É pódio logo em sua na 1ª prova internacional desde Tóquio 2020
“Graças a Deus conseguimos a medalha de prata, dei o meu máximo, apesar das dificuldades, se o povo sentiu na água não sei, mas dei o meu máximo, saí meio errado na saída e tive que repor na prova, mas foi uma boa prova”, declarou Isaquias.
O campeão olímpico também entrou na água neste sábado para disputar a semifinal do C1 1000 m, na qual ele foi o mais rápido com o tempo de 3min53s19. A final está programada para o próximo domingo (22), a partir das 6h17 (horário de Brasília).
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que a pandemia de covid-19 impactou a realização de transplantes no Brasil. Em 2021, o índice de transplante renal de 22,4 pmp (número de transplantes por milhão de pessoas) ficou 26% abaixo da taxa anterior à pandemia. Para incentivar a doação de rim e esclarecer os procedimentos, a entidade médica lançou nessa semana a campanha “SBU pela doação de órgãos”.
Quando os rins param de funcionar, o paciente deve se submeter a sessões de hemodiálise, cuja periodicidade pode variar de duas a sete vezes por semana, dependendo do caso do paciente. Cada sessão pode durar de três a cinco horas.
De acordo com a SBU, para uma melhor qualidade de vida, o transplante renal pode ser indicado em muitos casos. A insuficiência renal pode ocorrer devido a problemas como diabetes, pressão alta, inflamação nos vasos que filtram o sangue, doença renal policística, doença autoimune e obstrução do trato urinário, entre outros.
Segundo o presidente da SBU, Alfredo Canalini, a campanha foi criada devido à necessidade de conscientizar a população sobre a doação de órgãos, principalmente no que diz respeito a doadores falecidos.
“Especificamente nós, urologistas, sabemos a importância tanto do diagnóstico precoce da doença renal, com a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina, como do atendimento da demanda dos renais crônicos na fila de espera para um transplante renal”, disse.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), houve diminuição no número de doações de órgãos e de transplantes devido à pandemia. Segundo a ABTO, 15.640 pacientes ingressaram na lista de espera por um rim em 2021, dos quais 3.009 faleceram.
“Isso ocorreu principalmente pelo aumento na contraindicação ao transplante na época, pois não se sabia da potencialidade de transmissão do vírus”, afirmou o coordenador do Departamento de Transplante Renal da SBU, John Edney dos Santos.
Transplante renal
O transplante renal é indicado para pacientes com diagnóstico de insuficiência renal crônica, principalmente aqueles em diálise.
“No Rio de Janeiro, temos em torno de 13 mil pacientes em diálise e 1.500 na fila de transplante. No Brasil, há algo em torno de 150 mil em diálise e somente 20% deles na fila. E, por lei, todo paciente em diálise tem que ser informado sobre a possibilidade da realização do transplante”, disse Canalini.
Morador da capital paulista, o autônomo Zelandio dos Santos Araújo, de 37 anos, fez transplante de rim há sete anos. Ele tem glomerulosclerose segmentar e focal familiar, doença que provoca insuficiência renal.
Essa síndrome também afetou duas irmãs de Araújo. Uma delas perdeu a função renal e acabou morrendo e a outra ainda faz diálise e está à espera de um transplante de rim.
Araújo conta que começou o tratamento medicamentoso em 2001. “Essa doença vai reduzindo a função renal silenciosamente. Muita gente tem essa doença e não sabe. O sintoma dessa doença é se a urina começa a espumar muito porque está perdendo proteína pela urina”.
Em 2009, ele teve falência renal e começou a fazer diálise três vezes por semana. “Foi muito difícil me adaptar, mas acabei ficando seis anos na hemodiálise”.
No ano de 2015, Araújo recebeu um rim de doador falecido. “O transplante foi muito bem-sucedido. Com o transplante, ganhei uma nova qualidade de vida. Eu ficava refém. Hoje tenho uma vida normal, consigo praticar atividade física”.
Como doar?
Para que o transplante renal seja realizado, é necessário verificar por meio de exames a compatibilidade entre doador e receptor para que haja menos chances de rejeição. É preciso ter mais de 18 anos e estar em boas condições de saúde.
A doação pode ser feita por doadores vivos ou falecidos. No caso de doadores vivos, é mais comum entre parentes consanguíneos de até quarto grau e cônjuges. Caso o doador não seja um parente próximo, é necessária autorização de um juiz. É possível viver bem com apenas um rim. Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, o doador pode sentir dores, que passam com medicação. No dia seguinte, o doador pode começar a caminhar e após cerca de uma semana são retirados os pontos. A alta geralmente é concedida três dias após a cirurgia.
Para receber o órgão de um doador falecido, o paciente deve estar inscrito no Cadastro Técnico Único do Ministério da Saúde. O cadastramento é feito pela equipe médica de transplante responsável pelo atendimento.
A distribuição de órgãos doados é controlada pelo Sistema Nacional de Transplante do Ministério da Saúde e pelas Centrais Estaduais de Transplantes.
A equipe que realiza o transplante renal é multidisciplinar. Participam do procedimento o nefrologista, urologista, cirurgião vascular, cirurgião geral e anestesista. Outros especialistas de suporte, como intensivista e radiologista, também podem ser chamados.
Quem quiser que seus órgãos sejam doados após a morte, deve avisar a família para que ela possa autorizar o procedimento médico de retirada.
O Congresso Nacional autorizou o governo a doar imunizantes contra a covid-19 a outros países afetados pela pandemia, em caráter de cooperação humanitária. Essa possibilidade está prevista na Lei 14.343, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (20).
De acordo com a nova lei, caberá ao Ministério da Saúde intermediar as doações, bem como definir quantitativos e destinatários dos imunizantes doados, desde que “ouvido o Ministério das Relações Exteriores”.
As despesas que decorrerem do transporte dos imunizantes doados ficarão a cargo do país destinatário da doação ou à conta de dotações orçamentárias do governo federal ou de outros colaboradores.
Ainda segundo a nova legislação, a doação dependerá da manifestação de interesse e da anuência de recebimento do imunizante pelo país beneficiado. Por: Agência Brasil
A polícia conseguiu libertar na madrugada desta sexta-feira (20) uma jovem, que não teve a sua identidade e nem idade revelada, no bairro Estiva, situado, às margens da BR-135, na zona rural de São Luís, após ter sido mantida refém por quatro homens.
Segundo a polícia, o sequestro da jovem estava acontecendo desde a noite dessa quinta (19) e ela estava escondida em um cativeiro na zona rural da capital. Os criminosos ameaçavam atear fogo nela, caso a família não pagasse o resgate.
A Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) entrou no caso e conseguiu encontrar os criminosos. Três conseguiram ser presos, mas um continua foragido. Por: G1 MA
Termina, às 23h59 (horário de Brasília) deste sábado (21), o prazo de inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, versões impressa e digital. Todos os interessados em fazer o exame, isentos ou não, devem se inscrever pela Página do Participante. O exame será aplicado em todos os estados brasileiros, nos dias 13 e 20 de novembro.
Pagamento
Após a inscrição, o participante não isento deve acessar a Página do Participante, com login e senha únicos cadastrados no portal do governo federal (Gov.br), para escolher a forma de pagamento da taxa de inscrição, no valor de R$ 85.
O prazo para pagar a taxa é até 27 de maio. Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) possibilitou o pagamento da taxa por meio de PIX e cartão de crédito, além do tradicional boleto – Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança). Vale lembrar que, após selecionar a opção de pagamento, não será possível alterar a escolha. Por: Agência Brasil
O ministro da Educação, Victor Godoy Veiga, disse hoje (19) que acredita que a plataforma Avaliações Diagnósticas e Formativas, que visa monitorar e classificar o ensino em todos os níveis no Brasil, poderá se tornar “um dos maiores bancos de dados para avaliação da educação básica no mundo” em pouco tempo. A afirmação foi feita durante a abertura do 1º Fórum de Discussão de Resultados das Avaliações Diagnósticas e Formativa do Ministério da Educação.
“Essa ferramenta muito em breve, vai se tornar um dos maiores repositórios de dados de avaliação da educação básica em todo o mundo. E esses frutos representam uma esperança. Esperança de que possamos não só enfrentar os efeitos da pandemia na qualidade da educação brasileira, mas também enfrentar outras deficiências que nós temos na nossa educação”, disse.
O ministério aposta na plataforma para avaliar quanto os estudantes aprenderam em determinado período. No ambiente virtual estão disponíveis 579 cadernos de avaliação, compreendendo os componentes curriculares de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza, Língua Inglesa, Fluência e Produção Textual. As avaliações correspondem ao primeiro ciclo de 2022 e abrangem toda a etapa do ensino fundamental (1º ao 9º ano) e ensino médio (1º ao 3º ano).
Os primeiros resultados serão tornados públicos pelo ministério para serem discutidos. As possibilidades de enfrentamento das defasagens encontradas, inclusive as intervenções pedagógicas focalizadas nos pontos de maior fragilidade fazem parte dessa discussão.
Ainda neste ano, serão disponibilizados 4 ciclos de avaliações diagnósticas e formativas, permitindo o acompanhamento do desempenho dos estudantes bimestralmente e uma melhor organização do trabalho pedagógico das escolas com objetivo de recuperar, efetivamente, as dificuldades de aprendizagem mapeadas pela plataforma.
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira participaram, nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, do Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes. Eles falaram sobre as políticas públicas que impulsionam a economia verde no Brasil e participaram da ação simbólica de plantação de árvores no Jardim Botânico.
Neste segundo dia do evento, no painel Inovações tecnológicas e descarbonização no setor de óleo e gás, especialistas destacaram que, por mais que o mundo passe por uma transição para a fontes verdes de energia, ainda dependerá por um bom tempo da energia gerada por combustíveis fósseis, como o petróleo.
De acordo com o diretor de Desenvolvimento da Produção da Petrobras, João Henrique Rittershaussen, a expectativa é de que o petróleo se mantenha na matriz energética mundial ainda por algumas décadas. Por isso, a empresa investe em estratégias de descarbonização.
À tarde, o tema do debate foram as usinas eólicas offshore, localizadas em alto-mar. Os participantes relataram experiências implantadas em países como Alemanha e Dinamarca e sobre os critérios a serem levados em conta para a instalação desse tipo de usina – ainda em discussão no Congresso
Ações
Na quarta-feira, o secretário executivo da Casa Civil, Jônathas Assunção, falou sobre ações adotadas pelo governo federal no setor de saneamento, a fim de levar esgoto e água tratada para milhões de brasileiros.
Assunção destacou que o programa de crescimento verde do Brasil, proposto pelo governo, preserva o meio ambiente, além de gerar mais empregos e renda com a transformação de setores, como saneamento e energia. A Casa Civil foi o órgão articulador do governo que conduziu a aprovação do Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços de saneamento básico até 2033.
“A transição global para uma economia de baixo carbono é uma evidente realidade. Com a aprovação do Novo Marco Legal, os investimentos no setor de saneamento vão trazer ao Brasil protagonismo de desenvolvimento econômico sustentável”, destacou o secretário.
Os leilões da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), do Amapá, e de Alagoas foram responsáveis pela contratação de R$ 37,6 bilhões em investimentos para o setor, com potencial de atendimento a mais de 15 milhões de pessoas com água e esgoto tratados.
Além disso, com os investimentos de R$ 2,1 bilhões do próprio governo federal, foram realizadas ações de abastecimento de água, tratamento de esgoto, saneamento integrado, urbanização e drenagem de águas pluviais em todo o País, que totalizam 138 obras e projetos concluídos em 2021.
A diretora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Martha Seiller, falou sobre estratégias corporativas de desenvolvimento sustentável. “É importante que o setor financeiro comece a precificar a questão do desenvolvimento sustentável, melhorando as condições e diminuindo juros para as empresas que têm esse bônus verde, esse olhar sustentável para seus projetos e business”, disse.
Congresso
O Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes conecta estratégias corporativas, projetos e cases, além de orientar políticas públicas que impulsionam a economia verde no Brasil.
Durante três dias, mais de 100 especialistas, entre empreendedores e líderes de grandes corporações nacionais e internacionais, estarão reunidos para debater e propor soluções inovadoras e de tecnologia sustentável para que o País se torne um exportador de energia verde ou limpa para o mundo e caminhe para a neutralidade em emissões de gases de efeito estufa. Por: Agência Brasil
O governo federal alterou para cima a previsão da inflação deste ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que em março era estimado em 6,55% para o ano, agora teve a previsão elevada para 7,9%. A estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu de 6,7% para 8,10%, e a do Índice Geral de Preços (IGP-DI), de 10,01% para 11,4%. A estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,5%. Os dados, divulgados hoje (19), são do Boletim Macro Fiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia.
Para 2023, o governo federal manteve também a previsão do PIB e aumentou a da inflação. O PIB, segundo a estimativa, deverá fechar 2023 com alta de 2,5% (a mesma previsão do último boletim, divulgado em março). Já o IPCA deverá encerrar 2023 em 3,6% (a previsão de março era alta de 3,25%); o INPC, em 3,7% (3,5% era a estimativa em março); e o IGP-DI, em 4,57% (4,42%).
“A expectativa para a taxa de inflação [IPCA] aumentou de 6,55% para 7,90% em 2022 e de 3,25% para 3,60% em 2023. A partir de 2024, espera-se convergência da inflação [IPCA] para a meta de 3%. Em relação ao INPC, a projeção para 2022 elevou-se de 6,70% para 8,10%”, diz o texto do documento.
Segundo o boletim, a melhora no desempenho do PIB brasileiro tem ocorrido em razão da retomada no setor de serviços e ampliação dos investimentos, o que, de acordo com o documento, tem refletido na recuperação do mercado de trabalho. O texto destaca que o setor de serviços cresceu 1,8% no primeiro trimestre de 2022, atingindo o maior patamar desde maio de 2015.
“A estimativa de crescimento do PIB brasileiro para 2022 foi mantida em 1,5%. De 2023 em diante, as estimativas permaneceram em 2,5%. Desde março, em linha com as projeções da SPE, pode-se notar uma revisão altista das expectativas de mercado para a atividade econômica”, diz o texto.
Pureza estreia nos cinemas: Filme conta a história da maranhense que lutou para livrar o filho do trabalho escravo contemporâneo — Foto: Divulgação
Estreia, nesta quinta-feira (19), em todo o Brasil, o filme ‘Pureza’, que conta a história da mãe maranhense Pureza Lopes Loyola, que durante três anos enfrentou diversos perigos e obstáculos para encontrar seu filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido ao Pará em busca da sorte no garimpo.
Maranhense Pureza Lopes Loyola (Imagem retirada do documentário ‘Pureza: uma mulher contra o trabalho escravo’ do programa educacional Escravo, Nem Pensar! da ONG Repórter Brasil. — Foto: Reprodução/Escravo, Nem Pensar!
A luta de Dona Pureza a tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo e agora a história dela chega aos cinemas, sendo interpretada pela atriz Dira Paes.
Cena do filme ‘Pureza’, com Dira Paes. — Foto: Divulgação / Downtown Filmes
A luta dela, iniciada em 1993, levou à criação de grupo que já resgatou 57 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão. Considerada uma heroína abolicionista contemporânea, a luta de dona Pureza foi reconhecida internacionalmente e, assim, em 1997, recebeu em Londres o Prêmio Antiescravidão oferecido pela organização não governamental britânica Anti-Slavery International, a mais antiga organização abolicionista em atividade.
E para comemorar o lançamento do longa no Maranhão, protagonizado pela atriz Dira Paes, foi realizada uma coletiva de imprensa do filme na Procuradoria Regional do Trabalho – PRT 16ª Região, em São Luís, com participação da dona Pureza, da direção, elenco e convidados.
Pureza estreia nos cinemas: Filme conta a heroica história da maranhense que lutou para livrar o filho do trabalho escravo contemporâneo — Foto: Divulgação/Wanderson Nicolau e Andrea Barbosa
O longa, dirigido por Renato Barbieri e produzido por Marcus Ligocki Jr., já foi vencedor de 28 prêmios nacionais e internacionais.
Durante o evento, Pureza Lopes contou que enfrentou grandes dificuldades na saga em busca de seu filho e que viu de perto o desespero de trabalhadores submetidos à escravidão contemporânea.
“Eu vi muito choro, homem chorando como criança. Eu nada poderia fazer e apelava para Jesus de Nazaré. Eu perguntei porque ele (o trabalhador) tanto chorava, ele disse que era porque estava devendo e não podia sair. Tinha mais de 60 homens e eles começaram a conversar e dizer que não podiam sair sem pagar a conta, só que essa conta só aumentava. Além de trabalharem de graça, ainda compravam a comida mais caro. É dureza, eu vi com meus olhos”, relatou a maranhense.
