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Campina Belas Artes: literatura e música mostram força da cultura da Rainha da Borborema

Campina Grande é cenário de versos, melodias e histórias que atravessam gerações. — Foto: Diogo Almeida/G1

Campina Grande, que completa 161 anos de história neste sábado (11), é cenário de versos, melodias e histórias que atravessam gerações. Poetas, músicos e escritores encontraram na cidade um território fértil para criar e preservar a cultura nordestina.

A literatura e a música caminham lado a lado na construção dessa identidade. Dos folhetos de cordel às bandas e orquestras, a cidade guarda memórias e forma talentos que levam o nome da Borborema para o mundo. Ao longo das décadas, a Rainha da Borborema mantém viva a tradição que a tornou um dos principais polos culturais do Nordeste.

Livros, cordéis e revistas ajudam a contar a história de Campina Grande e a preservar o que há de mais marcante na cultura da cidade. As feiras e os encontros populares sempre foram palco para autores que transformam o cotidiano em poesia e narrativa.

“Se a Paraíba é o berço do cordel, imagine Campina Grande. O cordel do passado, o seu palco de atuação era a feira, e a cidade era esse grande repositório vivo, de trocas e afetos”, afirma a pesquisadora Joseilda Sousa .

 

Com o tempo, a produção literária local ganhou novas formas. O escritor Bruno Gaudêncio lembra que, durante muitos anos, a literatura esteve ligada ao jornalismo. “A partir da segunda metade do século XX é que vai haver uma diversificação muito grande da produção literária na cidade. E esses autores vão começar a dialogar com a produção literária não só brasileira, mas internacional”, explica.

Parte importante dessa memória está reunida na Academia de Letras de Campina Grande, criada em 1981. O presidente da instituição, Thélio Farias, ressalta que o espaço continua sendo o principal centro de preservação da produção literária da Borborema.

“A Academia foi fundada por grandes intelectuais da época e, desde então, é o centro de referência da preservação da literatura feita por campinenses e pessoas da região. Todos os nomes relevantes têm ligação com a Academia de Letras de Campina Grande”, afirma.

 

Mas é na Biblioteca Átila Almeida, no Campus I da UEPB, que está um dos maiores símbolos do protagonismo literário da cidade. O local abriga mais de 18 mil folhetos de cordel e é considerado um dos maiores acervos do mundo. Segundo Joseilda, o acervo é reconhecido internacionalmente.

“Ela já é, em si, uma das coleções mais invejáveis do mundo. Temos mais de 18 mil folhetos e somos o maior acervo mundial. Aqui chegam pesquisadores do mundo inteiro buscando essa genealogia. Hoje, é uma rota para os estudos”, destaca a pesquisadora.

A música também faz parte da identidade campinense. Do forró à música clássica, a cidade é palco para artistas, projetos e formações que fortalecem a cultura regional e projetam talentos para além da Borborema. O professor Vladmir Silva lembra que essa relação vem de longe.

“A música sempre esteve presente em Campina Grande desde o início da sua história, por meio das bandas, de nomes como Capiba e da criação dos cursos de artes, na década de 1970. Essa relação da música de concerto remonta há bastante tempo”, explica.

 

Além de tradição, a cidade também é reconhecida pela formação de músicos que levam seu aprendizado para o mundo.

“Já formamos inúmeros alunos que estão no mercado de trabalho, muitos mestres e doutores que também saíram daqui e têm voltado para compartilhar experiências conosco. Existe música também no interior da Paraíba, e temos levado essa socialização do acesso a diferentes lugares”, completa o professor.Fonte: G1-PB

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