Blog do Walison - Em Tempo Real

Homem de 22 anos é encontrado em João Pessoa com sinais de múltiplos espancamentos

Hospital de Trauma de João Pessoa — Foto: Reprodução/Secom

Um homem de aproximadamente 22 anos e ainda não identificado deu entrada na noite dessa quinta-feira (6) no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa com sinais de múltiplos espancamentos.

Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ele foi atendido no bairro dos Funcionários, Zona Sul da capital paraibana, mas não se sabe ainda a autoria e a motivação do crime.

A suspeita, no entanto, é que o crime tenha sido cometida por mais de uma pessoa. Isso porque ele apresentava traumas na face, marcas de agressões em outras partes do cropo e sinais de queimadura no rosto, provavelmente provocada por água quente.

Por meio de nota, o Trauma informou que a vítima estava sem documentos e que por isso não conseguiu localizar familiares ou amigos.

Trata-se de um paciente do sexo masculino, negro, com cabelos pretos, que foi encontrado inconsciente na rua Capitão Carlos. O quadro de saúde é considerado grave e ele se encontra desorientado.

A Polícia Civil da Paraíba vai investigar o caso. Fonte: G1-PB

Sucesso na voz de Elba Ramalho, ‘Ai, Que Saudade D’Ocê’ é a música de Vital Farias mais regravada

Vital Farias (1943 – 2025) foi o compositor das canções ‘Veja (Margarida)’ e ‘Ai que saudade d’ocê’, lançadas em 1975 e 1982 — Foto: Reprodução / Capa da coletânea ‘Do jeito natural’, de 1985

A música “Ai, Que Saudade D’Ocê“, de autoria do cantor e compositor paraibano Vital Farias, foi a mais regravada dele, segundo dados obtidos pelo g1 junto ao Ecad. Vital Farias morreu nesta quinta-feira (6) em decorrência de um infarto agudo. O corpo dele será sepultado ainda nesta sexta-feira (7) em Taperoá, no Cariri paraibano.

Sucesso na voz de nomes como Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, “Ai, Que Saudade D’Ocê” é considerada uma das canções mais emblemáticas da música nordestina. Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), de todas as composições de Vital Farias, a música foi a mais regravada.

Ainda de acordo com o Ecad, Vital Farias deixa um legado musical com 44 obras e 101 gravações cadastradas na gestão coletiva da música no Brasil. As obras são composições, com letra e melodia e em parceria ou não, enquanto as gravações são registros de obras musicais disponibilizadas em formato digital ou físico.

O órgão lamentou a morte do artista e se solidarizou a família, amigos e fãs.

Vital Farias

 

Vital Farias nasceu na zona rural da cidade de Taperoá, no Cariri da Paraíba, em 1943. Na década de 1970, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde se formou em Música.

Em 1978, gravou o seu primeiro disco, intitulado apenas Vital Farias. Sua primeira composição gravada foi “Ê mãe“, em parceria com o saudoso Livardo Alves e gravada por Ari Toledo.

Compositor nato, Farias ficou conhecido nacionalmente por músicas como “Canção em Dois Tempos” e pelas famosas cantorias, com ar de humor e nordestinidade. Ao longo da carreira, ele também fez parcerias com nomes como Geraldo Azevedo, Xangai e Elomar.

Músicas como “Ai, Que Saudade D’Ocê“, sucesso na voz da também paraibana Elba Ramalho, e “Veja”, conhecida pela interpretação de Geraldo Azevedo, também foram compostas por Vital Farias.

Vital Farias morreu em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. Segundo a nota oficial divulgada pelo Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, onde ele estava internado, ele deu entrada na unidade na quarta-feira (5) e chegou a passar por exames e procedimentos de emergência, mas não resistiu na manhã da quinta (6).Fonte: G1-PB

Suspeito de envolvimento na morte de adolescente em 2022 é preso no MA; vítima foi julgada pelo ‘tribunal do crime’

Suspeito de envolvimento na morte de adolescente em 2022 é preso no MA — Foto: Reprodução

Um homem, de 36 anos, suspeito pelo envolvimento no sequestro seguido de morte de uma adolescente de 15 anos, identificada como Marylya Gabriely Bulhão Magalhães, foi preso no bairro João Paulo, em São Luís, nessa quinta-feira (6).

De acordo com a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), o crime aconteceu no dia 7 de setembro de 2022. As investigações apontam que o homem contou com a ajuda de outros quatro homens para sequestrar a vítima.

A operação aconteceu após os agentes terem conhecimento da localização do homem. Os policiais realizaram o monitoramento da área e prenderam o suspeito. Ele foi encaminhado para a Central de Inquéritos e Custódia da Comarca da Ilha.

Segundo a polícia, ele deve responder pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, associação criminosa e sequestro.

Realmente o caso

 

De acordo com as investigações, Marylya Gabriely Bulhão estava na casa do namorado, localizada no bairro Maiobinha, quando os bandidos armados capturaram a vítima e a colocaram em um veículo, sob a acusação de ser ‘X9’, que significa ser delator.

Em seguida, levaram Marylya para o bairro do Coroadinho, na região conhecida como ‘Pocinha’, onde foi ‘julgada’ e teve sua morte decretada pelo grupo criminoso.

A adolescente foi assassinada e, depois, teve o corpo enterrado no Morro da Pedreira. Segundo as investigações da Superintendência Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (SHPP), na época, a vítima teria tido a morte decretada pela facção criminosa por, supostamente, ter repassado informações sobre um roubo para policiais. Fonte: G1-MA

Supervisora de limpeza é agredida e xingada por motorista que tentou atropelar garis no Centro de Teresina

Supervisora de limpeza é agredida e xingada por motorista que tentou atropelar garis — Foto: Eric Souza/g1

Uma supervisora de limpeza foi agredida com um tapa no rosto por um motorista que tentou ultrapassar um bloqueio para coleta de lixo, na quinta-feira (6), na Rua 13 de Maio, Centro de Teresina. Além do tapa, o motorista também xingou a supervisora e outras quatro garis que limpavam a rua e tentou empurrar o carro na direção delas.

Uma equipe da Polícia Militar passava pelo local e foi acionada. O homem foi detido e levado à Central de Flagrantes por policiais, mas liberado pouco depois.

Auxiliadas por uma advogada, as trabalhadoras da limpeza denunciaram o caso nesta sexta-feira (7) à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) Centro, que vai investigar se houve violência de gênero. g1 não conseguiu contato com o motorista ou sua defesa.

A supervisora da equipe de limpeza que foi agredida, Ericka Daiane, contou que sua equipe foi acionada por uma empresa contratada pela Prefeitura de Teresina para retirar o lixo da Rua 13 de Maio. Havia uma grande quantidade de lixo jogando na rua, e as trabalhadoras precisaram colocar cones de sinalização para impedir a passagem de veículos e realizarem a coleta em segurança.

“A gente tinha limpado a metade, tinha caminhão, tudo direitinho. Esse rapaz chegou querendo passar, sendo que não podia. Eu vi aquela situação, as meninas reunidas e ele insistindo. Conversei com ele e disse que não poderia passar porque estava interditado, e ele empurrando o carro e machucando as meninas”, relatou Ericka.

Segundo a trabalhadora, o motorista avançou e destruiu os cones. Em seguida, ela afirmou que o homem, ainda dentro do carro, deu um tapa em seu rosto e a chamou de “vagabunda” e outra palavra de baixo calão. A supervisora desmaiou e precisou ser acudida pelas colegas de equipe. O celular dela caiu e quebrou durante a agressão.

O motorista foi detido por policiais militares que passavam pelo local e conduzido à Central de Flagrantes de Teresina. Conforme a defesa das trabalhadoras, o delegado plantonista lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) – ou seja, um registro de infração de menor potencial ofensivo – e liberou o homem.

“O delegado colocou a situação como ‘vias de fato’ [agressão que não deixa lesão]. Nós entendemos que não se trata disso, mas de lesão corporal e injúria contra a mulher. Trouxemos as vítimas para a Deam para conseguir que o autor seja repreendido de forma mais severa, como um inquérito policial”, explicou a advogada Sarah Vaz.

 

Na Deam, as vítimas foram ouvidas pelo secretário municipal de Segurança Pública, coronel Wagner Torres, e a comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), inspetora Lucijane Ibiapina. O gestor garantiu apoio às trabalhadoras e destacou que enviará viaturas da GCM e da Polícia Militar para fiscalizar situações semelhantes.

Frustrada pela agressão e o desrespeito sofridos, a supervisora Ericka Daiane deseja que o motorista seja responsabilizado pelo que fez.

“Me sinto muito vulnerável, não consegui dormir praticamente nada. Você acorda cedo, trabalha no sol e é chamada de ‘vagabunda’”, lamentou.

 

Para o coronel Wagner Torres, o crime pode ter sido também motivado pelo fato das vítimas serem mulheres:

“Não tinha nenhum homem lá, só tinha cinco mulheres. Talvez seja por isso que ele tenha feito isso. Se tivesse homem, eu acredito que ele não teria feito”, comentou o secretário.

 

Em nota, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Centro, pasta da Prefeitura de Teresina responsável pela limpeza pública da região, repudiou o ato de violência e explicou que o bloqueio de vias transitório é necessário para que haja a coleta do lixo em certos locais.

A gestão municipal também se manifestou, por meio de nota, e afirmou que vai prestar “amparo psicológico” às vítimas. Confira as notas abaixo:

SDU Centro

A Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Centro esclarece sobre o ato de violência sofrido, nesta quinta-feira, por uma de nossas colaboradoras do serviço de limpeza, durante o trabalho na rua 13 de Maio.

Diariamente a SDU faz a limpeza dos espaços públicos. Nessa ação, muitas vezes, é necessário o bloqueio da via, em carácter transitório somente para que seja realizado a limpeza com segurança.

Repudiamos quaisquer ato de violência. E acionamos os órgãos de segurança pública para que tomem as medidas cabíveis a fim de coibir e punir as condutas criminosas praticadas contra nossos colaboradores.

Prefeitura de Teresina

A Prefeitura de Teresina, por meio do prefeito Silvio Mendes, vem a público repudiar, de forma veemente, a violência física e verbal sofrida por três trabalhadoras da limpeza pública da cidade, onde uma delas, foi atingida com um soco no rosto. O caso ocorreu depois que o agressor foi advertido por uma das vítimas por avançar com o veículo sobre um trecho que estava devidamente sinalizado e internado para a execução do serviço de higienização.

O fato se deu nessa quinta-feira (06), na Rua 13 de Maio, centro da capital, quando as vítimas estavam no pleno exercício de suas atividades laborais. Saudamos a rápida atuação da polícia que ao ser acionada, comprovou a materialidade do ocorrido e conduziu o suspeito à Central de Flagrantes.

Diante do exposto, o prefeito Silvio Mendes reforça que será dado todo o suporte às trabalhadoras, inclusive, com amparo psicológico e acompanhamento do caso, por meio das forças de Segurança do Município, afim de cobrar a devida punição ao agressor, dentro do rigor que a lei exige.

Assim, a Prefeitura de Teresina enfatiza sua total solidariedade às profissionais envolvidas neste triste episódio e reitera o mais profundo repúdio a todo e qualquer ato de violência praticado contra os servidores e servidoras da capital. Fonte: G1-PI

Janeiro de 2025 foi o mês mais quente do planeta

Rio de Janeiro (RJ), 24/08/2023 - Rio de Janeiro (RJ), 24/08/2023 - Termômetro, no centro da cidade, chega a marcar 40 graus em meio a forte onda de calor. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em janeiro de 2025, a temperatura do planeta registrou 1,75 grau Celsius (°C) acima do nível pré-industrial. Foi a maior já anotada pela série histórica do Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia, ficando 0,79°C acima da média de 1991-2020 para o mês, com temperatura do ar na superfície de 13,23ºC.

“Janeiro de 2025 é outro mês surpreendente, continuando as temperaturas recordes observadas nos últimos dois anos, apesar do desenvolvimento das condições de La Niña no Pacífico tropical e seu efeito de resfriamento temporário nas temperaturas globais”, diz Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).

O registro leva o planeta ao 18º mês – dos últimos 19 meses – em que a temperatura média global do ar superficial foi superior a 1,5°C acima do nível pré-industrial. De fevereiro de 2024 a janeiro de 2025, o planeta ficou 1,61°C acima da média estimada de 1850-1900 usada para definir o nível pré-industrial.

De acordo com o relatório da instituição divulgado nesta quinta-feira (6), as temperaturas acima da média foram observadas principalmente no sudeste da Europa, nordeste e noroeste do Canadá, Alasca e Sibéria, sul da América do Sul, África e grande parte da Austrália e Antártica.

Rio de Janeiro(RJ), 31/12/2024 - Praia cheia com palcos montados na areia da Praia de Copacabana no último dia do ano.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Já no norte da Europa, Estados Unidos e nas regiões mais orientais da Rússia, Península Arábica e sudeste Asiático, as temperaturas foram abaixo da média.

A temperatura média da superfície do mar para janeiro foi de 20,78ºC, considerando as zonas temperadas e intertropical, a cerca de 10 metros de profundidade. De acordo com o Copernicus, esse é o segundo valor mais alto anotado para o mês: 0,19°C abaixo de janeiro de 2024.

Chuvas

O relatório informou ainda que janeiro também foi predominantemente mais úmido do que a média, com fortes precipitações que levaram a inundações em algumas regiões.

A média de chuvas foi maior na Europa Ocidental, em partes da Itália, Escandinávia e países bálticos; no Alasca, Canadá, centro e leste da Rússia, leste da Austrália, sudeste da África e sul do Brasil.

Medições

O Copernicus é um programa de observação da Terra que utiliza medições de satélites, navios, aeronaves e estações meteorológicas em todo o mundo para produzir análises de dados da atmosfera, marinho, Terra, alterações climáticas, segurança e emergência.

O programa é coordenado e gerido pela Comissão Europeia e implementado em parceria com estados-membros, Agência Espacial Europeia (ESA), Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos e Centro Europeu de Previsões Meteorológicas em Médio Prazo, entre outros. Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

Desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, mas ainda é elevado

Alto Paraíso de Goiás (GO) -  Área de cerrado desmatada para plantio no município de Alto Paraíso (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e divulgados nesta quinta-feira (6). A supressão vegetal no segundo maior bioma do país atingiu 712 mil hectares no ano passado. Em 2023, foram 1 milhão de hectares de mata desmatados.

Apesar da redução, pesquisadores alertam que a área total desmatada ainda é muito elevada. Esses mais 700 mil hectares de mata nativa perdida equivalem a uma área maior do que o Distrito Federal.

“A queda do desmatamento no Cerrado em 2024 possivelmente representa um efeito das políticas de combate e controle implementadas neste último ano. Apesar da redução, a área total desmatada segue nos patamares elevados quando comparamos com a série histórica e também com o desmatamento em outros biomas, como a Amazônia. Por exemplo, tivemos por volta de 700 mil hectares desmatados no Cerrado nesse último ano. Já na Amazônia foram 380 mil hectares desmatados no mesmo período. Quase duas vezes menos”, afirma Fernanda Ribeiro, pesquisadora do Ipam e coordenadora do SAD Cerrado.

Atualmente, cerca de 62% da vegetação nativa do Cerrado está dentro de propriedades rurais privadas, submetidas às regras do Código Florestal, que permitem o desmatamento de até 80% da área total. A maior parte do desmatamento ocorreu justamente nessas áreas particulares.

Para efeito de comparação, na Amazônia Legal, por exemplo, a lei permite o desmatamento de, no máximo, 20% da área. O respaldo legal para uma expansão maior do desmatamento no Cerrado ameaça mais o bioma com secas prolongadas e clima mais extremo, reforça o Ipam.

Os dados do SAD Cerrado confirmam uma tendência de queda verificada pela taxa oficial de desmatamento do Cerrado, que registrou redução pela primeira vez nos últimos cinco anos, entre agosto de 2023 e julho de 2024, segundo informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no fim do ano passado. O levantamento do Inpe é feito por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento no Cerrado por Satélite (Prodes Cerrado), em que a detecção alcança precisão de 10 metros sobre corte raso e desmatamento por degradação progressiva, como incêndios.

Onde mais se desmata

A fronteira do Matopiba – acrônimo que define a região formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 82% de todo o desmatamento no Cerrado em 2024, totalizando 586 mil hectares perdidos. Essa é a área atual de expansão das lavouras agrícolas em áreas do Cerrado e, por isso, têm liderado os índices de supressão da vegetação original.

O destaque negativo é o Maranhão que, apesar de uma redução de 26% na área desmatada, foi responsável por 225 mil hectares perdidos, um terço de todo o Cerrado desmatado durante 2024, segundo o Ipam.

O Tocantins vem em seguida como o segundo estado onde mais se desmatou ano passado, com 171 mil hectares de vegetação nativa suprimidas. A área representa uma queda de 26% na comparação com 2023. No Piauí, foram derrubados 114 mil hectares, 12% a menos do que em 2023. Já na Bahia, o Cerrado perdeu 72 mil hectares no ano passado, uma redução de 54%.

Para a pesquisadora do Ipam, o Matopiba é a região do Cerrado com maior número de propriedades privadas com vegetação nativa remanescente, mas passível de supressão por autorizações legais.

“Isso evidencia a necessidade de outros instrumentos que vão além das políticas de combate e controle. A mudança desse cenário depende de um maior engajamento com o setor privado, além de ações de ordenamento territorial e instrumentos econômicos e regulatórios como vemos na Amazônia”, aponta Fernanda Ribeiro.

Municípios

Os 10 municípios com maior área de Cerrado desmatada em 2024 estão localizados no Matopiba, sendo cinco no Maranhão, três no Tocantins, dois no Piauí e um na Bahia. Somados, totalizam 119 mil hectares desmatados, ou 16,7% de tudo que foi derrubado no bioma em 2024, de acordo com o projeto SAD Cerrado.

No coração do Matopiba, a proximidade de municípios com mais desmatamento também chama a atenção. Juntos, os municípios vizinhos de Balsas (MA), Alto Parnaíba (MA), Mateiros (TO) e Ponte Alta do Tocantins (TO) são os quatro primeiros da lista com maior desmatamento registrado, totalizando 61 mil hectares desmatados, cerca de 10% da área desmatada no Matopiba.

Depois das áreas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) registrados, as áreas sem posse definidas são as que mais registram desmatamentos no Cerrado, correspondendo a 10% do total. O SAD Cerrado também identificou porções de áreas em unidades de conservação, que responderam por 5,6% do desmatamento do Cerrado em janeiro, totalizando 39 mil hectares suprimidos.

As principais áreas protegidas atingidas também foram aquelas localizadas no Matopiba, como a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, que perdeu 12 mil hectares para o desmatamento, e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, que teve 6,7 mil hectares desmatados.

O SAD Cerrado é um projeto de monitoramento mensal e automático que utiliza imagens de satélites ópticos do sensor Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia.

A confirmação de um alerta de desmatamento é realizada a partir da identificação de ao menos dois registros da mesma área em datas diferentes, com intervalo mínimo de dois meses entre as imagens de satélite. O método é detalhado no site do SAD Cerrado, que também disponibiliza os relatórios de alerta, com filtros para estados, municípios, situação fundiária e intervalo de análise.

STF adia conclusão de julgamento sobre revista íntima em presídios

Convênio com empresas garante trabalho para os apenados na Penitenciária de São Pedro de Alcântara.

21/01/2020, São Pedro de Alcântara, SC, Brasil.

Fotos Ricardo Wolffenbüttel/ SECOM

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta quinta-feira (6) a decisão sobre a legalidade da revista íntima vexatória nos presídios para evitar a entrada de drogas, armas e celulares.

Os ministros iniciaram a discussão sobre a questão, mas após os votos dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, suspendeu o julgamento, que será retomado na quarta-feira (12). Faltam os votos de nove ministros.

Caso

A Corte julga um recurso do Ministério Público para reverter a absolvição de uma mulher flagrada tentando entrar em um presídio de Porto Alegre com 96 gramas de maconha enrolados em um preservativo e acondicionados na vagina.

Na primeira instância, ela foi condenada, mas a Defensoria Pública recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), que a absolveu, por entender que o procedimento de revista íntima foi ilegal.

O ministro Fachin, relator do caso, reconheceu a ilegalidade das revistas íntimas vexatórias. No entendimento do ministro, durante a visita de parentes ou amigos de presos nas penitenciárias, não poderá ocorrer a retirada de roupas íntimas para inspeção das cavidades corporais sem justificativa.

Procedimento

A revista manual poderá ocorrer, mas não poderá ser vexatória. O procedimento deve ocorrer somente quando houver indícios de entrada ilegal de objetos ou drogas. As suspeitas deverão ser apuradas a partir do uso de aparelhos eletrônicos (scanners e raio-x), informações de inteligência ou comportamento suspeito.

Pelo voto do relator, caso a determinação do Supremo não seja cumprida, as provas obtidas contra pessoas acusadas de entrar com objetos ilegais nos presídios serão invalidadas.

Fachin também determinou prazo de 24 meses para os presídios comprarem equipamentos de scanners e de raio-x.

Divergência

Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes abriu a divergência. Para o ministro, a revista íntima pode ser realizada, mas só diante da falta de equipamentos de raio-x e com a concordância do visitante. A revista ainda deverá ser realizada obrigatoriamente por agentes do mesmo sexo. Se houver recusa na visita, a administração do presídio poderá impedir a entrada.

Moraes também disse que as revistas superficiais de visitantes não têm efeito. O ministro afirmou que o número de apreensões de drogas, celulares, armas brancas e de fogo nos presídios do país chegou a 625 mil nos últimos dois anos.

“Esse material jamais é pego por revistas superficiais, quem vai visitar não coloca na bolsa, na cintura. Todas essas apreensões são realizadas ou embaixo das roupas íntimas ou nas cavidades do corpo. Revistas superficiais não servem para nada”, afirmou.

Moraes também destacou que a decisão da Corte pode gerar a suspensão de visitas em presídios que não possuem raios-x.

“Ao gerar uma apreensão quase geral, nós vamos gerar uma sequência de rebeliões. Se tem algo que gera rebelião é quando se impede a visita”, concluiu.  Fonte: André Richter – Repórter da Agência Brasil

Mulher baleada pela PRF na noite de Natal deixa hospital no Rio

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) inicia nesta sexta-feira a Operação Finados 2021. Durante todo o feriado prolongado, a instituição reforçará o policiamento ostensivo em locais e horários de maior incidência de acidentes graves e de

Juliana Leite Rangel, baleada na cabeça por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na véspera do último Natal, deixou o hospital nesta quinta-feira (6). Ela  ficou 45 dias internada no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio de Janeiro.

“A paciente Juliana Leite Rangel, 26 anos, vítima de lesão por arma de fogo na região do crânio, recebeu alta hospitalar, com orientação de seguimento ambulatorial na unidade”, informou a direção do hospital.

“Estou muito feliz e emocionado”, comemorou o pai da jovem, Alexandre Rangel. Juliana chegou ao hospital com o estado gravíssimo, precisou de sedação, foi submetida a traqueostomia (procedimento cirúrgico que consiste em criar uma abertura na traqueia/garganta para que o paciente possa respirar) e respiração com a ajuda de aparelhos.

Gradativamente, apresentou melhoras no quadro de saúde, respondendo a estímulos do ambiente e interação com familiares. No entanto, a progressão não foi linear e o processo de reabilitação chegou a ser interrompido por causa do agravamento de um quadro infeccioso.

Após a alta, o pai de Juliana contou à Agência Brasil que a filha está “se comunicando bem e interagindo sem sequela. Está só com aquela dificuldadezinha de andar, andando escorando na pessoa. Esses dias ela estava reclamando da visão, meio embaraçada, não está enxergando bem. O resto, glória a Deus, está tudo bem”, descreveu.

Segundo Alexandre, Juliana – que trabalhava como agente de saúde do município de Belford Roxo, também na região metropolitana do Rio – ficará na casa da irmã dela, Jéssica.

Relembre o caso

Juliana Rangel foi atingida por um tiro de fuzil na noite da véspera de Natal, dentro do carro da família, na Rodovia Washington Luís (BR-040), em Duque de Caxias. Segundo o pai dela, Alexandre Rangel, que dirigia o carro, não havia nenhum motivo para a abordagem a tiros.

Ele também foi atingido na mão esquerda e recebeu alta ainda na noite do dia 24 de dezembro. O carro da família, com cinco pessoas, ficou com várias perfurações.

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) investigam o caso. O diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Souza Oliveira, afirmou que a corporação apura todos os casos de excessos durante abordagens policiais feitas por seus agentes. Os dois homens e a mulher que participaram da abordagem foram afastados preventivamente de todas as atividades operacionais.

A PRF afirma que disponibiliza auxílio logístico para os deslocamentos necessários à família, além de ofertar apoio psicológico.

Menina morta em 2023

Em 2023, outro caso de carro atingido por tiros disparados por policiais rodoviários federais no Rio de Janeiro terminou com a morte da menina Heloísa dos Santos Silva, de apenas três anos de idade. A abordagem foi no dia 7 de setembro, na Rodovia Raphael de Almeida Magalhães, conhecida como Arco Metropolitano, na altura do município de Seropédica, no estado do Rio.

A denúncia do MPF detalha que o pai de Heloísa, Willian de Souza, dirigia o veículo da família e percebeu que era seguido por uma viatura. Ele ligou a seta e foi para o acostamento, mas os policiais atiraram contra o carro ainda em movimento. Fonte: Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Decreto dá à Funai poder de polícia para proteger terras indígenas

Ministério dos Povos Indígenas informou nesta quarta-feira (16) que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) vai dar prosseguimento à regularização da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira, no Paraná. Foto: ASCOM/FUNAI

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) passa, agora, a ter poder policial para proteger as terras indígenas. Em decreto publicado nesta segunda-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamenta o uso dessa força pela Funai.

A publicação atende a uma exigência do Supremo Tribunal Federal (STF) de dezembro do ano passado. Em 2020, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) havia entrado com uma ação contra o poder público, por causa da forma como estavam sendo tratados os povos indígenas durante a pandemia. Na ação, foram propostas medidas de proteção às comunidades e aos territórios.

Agora, segundo o decreto, a Funai deve usar o poder de polícia para prevenir a violação – ou a ameaça de violação – dos direitos dos indígenas, e evitar a ocupação ilegal de suas terras.

Os agentes da Funai devem combater ataques ao patrimônio cultural, material e imaterial, além de coibir construções ilegais e atividades de exploração exercidas por outras pessoas dentro das terras indígenas e em desacordo com a lei.

Os alvos da força policial da Funai incluem quem tentar remover indevidamente os indígenas de suas próprias terras; quem usar de forma inadequada a imagem dos indígenas ou das comunidades, sem a devida autorização; e quem atacar ou descaracterizar as placas e marcos que delimitam os territórios.

A Funai pode restringir o acesso às terras indígenas, expedir certificado de medida cautelar e determinar a retirada obrigatória de ocupantes, além de destruir, inutilizar, apreender bens ou instalações usadas nas infrações.

A instituição também pode solicitar aos órgãos de segurança pública, especialmente à Polícia Federal (PF) e às Forças Armadas, cooperação para proteger as comunidades.

A execução de todas essas medidas depende agora das atribuições das carreiras dentro da Funai. Fonte: Gabriel Corrêa – Repórter da Rádio Nacional

Indígena cadeirante usa arte para mobilizar periferia em Pernambuco

Recife (PE), 06/02/2025 - Alice Melo, indígena cadeirante de 19 anos usa arte para mobilizar periferia de PE.  Foto: Alice Melo/Arquivo Pessoal

“Nascemos ativistas em um mundo machista/onde o homem branco quer dominar nossa vida/ matando, estuprando e violentando nossas terras/Com o urucum nos olhos/seguimos marchando com a força ancestral nos guiando”. Da voz emocionada da universitária indígena Maria Alice de Melo Silva, de 19 anos, que é cadeirante, nascem mais do que versos nos projetos e encontros regulares com outros jovens que ela promove no bairro do Ibura, periferia do Recife.

Nesta sexta-feira (7), Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, a história de Alice, que é estudante de terapia ocupacional na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mostra como a mobilização pelo próximo pode ocorrer desde muito jovem. Alice, nascida na cidade de Pesqueira (PE), da etnia Xukuru do Ororubá, é conselheira jovem do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e também integrante do Reimaginando Futuros: Rede Nacional de Lideranças Adolescentes.

O Unicef explica que essa rede tem por objetivo fortalecer a participação e desenvolvimento de adolescentes para identificar oportunidades para a promoção de mudanças sociais em temas prioritários na agenda de direitos para esse público. Já o Conselho Jovem foi criado para promover o diálogo direto como um mecanismo de fomento à participação cidadã.

Alice é reconhecida por suas ações na comunidade do Ibura ao coordenar projetos de inclusão desde a adolescência. Ela diz que seu objetivo é ajudar em novas perspectivas para jovens em situação de vulnerabilidade na comunidade recifense, que é marcada com o estigma de ser um lugar violento. “A minha proposta é salvar vidas desses jovens. Mostrar para eles que eles podem muito mais.”

Cinema

No segundo semestre do ano passado, a universitária criou o projeto Cineclube Ibura, em que são exibidos filmes sobre temas ligados a direitos humanos, a mudanças climáticas, à luta contra preconceitos e à cultura da favela. “Depois do filme, nós fazemos uma rodada de debates entre os jovens, além de mostra cultural com a própria juventude da comunidade”.

O cineclube, que inclui discussões sobre cidadania, funciona no Centro Comunitário Paulo Freire, no mesmo bairro, e é voltado para que os mais de 100 jovens que participam do projeto possam mostrar seu talento em atividades como batalhas de rima, danças, desenhos e grafitagem. O sucesso fez com que, semana após semana, mais pessoas procurassem o cineclube.

Alice entende que os encontros servem para reflexões sobre as diversidades e a cultura que ele traz de sua comunidade da cidade de Pesqueira, onde nasceu. “É muito importante a gente trazer os saberes dos nossos ancestrais para a área urbana também.  É necessário trabalhar também para quebrar esse preconceito que tem na cidade. Eu tenho levado muito isso para a periferia e mostrado para eles a cultura indígena e quanto é importante respeitar e entender”, pontua.

A indígena explica que a intenção é mostrar para a juventude as potencialidades da arte. “Quando a gente, com projetos como o Cineclube Ibura, consegue conversar e mostrar as artes deles, consegue fazer transformações”.

Rap

Recife (PE), 06/02/2025 - Ramon Lira, o MC Kim, participa de projeto de Alice Melo, indígena cadeirante de 19 anos que usa arte para mobilizar periferia de PE.  Foto: Ramon Lira/Arquivo Pessoal
Recife (PE), 06/02/2025 – Ramon Lira, o MC Kim, participa de projeto de Alice Melo, indígena cadeirante de 19 anos que usa arte para mobilizar periferia de PE. Foto: Ramon Lira/Arquivo Pessoal – Ramon Lira/Arquivo Pessoal

O caminho de Alice fez diferença, e a indígena, junto com outros jovens, criou o coletivo Arte na Favela, que já conta com pelo menos 200 pessoas. “A ideia é trazer oportunidade, por exemplo, para os MCs da periferia gravarem músicas.”

Um desses artistas que viu a vida ser transformada pelo apoio da amiga Alice foi o estudante Ramon Lira, conhecido pelo nome artístico de Kim, de 18 anos. “Eu produzo cultura hip hop, poesia e rap. Fazemos duelos entre MCs, em que sobressai o artista com o melhor conhecimento daquele tema.”

Em geral, esses temas incluem as dificuldades de todos os dias, como a escassez de políticas públicas e os preconceitos contra quem mora na periferia. Os jovens artistas, com materiais gravados em mão, buscam patrocinadores, e isso faz diferença para o rapaz que perdeu o emprego de atendente em um restaurante no ano passado. Agora, Ramon espera viver da arte e ter dinheiro para cuidar do primeiro filho, que nasce em abril. “A gente pergunta se as pessoas podem contribuir com qualquer valor.”

Ele diz que a responsabilidade da transformação do cenário deve ser creditada às ideias de Alice, que criou o movimento na comunidade. Segundo Ramon, as iniciativas de Alice têm se caracterizado pelo apoio às pessoas para que “não se desviem do caminho certo”. “Ela conseguiu deixar a cultura forte no nosso bairro. A gente não quer que minha missão aqui seja em vão. O hip hop entrou na minha vida para poder transformar.”

Ramon testemunha que as discussões a partir dos filmes de curta metragem desencadearam reflexões sobre a temática LGBT, a cultura negra e a exploração no campo profissional, por exemplo. O debate entrou nas letras dos raps sobre racismo.

Acessibilidade

Os efeitos de uma paralisia nas pernas, desde os 10 anos de idade, não desmobilizam os ideais da universitária em terapia ocupacional. Pelo contrário, Alice entende que ser uma pessoa com deficiência fez com que ela se sensibilizasse por outras pessoas que precisam de suporte. “Eu venho lutando muito pelos meus direitos, mostrando que nós, mesmo tendo deficiência, podemos trabalhar, estudar e sonhar.”

Atualmente, ela mora sozinha e percorre trajetos que somam três horas em transporte público. “Nos meus debates com os jovens com deficiência, há, às vezes, os que se sentem desanimados com o diagnóstico. Eles acham que não podem mais construir uma vida. Eu quero mostrar para eles que podem, sim.”

Os olhos da universitária brilham quando ela conta que quer se especializar em terapia ocupacional social. “Vou querer sempre ajudar a minha comunidade. Hoje tenho 19 anos. Mas não quero sair daqui.” Fonte: Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil