Na manhã deste domingo (11), voluntários encontraram peças de roupas infantis em uma região de mato, dentro da área de buscas pelos irmãos Ágata Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que estão desaparecidos desde a tarde do último dia 4 de janeiro, em Bacabal (MA).
Segundo um dos voluntários, as peças estavam perto de uma grota, em região de mato alto, ainda dentro do povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, onde as crianças sumiram. Além das roupas, havia uma xícara de porcelana.
A Polícia Civil deve analisar as peças que, possivelmente, são das crianças desaparecidas.
Essa é a segunda vez que roupas infantis são encontradas na região de mata durante as buscas. No fim da manhã de quinta-feira (8), um calção e uma sandália foram localizados em uma área de mato. Após investigação da Polícia Civil, constatou-se que as peças eram do menino Anderson Kauã, que estava desaparecido junto com os primos Ágata e Allan e foi encontrado por carroceiros ainda na quinta.
Também na manhã deste domingo, a Perícia Oficial do estado voltou ao povoado para realizar trabalhos periciais. As informações sobre o caso são mantidas em sigilo pela Polícia Civil, para não atrapalhar as investigações.
Buscas chegam ao 8º dia
Neste domingo, as buscas pelas crianças desaparecidas chegaram ao 8º dia. A operação conta com o reforço de 26 homens do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, de São Luís, e 15 policiais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar. Com isso, cerca 600 pessoas, entre agentes de segurança e voluntários, buscam pelos irmãos, de acordo com infomações oficiais da Segurança Pública do Maranhão.
As equipes se concentram em uma área onde há um lago de 800 metros, região onde roupas de Anderson Kauã, de 8 anos, foram achadas na quinta-feira (8). Além dos objetos encontrados, o relato do menino também levou a crer que os irmãos possam estar na região.
Anderson Kauã, que é primo de Ágata e Allan, afirmou ter deixado os dois no local enquanto buscava ajuda. O relato do primo dos desaparecidos foi feito aos pais e à psicóloga, que o acompanha no hospital onde está internado. Segundo a criança, o grupo teria passado por um lago, onde ele deixou os primos antes de sair em busca de socorro. O menino foi encontrado na quarta-feira (7).
De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, o terreno é irregular, com poucas trilhas, difícil acesso e diferentes tipos de vegetação. A região não possui energia elétrica e apresenta riscos adicionais, como a presença de armadilhas instaladas por caçadores, prática comum na área.
A procura pelas crianças também estão sendo feitas em outras áreas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/R/E/xQBC7ASbaHgzExOiLBYw/montagens-1920-x-1080-px-2-.png)
Após relato de menino de 8 anos, buscas por crianças desaparecidas se concentram em lago em Bacabal, no MA —Foto: Reprodução/TV Mirante
Centenas de voluntários se uniram às forças de segurança no Maranhão para procurar os irmãos que desapareceram no domingo (4). A cada dia, novos voluntários chegam para reforçar as equipes que atuam sem parar.
Juscelino Morais, pedreiro, integra um grupo de 50 pessoas de um povoado a 40 km da base de apoio. “Nosso desejo é encontrar as crianças vivas. Viemos em mais de 50 pessoas e vamos ficar até a noite ajudando”, disse.
Antônio Pereira Brito, encarregado de asfalto, também deixou o trabalho para se unir às buscas. “Quem tem filho se coloca no lugar. Viemos dar força para a comunidade”, afirmou.
Pedro Ferreira, pescador, reforça a esperança: “A vontade é grande. Se Deus quiser, vamos encontrar.”
Quem não conhece a região conta com a orientação dos moradores, que indicam trilhas e caminhos antigos. “Alguns jovens conhecem bem a área e lembraram de uma estrada antiga que dá acesso a São Sebastião dos Pretos. A intenção é atravessar por esse caminho”, explicou um voluntário.
O caso ganhou ainda mais atenção porque Anderson Kauan, de 8 anos, que também estava desaparecido, foi encontrado por produtores rurais há dois dias e segue internado em observação. A estrada onde Anderson foi localizado fica a cerca de 100 metros do rio Mearim. Por isso, moradores com embarcações também ajudam, percorrendo o rio em busca de pistas.
O empresário Ibrahim Rachid reuniu dois amigos para percorrer o rio. “A gente se sensibiliza com as crianças. Por isso vim dar reforço aqui nas margens, perto de onde Anderson foi encontrado”, contou.
Para dar suporte à operação, a prefeitura montou duas bases de apoio. As equipes se revezam e trabalham 24 horas por dia.
Na noite de quinta-feira (9), após um dia exaustivo, o avô de Ágata Isabelle, Oswaldo, disse que mantém a esperança.
“É o que nos dá força para lutar. Mas é difícil, não sabemos onde procurar. A angústia só aumenta. Nunca pensei em passar por isso”, afirmou emocionado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/F/sD6kdZQiiXPQdsSQNQ0w/whatsapp-image-2026-01-09-at-15.21.19.jpeg)
Comunidade mobilizada: centenas ajudam nas buscas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA) — Foto: Reprodução/ TV Mirante
Como é a área de mata onde crianças sumiram enquanto brincavam
A região onde três crianças desapareceram na zona rural de Bacabal (MA) é marcada por vegetação fechada, áreas de pasto e açudes, segundo o Corpo de Bombeiros. A área de buscas, que possui cerca de 15 km², fica entre o Quilombo de São Sebastião dos Pretos e o Povoado de Santa Rosa, onde o menino de 8 anos foi encontrado, a aproximadamente 4 km em linha reta do local do desaparecimento.
De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, o terreno é irregular, com poucas trilhas, difícil acesso e diferentes tipos de vegetação.
“O terreno é de uma vegetação, parte em pasto e parte em vegetação densa. Também temos açudes e lagos, e essa região onde temos os açudes e lagos tem uma predominância de vegetação um pouco mais fechada, inclusive com espinhos”, explica.
Além da vegetação fechada, a região não possui energia elétrica e apresenta riscos adicionais, como a presença de armadilhas instaladas por caçadores, prática comum na área. Segundo o tenente-coronel, esses dispositivos podem causar acidentes e dificultar o deslocamento seguro de bombeiros e voluntários.
Durante as buscas, equipes encontraram serpentes na área, o que exige atenção redobrada dos bombeiros. A mata também concentra muitos insetos e outros animais silvestres.Fonte: G1-MA