Dona Pureza também contou sobre as condições nas quais encontrou o filho Abel, após três anos de busca incessante.
“Meu filho estava com malária, doente, já estava no Mato Grosso, inchado até a cintura. As pernas feridas de mosquito beliscar. Eu sofri mais do que cavalo no sertão com carga d´água. Foi a última coisa que eu fiz, foi pedir pra Jesus que queria meu filho vivo, custasse o quanto custasse. Custasse até a minha vida, mas queria meu filho vivo. E eu fazia esse clamor a Deus, colocava meu rosto no chão e clamava a Jesus de Nazaré e ele providenciou. Hoje eu sou a pessoa mais rica que tem. Sou vencedora de uma briga perante um país tão grande que nem o nosso e tão rico. É o mais rico que tem no mundo, então pra que escravidão? Porque não leva o povo e paga? Trabalhou pagou”, defende dona Pureza.
O diretor do filme Renato Barbieri trabalhou por cerca de 17 anos até o lançamento do longa. O cineasta destaca que o filme retrata apenas acontecimentos reais e falas de fato ditas por dona Pureza, porque sua história é tão rica que não precisou inserir histórias para encher espaço. O diretor destacou que para a produção do filme houve um intenso trabalho de pesquisa, para tentar transpor para a tela do cinema a profundidade, o impacto e importância da história de Pureza.
“Foi uma pesquisa muito intensa, eu fui entrevistando trabalhadores que foram escravizados, falei muito com dona Pureza, fui conhecendo os abolicionistas, pessoas que foram me dando muito subsídio. No fim, essa pesquisa ficou tão grande, e o filme se passa de 1993 a 1995, que é o período da jornada heroica de dona Pureza. O cinema é arte e é ciência, e a gente foi fazendo esse filme dentro de uma tecitura dramatúrgica, artística e cinematográfica”, destacou Barbieri.
O diretor também abordou o fato de o trabalho escravo contemporâneo ainda ser uma realidade no Brasil, por isso o filme Pureza é tão importante, pois traz à tona a servidão a qual milhares de trabalhadores brasileiros são submetidos.
“Infelizmente é uma história atualíssima, ela poderia ter acontecido hoje, em 2022. Infelizmente isso acontece. Tem muitas Purezas, mães absolutamente angustiadas pelo sumiço de seus filhos ou então essas mães recebem os restos dos seus filhos, como se fossem veteranos de guerra. O nosso país é rico, mas vivemos em um estado que eu diria que é colonial, porque ao mesmo tempo que a gente se separou de Portugal, nós nos tornamos colônia de nós mesmos, da nossa própria elite oligárquica escravagista. Então eu acho que está na hora da gente escrever um novo livro, um livro de uma nação livre”, defende Barbieri.
Um dos atores do filme é Marinaldo Soares Santos, um trabalhador que foi resgatado por três vezes de situação análoga à escravidão e atualmente faz parte da militância contra a exploração da mão de obra. Para ele, participar do filme foi uma oportunidade de mostrar a história que ele viveu.
“Eu fui escravizado desde os meus 18 anos e fui resgatado três vezes. E acontecia de eu estar sendo escravizado e eu achava normal, achava que era porque eu era pobre e precisava daquilo ali. Na verdade eu nem reconhecia o meu direito. Só depois que eu fui resgatado pela Centro de Defesa e me deram muitas explicações, foi que eu caí na real. E mostrar nossa história é um jeito de mostrar para as pessoas que ainda existe trabalho escravo e foi um gesto de pedir socorro, pra ver se damos um jeito de acabar com o trabalho escravo. Porque se ficarmos de braços cruzados continuaria sempre do mesmo jeito ou até pior”, destacou Marinaldo.
Para a procuradora do Trabalho no Maranhão Virgínia de Azevedo Neves, a história de Marinaldo e dona Pureza retratam uma realidade ainda persistente no Brasil, principalmente no Maranhão, que ainda é o Estado do Brasil que mais alicia e fornece mão de obra escrava. A procuradora destaca que esse crime ainda acontece de forma intensa pela falta de políticas públicas que sejam capazes de modificar toda uma estrutura escravagista na qual o Brasil está inserido.
“O trabalho escravo é muito rentável, gera lucro para o empregador, porque ele escraviza e ganha muito dinheiro não cumprindo as obrigações trabalhistas. Então, gera muito lucro no Brasil e no mundo e ele existe, primeiro, por causa do contexto histórico do nosso país. A história do Brasil de escravidão é de pessoas que foram, teoricamente, libertadas, mas que não teve nenhuma política pública de inserção dessas pessoas. Então, elas foram abandonadas e não tiveram uma profissionalização adequada. E os descendentes dessas pessoas vivem uma situação de pobreza absoluta, de desigualdade absoluta e pra sobreviver, elas têm que se submeter a esse tipo de trabalho”, explica Virgínia de Azevedo.
A procuradora do Trabalho também destaca que, ainda hoje, o Brasil não possui políticas públicas para a população mais pobre e há, também, uma negação por parte de muitas autoridades políticas de que haja trabalho escravo.
“No momento em que as autoridades negam o trabalho escravo, já destrói toda aquela política que vinha avançando. Fora isso, é a questão do investimento. Como é que eu posso combater o trabalho escravo? É com prevenção, repressão, mobilização social, que é a função do filme Pureza, e conscientização. Se eu não tiver recurso público direcionado para isso, eu não vou conseguir avançar”, enfatiza a procuradora Virgínia de Azevedo.
A saga de uma mãe
Pureza Lopes Loyola, que foi a inspiração do filme ‘Pureza’, é uma maranhense, nascida na cidade de Presidente Juscelino, município a 85 km de São Luís. Depois ela se mudou para Bacabal, a 240 km da capital, por causa do marido. Mas o casamento chegou ao fim, e dona Pureza ficou com cinco filhos para criar.
Para sobreviver, ela e os filhos trabalhavam em uma olaria e com a venda de tijolos. Evangélica, ela alfabetizou-se aos 40 anos com o objetivo de ler a Bíblia.
Em 1993, a vida de Pureza tomou um rumo inimaginável. Depois de meses sem receber notícias do filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido para o Estado do Pará em busca da sorte em um garimpo, Pureza decidiu seguir seu rastro. Ela saiu de casa apenas com a roupa do corpo, uma bolsa, sua Bíblia e uma foto do filho Abel.
Em busca de Abel, Pureza desafiou fazendeiros e jagunços para resgatar o filho da escravidão contemporânea na Amazônia brasileira. Ela se infiltrou em fazendas como cozinheira e descobriu um perverso sistema de aliciamento e escravidão de trabalhadores, que eram ‘contratados’ com falsas promessas, para derrubar grandes extensões de mata nativa a fim de converter a área em pastagem para o gado.
De fazenda em fazenda, Pureza conheceu de perto o drama dos peões e se tornando amiga e confidente de muitos trabalhadores. Ela conheceu o esquema dos empregadores, que confiscavam os documentos de identidade dos empregados e os tornavam totalmente dependentes dos encarregados para obter roupa, comida e produtos básicos. Pureza também ouviu relatos de trabalhadores que poderiam ser mortos se tentassem se rebelar ou fugir.
Após conseguir fugir do cárcere privado, dona Pureza decidiu agir e denunciou a situação dos trabalhadores. Com a ajuda da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pureza entrou em contato com o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho no Maranhão, no Pará e em Brasília. A mãe chegou a escrever cartas para três presidentes da República: Fernando Collor, Itamar Franco (o único que lhe respondeu) e Fernando Henrique Cardoso. Até hoje, ela guarda uma cópia de cada uma dessas cartas.
O reconhecimento da história heroica da luta de Pureza para encontrar Abel fez com que, em 1995, fosse criado o primeiro grupo especial móvel de fiscalização para fazer cumprir a lei e garantir os direitos trabalhistas em todo o território nacional. Do ano de criação até 2021, esse grupo conseguiu libertar mais de 57 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão.
Além do grupo, a luta de Pureza também fez com que ela recebesse, em 1997, em Londres, o Prêmio AntiEscravidão da Anti-Slavery International, a mais antiga organização de combate ao trabalho escravo em atividade no mundo.
Atualmente, Abel vive na cidade de Bacabal com dona Pureza e a família.
O filme que relata essa história heroica pode ser visto a partir desta quinta-feira (19), nos principais cinemas do Brasil. Por: G1-MA