Blog do Walison - Em Tempo Real

Homem é encontrado morto a tiros e com as mãos amarradas em rua de João Pessoa

Homem é morto a tiros no Rangel, em João Pessoa  — Foto: PMJP/Divulgação

Um homem de 45 anos morreu, após ser atingido por tiros, na madrugada deste domingo (23). O caso aconteceu no bairro do Rangel, em João Pessoa.

Segundo informações da Polícia Civil, a vítima foi identificada como Cleiton José da Silva. Ele foi encontrado com as mãos amarradas e a boca amordaçada em um cruzamento do bairro, por volta das 3h.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a família informou que o homem era usuário de drogas, mas não tinha envolvimento com a criminalidade e trabalhava no comércio local.

Até a última atualização desta notícia, nenhum suspeito havia sido identificado. O caso segue em investigação pela Delegacia de Crimes Contra a Pessoa da capital. Fonte: G1-PB

Carro capota durante grave acidente na Avenida dos Holandeses em São Luís

Carro capota durante grave acidente na Avenida dos Holandeses em São Luís — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um acidente foi registrado, no início da tarde deste domingo (23), na Avenida dos Holandeses, no bairro Olho d’Água, em São Luís. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), o acidente provocou o capotamento de pelo menos um veículo.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas foram socorridas por pessoas que passavam pelo local no momento do acidente e levadas para hospitais da região. Não há informações sobre a quantidade de vítimas e estado de saúde delas.

O acidente causou uma lentidão no trânsito na região. A orientação é que os motoristas evitem trafegar pelo local. Fonte: G1-MA

Livro apresenta memórias de pessoas que passaram a infância no exílio

Brasília (DF) 21/03/2025 - Livro sobre crianças desaparecidas na ditadura. Na foto, Helena Dória e Nico no alto e abaixo a mão Ruth, o pai Lucas e a irmã caçula. Foto: Helena Dória/Arquivo Pessoal

“Chama-se exílio quando a gente vai embora pequenininha, ou mesmo nasce lá fora? Exílio é saudade, é estar fora de sua pátria, longe de suas raízes e seus familiares. Eu nunca tive saudade do Brasil. Saí com 3 anos, minha única lembrança é dos dois coelhinhos que tínhamos em casa; saudades dos avós. E, no entanto… Somos a geração dos filhos de exilados”.

O relato faz parte do livro Crianças e Exílio: Memórias de Infâncias Marcadas pela Ditadura Militar, uma coletânea de narrativas de 46 pessoas que eram ainda bebês ou crianças quando seus pais foram perseguidos, presos, torturados, assassinados ou exilados por causa da ditadura militar. Esse capítulo, especificamente, foi escrito por Silvia Sette Whitaker Ferreira, que viveu no exílio dos 3 aos 18 anos de idade.

Lançado nesta semana, em Porto Alegre, pela Carta Editora, o livro reúne histórias de pessoas que conseguiram trazer à tona os traumas que sofreram por causa da ditadura militar. No entanto, ainda há muitos relatos como esses que não foram escritos, diz Nadejda Marques, uma das organizadoras da coletânea, ao lado de Helena Dória Lucas de Oliveira (foto).

“Trabalhamos com um grupo de 67 pessoas que foram crianças exiladas. Elas trocavam lembranças, fotografias e histórias do exílio. Também foram organizados encontros virtuais para ativação de memórias e motivação para a escrita das narrativas. Tudo foi feito com muito acompanhamento, cuidado e amizade entre os participantes cientes de que as memórias também poderiam trazer à tona traumas vividos. Das 67 pessoas do grupo, 46 conseguiram escrever suas histórias”, disse Nadejda, em entrevista à Agência Brasil.

Ainda há muitas histórias não foram escritas e não são conhecidas, acrescenta. “Não temos um registro oficial de quantas crianças foram exiladas do Brasil durante a ditadura, mas sabemos que o livro traz uma pequena amostra dessas histórias.”

Pesquisadora e professora de direitos humanos, Nadejda Marques também foi uma criança exilada e acabou contando sua história em um dos capítulos do livro.

“Sou escritora e já escrevi vários livros inclusive uma autobiografia chamada Nasci Subversiva, que conta como crianças eram fichadas e tratadas como terroristas ou subversivos durante a ditadura no Brasil. Saí do Brasil em 1973, quando tinha 15 meses. Fui exilada no Chile e depois refugiada política na Suécia após o golpe militar no Chile. Da Suécia, fui para Cuba, onde vivi entre os anos de 1974 e 1979. Em 1979, quando tinha 7 anos, antes de voltar ao Brasil, moramos alguns meses no Panamá, pois o Brasil não tinha relações diplomáticas com Cuba. O Panamá foi um país de exílio, mas também de transição para a nossa volta ao Brasil.”

Histórias

Cada capítulo do livro conta a história de uma dessas crianças que tiveram os pais assassinados, ou foram separadas da famílias ou integraram os grupos de presos políticos que foram trocados por diplomatas. A violência que elas vivenciaram nesse período foram muitas, marcando-as profundamente.

“As histórias contadas no livro são experiências de crianças que viveram durante o golpe no Brasil, foram exiladas, e muitas sofreram com golpes nos países de exílio – como Chile e Argentina. Muitas passaram por dois ou mais países de exílio. Algumas nasceram no exílio, outras tiveram um dos pais assassinados ou dados como desaparecidos na época da ditadura. Algumas crianças tiveram ambos os pais mortos ou desaparecidos, outras foram presas ou torturadas. A maioria voltou para o Brasil depois do exílio. Para algumas, o retorno foi definitivo, para outras, não”, destacou Nadejda.

Escrita sob a perspectiva das próprias vítimas, a coletânea expõe o impacto psicológico e social enfrentado por essas crianças que foram condenadas a viver longe de suas famílias e de sua pátria. Algumas precisaram mudar de nomes para viver no exílio. 

“O que as crianças viveram naquela época ainda é assunto pouco tratado, pouco conhecido e pouco estudado. De certa forma, foram histórias invisibilizadas pela história oficial e negligenciadas nos processos de transição. O livro também é importante para lembrar que ainda há muito trabalho por fazer em termos de memória, verdade e justiça no Brasil. Ainda não conseguimos alcançar justiça nos casos de crimes cometidos pelo Estado. Ainda temos casos de pessoas desaparecidas durante a ditadura e ainda temos torturadores livres”, ressaltou a organizadora do livro.

Relatos de crianças vítimas da ditadura brasileira já foram apresentados em trabalhos das comissões da Verdade, que investigaram as violações de direitos cometidas durante esse período. Da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, por exemplo, originou-se o livro Infância Roubada, que traz testemunhos de pessoas que foram afastadas dos pais quando crianças ou os viram ser torturados. Há também casos de crianças, inclusive bebês, que sofreram torturas físicas e psicológicas praticadas por militares.

“Não há dúvida de que o exílio foi uma expressão da violência do Estado brasileiro. Antes do exílio, essas crianças foram submetidas a outras formas de violência, como perseguição a seus pais e familiares. Algumas testemunharam a prisão arbitrária dos pais, outras foram torturadas ou usadas para torturar seus pais. O exílio se soma a essas violências forçando a separação das crianças de familiares, amigos, escola e comunidades de forma traumática e abrupta e, em alguns casos, negando a elas o direito à cidadania”, enfatizou Nadejda. Fonte: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

SUS passa a oferecer tratamento inovador de atrofia muscular espinhal

São Paulo (SP), 28/02/2025 - Mês das Doenças Raras. Crianças com doenças raras no hospital Municipal Infantil Menino Jesus. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Crianças que precisam de tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1, doença rara que afeta os movimentos do corpo e também a respiração, terão, a partir desta segunda-feira (24), acesso a um tratamento inovador e gratuito pelo Sistema Único de Saúde. O SUS passará a realizar a terapia genética com o medicamento Zolgensma, que na rede particular custa em média R$ 7 milhões.

“É a primeira terapia gênica que está sendo introduzida no Sistema Único de Saúde. O SUS passa a fazer parte de um pequeno clube de cinco sistemas públicos nacionais no mundo a oferecerem esse medicamento para a sua população”, comemorou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A indicação desse tipo de terapia é para pacientes de até 6 meses de idade que não estejam com a ventilação mecânica invasiva acima de 16 horas por dia. De acordo com o Ministério da Saúde, com a incorporação do Zolgensma, o SUS passará a ofertar para AME tipo 1 todas as terapias modificadoras desta doença.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os 2,8 milhões de brasileiros nascidos vivos em 2023, cerca de 287 foram diagnosticadas com a doença. Na prática, o tratamento faz uso do medicamento em substituição à função de um gene ausente ou que não está funcionando corretamente.

A incorporação do tratamento foi viabilizada por meio de um acordo firmado com a indústria internacional, que condiciona o pagamento ao resultado da terapia no paciente.

“Vai seguir de forma permanente a avaliação do desempenho do medicamento, da melhoria da vida dessa criança e da vida da família, com marcadores clínicos de avaliação, ao longo do tratamento”, explica o ministro.

Protocolo

Para iniciar o tratamento, a família do paciente deve procurar um dos 28 serviços de referência para terapia gênica de AME, presentes nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O paciente será acolhido e passará por uma triagem orientada pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atrofia Muscular Espinhal 5q Tipos 1 e 2, estabelecido pelo Ministério da Saúde. Nas próximas semanas, também será instalado um comitê para acompanhamento permanente dos pacientes que farão o uso do medicamento de dose única.

Antes do acordo, o Zolgensma já era ofertado pelo Ministério da Saúde em cumprimento a 161 ações judiciais.

Entenda

A AME é uma doença rara que interfere na capacidade de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover. A doença é considerada rara, por atingir menos de 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos.

Na rede pública, os pacientes de AME tipos 1 e 2, em outras faixas etárias, são tratados com os medicamentos de uso contínuo nusinersena e risdiplam. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, esses medicamentos tiveram mais 800 prescrições emitidas para tratamento. Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

Transtorno provoca isolamento e põe vida de acumuladores em risco

Brasília (DF) 23/03/2025 - Transtorno de acumulação. Quarto com coisas acumuladas. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Uma casa de três andares pega fogo durante a madrugada, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Em vez de se salvar, o morador da residência, um idoso, tenta entrar novamente no imóvel por duas vezes, e precisa ser impedido pelos bombeiros. O desespero não era por nenhum familiar ainda dentro da casa, mas pelas montanhas de lixo e objetos que se acumulavam no terreno, alimentando o incêndio e dificultando ainda mais o trabalho de contenção das chamas. 

Esse salvamento, realizado na última quarta-feira (19) pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, mostra o perigo que o transtorno traz à segurança de uma pessoa acumuladora e à de seus vizinhos. O porta-voz da corporação, major Fábio Contreiras, conta que, já há algum tempo, a situação de acumulação é presente nas ocorrências.

“Para a vida das pessoas, a acumulação é muito arriscada. A gente atende a incêndios e também fazemos salvamentos de pessoas dentro de casa, quando a pessoa sofreu um acidente, teve uma queda, passou mal. A gente tem que fazer o arrombamento da casa para acessar a vítima”

Contreiras relata que os acumuladores acabam criando pilhas tão altas de coisas que esse material bloqueia as portas e janelas, que são uma rota para pedir ajuda, para os bombeiros acessarem a casa e até mesmo para a fumaça se dissipar se houver um incêndio. “Dificulta o trabalho dos bombeiros, porque, nesse caso, vai ser necessário usar diversos equipamentos para conseguir vencer esse material que está bloqueando a porta”.

O major observa que as pessoas, muitas vezes, armazenam esse material perto de fogões, aquecedores, ou em cima de cabos energizados, o que aumenta o risco de incêndio. Além disso, sem espaço para andar e transportar a vítima dentro da residência, os bombeiros só conseguem se deslocar por cima dos produtos acumulados.

Segundo Contreiras, o que os bombeiros encontram, muitas vezes, são caixas de papelão, livros, roupas, alimentos e material de limpeza. Quanto mais material se acumula, maior é o risco de incêndio.

“Esses materiais são inflamáveis como álcool, e a pessoa tem menos chance de escapar do fogo. A energia liberada pelo calor é muito maior. O incêndio é mais agressivo e se propaga pelos cômodos da casa. Em geral, a gente observa que a prevalência dos casos é em pessoas com mais de 60 anos.”

O major lembra que o acumulador também pode se ferir e até morrer em decorrência de outros tipos de acidentes dentro do imóvel. “Se ele empilhou cinco caixas, esbarra, e essas caixas caem em cima dele, pode causar um traumatismo craniano. Ele pode tropeçar nas coisas, cair, bater a cabeça. Sem falar da questão sanitária, poeira, mofo, insetos, baratas, ratos, fezes de animais domésticos, comida estragada, tudo pode gerar doenças”, afirmou Contreiras.

Questões psicológicas e emocionais

O psicólogo José Maria Montiel, professor de pós-graduação do Programa de Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu, explica que não há uma causa precisa para a acumulação de objetos, mas há diferentes facetas psicológicas e emocionais, que acabam desencadeando ao longo da vida esse transtorno. Entre elas, está a ansiedade.

 “A ansiedade, ao longo da vida, vai tomando um formato muito grande, e, com o envelhecimento, a pessoa acaba tendo as manias. A pessoa idosa tem uma peculiaridade de estar sozinha e acaba tendo esses comportamentos de maneira mais exacerbada”, disse o especialista.

O professor destaca que os acumuladores têm argumentos bastante racionais para a doença, como a possibilidade de precisar dos objetos no futuro. Só que isso acaba tomando uma proporção muito maior do que aquilo que poderia ser realmente utilizado ao longo da vida.

“Essas pessoas acabam tendo essa perda da noção da realidade e chegando ao ato de acumular muitos materiais diferentes. O colecionador coleciona um único tipo de coisa. Quem sofre de acumulação faz acúmulos de diferentes coisas, desde objetos pessoais, sacolas de supermercado, potes de sorvete e de muitos outros mais objetos”.

Segundo o psicólogo, pessoas jovens também sofrem desse transtorno, mas é pouco observado porque ainda interagem muito com a vida, com a sociedade. A pessoa, com o decorrer do tempo, acaba ficando mais isolada. O fato de ter restrições sociais é um facilitador também para que esse transtorno ocorra.

Montiel destaca que as pessoas acumuladoras tendem a se isolar socialmente, vão perdendo amigos, relações sociais, e ficam no próprio reduto.

“Isso faz com que elas acabem, muitas vezes, tendo esses comportamentos como uma maneira de ter ocupação na vida. A casa com acúmulo restringe ainda mais a interação social, porque que familiares e amigos não entram mais. A pessoa acaba não tendo muita noção. Para ela, aquilo faz tão parte da vida dela, que ela acaba perdendo essa linha tênue do que é real do que não é real dessa acumulação”, afirmou o psicólogo, que acrescentou que o problema atinge todas as classes sociais e escolaridades.

Ele diz que o tratamento recomendado é a psicoterapia, para ajudar as pessoas a atenuarem esse sofrimento emocional, não só pelo comportamento de acumuladores, como também pelo fato que isto gera consequências, como a dificuldade de inserção com família e outros grupos.

Montiel destaca que, mesmo que familiares e amigos falem para os acumuladores buscarem ajuda médica, as pessoas não o fazem porque a linha é muito tênue do que elas consideram saúde e doença.

“Para elas, isso não é doença, porque a pessoa perde a noção da realidade e tem dificuldade de perceber que aquilo é um problema. Ela só percebe quando aquilo fica insustentável, quando não consegue mais transitar dentro de casa. O modelo de tratamento é o interdisciplinar, que envolve diferentes esferas e modelos de atuação, seja ele familiar, social, de amizades, que levem a pessoa a encontrar ajuda, por ela considerar que a vida dela poderia ser diferente daquela que está causando problema”.

“A falta de senso crítico de que aquilo é danoso para a vida dela é o ponto chave. A pessoa tem dificuldade de considerar que aquilo é um cuidado pessoal, que é um autocuidado. A psicoterapia é fundamental, mas deve envolver diferentes áreas, dentre elas, amigos, familiares. A dificuldade em tratar é conseguir resgatar e levar a pessoa para modelos de tratamento que não sejam invasivos, que não sejam punitivos”.

Compulsão

Brasília (DF), 21/03/2025 - O psiquiatra Leonardo Baldaçara, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins, e diretor regional Centro- Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Foto: Leonardo Baldaçara/Arquivo Pessoal
O psiquiatra Leonardo Baldaçara, diretor regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Leonardo Baldaçara/Arquivo Pessoal

O psiquiatra Leonardo Baldaçara, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins, e diretor regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), afirma que o transtorno ocorre quando a pessoa acumula de forma exagerada e causa um prejuízo na vida dela.

O que pode acontecer junto com o transtorno de acumulação é o transtorno obssessivo-compulsivo, quando se tem pensamentos exagerados e não se consegue tirar aquela ideia da cabeça. O acúmulo de coisas pode ser um dos sintomas do transtorno obssessivo-compulsivo. A acumulação também pode ocorrer em portadores de demência”, diz o médico.

O psiquiatra destaca que há pessoas com transtornos de acumulação que têm senso crítico do que está acontecendo, e outras que não têm a menor noção.

“As que têm senso crítico ficam mais propensas a sintomas depressivos e ansiosos. Se a situação envolve risco, a família pode recorrer chamando o Samu ou procurar o Programa de Saúde da Família, em que, em uma visita domiciliar, a equipe consegue conversar com essa pessoa e convencê-la a ir a um atendimento, para que um profissional de saúde possa mensurar a gravidade.”

Família também sofre

Formada em psicologia, Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa que forma profissionais de organização, lembra que toda a família adoece quando se tem um familiar com transtorno de acumulação. Quem está de fora e tem noção da realidade, se angustia com a situação do familiar acumulador.

“É muito difícil também para quem está fora e está vendo um pai, uma mãe, um irmão com esse transtorno. Os acumuladores não acham que é um problema, porque acreditam estar em um lugar extremamente confortável. Ela está se sentindo acolhida por tudo aquilo. Trazer essa luz à tona é que é a grande dificuldade. Nesse caso, o personal organizer pode começar a abrir essa luz no fim do túnel, buscando ajuda médica e psicológica junto com a pessoa”.

Ivana conta que já prestou serviços na casa de pessoas com acumulação, mas que isso é raro, justamente porque quem tem o transtorno de acúmulo não percebe que aquilo é um transtorno e cria uma “cama de conforto”, juntando todas essas coisas.

Brasília (DF), 21/03/2025 - Formada em psicologia, Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa dedicada aos cuidados com a casa que forma profissionais de organização, fala sobre o transtorno de acumulação. Foto: Rogerio Resende/R2Foto
Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa dedicada aos cuidados com a casa Rogerio Resende/R2Foto

“Aquilo é um suporte emocional. A última coisa que ele quer é que aquilo seja retirado dele. Então, na maioria das vezes, é alguém próximo, um familiar, um irmão, um filho que percebe que está insustentável, que não se consegue mais entrar na casa. Não adianta tentar organizar nada de uma pessoa que tenha o transtorno, porque é enxugar gelo. A pessoa precisa entender que ela tem essa compulsão. É um trabalho de conscientização que precisa do apoio da família”, acrescenta a profissional.

Para um personal organizer atuar no espaço de uma pessoa que seja um acumuladora, é necessário estar respaldado por um diagnóstico de um psicólogo ou de um psiquiatra.

“O trabalho do personal organizer é o último. Porque essa pessoa precisa de um tratamento, do entendimento de que aquilo é prejudicial a ela, que aquilo está atrapalhando a relação dela com outras pessoas. Dependendo do nível de transtorno dessa pessoa, se alguém mexe nos objetos dela, ela pode ter um surto. O psiquiatra ou psicólogo vai dizer para o personal organizer como e onde ele deve mexer, o processo de organização, de triagem, de limpeza. Não é tão simples”.

Com a orientação do psiquiatra ou psicólogo, o personal organizer vai começar o trabalho com o acumulador a fazer a triagem, a entender o que pode sair, o que pode ser jogado fora. Tudo o que o acumulador aceita jogar fora, terá que se jogar fora na mesma hora.

“Só vai ter resultado se a pessoa realmente quiser descartar. Pode tirar tudo e jogar tudo fora, mas se o acumulador não tiver consciência, ele preenche o espaço todo de novo. É um ciclo sem fim. Tem que ter conscientização mesmo para que o trabalho aconteça. É um trabalho árduo”, completa Ivana. Fonte: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Flávio Dino vota pela cassação da deputada Carla Zambelli

São Paulo (SP), 17/03/2025 - O ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Flávio Dino, fala sobre

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino votou, neste domingo (23), pela condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A decisão do ministro acompanhou a do relator do processo, Gilmar Mendes, levando à soma de quatro decisões favoráveis pela cassação da parlamentar, contra zero votos contrários. Também acompanharam a tese do relator, os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Carla Zambelli se tornou ré no STF em agosto de 2023, após sacar uma arma de fogo e perseguir o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

“É uma contradição insanável que um representante político ameace gravemente um representado, como se estivesse acima do cidadão ao ponto de sujeitá-lo com uma arma de fogo, em risco objetivo de perder a sua vida”, destacou Dino ao declarar seu voto.

Outros sete ministros devem votar no plenário virtual até o dia 28 de março. Caso a parlamentar seja condenada, deverá cumprir cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto.

Na sexta-feira (21), o advogado de defesa da deputada, Daniel Bialski, declarou em nota enviada à redação da Agência Brasil que houve cerceamento de defesa, impedida de fazer sustentação oral no julgamento. “Esse direito do advogado não pode ser substituído por vídeo enviado – cuja certeza de visualização pelos julgadores inexiste”, declarou.

Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

Mulheres contraem mais dívidas e são mais empenhadas em quitá-las

Comércio eletrônico,Cartão de Crédito
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Únicas responsáveis por muitas famílias de renda mais baixa, as mulheres continuam enfrentando mais o endividamento do que os homens, no país. Levantamentos realizados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e pela Serasa (empresa que reúne dados de crédito) mostram o impacto das dívidas para o público feminino.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada neste mês pela CNC, mostra que, apesar de a diferença entre os gêneros ter diminuindo em relação a 2024, o percentual de mulheres endividadas (76,9%) em fevereiro deste ano ainda era superior ao percentual dos homens (76%). Em fevereiro do ano passado, a diferença era de 1,6 ponto percentual (78,8% das mulheres contra 77,2% dos homens).

“Historicamente e até hoje, existe uma diferença salarial entre homens e mulheres. Isso vem diminuindo ao longo do tempo, e tem todo um processo de maior independência feminina no mercado de trabalho, e de independência dentro da estrutura familiar. Antigamente, a diferença era ainda maior, e elas dependiam muito mais do cônjuge ou de algum outro familiar. Então, o endividamento é maior porque aquela pessoa precisa de mais crédito, já que ela tem menos renda para conseguir lidar com seu dia-a-dia e sua vida”, afirma o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares.

Merula Borges, especialista em finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), ressalta que, além da diferença salarial, há problemas também na dificuldade de conseguir de crédito pelas mulheres.

“A gente percebe, no empreendedorismo feminino, que as mulheres têm mais dificuldade de tomar crédito. Elas empreendem, de maneira informal, com mais frequência”, afirma. “Elas usam a informalidade como uma forma de subsistência”

Além disso, há a questão de muitas mulheres, principalmente de faixas de renda mais baixas, terem que arcar sozinhas com as despesas familiares.

Segundo pesquisa divulgada neste mês pela Serasa, 93% das mulheres participavam financeiramente das despesas familiares e, em 33% dos lares, elas eram as únicas responsáveis. O percentual é ainda maior nas faixas de renda mais baixa (classes D e E), onde, em 43% dos casos, o encargo das despesas recai exclusivamente sobre elas.

Esses dados mostram apenas um lado do desafio enfrentado pelas mulheres, já que 90% das entrevistadas afirmaram que precisavam aliar o trabalho remunerado com as tarefas domésticas.

“As mulheres seguram a casa sozinhas, têm dupla jornada. Além disso, com todas as despesas que têm no dia a dia, para sustentar uma casa e os filhos. Mesmo assim, elas se preocupam em não ficar com valores em aberto, de não ficar com dívidas, até para não ter dificuldade em solicitar crédito”, destaca Tamires Castro, especialista da Serasa.

Segundo a pesquisa da Serasa, 40% das mulheres entrevistadas priorizam uma preocupação com as dívidas, na hora de organizar o orçamento familiar. E elas fecham 25% mais acordos que os homens no Feirão Serasa Limpa Nome, que busca regularizar a situação dos devedores para tirar seus nomes da lista de negativados (o que dificulta a concessão de crédito por outras empresas).

Segundo Felipe Tavares, mesmo tendo um grau de endividamento superior ao dos homens, as mulheres demonstram mais consciência sobre o orçamento.

“Mesmo antes, quando tinham menos independência [financeira], elas já tinham um papel muito ativo na gestão do orçamento familiar. Quando a gente vê esse aumento da renda e da independência, a administração financeira tende a ser melhor nos orçamentos geridos por mulheres”.

 

A dificuldade de obter crédito (47%) e o endividamento (31%) são os principais desafios financeiros apontados pelas mulheres, segundo a Serasa. Oito em cada dez mulheres (85%) já tiveram algum pedido de crédito negado.

Nos 12 meses que antecederam a pesquisa, entre as mulheres pediram crédito, a maioria foi para pagar despesas inesperadas (26%) e cartão de crédito (22%).

Dicas

“A gente vê muitos bancos oferecendo o cartão de crédito como opção para acúmulo de milhas e benefícios. Isso é, em certa medida, verdade, mas é preciso ter um cuidado. A tentação é maior nesse caso, porque não tem aquela dor imediata de ficar sem o dinheiro, consegue-se parcelar, e a dificuldade de controle é maior”, afirma Merula Borges.

Felipe Tavares destaca que nem toda dívida é ruim, já que, muitas vezes, elas permitem o acesso a bens como automóveis e eletrodomésticos. É importante, no entanto, analisar as condições do crédito antes de contrair qualquer dívida, além gerir bem o próprio orçamento.

Governo reduz IPI de eletrodomésticos da linha branca, geladeiras; comércio. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Eletrodomésticos estão entre os produtos que podem ser comprados com dívidas bem planejadas Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ter dívidas não é algo ruim. Ter dívidas ruins é algo ruim. Se você fizer uma dívida consciente, com boas taxas, boas condições, que caiba no seu orçamento, aquilo vai ser muito benéfico para sua vida. O crédito não é problema, o problema é você gerir bem o orçamento. Então, a dica é que se preste muita atenção se a taxa de juros é pós-fixada, se ela está indexada a algum indicador de inflação, se tem algum seguro embutido ali, algum serviço embutido na dívida que pode ser tirado para ficar mais barato”.

Tamires Castro destaca que é importante controlar o orçamento, sabendo exatamente o quanto se ganha e o quanto se gasta, para evitar contrair dívidas que se tornem difíceis de pagar.

A gente precisa ter clareza de tudo que a gente ganha e de tudo o que a gente gasta. Tem que entender o que é de fato aquilo que entra e aquilo que a gente tem de despesas fixas que não pode negociar, que a gente tem que pagar. E, como há uma preocupação das mulheres em negociar dívidas, é importante identificar descontos, para conseguir pagar as dívidas com esses descontos”. Fonte: Vitor Abdala – repórter da Agência Brasil

Mais de 40 milhões simulam consignado para CLT até este domingo

Real Moeda brasileira, dinheiro
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Mais de 40 milhões de trabalhadores fizeram a simulação do novo crédito consignado para empregados da iniciativa privada, de sexta-feira (21) até as 18h deste domingo (23), informou o Ministério do Trabalho e Emprego. Ao todo, as simulações somaram 40.180.384. Com o potencial de oferecer crédito menos caro a até 47 milhões de pessoas, a nova modalidade entrou em vigor na última sexta-feira.

Foram apresentadas nesse período 4.501.280 propostas, e 11.032 contratos foram fechados, por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.

>> Tire suas dúvidas sobre o consignado para CLT

Criado por medida provisória no dia 12, o Programa Crédito do Trabalhador na Carteira Digital de Trabalho abrange empregados da iniciativa privada com carteira assinada, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e contratados por microempreendedores individuais (MEI).

A nova modalidade permite que o trabalhador autorize o compartilhamento de dados do eSocial, sistema eletrônico que unifica informações trabalhistas, para contratar crédito com desconto em folha.

Com o novo programa, mais de 80 bancos e instituições financeiras poderão ter acesso ao perfil de trabalhadores com carteira assinada por meio do eSocial. A partir de 25 de abril, todos os bancos poderão ofertar o crédito em suas plataformas digitais. Fonte: Agência Brasil

Dois suspeitos de traficar drogas morrem em confronto com a polícia em Timon, no MA

Material apreendido com os suspeitos durante a operação policial em Timon (MA). — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

Dois suspeitos de traficar drogas morreram em confronto com a polícia, nessa sexta-feira (21), na cidade de Timon, no leste do Maranhão. O caso aconteceu durante uma operação da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), que tinha o objetivo de combater o tráfico de drogas na região.

Segundo a Polícia Civil do Estado do Maranhão, a Denarc recebeu informações anônimas sobre o crime de tráfico de drogas na localidade e que criminosos frequentemente portavam armas de fogo de forma ostensiva, o que fez com que fosse utilizado grande quantidade de policiais na operação.

Com base nas informações recebidas, policiais civis lotados na Denarc realizaram levantamentos que identificaram os locais onde os investigados se escondiam.

Durante a operação, dois suspeitos trocaram tiros com a polícia e acabaram sendo alvejados e foram a óbito.

No local, a polícia apreendeu armas de fogo, sendo um revólver calibre .38, municiado, uma arma de fogo artesanal, do tipo “calça balas”, uma arma de ar comprimido, luneta, porções de maconha e cocaína, além de petrechos utilizados no tráfico de drogas, como balança de precisão e invólucros plásticos.

Além das apreensões, investigados foram levados para a sede da Denarc, para a lavratura dos procedimentos cabíveis e, posteriormente, foram encaminhados ao sistema penitenciário maranhense. Fonte: G1-MA

Dupla armada é presa suspeita de tentar praticar assaltos no interior do Maranhão

Dupla armada é presa suspeita de tentar praticar assaltos no interior do Maranhão — Foto: Divulgação/Polícia Militar do Maranhão

Dois homens foram presos, no fim da noite desse sábado (22), suspeitos de tentarem praticar assaltos na cidade de Apicum-Açu, a 524 km de São Luís.

Segundo a Polícia Militar do Maranhão, a guarnição recebeu denúncia de que havia dois homens armados tentando fazer assaltos na estrada do povoado Fazenda e que eles estavam em uma moto de cor preta, com lateral e rodas na cor verde.

A PM foi ao local e, durante o deslocamento, recebeu informação de que os mesmos homens foram vistos no Porto de Apicum. Ao chegar na localidade, a polícia viu um dos suspeitos passando uma arma de fogo para o comparsa.

Ao serem abordados pela PM, a dupla tentou fugir, e o suspeito armado ainda chegou a apontar a arma de fogo em direção à viatura.

No entanto, a polícia conseguiu prender os suspeitos. Com eles foram apreendidos uma pistola Taurus, cinco munições intactas, um celular e uma motocicleta.

A dupla foi autuada por porte ilegal de arma de fogo e está à disposição da justiça. Fonte: G1-MA