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Homem preso como suspeito de estuprar adolescente tem prisão revogada no PI; polícia conclui que ele trabalhava no momento do crime

Tribunal de Justiça do Piauí — Foto: Izabella Lima/g1Piauí

Um homem, identificado pelas iniciais A.S.R., preso na quarta-feira (27) como suspeito de abuso sexual contra uma adolescente de 13 anos em São Raimundo Nonato, teve a prisão temporária revogada nesta quinta-feira (28). Conforme a Justiça, a polícia do Piauí teve acesso a vídeos que mostram que, na data e no horário em que o crime aconteceu, o homem estava no local onde trabalha.

Conforme a decisão, a prisão temporária do homem foi decretada em 25 de agosto e cumprida dois dias depois. No entanto, nesta quinta (28), a polícia do Piauí apresentou os elementos que afastam os indícios de autoria que recaíam sobre o homem e protocolou pedido de revogação da prisão.

A Delegacia de Proteção à Mulher e Grupos Vulneráveis é responsável pela investigação que apura o suposto abuso contra a adolescente. Ao g1, a delegada Cynthia Verena informou que há indícios de que a vítima teria produzido vídeos de conteúdo sexual por iniciativa própria.

Segundo o Conselho Tutelar de São Raimundo, a adolescente foi encaminhada à rede de proteção do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e recebe acompanhamento psicológico especializado. Fonte: G1-PI

Hytalo Santos e marido vão ficar em ala LGBTQIA+ e só podem receber visitas de familiares; entenda as regras do presídio

O influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Vicente, o Euro, estão no presídio do Róger, em João Pessoa, onde podem receber visitas apenas de familiares e somente cinco dias após a chegada ao local. As regras da penitenciária também determinam quais itens de higiene e roupas podem ser entregues aos detentos.(leia abaixo)

Os influenciadores vão ficar os cinco primeiros dias em uma ala de adaptação no presídio. Depois disso, vão para o pavilhão de pessoas da comunidade LGBTQIA+ e também podem tomar banho de sol.

De acordo com o diretor da unidade prisional, Edmilson Alves, o casal vai dividir o espaço com outros quatro detentos. O pavilhão não possui celas individuais e mede aproximadamente 3 metros de largura por 15 de comprimento.

Hytalo e Euro foram transferidos de São Paulo para a Paraíba nesta quinta-feira (28). Eles deixaram a penitenciária de São Paulo por volta das 11h e chegaram à Paraíba por volta das 17h12. O casal de influenciadores foi levado de carro e com escolta policial para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

De acordo com o secretário de administração penitenciária da Paraíba, João Alves, os familiares precisam realizar cadastramento presencial para as visitas.

“A família vai ter que vir cadastrar e comparecer ao presídio. Quando terminar o período de reconhecimento, aí, em dia de visitas, eles poderão comparecer e visitar os seus familiares”, disse.

 

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), as visitas ao presídio do Róger são exclusivamente aos domingos, e os visitantes precisam também comprovar vínculo familiar, como cônjuge, companheiro ou parentesco com os detentos.

A unidade prisional em que os dois estão presos é uma das mais importantes da capital paraibana e opera com 190 presos acima da capacidade.

Hytalo e Euro estão presos na Paraíba — Foto: Arte/g1

Hytalo e Euro estão presos na Paraíba — Foto: Arte/g1

Os familiares poderão levar alimentos, roupas e calçados, respeitando as quantidades semanais determinadas pela Seap. Entre os alimentos permitidos estão legumes, frutas em embalagens transparentes, leite, doces e sucos de cores claras. Também é permitido levar um maço de cigarro ou até 500 gramas de fumo in natura, além de biscoitos recheados, água e sal. Não são aceitos alimentos congelados.

No caso de roupas, cada visitante poderá entregar até duas peças de cada tipo, desde que sejam de cor branca ou clara, e um par de chinelos nas mesmas condições.

Produtos de higiene permitidos incluem desodorante cremoso, sabão em barra ou em pó e água sanitária, apenas uma vez por semana. O barbeador de lâmina deve ser descartável, sendo necessário devolvê-lo para receber outro.

Hytalo Santos entra na penitenciária em João Pessoa, onde está preso — Foto: TV Cabo Branco

Hytalo Santos entra na penitenciária em João Pessoa, onde está preso — Foto: TV Cabo Branco

De acordo com as informações da Polícia Civil da Paraíba, os influenciadores chegaram à Paraíba por volta das 17h, seguiram para o Instituto de Polícia Científica (IPC), para realização de exames, e depois foram conduzidos ao presídio do Róger.

Segundo o diretor da unidade prisional, ao chegarem ao presídio, Hytalo e o marido preencheram um formulário sobre condições de saúde e comorbidades, além de registrar foto para o Sistema de Administração Penitenciária da Paraíba.

A unidade prisional é padrão para presos provisórios do sexo masculino, como no caso de Hytalo e Euro. O local conta com 8 pavilhões, incluindo um reservado para a população LGBT.

Caso se declarem homossexuais, o casal será encaminhado diretamente para o pavilhão exclusivo destinado a essa população. No entanto, poderão ser separados caso haja determinação judicial nesse sentido.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o presídio abriga atualmente 890 detentos, embora sua capacidade seja de 700 presos, o que representa um excesso de 27%. Apesar do problema, o diretor da penitenciária, Edmilson Alves, garante que a rotina do presídio não é comprometida e afirma que diversas melhorias foram implementadas nos últimos anos.

Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa, conhecido como presídio do Róger. — Foto: TJPB/Divulgação

Hytalo e Euro respondem a processo da Justiça de Bayeux, na Grande João Pessoa. Eles são investigados por exploração sexual de menores de idade, trabalho infantil e tráfico humano em conteúdos produzidos para as redes sociais. A investigação é feita pelo Ministério Público da Paraíba (MP-PB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) paraibano.

A transferência de Hytalo e de Euro foi determinada pela Justiça da Paraíba.Fonte: G1-PB

Maranhão é o 2º estado com mais focos de queimadas no Brasil, aponta INPE

Maranhão é o 2º estado com mais focos de queimadas no Brasil, aponta INPE — Foto: Divulgação/Equatorial Maranhão

O Maranhão ocupa a segunda posição no ranking nacional de queimadas em 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Até a segunda quinzena de agosto, foram registrados 5.224 focos ativos em todo o estado.

O número representa quase um quarto do total de queimadas registradas em 2024 (22.879) e confirma a tendência de crescimento durante o período mais seco do ano, especialmente nos meses de setembro e outubro.

Além dos impactos à saúde da população e ao meio ambiente, as queimadas também representam riscos diretos à rede elétrica. Mesmo antes das chamas atingirem cabos e equipamentos, a fumaça carregada de fuligem pode se acumular sobre isoladores e cruzetas, comprometendo o desempenho do sistema e aumentando a possibilidade de falhas no fornecimento de energia.

Maranhão é o 2º estado com mais focos de queimadas no Brasil, aponta INPE — Foto: Divulgação/Equatorial Maranhão

Diante desse cenário, a Equatorial Maranhão reforçou suas ações de prevenção e conscientização.

“É fundamental que a população compreenda que as queimadas não afetam apenas o meio ambiente. Quando acontecem próximas à rede elétrica, podem causar danos e até acidentes graves. Nosso trabalho é orientar, conscientizar e reforçar os cuidados para atravessar esse período crítico com segurança e confiabilidade”, destacou Gabriel Vieira, Executivo de Segurança do Trabalho da Equatorial Maranhão.

Campanhas educativas e ações técnicas

 

A distribuidora vem intensificando campanhas educativas junto às comunidades, alertando para os riscos das queimadas e promovendo práticas seguras. Também atua em parceria com órgãos de segurança e defesa civil para apoiar medidas de mitigação e combate aos incêndios, especialmente nas regiões mais críticas do estado.

Além das ações de conscientização, a Equatorial Maranhão realiza medidas preventivas como limpeza das faixas de servidão com roçagem periódica, retirada de material combustível sob as linhas de distribuição, podas preventivas e inspeções técnicas em campo. Tecnologias como drones e sensores são utilizadas para identificar pontos vulneráveis próximos às subestações e demais estruturas.

“O monitoramento em tempo real que realizamos no Centro de Operações Integradas nos permite agir de forma ágil e segura. Com o uso de tecnologia e manobras telecomandadas, conseguimos recompor o sistema automaticamente em casos de desligamentos provocados por queimadas nas proximidades, reduzindo impactos para a população e assegurando a confiabilidade do fornecimento”, explicou Ivan Bazzan, Gerente de Operações da Equatorial Maranhão.

Orientações à população

 

Maranhão é o 2º estado com mais focos de queimadas no Brasil, aponta INPE — Foto: Divulgação/Equatorial Maranhão

Maranhão é o 2º estado com mais focos de queimadas no Brasil, aponta INPE — Foto: Divulgação/Equatorial MaranhãoFonte: G1-MA

Maranhão cria mais de 2,8 mil novos empregos formais em julho, aponta Caged

O Maranhão registrou a abertura de 2.898 empregos com carteira assinada em julho. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados nesta quarta-feira, 27 de agosto, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. No acumulado do ano, entre janeiro e julho de 2025, o Maranhão acumula 20.767 novos empregos formais.

Em julho, o estado apresentou desempenho positivo em quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas avaliados. O destaque foi o setor de Serviços, que gerou 1.548 novos postos. Na sequência aparecem Comércio (588), Construção (538) e Indústria (396). Apenas a Agropecuária registrou desempenho negativo, de -172 vagas.

A capital, São Luís, foi o município maranhense com melhor saldo em julho, com 1.453 novos postos. A cidade tem hoje um estoque de 327,3 mil empregos formais. Na sequência dos municípios com melhores desempenhos no estado aparecem Timon (225), Caxias (144), Imperatriz (142) e Bacabal (130).

As novas vagas com carteira assinada geradas em julho no Maranhão foram ocupadas, em sua maioria, por pessoas do sexo masculino, responsáveis pelo ingresso em 1.693 postos, contra 1.205 vagas ocupadas pelas mulheres. Pessoas com ensino médio completo foram as principais atendidas, com 2.674 postos. Jovens entre 18 e 24 anos formam o grupo com maior saldo de vagas no estado em julho: 1.970.

O Imparcial

Maioria do STF mantém prisão do ex-jogador Robinho

Robinho foi anunciado neste sábado pelo Santos

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta quinta-feira (28) maioria de votos contra a soltura do ex-jogador de futebol Robinho, preso no Brasil desde março do ano passado.

Robinho cumpre condenação a nove anos de prisão na Itália pelo envolvimento no estupro de uma mulher, ocorrido dentro de uma boate de Milão, em 2013.

Até o momento, seis dos onze ministros da Corte se manifestaram pela manutenção da prisão. O julgamento virtual do caso começou na semana passada e será encerrado nesta sexta-feira (29).

O STF julga um recurso da defesa contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que homologou a sentença da Justiça italiana e determinou a prisão imediata do ex-atleta, em março de 2024.

Os votos favoráveis à manutenção da prisão foram proferidos pelos ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Cristiano Zanin e Edson Fachin.

O único voto a favor da concessão de liberdade ao ex-jogador foi proferido por Gilmar Mendes. No entendimento do ministro, a prisão de Robinho só poderia ser executada no Brasil após o fim da possibilidade de recursos contra a decisão do STJ.

Robinho está preso no complexo penitenciário de Tremembé, em São Paulo. Fonte: André Richter – Repórter da Agência Brasil

Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido

Belo Horizonte (MG), 28/08/2025 - Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido. Foto: William Dias/ALMG

“Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política por regime ditatorial instaurado em 1964”.

Declarações de óbitos retificadas com esse texto foram entregues, nesta quinta (28), a familiares de 63 pessoas assassinadas pela ditadura militar no Brasil (1964-1985), que haviam sido dadas como desaparecidas. A solenidade ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foram entregues os documentos de pessoas nascidas, falecidas ou desaparecidas no Estado.

Confira aqui os nomes das vítimas com atestado retificado.

