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Trump ameaça China com tarifas adicionais de 50% após Pequim retaliar

U.S. President Donald Trump gestures, ahead of delivering remarks on tariffs, in the Rose Garden at the White House in Washington, D.C., U.S., April 2, 2025. REUTERS/Leah Millis     TPX IMAGES OF THE DAY

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou a China nesta segunda-feira (7) com tarifas adicionais de 50% sobre todas as importações do país caso Pequim não recue da decisão de impor tarifas recíprocas contra Washington.

“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão Tarifas ADICIONAIS à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, anunciou o presidente estadunidense em uma rede social.

Caso cumpra o prometido, os EUA terão elevado em 84% o valor de todos os produtos chineses que entram no país norte-americano em uma semana. Trump acrescentou que todas as negociações com a China estão encerradas. “As negociações com outros países, que também solicitaram reuniões, começarão a ocorrer imediatamente”, completou Trump.

No último dia 2 abril, os EUA iniciaram uma guerra de tarifas contra todos os parceiros comerciais, com taxação adicional de 34% sobre todos os produtos chineses que entram no país norte-americano.

Em resposta, a China decidiu retaliar com tarifas de 34% sobre todos os produtos estadunidenses que entram no país asiático, além de estabelecer restrições para exportação de minerais raros, chamados terras raras, e proibir o comércio com 16 empresas dos EUA.

A guerra de tarifas tem derrubado as bolsas em todo o mundo e elevado as incertezas sobre o futuro do comércio mundial enquanto Trump promete manter sua nova política comercial.

O céu não cairá

O jornal que serve de porta-voz do Partido Comunista Chinês (PCC) –  o Diário do Povo –  publicou nesse domingo (6) longo editorial pedindo calma e argumentando que o “céu não cairá” com as tarifas de Donald Trump.

“Diante do impacto da intimidação tarifária dos EUA, temos grande capacidade de suportar a pressão. Nos últimos anos, construímos ativamente um mercado diversificado e nossa dependência do mercado dos EUA vem diminuindo. As exportações da China para os Estados Unidos como parcela do total de exportações caíram de 19,2% em 2018 para 14,7% em 2024”, afirmou o diário chinês. Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

Dólar sobe para R$ 5,91 com novas ameaças de Trump à China

Funcionário de casa de câmbio do Cairo conta notas de dólar
20/03/2019
REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

Em mais um dia turbulento no mercado internacional, o dólar fechou acima de R$ 5,90 e voltou aos valores de fevereiro. A bolsa de valores caiu pela terceira vez seguida e chegou ao menor nível em quase um mês, após as novas ameaças de Donald Trump à China.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (7) vendido a R$ 5,911, com alta de R$ 0,075 (+1,29%). A cotação chegou a cair perto do fim da manhã, quando surgiu uma fake news (notícia falsa) de que o governo de Donald Trump suspenderia por 90 dias a elevação de tarifas comerciais. No entanto, a moeda voltou a subir assim que a Casa Branca desmentiu a notícia.

A moeda norte-americana está no maior valor desde 28 de fevereiro, quando tinha fechado em R$ 5,916. O anúncio de Trump de que pretende impor uma tarifa adicional de 50% aos produtos chineses, caso o país asiático não reverta a sobretaxação de 34%, afetou o mercado global.

O mercado de ações também teve mais um dia de instabilidade. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 125.588 pontos, com queda de 1,31%. Por alguns minutos, o indicador subiu, motivado pela fake news do adiamento do tarifaço pelos Estados Unidos, mas caiu assim que a notícia foi oficialmente desmentida.

A bolsa brasileira está no menor nível desde 12 de março. O indicador acompanhou as bolsas norte-americanas, que também caíram, mas em menor intensidade que nas últimas sessões.

O índice Dow Jones (das empresas industriais) caiu 0,91%. O S&P 500 (das 500 maiores empresas) perdeu 0,23%. O índice Nasdaq (das empresas de tecnologia), o que mais recuou na semana passada, avançou 0,10%.

As bolsas norte-americanas tiveram desempenho melhor que as asiáticas e as europeias. Nesta segunda-feira, a bolsa de Hong Kong caiu 13,22%, e a de Tóquio, 7,83%. Na Europa, a bolsa de Frankfurt perdeu 4,13%, e a de Londres caiu 4,38%.

Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil**Com informações da Reuters

Brasil tem reservas para enfrentar decisões de Trump, diz Lula

Cajamar (SP), 07/04/2025- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visita o setor de distribuição do Mercado Livre. 
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Brasil tem reservas internacionais suficientes para enfrentar as decisões do governo Donald Trump, disse nesta segunda-feira (7) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante anúncio de investimentos do setor de logística em Cajamar (SP), Lula reiterou que a economia voltará a crescer mais que o previsto em 2025.

“Nós pagamos a dívida externa brasileira. Nós, pela primeira vez, fizemos uma reserva [internacional] de US$ 370 bilhões, o que segura este país contra qualquer crise. Mesmo o presidente Trump falando o que ele quer falar, o Brasil está seguro porque temos um colchão de US$ 350 bilhões, que dá ao Brasil e ao ministro da [Fazenda] Fernando Haddad uma certa tranquilidade”, disse Lula, em evento promovido pela empresa de comércio eletrônico Mercado Livre.

Segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC), as reservas internacionais estavam em US$ 338,6 bilhões na última sexta-feira (7). No entanto, se contar os cerca de US$ 17 bilhões leiloados pelo BC desde o ano passado com compromisso de serem recomprados ao longo deste ano, o total sobe para US$ 355,6 bilhões.

Crescimento da economia

Durante o evento, o Mercado Livre anunciou investimentos de R$ 34 bilhões no Brasil apenas neste ano. Para o presidente, as apostas da empresa no país são justificadas porque a economia brasileira continuará a crescer acima do previsto neste ano, por causa de medidas recentes do governo para estimular o crédito e o consumo.

“Agora, as pessoas dizem: ‘A economia vai desacelerar, ela vai crescer menos’. E eu quero dizer para vocês, na frente dos trabalhadores do Mercado Livre, que a economia brasileira vai surpreender. Porque essa gente que fica discutindo o chamado mercado, essa gente que fica discutindo a economia não conhece o microcrédito funcionando, e o dinheiro chegando na mão de milhares e milhões de pessoas”, declarou Lula.

Segundo o presidente, a melhoria na economia já vem sendo percebida nos últimos anos, ao citar, como exemplo, que categorias profissionais tiveram reajuste salarial acima da inflação. “O salário mínimo já aumentou acima da inflação por dois anos consecutivos. O emprego voltou a crescer todo o ano. E o crédito está acontecendo com muita força nesse país, muita força”, destacou.

Desde que Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas a produtos de outros países, chamado tarifaço, bolsas de valores de diversos país tiveram quedas. Para o presidente, o crescimento no Brasil não vai depender de outros países.

“Não depende de ninguém, não depende dos Estados Unidos, não depende da China, não depende da África, só depende de nós brasileiros”, disse.

“É isso que nós queremos: não queremos nada demais. Nós só queremos ser tratados com respeito, com dignidade, porque nós temos esse direito porque quem produz a riqueza desse país são vocês”, afirmou

Mercado Livre

Ao visitar o Centro de Logística do Mercado Livre, Lula abraçou funcionários da empresa e até colocou um pacote na esteira para ser encaminhado para entrega.

Ele esteve acompanhado de Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre no Brasil, que explicou como será utilizado o aporte de R$ 34 bilhões neste ano. “É um aporte para conseguirmos avançar na nossa logística. Esse valor vai ser aportado tanto no Mercado Livre quanto no Mercado Pago e no marketing”, disse Yunes durante o evento.

Yunes também anunciou que a empresa vai contratar neste ano mais 14 mil pessoas, somando 50 mil funcionários no Brasil até o final deste ano.

Estavam na comitiva os ministros da Fazenda, Fernando Haddad; do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; e do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil, Márcio França, além do prefeito de Cajamar, Kauãn Berto.

Fundado em 1999, o Mercado Livre é a companhia líder em e-commerce e serviços financeiros na América Latina, com operações em 18 países e mais de 84 mil funcionários diretos. A operação no Brasil representa 54% do total do negócio da empresa. Fonte: Elaine Patricia Cruz e Wellton Máximo – repórteres da Agência Brasil

Idosa é encontrada morta e com sinais de violência em Chapadinha, no MA

Dona Indacy foi assassinada em Chapadinha — Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil está investigando o caso de uma idosa que foi encontrada morta e com sinais de violência na Zona Rural de Chapadinha, a cerca de 247 km de São Luís.

Segundo as investigações, a idosa era conhecida como ‘Dona Indacy’ e era muito querida na comunidade em que morava, no Povoado Buritizinho. Atualmente, ela era aposentada e morava sozinha, mas tinha muitos parentes.

Nos últimos dias, amigos de Indacy desconfiaram do sumiço da idosa, até que foram até a residência onde ela morava, manhã desta segunda-feira (7). No local, segundo a polícia, Indacy estava morta, sem roupas e com as vísceras expostas.

Peritos do Instituto Médico Legal (IML) foram até a região e a Polícia Civil aguarda o resultado do exame cadavérico para constatar a causa da morte, assim como a possibilidade de abuso sexual. Fonte: G1-MA

Livro de memórias de Ney Matogrosso será tema do Clube do Livro CCBB

Ney Matogrosso

Mais uma vez, a coerência pontua a vida do cantor Ney Matogrosso, contada no livro Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias. A publicação surgiu em um momento em que o cantor pensava em reunir todas as matérias publicadas sobre ele, para ver se era coerente em seu pensamento. “Foi assim que começou a história do livro”, contou em entrevista à Agência Brasil.

Embora seja um livro de memórias de passagens marcantes da sua trajetória pessoal e profissional, Ney revelou que, durante o trabalho com o organizador do livro, o escritor Ramon Nunes Mello, não teve a questão de reviver o passado, porque tudo já está muito distante no tempo.

“Então, não tem, assim, movimento emocional. Não existe isso. É uma coisa que sai conversando, e eu dou total liberdade de perguntar o que quiser. Não tem problema”, afirmou, explicando que foi fácil trabalhar com Ramon, de quem é amigo desde 2011. “Ele me conhecia”.

Clube de Leitura

Todas essas histórias serão divididas com o público que estará presente no segundo Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil em 2025, no dia 9. Os encontros organizados pelo CCBB, sempre na segunda quarta-feira de cada mês, são realizados no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do Brasil, no quinto andar do CCBB-Rio. Com entrada gratuita, a retirada dos ingressos é na bilheteria do CCBB ou pelo site.

“Vamos lá sentar e conversar. Não sei nem qual é o formato da coisa. Sei que a gente vai sentar em uma mesa e começar a conversar sobre o livro. Quer dizer, o assunto é o livro, mas é de uma maneira mais geral, não é restrito a ele”, explicou Ney, disposto a conversar sobre qualquer assunto da sua trajetória.

Para o artista, a elaboração do Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias, foi bem diferente da que viveu com o primeiro livro publicado sobre ele. O Um cara meio estranho, escrito pela jornalista Denise Pires Vaz, causou um certo impacto nele.

“Nunca tinha falado sobre a minha vida tão claramente para um livro. Um cara meio estranho, da escritora chamada Denise, uma jornalista na verdade, me deixou meio inseguro de estar expondo tanta coisa da minha vida, mas eu também não achava outra forma de falar que não fosse a verdade. Eu fiquei meio inseguro. Já com o Ramon, não. Não tive insegurança em nenhum momento. No primeiro, eu não sabia qual seria a reação àquilo. Nesse, eu já estava mais firme, mais maduro da cabeça”, comparou.

Parte dessa sensação de mais conforto vem da amizade que ele e Ramon têm há 14 anos. “O fato de ser uma pessoa com que eu tinha proximidade mudou tudo. A primeira, não. Eu não conhecia a moça. Ela, um dia, chegou para mim e disse que queria fazer um livro. Eu fiz uma entrevista para uma revista com ela e, logo em seguida, passado um tempo, ela veio com essa história de livro. Eu falei: ‘Não quero livro. Não quero falar da minha vida’, mas ela foi insistente. Nós tivemos várias brigas durante o percurso todo do livro”, comentou, concordando que a insistência de Denise foi meio Ney, em ser firme no que quer fazer. “Sim, e aí fui concedendo para ela, mas irritado. Ela queria ir muito”, disse sorrindo.

Ramon destacou que ele não se coloca como autor e, sim, organizador do livro, com um trabalho de escuta de quem é o personagem da publicação. “A minha assinatura não está na capa, está na parte interna do livro. É como se o Ney tivesse contando aquela história, em um livro de memórias. Não me proponho a fazer uma biografia. Não é uma biografia. É um livro de memórias, com fragmentos de vida importantes para o Ney”, explicou.

Rio de Janeiro – 04/04/2025  Ney com o Ramon Nunes Mello. Foto Isa Pessoa.
Ney Matogrosso com o Ramon Nunes Mello. Divulgação/Isa Pessoa.

Saída de casa

Entre as memórias que estão no livro, estão as divergências que tinha com o pai, que tentou impor sua autoridade e moldar o seu comportamento. Foi, por não concordar com isso, que saiu de casa.

“Sabe o que eu acho disso? Dessa história minha de ter saído de casa aos 17 anos? Foi a melhor coisa que eu fiz na vida. Eu ousaria dizer que todos os adolescentes deveriam fazer isso. Sai de casa, vai viver sua vida. Você estuda o suficiente, sai de casa e vai viver sua vida. É uma experiência muito boa. No final da sua juventude, você vai crescendo mais seguro de si, dono da sua história, dono da sua vida. Tudo que meu pai me proibiu, depois que eu saí de casa, eu me aproximei de tudo, teatro, música, pintura. De tudo, tudo, eu me aproximei”, relatou, dizendo que, assim, teve oportunidade de expandir o seu horizonte. “Sim, porque só me interessava a arte mesmo. Era só isso”.

Ney contou que este momento só reforçou a sua necessidade de viver em liberdade. “Acho que a única forma boa de viver é com liberdade total, absoluta. Claro que, na vida, a gente vai mudando. Há momentos em que você quer mais liberdade, e, outros, em que você necessita de menos, mas é isso. A liberdade sempre em primeiro lugar para mim, sempre, desde criança, dentro e fora de casa”, pontuou.

Mediadores

A mediação deste Clube de Leitura será da curadora Suzana Vargas e do Ramon Nunes Mello, com o microfone aberto para o público presente nos 30 minutos finais do encontro. Já no quarto ano de existência, o clube começou no fim da pandemia e tem mantido um público fiel. Segundo Suzana Vargas, um dos objetivos do clube é tratar a leitura de uma forma mais plural.

“O Ney é uma grande personalidade da cultura brasileira e é um grande leitor. Esse é um traço que as pessoas desconhecem, veem o Ney no palco e não levam em conta o homem de cultura que ele é. A gente vai conversar também sobre os livros na vida dele. O público vai ter oportunidade de se informar sobre o Ney”, afirmou à Agência Brasil.

“O Ney é um bicho livre, só faz o que deseja, não tem nenhum tipo de censura ou autocensura para absolutamente nada. Aqui no livro, ele se desnuda, o envolvimento dele com drogas, ele nomeia e dá nome aos bois e também a tudo que contribuiu para ele ser a pessoa que é hoje. Um dos artistas que mais admiro no sentido da postura existencial dele”, completou, adiantando que, durante a conversa, Ney vai ler um trecho do livro, que estará à venda na entrada da Biblioteca.

“Pra mim o Ney é o símbolo da liberdade. Se você pensa na liberdade no Brasil, você pensa no Ney, esse ser que defende a livre manifestação artística, a manifestação do ser e vem com essa bandeira desde que estreou. Então, ele tem uma coerência muito grande no pensamento dele, no que acredita, no que defende, e isso no auge dos 83 anos”, afirmou Ramon, acrescentando que Ney é um multiartista, cantor, compositor, dançarino, ator de cinema, iluminador e diretor de teatro e shows, além de ativista do meio ambiente e da defesa de animais.

Filme

O Clube de Leitura com o livro do Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias ocorre pouco antes da estreia, no dia 1º de maio, de outra obra: o filme Homem com H, que conta momentos da vida do artista que quebrou preconceitos e sempre se destacou pela verdade com que conduz o seu caminho. O longa é dirigido pelo diretor Esmir Filho.

A coincidência entre os dois lançamentos é que o livro foi uma das fontes para o filme. “Eles juntaram [esse livro] com o livro do Júlio Maria [Ney Matogrosso: A biografia]. Juntaram as informações desses dois livros e fizeram o filme”, contou o cantor.

Ney já assistiu ao filme mais de uma vez e gostou de ter participado diretamente durante a produção. “Eu tinha uma única coisa que pedia ao diretor: ‘não pode ter mentira’. O filme tem que prezar somente a verdade, e trabalhamos assim, com muita liberdade. Eu li 12 roteiros do filme”.

O personagem principal gostou do que viu. “Eu vi o filme e confesso que na primeira vez, fiquei bastante emocionado, porque era muita coisa crua jogada na minha cara, mas eu gosto do filme, gosto muito do resultado. Os atores estão maravilhosos, todos. O diretor é muito bom”, elogiou, brincando com a diferença de linguagens entre as duas obras. “É, em um livro você imagina, no cinema você vê”, concluiu. Fonte: Agência Brasil, Cristina Índio do Brasil – repórter da Agência Brasil

STF: para maioria, teto de gasto não se aplica à receita do Judiciário

Palácio do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três poderes em Brasília

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou por excluir do teto de gastos do novo arcabouço fiscal as receitas próprias dos tribunais e demais órgãos do Judiciário – como as custas processuais e os emolumentos, entre outras fontes.

A corrente majoritária entendeu que o gasto feito com essas receitas não está sujeito a limitações se o dinheiro for aplicado no custeio dos serviços das atividades específicas do Poder Judiciário.

Votaram assim o relator, ministro Alexandre de Moraes, e os ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, que havia pedido vista do processo em fevereiro. O tema é julgado no plenário virtual e os demais ministros têm até a próxima sexta-feira (11) para votar.

Em seu voto, Moraes escreveu ser essa a “solução que prestigia” a autonomia orçamentária do Judiciário. A exclusão das receitas próprias do Judiciário “não afeta o comprometimento institucional no esforço de recuperação da higidez fiscal”, assegurou o ministro.

 “É que as receitas provenientes da União e conformadas pelo orçamento público continuarão a ser regidas pelo teto do regime fiscal sustentável. Subtrai-se dele somente aquilo que o Poder Judiciário ‘angaria sponte propria’ [por vontade própria]”, acrescentou Moraes [por vontade própria]”, acrescentou Moraes.

>>Entenda as regras do novo arcabouço fiscal

O arcabouço fiscal atual, em vigor desde 2023, impõe um limite de 0,6% a 2,5% para o crescimento das despesas primárias da União, o que inclui os orçamentos globais dos Três Poderes. Pela regra geral, os gastos de um ano só podem crescer 70% do que tiver crescido da arrecadação fiscal do ano anterior.

Em manifestação ao Supremo, o Legislativo e o Executivo enfatizaram que a legislação sobre o arcabouço fiscal foi aprovada e sancionada tendo em vista o esforço de cada poder para o controle da dívida pública, o que inclui as receitas do Judiciário, que devem ser submetidas ao novo teto.

Para a maioria dos ministros do Supremo, contudo, limitar os gastos do Judiciário com o dinheiro que ele próprio arrecada é inconstitucional, por violar a divisão dos Poderes.

A ação direta de inconstitucionalidade sobre o tema (ADI 7641) foi aberta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A entidade reclamou que a legislação deveria ter dado aos tribunais o mesmo tratamento conferido a instituições como as universidade e empresas públicas, que tiveram permissão para gastar além do teto se o dinheiro vier de receitas próprias. Fonte: Agência Brasil

Fies: instituições de ensino têm até hoje para confirmar participação

Fundo de Financiamento Estudantil,Fies

As instituições privadas de ensino superior têm até esta segunda-feira (7) para confirmar a participação na edição de oferta de vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para o primeiro semestre de 2025.

O programa do Ministério da Educação (MEC) oferece financiamento para cursos de graduação em universidades e faculdades privadas que tenham avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

O objetivo da política pública é facilitar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior. 

Vagas remanescentes

Os dados para o Fies 2025 do primeiro semestre devem ser preenchidos virtualmente, até as 23h59 de hoje, pelas faculdades privadas exclusivamente, pelo Sistema Informatizado do Fies (Sisfies), no módulo com o  título Fies Oferta. Para acessar o sistema, é preciso ter cadastro no Login Único do portal Gov.br.

Devem ser informados dados de cada curso a ser ofertado, número de vagas, turno, local e valores das semestralidades.

Somente as instituições que fizeram a adesão ao Fies do primeiro semestre de 2025 e ao Fundo Garantidor do Fies ficam habilitadas a assinar eletronicamente o termo de participação, no módulo FiesOferta.

Cronograma

Após o período de confirmação de participação, o novo edital publicado pelo MEC, de 8 a 11 de abril, permitirá que as instituições de ensino superior verifiquem e até corrijam informações do documento que formaliza a participação nessa edição do Fies.

O edital ainda determina que as faculdades privadas divulguem, em suas páginas eletrônicas na internet e com a fixação em local de grande circulação de estudantes, a participação da entidade no processo seletivo.

A divulgação deve informar o número de vagas remanescentes disponibilizadas, a relação de cursos e turnos de cada local de oferta da instituição, bem como a legislação que ainda será publicada pelo MEC relativa a vagas remanescentes do Fies.

Fies 2025/1

O Ministério da Educação (MEC) confirmou que, em breve, divulgará novo edital com as regras e o cronograma para a inscrição dos estudantes às vagas remanescentes do Fies, que sobram das etapas anteriores de seleção do programa neste ano.

Na fase regular do Fies 2025/1, as universidades privadas de ensino superior ofereceram 67.301 vagas de cursos de graduação.  Na outra ponta, o programa recebeu mais de 493 mil inscrições de 198.579 candidatos. Cada um deles pode se inscrever em até três opções de cursos.

Agora, as vagas remanescentes são destinadas exclusivamente aos estudantes efetivamente matriculados no curso, turno e local de oferta para os quais se inscreveram.

A pasta aguarda apenas as informações prestadas pelas mantenedoras das instituições de ensino superior não gratuitas até esta segunda-feira. Fonte: Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil

Dia dos jornalistas: como conteúdos profissionais podem vencer fakes

Fake News; Notícia Falsa; Celular; Notebook; Computador; Notícia - Nova onda de fake news no Brasil influencia a guerra digital. Foto: Freepik

De um lado do front, postagens com conteúdos que se assemelham a notícias ou mesmo aqueles com aparência de amadorismo, mas que se apresentam como se estivessem interessados em denunciar irregularidades. Do outro lado, notícias e reportagens produzidas por jornalistas profissionais baseadas em apuração e checagem de fatos. Eis o duelo. 

Vencer essa disputa pela atenção da sociedade tem sido um dos maiores desafios da categoria e dos veículos de comunicação, e esse é um debate que se impõe em datas como o Dia dos Jornalistas, celebrado nesta segunda, 7 de abril.

De acordo com pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, o que pode estar em jogo nessa batalha é a garantia do direito humano à informação e também a manutenção da democracia. Mesmo não se tratando de um contexto simples de ser enfrentado, quem estuda o tema garante que há estratégias em diferentes dimensões para proteger a sociedade.

Apelo da desinformação

O interesse maior de parcela da sociedade por esses conteúdos desinformativos pode ser explicado também pela elitização no acesso a conteúdos profissionais até a revolução digital, no final do Século 20. Segundo a professora Sílvia Dal Ben, que faz pesquisa de doutorado na Universidade do Texas, em Austin (EUA), sobre jornalismo automatizado, a internet gerou um processo de democratização, tanto do acesso ao conteúdo quanto dos meios de produção dos conteúdos.

Se o jornalismo sensacionalista atrai muito os leitores, isso ocorre, no entender dela, tanto por causa do ponto de vista estilístico, mas também pelas condições tecnológicas de infraestrutura.

“Essa democratização dos meios de produção e da mídia, nos últimos 30 anos, abriu espaço para públicos, leitores, espectadores, terem contato com mensagens e conteúdos jornalísticos de comunicação e de mídia que antes não tinham”, pondera.

O problema é que também abre espaço para disseminação de conteúdos que não são confiáveis e com interesse de gerar manipulação. “É como se a gente vivesse hoje numa Torre de Babel. As pessoas se comunicam, têm muita informação, mas parece que elas não se entendem”, diz Silvia Dal Ben.

>>> Desinformação sobre autismo cresceu 150 vezes em seis anos

“É preciso mudar a mentalidade”

A pesquisadora brasileira, que conclui a tese este ano nos Estados Unidos, avalia que foi um “tiro no pé” a ideia de que, com a internet,  a informação deveria ser em um formato mais conciso, simples e curto. “A gente abriu espaço para uma alfabetização de conteúdo digital muito superficial. Nós, jornalistas, precisamos mudar essa mentalidade e as práticas jornalísticas de ficar produzindo notinhas mal apuradas e pouco aprofundadas”, critica.

Ela não entende que postagens apenas em nome de audiência possam fortalecer o jornalismo profissional. “A base do jornalismo é informação checada. Com boa apuração, informação checada e de qualidade”. Para vencer a “batalha”, o fundamental, como defende a pesquisadora, é, em primeiro plano, oferecer para as audiências um conteúdo de qualidade proporcionado por uma estrutura que garanta aos profissionais tempo e recurso.

“Mais apuração”

No campo das estratégias, inclusive, a professora Fabiana Moraes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avalia que materiais desinformativos já têm sido combatidos pelo jornalismo profissional com estéticas semelhantes às das fakes, mas com conteúdos responsáveis.

Para ela, pode ser útil buscar semelhanças à estética desses tipos de postagens e incorporar informações socialmente responsáveis. “A estética é a forma, mas [é necessário] preenchê-la com um conteúdo profissional, bem escrito e apurado. Ou seja, jornalismo”, diz a docente que teve, na carreira jornalística, a marca de pautas aprofundadas em direitos humanos, que lhe renderam, por exemplo, três prêmios Esso e seis livros.

Ela considera que está incluída, nesse contexto de batalha, outra “densidade de disputa”, tanto nas redes sociais quanto fora delas. Isso porque, conforme considera, as fake news têm facilidade de capturar essa atenção por conta do “espírito de achaque”, com elementos de sensacionalismo e de baixa qualidade informativa.

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“Nova distribuição”

Outra estratégia que precisa ser reconfigurada nesse cenário, segundo Sílvia Dal Ben, é o da distribuição de conteúdo para as pessoas.

“Os jornalistas e os meios de comunicação têm que utilizar as mesmas ferramentas que os influenciadores e as personalidades de redes sociais. E distribuir os seus conteúdos de qualidade em diferentes formatos”, receita.

Da mesma forma, a professora de comunicação Thaïs de Mendonça Jorge,  da Universidade de Brasília (UnB), defende necessidade de aperfeiçoar as estratégias de chamada de atenção, uma vez que existe uma queda no interesse da leitura no País. “Nós temos que interpretar mais e fazê-las compreender como aquele tema pode ser interessante para a vida delas”.

A professora da UnB organizou a publicação do livro o livro Desinformação – O mal do século – Distorções, inverdades, fake news: a democracia ameaçada, resultado de uma parceria entre a UnB e o Supremo Tribunal Federal

A pesquisadora defende que a indústria de desinformação tem tentáculos que organizam e distribuem os materiais para enredar o público. “Eles usam esse artifício do bombardeamento. Muita gente não tem instrução e se deixa levar por essa onda, que é uma ‘modalidade’ de informação”, lamenta.

>>> Conheça os vencedores do Prêmio EBC de Combate à Desinformação

“Alfabetização para a mídia”

Aliás, sobre o desafio diante das audiências, segundo o que argumenta a professora Silvia Dal Ben, é necessária a alfabetização de mídia para ensinar diferentes públicos a diferenciar um conteúdo profissional com credibilidade de conteúdos falsos e manipuladores. Em acréscimo, a professora considera que o caminho da distribuição é outra ação importante nessa guerra, uma vez que há um fenômeno internacional de se “evitar notícias”.

Inclusive, para o pesquisador Josenildo Guerra, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), diante da dificuldade notória de enfrentamento, são necessários produtos que possam conciliar uma qualidade informativa com uma narrativa que possa se tornar também interessante para esse público.

“É muito desafiador, porque as fake news operam com informações truncadas e de certo apelo que se tornam objetos de consumo fácil”. Por isso, ele defende mais pesquisas para desenvolver novos produtos que aliem qualidade informativa com uma narrativa que seja interessante e acessível para o público.

“Escuta plural”

Brasília (DF) 26/10/2023   Comissão de Comunicação da Câmara realiza audiência pública sobre a importância da formação superior para o exercício do jornalismo. ( Samira de Castro Cunha, presidenta da FENAJ).  Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Samira de Castro Cunha, presidente da FENAJ, em audiência na Câmara dos Deputados Lula Marques/ Agência Brasil

A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Samira Castro, pondera, entretanto, que o jornalismo profissional tem uma força que as fake news não têm: o compromisso com a verdade, com a apuração séria, com a escuta plural e com a responsabilidade pública.

A representante da categoria defende que, quando o jornalismo consegue traduzir temas complexos de forma acessível, com rigor e sensibilidade, conquista confiança.

“E é essa confiança que pode vencer o ruído das mentiras. A credibilidade, construída com ética e consistência, é o nosso maior trunfo nesse duelo”. Fonte: Luiz Claudio Ferreira – repórter Agência Brasil