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Mesmo preso por tentativa de feminicídio, homem planejava matar a ex-mulher de dentro da cadeia no MA

Ledson Rodrigues de Oliveira, ex-marido de Edemires, é apontado como mandante da tentativa de feminicídio. — Foto: Reprodução/TV Mirante

O plano foi encontrado pela Polícia Militar durante uma revista de rotina dentro da cela onde Ledson Rodrigues está preso preventivamente, por suspeita de tentar matar a ex-mulher, a professora Edemires Barbosa.

A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) está investigando um plano que teria sido elaborado por Ledson Rodrigues de Oliveira, de dentro da prisão, para matar a ex-mulher dele, a professora Edemires de Moura Barbosa, de 35 anos, na cidade de Balsas, a 805 km de São Luís.

Edemires já tinha sido vítima de uma tentativa de feminicídio no ano passado, quando foi baleada dentro de casa, enquanto almoçava com os filhos. Logo após o crime, Ledson Rodrigues, que também é professor e pai dos filhos de Edemires, foi preso suspeito de ser o mandante.

Edemires de Moura Barbosa, de 35 anos, sofreu uma tentativa de feminicídio. — Foto: Reprodução/TV Mirante

Mesmo estando preso, o ex-marido da vítima estaria planejando uma nova forma de matar a professora. O plano foi encontrado pela Polícia Militar durante uma revista de rotina dentro da cela onde Ledson Rodrigues está preso preventivamente por suspeita de tentativa de feminicídio.

Liedson teria planejado todo esquema dentro da cadeia, utilizando uma folha de papel. Nas anotações feitas a mão, foi descrita a rotina da professora de forma detalhada, além de ter sido desenhado uma espécie de mapa nos endereços que ela frequenta. Após encontrar as anotações, o papel foi encaminhado para a PC-MA iniciar as investigações.

Liedson teria planejado todo esquema dentro da cadeia, utilizando uma folha de papel — Foto: Reprodução/TV Mirante

“Quando chegou aqui para a gente, a gente percebeu que há muitas informações sobre a rotina dela, modelo e placa do carro, endereço de familiares. Inclusive, contém informações recentes, como a aprovação dela num concurso público”, disse Fagno Oliveira, delegado regional de Balsas, responsável pelas investigações.

A polícia desconfia que Liedson não tenha trabalhado sozinho no planejamento do crime, há possibilidade de que ele tenha contado com a ajuda de outras pessoas fora da cadeia para planejar o assassinato da ex-companheira.

“A gente acredita que ele mesmo, dentro da cadeia, planejava contando com apoio de alguém de fora, para voltar a atentar contra a vida de Edemires”, informou o delegado.

Em entrevista para a TV Mirante, a professora Edemires relata que não se sente segura em nenhum lugar que esteja e que teme pela própria vida. Mesmo dentro de casa, ela conta que precisa de segurança por se sentir constantemente ameaçada.

“ Está sendo tenso, em virtude de me sentir ainda ameaçada, de me sentir insegura. Em qualquer lugar que eu esteja, eu me sinto insegura. Eu preciso ter segurança. Não segurança emocional, é segurança física. Infelizmente, eu estou me sentindo ameaçada constantemente ”, relatou Edemires.

Professora Edemira Barbosa diz se sentir em constante ameaça. — Foto: Reprodução/TV Mirante

A Polícia Civil também investiga o aparecimento de um rastreador clandestino no carro da professora Edemires. Ela teria descoberto o aparelho quando levou o carro à oficina junto com a família. A PC desconfia que Ledson teria instalado o equipamento quando teve contato com o veículo.

“Ela teve a cautela, junto com a família, de levar o carro a uma oficina e nessa oficina descobriu um rastreador instalado de maneira clandestina, que provavelmente foi o próprio ex-marido que instalou quando teve contato com o veículo algum tempo atrás”, disse Fagno Oliveira.

Tentativa de feminicídio

No dia 25 de março de 2023, Edemires foi atingida por três tiros enquanto almoçava com os dois filhos, dentro de casa.

De acordo com informações da Polícia Civil do Maranhão, dois homens invadiram a casa de Edemires. Em seguida, um dos autores do crime sacou uma arma de fogo e disparou três vezes contra a professora, que foi atingida na região das mãos e do rosto. Os criminosos fugiram do local, em um veículo sem placa.

Após a tentativa de assassinato, a vítima foi encaminhada ao Hospital Regional de Balsas, onde precisou ser entubada, em um leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois Edemires Barbosa foi internada em um hospital particular, no estado do Piauí, onde foi submetida a uma cirurgia de reconstrução de parte da face.

As investigações apontaram que o crime foi praticado por dois homens, identificados como Antônio Botelho de Sousa, de 26 anos, e Jhorranes Leite da Silva, que foram presos no mês de abril de 2023.

A dupla teria sido contratada por Ledson Rodrigues, ex-marido de Edemires. Antônio Botelho foi apontado como autor dos disparos que atingiram a professora. Já Jhorranes Leite confessou que foi o responsável por dirigir o carro usado no dia do crime.

Ainda segundo a equipe de investigação da Polícia Civil, Ledson teria ligações com Antônio Botelho, que era ex-aluno dele, e teria participação no aluguel do veículo utilizado durante a ação criminosa. Fonte: G1-MA.

Moraes será relator do inquérito sobre assassinato de Marielle

Brasília (DF), 19/12/2023 - O ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante sessão de encerramento do Ano Judiciário. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Investigação, que estava no STJ, chegou ao Supremo na quinta-feira

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido para relatar o inquérito que apura os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A escolha foi feita por meio do sistema de distribuição eletrônica de processos.

A investigação chegou ao Supremo na quinta-feira (14), após o surgimento da citação de uma autoridade com foro privilegiado no processo que apura os mandantes dos assassinatos.

O inquérito está em segredo de Justiça, e ainda não é possível obter os motivos que levaram a Polícia Federal (PF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o processo tramitava, a enviarem o caso ao Supremo.

Nas questões criminais, cabe ao STF o julgamento de autoridades com foro privilegiado, como deputados federais e senadores.

Em 14 de março de 2018, a vereadora e o motorista Anderson Gomes foram baleados dentro do carro em que transitavam na região central do Rio de Janeiro.

Ontem, amigos de Marielle e Anderson e de outras vítimas de violência protestaram contra o crime, que até hoje não foi esclarecido.

Em outro processo sobre a investigação, o policial militar reformado Ronnie Lessa deve ser levado a júri popular. Ele é acusado de ser um dos executores dos assassinatos. Contudo, diante do acordo de delação premiada assinado com os investigadores, ainda não é possível saber se ele continuará preso. 

Fonte: Agência Brasil Edição: Nádia Franco

Anderson Torres diz que nunca tratou de golpe de Estado

Brasília (DF) 10/08/2023 - A CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) se reúne, para ouvir o ex-secretário de Segurança do DF e ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. 
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Depoimento do ex-ministro à PF foi tornado público pelo STF

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres, em depoimento prestado em 22 de fevereiro à Polícia Federal (PF), em Brasília, afirmou que em nenhuma oportunidade no Palácio da Alvorada, após o segundo turno das eleições presidenciais de 2022, tratou de golpe de Estado, nem mesmo da abolição do Estado Democrático de Direito, Garantia da Lei e da Ordem, Estado de Sítio, Estado de Defesa, intervenção militar ou algo do gênero.

Na oitiva, Anderson Torres declarou nunca ter questionado a lisura do sistema eleitoral brasileiro e que não ratificou as palavras do ex-presidente da República Jair Bolsonaro de que haveria fraude nas urnas eletrônicas. 

Os trechos da fala do ex-ministro são respostas a questionamentos feitos pelos agentes da PF sobre a reunião ministerial de 5 de julho de 2022, liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com o primeiro escalão do governo federal. Entre os participantes, estiveram ministros de Estado, secretários executivos e assessores da Presidência da República. O vídeo da reunião faz parte das investigações federais sobre a tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro do ano passado. 

No depoimento, tornado público nesta sexta-feira (15) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Torres confirmou ter participado da reunião após ser convocado pela Presidência da República, mas sem apontar o responsável por organizar o encontro. Ele também disse não saber o motivo de o pré-candidato à Vice-presidência Walter Braga Netto e do deputado federal Filipe Barros terem participado do encontro, visto que não integravam o governo.

Minuta do golpe

Sobre a minuta de decreto do Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apreendida na sua residência, em 10 de janeiro de 2023, ele disse que não a escreveu, e que não tinha conhecimento do teor do documento apresentado em reunião no Palácio da Alvorada, em 7 de dezembro de 2022, pelo assessor Filipe Martins. 

O ex-ministro da Justiça afirmou no depoimento à Polícia Federal que desconhece qualquer plano relacionado ao monitoramento e eventual prisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, em sua residência, no mês de dezembro de 2022.

Fraude

No depoimento, tornado público nesta sexta-feira (15), Anderson Torres negou ter propagado informações de vulnerabilidades e fraudes nas eleições de 2022 e que não recebeu qualquer relatório a respeito da existência de qualquer fraude eleitoral. Ele declarou ainda que não viu parcialidade do Poder Judiciário no processo eleitoral de 2022.

O ex-ministro nega que tenha solicitado a ministros que difundissem informações a respeito de fraude no sistema eletrônico de votação. 

Sobre as possíveis consequências da não reeleição de Bolsonaro, em que ele disse “senhores, todos vão se foder! Eu quero deixar bem claro isso. Porque se … eu não tô dizendo que … eu quero que cada um pense no que pode fazer previamente porque todos vão se foder”, o ex-ministro reiterou que as palavras dele tratavam, na realidade, de um chamamento para que todos os ministros atuassem dentro de suas pastas para que pudessem contribuir com o processo eleitoral e que desejava apenas a vitória. E que a expressão “se foder” significava a perda de todos os avanços que cada um dos ministros tinha obtido ao longo dos 4 anos de trabalho. 

Quanto à declaração que teria prometido atuar de uma forma mais incisiva, o ex-ministro disse que se referia à diretriz de combate aos crimes eleitorais, com emprego de equipes completas em campo, para atuar de maneira proativa, especialmente por parte da Polícia Federal.

PCC

Em relação a declaração durante a reunião ministerial sobre a suposta relação do Partido dos Trabalhadores com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Anderson Torres disse que se referia apenas a duas reportagens divulgadas quatro dias antes da reunião sobre citações do empresário e publicitário brasileiro Marcos Valério Fernandes de Souza, conhecido pelo envolvimento no esquema do mensalão. Ele, no entanto, disse não saber o andamento da apuração na Polícia Federal das referidas reportagens.

Fonte: Agência Brasil Edição: Fernando Fraga

Dólar aproxima-se de R$ 5 com dados econômicos no Brasil e nos EUA

Dólar

Bolsa cai 0,74% e praticamente anula ganhos da semana

A divulgação de dados de aquecimento das economias norte-americana e brasileira provocou tensões no mercado financeiro. O dólar aproximou-se de R$ 5 e fechou no maior nível do ano. A bolsa caiu quase 1% e praticamente anulou os ganhos da semana.

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (15) vendido a R$ 4,997, com avanço de R$ 0,011 (0,22%). A cotação oscilou bastante durante a manhã, alternando momentos de alta e de estabilidade, mas subiu de forma consistente durante a tarde. Na máxima do dia, por volta das 10h30, atingiu R$ 5.

Com o desempenho desta sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,34% na semana e acumula ganho de 0,5% em março. Este ano, a divisa sobe 2,97%.

Bolsa

No mercado de ações, o dia também foi marcado pela turbulência. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 126.742 pontos, com recuo de 0,74%, pressionado principalmente por ações de mineradoras, afetadas pela queda no preço internacional do minério de ferro, e de empresas ligadas ao consumo. O indicador encerrou a semana com perda de 0,26%.

Tanto fatores internos como externos influenciaram o mercado financeiro. Nos Estados Unidos, a inflação ao produtor ficou mais alta que o esperado e as vendas no varejo aceleraram em fevereiro. O aquecimento da economia reduz as chances de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) comece a reduzir os juros da maior economia do planeta em junho. Taxas altas em economias avançadas estimulam a fuga de capitais de países emergentes.

No Brasil, a divulgação de que a geração de empregos dobrou em relação a janeiro do ano passado e de que o setor de serviços cresceu além do previsto ajudaram a segurar o dólar, mas afetaram a bolsa.

Um eventual aquecimento da economia brasileira aumenta as chances de o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) interromper o corte da Taxa Selic (juros básicos da economia) após a reunião de maio. Juros altos no Brasil ajudam a segurar a pressão sobre o câmbio, mas estimulam a migração de investimentos da bolsa de valores para investimentos em renda fixa, como títulos públicos.

* Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil Edição: Fernando Fraga

Pacto de silêncio: 12 militares e 2 civis ficam calados em depoimento

Todos recorreram ao direito de não produzirem provas contra si mesmos

Dos 27 depoimentos concedidos à Polícia Federal (PF) no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e subversão das eleições presidenciais de 2022, 14 pessoas ficaram em silêncio alegando o direito constitucional de não produzirem provas contra si mesmos ou suposta “falta de acesso a todos os elementos de prova”. Todos eles integram, de uma forma ou de outra, de acordo com a própria PF e relatório do Supremo Tribunal Federal (STF), núcleos de pessoas que atuaram dentro do esquema golpista.

Dos 14 que estiveram na PF, 12 são militares, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e faziam parte dos núcleos de assessoramento dele ou ocupantes de cargos no governo federal. De civis, havia um padre e um advogado.

Jair Bolsonaro e Braga Netto são as duas pessoas com maior posicionamento na hierarquia no núcleo golpista. Este último foi ex-ministro da Defesa de Bolsonaro e candidato a vice-presidente na chapa derrotada nas eleições de 2022. Militar da reserva, Braga Netto foi ministro-chefe da Casa Civil, de 2020 a 2021, e ministro da Defesa, de 2021 a 2022. Com longa carreira militar, exerceu o cargo de comandante militar do Leste entre 2016 e 2019. E em 2018, foi nomeado interventor federal na área de Segurança Pública no estado do Rio de Janeiro.

A enorme lista de depoentes que preferiam ficar calados diante dos agentes da PF está o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, que já havia sido secretário-geral do Ministério da Defesa. Foi o almirante que colocou a Marinha à disposição de Bolsonaro em caso de um golpe de Estado ser dado, conforme as investigações.

Pacto de silêncio

Também ex-integrante do ministério na gestão Bolsonaro, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, do Exército, exerceu o pacto de silêncio. Ele foi ministro da Defesa e depois comandante do Exército, e teria recebido visitas do hacker Walter Delgatti em 2022. Para a PF, o general manteve o mais absoluto silêncio. Mas Delgatti contou à CPMI do 8 de janeiro que manteve conversa com Nogueira, além de ter realizado cinco reuniões com técnicos do Ministério da Defesa para apontar “fragilidades” nas urnas eleitorais.

Outro que não depôs foi o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e responsável por frases polêmicas durante a reunião ministerial gravada em julho de 2022. Na ocasião, o general da reserva do Exército Augusto Heleno afirmou que “se tiver que virar a mesa é antes das eleições”. Disse também que era necessário “agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas”.

Mais um militar do Exército e tido como homem de confiança de Bolsonaro na lista dos quietos é o general da reserva Mário Fernandes, que ocupou cargos na Secretaria-Geral da Presidência da República. Em 2022, ele exerceu o cargo de Autoridade de Monitoramento da Lei de Acesso à Informação, instrumento democrático que estabelece procedimentos e prazos para que todos os órgãos públicos prestem informações aos cidadãos, instrumento bastante utilizado pela imprensa.

Ronald Ferreira de Araujo Junior, tenente-coronel do Exército, alvo da Operação Tempus Veritatuis, manteve-se em silêncio. Ele é investigado por suposta participação na organização criminosa que defendeu um golpe militar e por atuar na elaboração da famosa “minuta do golpe”. O militar tinha estreito relacionamento com o ex-ajudante de ordens da Presidência, coronel Mauro Cid. Depois de ter ficado em silêncio, a defesa de Ronald Ferreira pediu à PF que agendasse um novo depoimento para que ele pudesse depor. Ainda não foi definida data ou mesmo a realização da nova oitiva.

Outro militar do pacto de silêncio que atuou junto com o coronel Mauro Cid, o major das Forças Especiais do Exército Rafael Martins de Oliveira, negociou o pagamento de R$ 100 mil para financiar a viagem de manifestantes a Brasília para participar do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas. Rafael Martin foi preso em fevereiro último durante operação da PF.

Mais um integrante da força terrestre que se manteve calado frente à PF, em 22 de fevereiro, é o tenente-coronel do Exército Hélio Ferreira Lima. Ele é identificado em trocas de mensagens com o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. Comandava a 3ª Companhia de Forças Especiais de Manaus do Comando Militar da Amazônia (CMA). Foi exonerado no dia 14 de fevereiro deste ano.

Também perdeu o cargo público, mas no governo estadual de São Paulo, o major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli. Ele foi alvo de busca e apreensão da operação Tempus Veritatis. Antes de ser nomeado para atuar na Prodesp, empresa pública de tecnologia da informação do governo Tarcísio de Feitas, Denicoli ocupou posto na direção do Ministério da Saúde durante a gestão do general Eduardo Pazuello.

Responsável pelo suposto sistema paralelo de inteligência, a Abin paralela, o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara, segundo a PF, não falou nada no dia 22 de fevereiro. Ele também é citado nas investigações por suposto envolvimento nas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro.

Amigo pessoal de Bolsonaro e frequentador da residência do ex-presidente no Rio de Janeiro, o capitão reformado do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros manteve-se em silêncio diante das perguntas sobre suposta ação golpista. Ailton foi expulso do Exército depois de ter recebido punições disciplinares. Já foi investigado por tráfico de drogas. Ao deixar a carreira militar, passou a atuar como advogado. Na eleição de 2022, candidatou-se a deputado estadual e ficou com uma suplência na Assembleia fluminense. Na campanha, apresentava-se como o “01 de Bolsonaro”.

Civis

Os únicos civis do grupo investigado pela PF e alvo da Operação Tempus Veritatis, que também preferiram silenciar no depoimento, são o advogado Amauri Feres Saad e o padre da Igreja Católica José Eduardo de Oliveira e Silva.

Saad é citado na CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro como “mentor intelectual” da minuta do golpe encontrada com o ex-ministro Anderson Torres e também entregue a Bolsonaro. De acordo com relatório do STF, o advogado integrava o chamado “núcleo jurídico” do esquema golpista. O papel do grupo seria o “assessoramento e elaboração de minutas de decretos com fundamentação jurídica e doutrinária que atendessem aos interesses golpistas do grupo investigado”.

Um outro integrante desse “núcleo jurídico”, o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Paróquia São Domingos, na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo, também invocou a Constituição Federal para ficar em silêncio em seu depoimento.

O religioso foi alvo da Polícia Federal em busca e apreensão na operação da PF do dia 8 de fevereiro.

Fonte: Agência Brasil Edição: Carolina Pimentel

Ex-comandante do Exército ameaçou prender Bolsonaro, diz ex-FAB

O comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos de Almeida Baptista Júnior, e o presidente Jair Bolsonaro durante a cerimônia militar de promoção de Graduados do Quadro Especial de Sargentos (QESA), na Base Aérea de Brasília.

Medida seria tomada caso ex-presidente seguisse com tentativa de golpe

O tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que o general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, ameaçou prender o ex-presidente Jair Bolsonaro caso levasse adiante uma tentativa de golpe de Estado. 

O depoimento foi dado no inquérito sobre uma trama golpista elaborada na cúpula do governo de Bolsonaro. O sigilo sobre as declarações foi tirado nesta sexta-feira (15) pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes. 

“Depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro, aventar a hipótese de atentar contra o regime democrático, por meio de alguns institutos previstos na Constituição (GLO ou estado de defesa ou estado de sítio), o então comandante do Exército, general Freire Gomes, afirmou que caso tentasse tal ato teria que prender o presidente da República”, disse o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB). 

O Comandante do Exército, Marco Freire Gomes,  participa de cerimônia alusiva ao primeiro aniversário da Escola Superior de Defesa
General Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército. Fabio Rodrigues-Pozzebom/Arquivo Agência Brasil

Ainda segundo Baptista Jr, Freire Gomes desincentivou Bolsonaro a se valer de teses jurídicas estranhas para dar um golpe, como a decretação de estado de sítio, estado de defesa, ou Garantia da Lei e da Ordem (GLO). 

Segundo relatório da PF, Baptista Jr. disse que, em reunião com Bolsonaro, ele próprio deixou claro que se opunha a qualquer plano golpista e que não havia mais possiblidade do então presidente permanecer no cargo. 

“Em outra reunião de comandantes das Forças com o então presidente da República, o depoente deixou evidente a Jair Bolsonaro que não haveria qualquer hipótese do então presidente permanecer no poder após o término do seu mandato. Que deixou claro ao então presidente Jair Bolsonaro que não aceitaria qualquer tentativa de ruptura institucional para mantê-lo no poder”, diz o relatório da PF sobre o depoimento. 

Carlos-Almeida Baptista Júnior acrescentou ter participado de cinco ou seis reuniões com Bolsonaro e os outros comandantes das Forças Armadas, após a eleição presidencial de 2022. O tenente-brigadeiro disse ter alertado o presidente que não havia fraude nas urnas eletrônicas, tese defendida pelos apoiadores de Bolsonaro para justificar a permanência no poder. 

Segundo contou a PF, o ex-comandante disse que Bolsonaro era atualizado sobre os trabalhos do representante da Aeronáutica na Comissão de Fiscalização das Eleições, sendo avisado que nenhuma fraude havia sido encontrada na votação do primeiro ou do segundo turno. 

O único que “colocou as tropas à disposição” de Bolsonaro, de acordo com Baptista Jr., foi o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha. 

Indagado sobre quando lhe foi apresentada uma minuta para a decretação de golpe, Baptista Jr. disse que o documento foi exibido aos comandantes das Forças Armadas em reunião no Ministério da Defesa, em 14 de dezembro de 2022, pelo então titular da pasta, general Paulo Sérgio de Oliveira. 

De acordo com o relato do ex-comandante da Aeronáutica, Oliveira colocou a minuta sobre uma mesa e disse que gostaria de apresentar o documento “para conhecimento e revisão”. 

“Que o depoente entendeu que haveria uma ordem que impediria a posse do novo governo eleito; Que, diante disso, o depoente disse ao Ministro da Defesa que não admitiria sequer receber esse documento; Que a Força Aérea não admitiria tal hipótese (Golpe de Estado)”, diz a transcrição do depoimento de Baptista Jr, feita pela PF. 

Pelo depoimento do ex-comandante da FAB, o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, “expressou que também não concordaria com a hipótese de analisar o conteúdo da minuta”. Baptista Jr. disse ter se retirado da sala em seguida, mas acrescentou que, enquanto esteve na reunião, o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, “não expressou qualquer reação contrária ao conteúdo da minuta”. 

Baptista Jr. disse ainda aos investigadores que, ao comunicar o então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que não aderiria a nenhuma “virada de mesa”, este teria ficado “atônito” com a afirmação. 

Fonte: Agência Brasil Edição: Aline Leal

Prisão de Moraes garantiria “normalidade”, disse general à PF

O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, durante cerimônia de posse do diretor-geral da PF, na sede da corporação, em Brasília.

General é investigado por participação em plano para prender ministro.

O general da reserva do Exército Laercio Vergílio afirmou, em depoimento à Policia Federal (PF), que a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes seria necessária para “volta da normalidade institucional e a harmonia entre os poderes”.

O militar é investigado pela PF por suposta participação em um plano para prender Moraes, relator das investigações sobre a tentativa de golpe, que tramita no Supremo. 

No depoimento prestado aos investigadores no dia 22 de fevereiro deste ano, o general da reserva foi questionado sobre os áudios captados com autorização judicial que mostram conversas dele com o militar da reserva Aílton Gonçalves, que também é investigado no caso das fraudes nos cartões de vacina de Jair Bolsonaro. 

Em uma das conversas, Laercio comentou que Moraes deveria ser preso no dia 18 de dezembro de 2022, um domingo, pelo comandante da Brigada de Operações Especiais de Goiânia, um dos grupamentos do Exército. 

Questionado pelos policiais sobre sua fala, o general da reserva disse que não executou ou planejou qualquer ato para monitorar ou tentar prender o ministro. 

“Respondeu que não sabe dizer como se daria uma suposta prisão do ministro Alexandre de Moraes, porque estava na reserva desde 2000 e apenas deu sua opinião em relação a esse fato, porque, no seu ponto de vista, a prisão seria necessária para volta da normalidade institucional e harmonia entre os poderes”, diz trecho do depoimento. 

Laercio também negou no depoimento ter defendido um golpe de Estado ao se mostrar favorável à realização de uma “operação especial” que seria liderada por Jair Bolsonaro. 

“Esclarece que a chamada operação especial seria uma fase posterior e que tudo deveria ser realizado dentro da lei e da ordem, embasado juridicamente na Constituição”, afirmou no depoimento. 

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de todos os depoimentos prestados pelos investigados na operação que apura a tentativa de golpe de Estado por Bolsonaro. 

* Colaborou Aécio Amado, da Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo

Imóveis devem ser demolidos nesta sexta-feira (15), no Porto do Capim, em João Pessoa

Demolições no Porto do Capim acontecem na manhã desta sexta-feira (15), em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Sedurb afirma que se trata de estruturas sem moradias, construídas de forma irregular em uma área de preservação permanente próximas a um mangue.

Um total de 19 imóveis na área do Porto do Capim, bairro do Varadouro, em João Pessoa, serão demolidos nesta sexta-feira (15), conforme a Divisão de Controle da Secretaria de Desenvolvimento e Controle Urbano (Sedurb) da cidade.

A Sedurb afirma que se tratam de estruturas sem moradias, construídas de forma irregular em uma área de preservação permanente próximas a um mangue, nas margens do Rio Sanhauá, que é considerada de preservação ambiental permanente. As demolições atendem a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

A ação é realizada por recomendação do procurador José Godoy, do Ministério Público Federal, e executada pela Prefeitura de João Pessoa com apoio da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e da Guarda Civil Municipal.

Antes da operação, ocorreu um estudo e uma inspeção na área, por parte do MPF, para garantir que nenhuma das construções estava habitada.

Ainda assim, a operação mudou a rotina da comunidade. Eram dezenas de caminhões caçambas e de retroescavadeiras que adentravam a comunidade.

Polícia Militar acompanha demolições no Porto do Capim, em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

As demolições também fazem parte da reurbanização do Porto do Capim, projeto que já se estende por anos e afeta a rotina de moradores da comunidade. A Sedurb diz ainda que após essas demolições, o mangue atingido será limpo. Fonte: G1-PB.

Polícia recaptura detento que fugiu da penitenciária de Altos, no PI; quatro continuam foragidos

penitenciária Capitão Carlos José Gomes de Assis — Foto: Gilcilene Araújo/G1

Ao todo, seis presos fugiram da penitenciária no dia 7 de janeiro. Um deles foi recapturado horas depois da fuga. Caso a população tenha informações dos foragidos pode contactar as forças de segurança através do 190.

Guilherme Santos Silva, foragido da Penitenciária Capitão Carlos José Gomes de Assis, em Altos, a 38 km de Teresina, foi recapturado na manhã desta quinta-feira (14) na cidade de Piripiri, a 124 km da prisão. Ao todo, seis presos fugiram da penitenciária no dia 7 de janeiro, quatro continuam foragidos.

Um deles, Mateus Henrique Souza, foi recapturado horas depois da fuga.

A Unidade de Administração Penitenciária (Duap) divulgou os nomes dos seis foragidos:

  • Ivan Carlos Costa Monteiro;
  • Luis Antônio Alves da Cunha;
  • José Edgar Nogueira da Silva – condenado pela morte da empresária Kariane Lima Veras;
  • Sérgio Gabriel Lemos dos Santos (ou Pablo Rafael Melo dos Santos);
  • Guilherme Santos Silva (recapturado);
  • Mateus Henrique Souza (recapturado).

A forma como eles conseguiram escapar está sendo investigada pela Secretaria de Justiça (Sejus).

Caso a população tenha informações dos foragidos poderá entrar em contato com a Administração Penitenciária através do telefone 86 99488 8133 ou demais forças de segurança através do 190.

Em cima, da esquerda para a direita: Guilherme Santos, Sergio Gabriel (ou Rafael), Ivan Carlos Costa; Embaixo: Luís Antônio Alves, Mateus Henrique Souza (recapturado), José Edgar Nogueira — Foto: Secretaria de Justiça do Piauí

Em cima, da esquerda para a direita: Guilherme Santos, Sergio Gabriel (ou Rafael), Ivan Carlos Costa; Embaixo: Luís Antônio Alves, Mateus Henrique Souza (recapturado), José Edgar Nogueira — Foto: Secretaria de Justiça do Piauí Fongte: G1-PI.

Homem é condenado a mais de 13 anos de prisão por matar drag queen em São Luís

Homem é condenado a mais de 13 anos de prisão por matar drag queen em São Luís — Foto: Divulgação

Paula Ferraz foi morta com um disparo de arma de fogo na cabeça, no dia 16 de julho de 2020, por volta das 5h, no bairro Cohab Anil III, em São Luís.

O 2º Tribunal do Júri de São Luís condenou, nessa quarta-feira (13), Genilson da Silva Reis a 13 anos e seis meses de reclusão pela morte e ocultação do cadáver de Pedro Antônio Oliveira dos Santos, 27 anos, conhecido como Paula Ferraz.

Paula Ferraz era drag queen e foi morta com um disparo de arma de fogo na cabeça, no dia 16 de julho de 2020, por volta das 5h, no bairro Cohab Anil III, em São Luís.

Genilson da Silva, que está preso desde agosto de 2021 no estado de São Paulo, deve cumprir a pena em regime fechado na Penitenciária de Pedrinhas, na capital maranhense.

Um segundo acusado de participar do crime, ajudando a ocultar o corpo da vítima, foi inocentado pelo júri das acusações.

O acusado Ismael Torres Gonçalves foi inocentado pelo júri da acusação de ajudar a ocultar o corpo da vítima. — Foto: Josy Lord/TJ-MA

O acusado Ismael Torres Gonçalves foi inocentado pelo júri da acusação de ajudar a ocultar o corpo da vítima. — Foto: Josy Lord/TJ-MA

O crime

Consta na denúncia do Ministério Público que Genilson atraiu Paula Ferraz para o local do crime, com o pretexto de que iriam usar drogas. No momento em que a vítima abaixou a cabeça para acender o “cachimbo de crack”, ela foi alvejada com um disparo de arma de fogo na cabeça, o que impossibilitou sua defesa.

Em seguida, Genilson teria mandado Ismael Torres Gonçalves, acompanhado de uma terceira pessoa, ocultar o corpo da vítima, que somente foi encontrado dois dias após sua morte, enterrado em uma cova rasa.

Ainda segundo a denúncia, uma testemunha ocular confirmou que Genilson da Silva Reis era o autor do homicídio.

O julgamento

No julgamento, realizado nessa quarta-feira (13), no Fórum Des. Sarney Costa, no Calhau, os jurados do 2º Tribunal do Júri reconheceram a autoria, a materialidade, a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima e a ocultação de cadáver e condenou Genilson da Silva Reis pelo crime.

A juíza Ana Gabriela Costa Everton, que presidiu o julgamento, negou a Genilson o benefício de recorrer da decisão em liberdade. O acusado havia se evadido de São Luís e foi preso em São Paulo. Ele acompanhou a sessão do júri e foi interrogado por meio de videoconferência e confessou em plenário a autoria do crime.

No julgamento, o Conselho de Sentença, por maioria de votos, acatando a tese sustentada pelo Ministério Público e pela defesa, absolveu o acusado Ismael Torres Gonçalves de participar da ocultação do cadáver da vítima.

Conforme a sentença condenatória, a motivação do crime não restou suficientemente esclarecida. Consta também que o crime foi cometido em uma via pública utilizada por usuários de drogas ilícitas, na presença de terceiros, com o emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Os pais e uma irmã da vítima acompanharam a sessão de julgamento, que começou por volta das às 9h e só terminou às 18h.

Atuou na acusação o promotor de Justiça Raimundo Benedito Barros Pinto. A defesa do réu Genilson da Silva Reis ficou com os advogados Hélio Muniz Leite e Cláudio Henrique Bezerra, e do acusado Ismael Torres Gonçalves, com o defensor público Pablo Camarço de Oliveira. Fonte: Agência Brasil