Assassinados

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, disse que o evento foi carregado de um simbolismos e significados. “Esse ato nos diz que houve um dia em que, no nosso país, defender direitos, a liberdade, a dignidade e a cidadania era se opor aos interesses daqueles que dominavam o Estado brasileiro”, afirmou.

Belo Horizonte (MG), 28/08/2025 - Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido. Foto: Daniel Carneiro/Divulgação
Belo Horizonte (MG), 28/08/2025 – Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido. Foto: Daniel Carneiro/Divulgação

Macaé Evaristo enfatizou que a repressão matou operários, trabalhadores, intelectuais, estudantes, ativistas sociais, artistas, jornalistas, ambientalistas, humanistas, que ousaram exercer o seu papel crítico e político na vida comunitária, acadêmica e trabalhista.

“O Brasil tem profundas sequelas de períodos históricos nefandos, que vêm desde a escravização até a ditadura militar. E ainda segue hoje em muitas periferias, favelas e no campo brasileiro”, afirmou.

A ministra entende que a retificação faz parte de um processo de cura social. “Estamos vigilantes e certos de que a defesa da democracia é o único caminho possível para a proteção e defesa da dignidade humana, do livre pensamento, da pluralidade e da diversidade de ideias. Só quem vive ou é impactado pelo horror da opressão e da política do medo é quem pode medir o valor desse momento”.

Causas falsas

A presidente da comissão de mortos e desaparecidos políticos, Eugênia Gonzaga, recordou que, antes, as pessoas que morreram naquele período, vitimadas pelo Estado, tiveram certidões de óbito com causas falsas, como suicídio ou acidente automobilístico. “Outras pessoas não receberam nenhum único documento do Estado brasileiro nem satisfação”.

Depois, em 1995, 10 anos desse término formal da ditadura, quase 30 anos depois que as mortes aconteceram, o Estado não reconhece que matou, mas sim que as pessoas morreram sob pressão policial em locais de repressão. “Mas essa certidão foi um avanço. Era melhor do que nada para quem não tinha nenhum reconhecimento”.

Em 2017, houve uma alteração na legislação, mas a comissão foi interrompida em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro. Depois, em 30 de agosto do ano passado, foi reativada. “Um ano depois, essa comissão, fruto da luta de familiares, eu quero que os familiares recebam, juntamente com cada documento, o nosso mais sincero pedido de desculpas”, afirmou.

“Agonia indescritível”

A ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, também presente na cerimônia, disse que participava do evento também como cunhada do desaparecido político Paulo Costa Ribeiro Bastos, capturado pela ditadura em 1972.

“O sofrimento de perder alguém, de desconhecer o seu paradeiro, de saber que foi flagelado e assassinado pelo regime, é uma agonia indescritível”.

Ao final do evento, familiares das vítimas testemunharam a força que o novo documento tinha para eles. Eles testemunharam que o atestado de óbito retificado não chegou a tempo de encontrar vivos avós, pais, companheiros. No entanto, descendentes jovens enfatizaram a necessidade de divulgar a violência da ditadura para o Brasil pelas redes sociais.

A militante Diva Santana, que perdeu a irmã Dinaelza, assassinada pela repressão na década de 1970, afirmou que o evento não deveria significar o fim da luta. “Essa juventude que está aí tem que reagir e lutar. Lutar em defesa da soberania do nosso país. Motivos pelos quais os nossos parentes deram suas vidas”.Fonte: Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

Lula exalta “maior operação contra o crime organizado da história”

Brasília (DF), 28/08/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião bilateral com o Presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino, no Palácio do Planalto. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta quinta-feira (28) a deflagração de uma série de operações policiais que investigam a atuação de grupos criminosos na cadeia produtiva de combustíveis para lavagem de dinheiro oriundo de facções do narcotráfico.

“A população em todo o país assistiu hoje à maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui. Em atuações coordenadas que envolveram Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estaduais, foram deflagradas três operações simultâneas nos setores financeiro e de combustíveis, envolvendo 10 estados”, enumerou o presidente, em uma postagem nas redes sociais.

Lula enalteceu o trabalho integrado, iniciado com a criação, no Ministério da Justiça, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado. “Permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas”, observou o presidente.

“Nosso compromisso é proteger cidadãos e consumidores: cortar o fluxo de dinheiro ilícito, recuperar recursos para os cofres públicos e garantir um mercado de combustíveis justo e transparente, com qualidade e concorrência leal. Seguiremos atuando com coordenação e seriedade para dar segurança às pessoas e estabilidade à economia”, prosseguiu o presidente.

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Operações em andamento

De acordo com a PF, as ações policiais em ao menos duas operações, embora distintas, objetivam desarticular “esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro”. As investigações apuraram um sofisticado esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.

Estão sendo cumpridos, no âmbito da Operação Quasar, 12 mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo: na capital paulista e nas cidades de Campinas e Ribeirão Preto.

A Justiça Federal autorizou o sequestro de fundos de investimento dos investigados, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Policiais federais também cumprem desde cedo mandados judiciais contra integrantes de uma das “maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná”. Segundo a PF, a organização criminosa investigada na Operação Tank atuava desde 2019 e pode ter lavado pelo menos R$ 600 milhões. “Movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.”

Os criminosos utilizavam diversos artifícios para ocultar a origem dos recursos. De acordo com as investigações, eles faziam uso de depósitos fracionados, que ultrapassaram R$ 594 milhões. Isso era feito por meio de “laranjas, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulação de aquisição de bens e serviços”.

O trabalho investigativo constatou também fraudes na comercialização de combustíveis, entre elas “adulteração de gasolina e a chamada ‘bomba baixa’, em que o volume abastecido é inferior ao indicado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba estavam envolvidos nessas práticas”.

Os agentes cumprem 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão nos estados do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro. “Foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, totalizando uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.”Fonte: Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

Operações contra crime no setor de combustíveis bloquearam R$ 3,2 bi

Brasília (DF), 28/08/2025 - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, durante entrevista coletiva para detalhar duas operações da Polícia Federal para combater a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Foto: José Cruz/Agência Brasil

As três operações deflagradas nesta quinta-feira (28) contra a lavagem de dinheiro criminoso por meio do setor de combustíveis resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados. 

As medidas judiciais levaram ao bloqueio e sequestro de mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. Os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões. 

Para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, as operações foram “as maiores da história contra o crime organizado”. Elas são fruto da parceria entre diferentes órgãos, o que, segundo ele, reforça ainda mais a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional.

De acordo com as autoridades presentes – entre elas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de Lewandowski – a forma encontrada pelos criminosos para lavar o dinheiro do crime foi a de usar os recursos na economia real e no mercado financeiro.

“Hoje nós deflagramos uma das maiores operações da história contra o crime organizado, sobretudo em sua atuação no mercado legal. Atacamos, neste momento, no setor de combustíveis, a apropriação das organizações criminosas em parte do setor de combustíveis, e a sua ligação com setor financeiro no que diz respeito à lavagem de dinheiro”, disse Lewandowski.

Três operações

Das três operações deflagradas hoje, duas foram pela Polícia Federal (Quasar e Tank); e uma pelo Ministério Público de São Paulo (Carbono Oculto). A Receita Federal participou das três.

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Como havia muitos alvos em comum, houve cooperação envolvendo diversos órgãos, tanto no âmbito federal como estaduais. Por se tratarem de esferas de atuação e competências diferentes, a integração de forças foi ainda mais necessária.

“O que houve foi a sincronização dessas ações. Há uma integração entre as três operações que poderiam muito bem acontecer em momentos diversos, mas é com prejuízos. Trabalhamos em absoluta harmonia”, explicou o diretor geral da PF, Andrei Rodrigues.

A operação Carbono Oculto está voltada a desmantelar fraudes e sonegação fiscal no setor de combustíveis, articuladas por organizações criminosas. A Quasar e a Tank têm como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.

As investigações identificaram um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar o patrimônio de origem ilícita.

Quasar e Tank

Só no âmbito da PF, segundo o diretor da entidade, 141 veículos foram apreendidos; 1,5 mil veículos foram sequestrados; mais de R$ 300 mil em dinheiro apreendidos; mais de R$ 1 bilhão bloqueados. