O Rio Sanhauá foi o berço do nascimento da capital paraibana há 439 anos. Cidade que cresceu e amadureceu entre a mata, o rio e o mar. Chega a essa idade atraindo também quem vem de outros cantos do país. De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, João Pessoa apresentou um crescimento representativo na quantidade de moradores em 2022.
Uma faixa etária específica se destaca na multidão: os idosos representam 14% da população pessoense, formada por mais de 830 mil habitantes. Conforme a análise do Núcleo de Dados da Rede Paraíba, o índice de envelhecimento na capital, que em 2010 era de 31,6, saltou em 2022 para 52,2. Isso significa, de acordo com o IBGE, que são 52 idosos para cada 100 crianças e adolescentes e, quanto maior o indicador, mais envelhecida é a população.
Crescimento gradativo do índice de envelhecimento
Em 2022, eram 52 idosos para cada 100 crianças e adolescentes e, quanto maior o indicador, mais envelhecida é a população
20,120,131,631,652,252,22000201020220102030405060
2000 20,1
Fonte: IBGE
Os dados mostram que há uma tendência de envelhecimento na capital. O economia Amadeu Fonseca explica as consequência desses números.
“Com a chegada dos idosos aqui na cidade, uma série de negócios podem ser impactados com esse público. A gente sempre fala muito sobre o setor de serviços que atende de forma generalizada, desde a área de saúde até a parte dos cuidadores e também setores do ponto de vista do comércio local, que são beneficiados, restaurantes, a parte do turismo também. Vários setores são impactados com a chegada desse público aqui na cidade. Uma vez que essas pessoas vão migrando para a nossa cidade, especialmente pela região, pela boa localização, a infraestrutura que a cidade já tem, então isso pode ser uma oportunidade também para outros negócios”, explica o economista.
Além das praias e a natureza, o custo de vida, ainda considerado acessível, atrai esses novos moradores. Ana Lúcia Barone e o marido, Alexandre Barone, vieram de São Paulo para morar em João Pessoa em 2018. O encanto com a cidade começou após o casal passar uma temporada de férias na capital. Foi naquele momento que Ana, aposentada da carreira de professora de história, e Alexandre, da área de logística, projetaram um novo estilo de vida que, segundo eles, só seria possível na capital paraibana.
“O que trouxe a gente aqui após aposentadoria foi ter uma qualidade de vida melhor, estar próximo ao mar, estar em uma cidade que não tem trânsito, estar usufruindo da aposentadoria com uma qualidade de vida boa”, explica Ana Lúcia.
A paixão pela cidade é tanta que Ana se especializou e hoje é guia de turismo, um trabalho que ela tem orgulho por trazer a possibilidade de apresentar a capital para outras pessoas.
“Tive a ideia de fazer um curso de guia, regional, pelo IFPB, e agora estou terminando o nacional, porque a minha intenção é realmente mostrar a cidade de João Pessoa, essa maravilha que é a cidade, uma cidade desenvolvida, uma cidade gostosa para se viver”, descreve Ana Lúcia.
Adjani Lucena tem 81 anos. E resolveu que, nessa idade, queria um momento para si. Em 2013 preferiu viver com outros idosos no Lar da Providência, uma casa de apoio em João Pessoa.
Adjani Lucena, 81 anos, moradora do Lar da Providência — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco