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Negociações para sistema próprio de pagamento do Brics avançam

Rio de Janeiro - -5/07/2025 - Negociações para sistema próprio de pagamento do Brics avançam
Desafios foram apontados em documento final de encontro de finanças. Foto LUCAS LANDAU/MF

As negociações para um sistema próprio de pagamento entre os países do Brics, que dispensa a conversão para o dólar, teve avanços, mencionou o comunicado final dos ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais do grupo. Segundo o documento, houve progresso na identificação de possíveis caminhos para a “interoperabilidade” dos sistemas de pagamentos de países membros.

De acordo com o documento, os países avançaram em reconhecer formas de estimular as transações em moedas locais dos membros do Brics e de reduzir custos nas operações. O texto, no entanto, não detalha os progressos alcançados. Isso porque as negociações continuarão no segundo semestre, antes que a Índia assuma o comando do Brics, em 1º de janeiro de 2026.

“Seguindo a instrução de nossos líderes na Declaração de Kazan [na Rússia] para continuar a discussão sobre a Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do Brics, reconhecemos o progresso alcançado pela Força-Tarefa de Pagamentos do Brics na identificação de possíveis caminhos para apoiar a continuação das discussões sobre um maior potencial de interoperabilidade dos sistemas de pagamentos do Brics”, destacou o comunicado no 13º parágrafo.

 

Embora não detalhe os avanços no sistema de pagamentos em moedas locais, o documento cita esforços como o relatório “Sistema de Pagamentos Transfronteiriços do Brics”, elaborado pelo Banco Central do Brasil. O documento lista as preferências dos países do bloco para facilitar “pagamentos transfronteiriços rápidos, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguros”.

Segundo o comunicado, um sistema alternativo de pagamentos entre os países do Brics pode “sustentar maiores fluxos de comércio e investimento”.

Acordo de Reservas

Os ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais do Brics anunciaram a revisão do Acordo de Reservas Contingentes (ARC) para incluir novas moedas. Esse é um mecanismo de ajuda financeira mútua criado em 2014 em caso de dificuldades no balanço de pagamentos (contas externas e investimentos estrangeiros).

Após a revisão do acordo, as novas regras serão discutidas internamente pelos países do Brics. Além disso, uma reunião no segundo semestre, ainda sem data definida, discutirá a adesão dos novos membros do Brics ao ACR.

“Aguardamos ansiosamente essas alterações como base para discussões que visam aumentar a flexibilidade e a eficácia do mecanismo do ACR, notadamente por meio da incorporação de moedas de pagamento elegíveis e da melhoria da gestão de riscos”, destacou o comunicado.

 

Rio de Janeiro - -5/07/2025 - Negociações para sistema próprio de pagamento do Brics avançam
Desafios foram apontados em documento final de encontro de finanças. Foto Foto LUCAS LANDAU/MF
Ministros das finanças e presidentes de bancos centrais do Brics se encontram no Rio de Janeiro Foto LUCAS LANDAU/MF

Transição ecológica

Em relação à transformação ecológica, o comunicado final informou que os países do Brics começaram a discutir uma linha de garantia multilateral. Ativos usados para cobrir eventuais inadimplências, as garantias reduzem o risco das operações e melhoram a qualidade de crédito dos países do Sul Global.

A futura linha de garantia será desenvolvida pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como Banco dos Brics, sem a necessidade de os países aportarem capitais adicionais à instituição financeira. Uma iniciativa piloto será elaborada em 2025 para relatar o progresso na Reunião de Cúpula do Brics de 2026, na Índia.

Sobre a agenda climática, o comunicado final destacou que os países do Brics acreditam que um financiamento “previsível, equitativo, acessível e economicamente viável é indispensável para transições justas” e, com ajuda do capital privado, será possível enfrentar o aquecimento global.

“Apelamos às instituições financeiras internacionais para que ampliem o apoio à adaptação [climática] e ajudem a criar um ambiente propício que incentive uma maior participação do setor privado nos esforços de mitigação [do aquecimento global]”, afirmaram os ministros de finanças e presidentes de Bancos Centrais do Brics.

 

Rio de Janeiro - -5/07/2025 - Negociações para sistema próprio de pagamento do Brics avançam
Desafios foram apontados em documento final de encontro de finanças.Foto LUCAS LANDAU/MF
Ministro da fazenda do Brasil, Fernando Haddad, e presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo  Foto LUCAS LANDAU/MF

Transações

O Brics é um bloco que reúne representantes de 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam os países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.

Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics ocorre no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.

Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2024, países do Brics receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto compramos desses países 34% do total do que importamos. Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Reunião anual da SBPC chega ao Recife com debate inédito sobre gênero

Brasília - 04/07/2025 - Cartaz da SBPC e mascote da SBPC Jovem. Foto SPBC.

Centenas de cientistas do Brasil e do exterior desembarcam, na próxima semana, em Recife, para a tradicional reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento, com mais de 200 atividades gratuitas para todos os públicos, começa domingo (13) e vai até sábado (19), na Universidade Federal Rural de Pernambuco, no campus Dois Irmãos.

O tema desta 77º edição da SBPC é o “Progresso é ciência em todos os territórios” e terá eventos científicos, artísticos e culturais, incluindo uma reunião inédita da SBPC Mulher, além de atividades para crianças de um a seis anos, pela segunda vez.

A coordenadora-geral do evento, a cientista Cláudia Linhares explica que a intenção da SBPC em 2025 é abordar a diversidade brasileira, sob todos aspectos, olhando atentamente para os desafios de cada território, das grandes metrópoles às áreas rurais, periféricas e marginalizadas, observando as desigualdades.

“Trataremos das desigualdade que vão desde o financiamento da ciência e da educação até às desigualdades sérias, tais como a fome, a violência, temas que perpassam as ciências da saúde, as exatas e as humanas”, afirmou ela, que é professora de computação da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Uma das novidades desta edição é a SBPC Mulher, evento inédito que promete incentivar o diálogo sobre o papel delas na redução das várias desigualdades, a maternidade, a questão da deficiência, o envelhecimento e a qualidade de vida, por exemplo.

“Vamos discutir não só a questão da mulher, mas a situação do gênero na sociedade e na ciência”, explicou a coordenadora-geral da SBPC. Na programação, estão debates sobre estratégias para implementação de políticas públicas de equidade.

O primeiro encontro da SBPC Mulher coincide com o ano em que duas mulheres assumem, pela primeira vez, as duas principais associações científicas do Brasil – a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências. Tomará posse, na primeira, a cientista e professora da Universidade Federal de Campina Grande, Francilene Garcia, na SBPC.

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Colônia de férias

No campus da Federal Rural de Pernambuco também serão desenvolvidas atividades para os pequenos, como contação de história, brincadeiras cantadas e confecção de brinquedos. A intenção é provocar a interação deles com a ciência.

“Vamos ter esse espaço para que seja o primeiro contato com a ciência, para que seja prazeroso e que a criança descubra, com esse olhar de cientista, os fenômenos”, explicou Linhares,.

Os mais velhos podem conferir a SBPC Jovem, destinada a estudantes. Essa ala vai instalar um planetário, promover oficinas, além de feira de ciências. Entre os tópicos, alimentos ultraprocessados, mudanças climáticas e inteligência artificial.

A SBPC Jovem conta com uma mascote própria, batizada de Gui. A mascote é um macaco sagui vestindo um traje típico do “Caboclo de Lança”, figura da cultura pernambucana.

Outro macaco, o macaco-prego, que vive na caatinga, será tema de um dos vários minicursos da programação aberta a todas idades. A primatologia da caatinga é pouco estudada e, no curso, serão apresentados tópicos gerais sobre o comportamento, ecologia, e conservação desses primatas, salientando os desafios deles na Caatinga. Também estão na lista cursos sobre poluição do ar, a transição energética e o hidrogênio verde, compostagem doméstica e cosmovisão indígenas.

Cláudia Linhares reforçou o convite para as crianças de férias. “Dá para fazer uma boa colônia de férias”, recomendou.  Haverá barracas para alimentação.

Ao contrário de outros eventos de sociedades científicas, Linhares explicou que a SBPC é um passeio para todos os públicos.

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“Instruímos os nossos palestrantes, tanto em conferências, quanto em mesas redondas, para falarem em linguagem acessível aos leigos. Então, qualquer pessoa que entrar em uma atividade científica, sairá sabendo alguma coisa. Os temas são contemporâneos”, garantiu.

A abertura oficial da SBPC, no domingo, terá a presença da ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no Teatro do Parque, no centro de Recife. A programação completa de conferências, mesas-redondas, painéis, minicursos, exposições interativas e oficinas está no site da SBPC. A expectativa é reunir 20 mil pessoas.

Nova tarifa social de energia elétrica passa a valer neste sábado

Energia elétrica, luz, interruptor

Começa a valer a partir deste sábado (5) a nova Tarifa Social de Energia Elétrica, que prevê gratuidade para famílias beneficiárias do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenham consumo mensal de até 80 kWh. Segundo governo federal, o benefício concederá a gratuidade total da conta de luz a 4,5 milhões de famílias.

Outras 17,1 milhões de famílias que também têm direito à tarifa social não precisarão pagar pelos primeiros 80 quilowatts-hora (kWh) consumidos em cada mês.

Pelas regras da tarifa, aprovadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), tem direito à gratuidade os consumidores beneficiados pela Tarifa Social que possuem instalações trifásicas e usam até 80 kWh por mês.

Nesse caso, poderá ser cobrado na fatura apenas os custos não associados à energia consumida, como a contribuição de iluminação pública ou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de acordo com legislação específica do estado ou município onde a família reside.

Já para os consumidores que possuem instalações trifásicas e usam mais de 80 kWh por mês, o custo de disponibilidade da rede continua sendo de 100 kWh. Nesse caso, o consumidor precisará pagar uma diferença caso use entre 80 kWh e 100 kWh.

O custo de disponibilidade é o valor mínimo cobrado pela distribuidora para remunerar os gastos com a rede elétrica necessários para transportar a energia até o consumidor.

Quem tem direito à Tarifa Social

Para ser beneficiário da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) é preciso se enquadrar em um dos requisitos abaixo:

  • Família inscrita no Cadastro Único, com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário-mínimo nacional;
  • Idosos com 65 anos ou mais ou pessoas com deficiência, que recebam o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e estão no Cadastro Único;
  • Família inscrita no Cadastro Único com renda mensal de até três salários-mínimos, que tenha pessoa com doença ou deficiência (física, motora, auditiva, visual, intelectual e múltipla) cujo tratamento, procedimento médico ou terapêutico requeira o uso continuado de aparelhos, equipamentos ou instrumentos que, para o seu funcionamento, demandem consumo de energia elétrica.
  • Também têm direito ao benefício as famílias indígenas e quilombolas inscritas no CadÚnico, cujo consumo mensal seja de até 80 kWh/mês.
  • Não é necessário solicitar o benefício

    A Tarifa Social é concedida automaticamente às famílias que têm direito. Para receber, basta que a pessoa responsável pelo contrato de fornecimento de energia elétrica (aquela cujo nome está na fatura) esteja entre os beneficiados pelos programas de governo descritos acima. Portanto, não é mais necessário solicitar à distribuidora.

    A nova tarifa social faz parte da Medida Provisória (MP) 1300/2025, publicada em maio. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal têm até 120 dias para aprovar a medida ou ela perderá a validade. Fonte: Agência Brasil

Ninguém quer assumir lugar dos Estados Unidos, diz Dilma Rousseff

Rio de Janeiro (RJ), 05/07/2025 – A presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), formado por membros do Brics, Dilma Rousseff, faz pronunciamento à imprensa com a diretoria durante o 10° Encontro Anual, em Copacabana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, disse neste sábado (5) que o mercado internacional está se diversificando e que mais transações financeiras tem sido feitas nas moedas locais dos países.

Segundo ela, isso não significa uma desdolarização da economia ou a substituição do dólar como moeda base do comércio global.

A declaração da ex-presidente do Brasil ocorreu durante coletiva de imprensa hoje no encerramento da décima Reunião Anual do Novo Banco do Desenvolvimento (NDB), que ocorreu no âmbito das reuniões do Brics, no Rio de Janeiro.

Dilma foi questionada sobre discussões entre os países do Brics para substituir o dólar como moeda principal.

A possível medida chegou a ser criticada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fez ameaças de taxar em 100% as importações dos países do Brics que substituírem o dólar em transações comerciais. 

“Hoje não tem ninguém querendo assumir o lugar dos Estados Unidos”, afirmou a presidente do NDB.

“Claramente, não há nenhum sinal de desdolarização, não vejo. O que eu vejo é outra coisa, muitos países estão usando suas próprias moedas para o comércio”.

Segundo ela, o mercado tem buscado diversificação. Não deixou de ser dolarizado, mas está buscando também outros tipos de transação. Essas decisões, de acordo com Dilma não são tomadas pelo Banco do Brics.

“Quem decide isso não é nenhum investidor externo, é o mercado. Quem está fazendo algumas movimentações é o mercado, é o mercado financeiro internacional. E, até onde eu saiba, o mercado financeiro internacional continua dolarizado”, afirmou.

Novo membros

Criado em 2015, o NDB também conhecido como Banco do Brics, é um banco multilateral de desenvolvimento criado para mobilizar recursos para financiar projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento.

Os fundadores do Brics são os maiores depositantes de recursos do banco de fomento, mas fazer parte do Brics não garante acesso ao NDB.

Dilma anunciou neste sábado (5), que o Conselho de Governadores, formado pelos ministros de finanças dos países integrantes da instituição, aprovaram a entrada de mais dois países: Uzbequistão e Colômbia.

Com isso, o NDB passa a ter 11 membros, junto com Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Emirados Árabes, Bangladesh, Egito e Argélia.

Prioridades

Prioridades

Segundo a presidente, desde a criação do banco, em 2014, foram aprovados 122 projetos de investimento, totalizando em torno de US$ 40 bilhões.

Somente para o Brasil, o Conselho de Diretores do Banco aprovou 29 projetos, totalizando US$ 7 bilhões. O desembolso total para o Brasil foi, até o momento, de US$ 4 bilhões, o que representa 18% do total de desembolso do banco.

“Para nós, hoje, é fundamental o financiamento de inovação, ciência e tecnologia”, disse.

De acordo com a presidente, isso é importante para reduzir a diferença de desenvolvimento dos países membros em relação à demanda mundial atual, para que os países possam ser produtores de tecnologias, como inteligência artificial (IA) e não apenas consumidores do que é produzido por outros países, como os Estados Unidos ou países da Europa.

“É impossível não ter uma industrialização de qualidade, que não signifique, necessariamente, a adoção de ciência e tecnologia. Então, nós temos de tornar isso sempre possível acessível aos nossos países membros”, defendeu.

“Tem um gap entre a situação nossa atual e o que nós temos de fazer para, de fato, não sermos só produtores de commodities ou consumidores de plataforma. Mas para sermos sujeitos ativos.”

Estocar vento

Rousseff também destacou a importância de financiar investimentos dos países em energias renováveis como a eólica e a solar. Ela inclusive lembrou um episódio, ocorrido quando era presidente do Brasil, em que afirmou que era preciso estocar ventos e Sol.

“No passado, eu lembro perfeitamente quando eu disse que a gente tinha de armazenar ventos e Sol. Toda a imprensa brasileira aqui presente, eu não sei se todos, mas muitos, acharam que isso era uma ignorância. Pois muito bem, saibam vocês que essa é uma das áreas mais importantes na área de energia para resolver um problema que vocês viram acontecer recentemente na Espanha e Portugal, quando despencou o sistema de transmissão daqueles países”.

O uso e a capacidade de armazenamento de energia renovável, de acordo com a presidente, “vai facilitar a transição energética”. “Então, é uma área para nós muito importante, a área da energia”.

Brics

O Brics é um bloco que reúne representantes de 11 países-membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. 

Também participam os países-parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão. Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics ocorre no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.

Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2024, países do Brics receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto nós compramos desses países 34% do total do que importamos.Fonte: Agência Brasil

Haddad defende reglobalização sustentável e taxação de super-ricos

Brasília (DF), 01/07/2025 - Fala do Ministro Fernando Haddad à imprensa
Foto: Washington Costa/MF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, neste sábado (5), o que chamou de reglobalização sustentável, “uma nova aposta na globalização, dessa vez baseada no desenvolvimento social, econômico e ambiental da humanidade como um todo”, disse no discurso de abertura da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Banco Centrais do Brics.

O ministro também manifestou apoio ao estabelecimento de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Cooperação Internacional em Matéria Tributária, ou seja, um acordo tributário global mais justo. “Trata-se de um passo decisivo rumo a um sistema tributário global mais inclusivo, justo, eficaz e representativo – uma condição para que os super-ricos do mundo todo finalmente paguem sua justa contribuição em impostos”, afirmou.

Segundo o ministro, o Brics, tem origem no pleito dos países membros por maior peso no sistema financeiro internacional. Países que, juntos, representam quase a metade de toda a humanidade. “Nenhum outro foro possui hoje maior legitimidade para defender uma nova forma de globalização”, disse Haddad.

Haddad também relembrou o papel do Brasil à frente do G20, quando encabeçou o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, e, desde então, manifestou-se “em defesa da tributação progressiva dos super-ricos. Já naquele momento, fizemos da defesa do multilateralismo uma marca da presidência brasileira. De lá para cá, essa defesa se tornou urgente. Não há solução individual para os desafios do mundo contemporâneo”.

De acordo com o ministro, nenhum país isoladamente, por mais poderoso que seja, “pode dar uma resposta efetiva ao aquecimento global, ou atender as legítimas aspirações da maior parte da humanidade por uma vida digna. A perspectiva de criar ilhas excludentes de prosperidade em meio à policrise contemporânea é moralmente inaceitável. Em vez disso, temos que encontrar soluções cooperativas para os nossos desafios comuns”, destacou.

Em relação a crise climática, Haddad ressaltou que os países do Brics estão “desenvolvendo instrumentos inovadores para acelerar a transformação ecológica”. Ele também destacou as discussões sobre a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), com objetivo de movimentar economias de baixo carbono. Países ricos, com histórico poluente muito superior aos demais, teriam de se comprometer a investir mais recursos na manutenção do fundo.

“Nos últimos dias, conversamos muito sobre o Tropical Forest Forever Facility. Estou convencido de que o Brics pode desempenhar um papel decisivo em sua criação, com um anúncio de grande impacto durante a COP 30 [30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima]”, disse. “Em parceria com o Brics, almejamos consolidar-nos como um porto seguro em um mundo cada vez mais instável. Serenidade e ambição, são, portanto, as marcas da nossa presidência”, acrescentou.

Brics

Brics é um bloco que reúne representantes de 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam os países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão. Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics ocorre no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.

Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2024, países do Brics receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto nós compramos desses países 34% do total do que importamos.Fonte: Agência Brasil

Equatorial Maranhão alerta para os perigos de acidentes com pipas na rede elétrica

_Só no primeiro semestre deste ano já foram registradas 1.160 ocorrências em todo o estado_

O período das férias escolares chegou e, com ele, um clima favorável com ventos fortes, fazendo com que crianças, adolescentes e adultos aproveitem para realizar atividades ao ar livre. Entre elas, uma das brincadeiras mais populares entre os maranhenses: empinar pipas. Porém, quando praticada em locais inapropriados ou se realizada em proximidade com a rede elétrica, a diversão pode se tornar perigosa, já que pode prejudicar o fornecimento de energia e, em situações mais graves, causar acidentes graves ou fatais.

Segundo levantamento da Equatorial Maranhão, no ano de 2024, foram identificadas 3.239 ocorrências envolvendo pipas em contato com a rede elétrica, no Maranhão. De janeiro até o dia 22 de junho deste ano, já foram registradas 1.160 ocorrências. São Luís lidera o ranking com maior número de ocorrências, com 393 registros, seguida por Imperatriz, com 77 casos. São José de Ribamar aparece em terceiro lugar, com 58 casos, Timon e Rosário aparecem logo depois, com 35 e 27 ocorrências, respectivamente.

Ainda muito utilizado nas pipas, o chamado “cerol” — material aplicado na linha — representa um fator de risco por conter raspas de vidro e pó metálico em sua composição. Além de comprometer a segurança da população, ele também se torna um condutor de eletricidade. É importante ressaltar que o uso do cerol é proibido pela Lei Estadual nº 11.344/2020, que veta a comercialização da substância composta por vidro moído e cola.

Mesmo sendo uma brincadeira, é necessário que, ao praticar a atividade, a população esteja atenta aos cuidados necessários para evitar transtornos. As pipas que ficam enroscadas na rede elétrica podem provocar desgaste nos fios e causar curtos-circuitos. Caso a pipa se aproxime ou entre em contato com a rede elétrica, a pessoa que pratica a brincadeira pode sofrer uma descarga elétrica e correr o risco de um acidente fatal.
Pensando nisso, a Distribuidora orienta à população quanto aos riscos e reforça dicas importantes para empinar pipas com segurança:

• Não deixe as crianças empinarem pipas perto da rede elétrica. O recomendado é estarem em locais descampados, como praias e campos, e sempre supervisionadas por adultos;
• Se a pipa ficar presa na rede elétrica, jamais tente resgatá-la com varas ou de qualquer outra forma, pois isso representa risco de choque elétrico;
• Atenção à intensidade dos ventos, pois quanto mais fortes, maior a possibilidade da pipa ser lançada contra a rede elétrica;
• Não utilize cerol e linha chilena: além de proibidos, esses materiais podem causar acidentes graves;
• Atenção ao clima: dias de chuva, especialmente com raios, são perigosos para essa prática;
“Quando uma pipa atinge a rede de energia, ela pode danificar a fiação elétrica, chegando, em alguns casos, a causar o rompimento de cabos e curtos-circuitos, podendo gerar falta de energia temporária na região e até situações mais graves, como acidentes graves com choque elétrico. Por isso, é fundamental que as crianças e adolescentes sempre estejam acompanhados de um adulto supervisionado a brincadeira, além de seguir os cuidados necessários para evitar acidentes,” orienta o Executivo de Segurança da Equatorial Maranhão, Gabriel Vieira.

A Equatorial Maranhão reforça que, em caso de ocorrências envolvendo a rede elétrica, a orientação é que as pessoas não se aproximem de fios e cabos, que não toquem em pessoas ou objetos que estejam em contato com a rede elétrica e chamem o socorro por meio do SAMU (192) e Corpo de Bombeiros (193). Além disso, é importante ligar para a Equatorial Maranhão, na Central 116, para que as equipes desliguem a rede elétrica, quando necessário.

Assessoria de Imprensa da Equatorial Maranhão

Bolsa bate recorde, e dólar cai para menor valor em mais de um ano

Dólar

Em um dia de euforia no mercado financeiro, a bolsa de valores aproximou-se de 141 mil pontos e fechou em nível recorde. O dólar chegou perto de R$ 5,40 e atingiu o menor nível em mais de um ano. 

O índice Ibovespa, da B3, encerrou aos 140.928 pontos, com alta de 1,35%. O indicador sobe 2,97% na semana e 17,16% em 2025.

A bolsa foi beneficiada por ações de bancos e pelo mercado internacional. As bolsas em Nova York também bateram recordes.

O mercado de câmbio também teve um dia de otimismo. O dólar comercial fechou a R$ 5,405, com queda de R$ 0,016 (-0,29%). A cotação chegou a subir para R$ 5,44 pouco antes das 10h, mas operou em estabilidade após a abertura dos mercados norte-americanos. Na hora final de negociação, passou a cair, até encerrar na mínima do dia.

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A moeda norte-americana está no menor valor desde 24 de junho, quando tinha fechado em R$ 5,39. A divisa acumula queda de 1,42% na semana e de 12,53% em 2025.

Em um dia sem notícias econômicas internas, o mercado foi dominado pelo cenário internacional. No início da manhã, a divulgação de que os Estados Unidos criaram mais postos de trabalho que o previsto em junho eliminou as chances de o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) cortar os juros ainda neste mês.

Em tese, a notícia provocaria a alta global do dólar, mas a possibilidade de que os Estados Unidos fechem acordos comerciais até o fim da próxima semana animou os investidores. Os países emergentes, como o Brasil, foram beneficiados pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional), estimuladas por dados positivos da economia chinesa, a maior consumidora de matérias-primas do planeta.

Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil**Com informações da Reuters

CNU 2025 tem mais de 100 mil inscritos em menos de 24 horas

Rio de Janeiro (RJ), 18/08/2024 - Candidatos chegam para as provas do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU)na UERJ, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) contabilizou 100.070 inscritos na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), cerca 23 horas após o início do período de inscrições, na terça-feira (2). 

O período para se inscrever no exame vai até 23h59 de 20 de julho, horário oficial de Brasília. As inscrições devem ser feita pelo site da Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela organização do concurso.

O número final de candidatos do CNU 2025 será conhecido somente após 21 de julho, prazo final para o pagamento da taxa de inscrição de R$ 70. Inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) podem pedir isenção da taxa.

Realizada em agosto de 2024, a primeira edição do chamado Enem dos Concursos teve 2.114.145 inscritos. Porém, apenas 970.037 compareceram aos dois dias de provas.

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Passo a passo da inscrição

Para se inscrever é preciso ter conta ativa no portal Gov.br e número de Cadastro de Pessoa Físico (CPF) válido.

Os interessados deverão:

  • optar por apenas um dos nove blocos temáticos;
  • dentro do mesmo bloco temático, selecionar por diferentes cargos e especialidades, entre as opções ofertadas;
  • indicar a ordem de preferência de ocupação dos cargos, como foi no CNU 2024;
  • escolher o local de prova, selecionando a unidade federativa e a cidade de preferência, que não poderá ser alterada posteriormente;
  • assinalar a opção “SIM”, caso deseje tratamento por nome social ou necessite de atendimento especializado para realizar a prova. A solicitação deve ser feita até 20 de julho, com documentação que comprove a necessidade;
  • selecione a opção “SIM”, caso deseje concorrer para as vagas reservadas a pessoas com deficiência (PCDs), pessoas negras, indígenas, quilombolas;
  • informar se deseja solicitar a isenção da taxa de inscrição entre 2 e 8 de julho.

Como parte obrigatória do processo de inscrição, o candidato deverá ainda preencher um questionário socioeconômico. O edital único do CNU 2025 esclarece que as informações não serão usadas como critério de classificação ou eliminação no certame.

Após esta etapa, o participante deve concordar com os termos e condições do concurso para gerar a inscrição.

O sistema da FGV gerará uma Guia de Recolhimento da União (GRU) que deverá ser paga até 21 de julho.

Clique aqui e confira o guia do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGO) com um passo a passo para inscrição. .

CNU 2025

A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado oferta 3.652 vagas para 32 órgãos, com provas aplicadas em dois dias — a primeira fase, de questões objetivas, em outubro e a segunda, as dissertativas, em dezembro, apenas para os aprovados na etapa anterior.

Os cargos serão agrupados em nove blocos temáticos, com a possibilidade do candidato se inscrever para diferentes cargos dentro do mesmo bloco e definição de sua lista de preferência pelas vagas​. Fonte: Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil

Haddad elogia retirada do ressarcimento do INSS do arcabouço fiscal

São Paulo (SP) 22/03/2024 - Coletiva de imprensa do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli de excluir do arcabouço fiscal a devolução do dinheiro dos aposentados do INSS, que sofreram descontos indevidos feitos por empresas de empréstimos consignados.

“Na verdade, foi um tratamento igual ao de um precatório. Os precatórios a partir de um determinado limite estão fora. Entendeu- se que era uma decisão judicial sem previsão orçamentária”, disse Haddad nesta quinta-feira (3).

O pagamento do governo federal será para não prejudicar os aposentados que foram lesados pela ação das associações que, sem autorização, descontavam mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS. Assim, a decisão no STF possibilitará que os aposentados possam ter seu direito restabelecido o quanto antes.

“O importante é que as pessoas vão ser ressarcidas”, destacou o ministro.

As declarações do ministro foram feitas no Rio de Janeiro, após reunião com os ministros das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, e da China, Lan Foan. Na cidade, Haddad também teve encontro com o ministro das Finanças da França Eric Lombard, para tratar do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O ministro brasileiro acredita que o acordo estará fechado até o final do ano.

Mantendo otimismo, Haddad avaliou que há um clima mais favorável para discutir o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Tenho lido manifestações das pessoas buscando o diálogo”, disse.

No mesmo tom, o ministro ainda elogiou o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), relator da reforma do Imposto de Renda, proposta pelo governo para isentar pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil. Segundo ele, o “trabalho é técnico” e a interlocução do Ministério Fazenda com Lira tem sido um diálogo de alto nível.

“Tenho razões pra imaginar que chegaremos a um bom relatório”, comentou Haddad.

Fonte: Tatiana Alves – Repórter da Rádio Nacional

STF homologa plano do INSS para devolução de descontos ilegais

Brasília (DF) 09/05/2025 - Fachada da sede do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quinta-feira (3) o plano do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para iniciar o ressarcimento dos descontos irregulares de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas.

Com a homologação, os pagamentos devem começar no dia 24 de julho e serão feitos de 15 em 15 dias, a partir da data inicial. Cada lote deve contar com o ressarcimento de 1,5 milhão de beneficiários.

Os valores serão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação.

Na mesma decisão, Toffoli determinou a suspensão de processos e decisões judiciais em todo o país que tratam da responsabilidade do INSS e do governo federal sobre os descontos ilegais.

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O ministro também ressaltou que a adesão dos aposentados ao acordo deve ser voluntária. Conforme uma das cláusulas do acordo, quem aderir deverá retirar a ação na Justiça contra o INSS.

“É imperativa a atuação das instituições signatárias na divulgação não apenas do acordo, como também da voluntariedade de sua adesão pelos beneficiários que foram vítimas de fraudes mediante descontos não autorizados por parte de entidades associativas e dos efeitos jurídicos dessa adesão”, afirmou o ministro.

Confira reportagem com o detalhamento do acordo

Crédito extraordinário

Toffoli não aceitou o pedido da AGU para determinar a abertura de crédito extraordinário no orçamento para viabilizar o ressarcimento.

Na decisão, o ministro disse que não cabe ao Supremo determinar a medida, que é de competência do Congresso.

Contudo, o ministro entendeu que os recursos para o pagamento poderão ficar fora do limite de gastos do Novo Arcabouço Fiscal. 

“Essa mesma razão justifica que os valores a serem utilizados para reposição imediata, na via administrativa, do patrimônio dos beneficiários da Previdência Social que foram vítimas das fraudes com descontos não autorizados, acordada nestes autos, sejam excepcionados do cálculo para fins do limite disciplinado no art. 3º da Lei Complementar nº 200/23, conforme 2º do dispositivo, independentemente de figurar em crédito extraordinário”, definiu o ministro.

Conciliação

O acordo enviado para chancela do STF foi fechado entre a AGU, o INSS, o Ministério da Previdência Social, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF). Todos os órgãos participam de uma conciliação aberta por Dias Toffoli.

Segundo a AGU, a homologação é necessária para dar segurança jurídica ao processo de devolução dos valores descontados.

Bloqueios

As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

Até o momento, a Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens.  Fonte: André Richter – Repórter da Agência Brasil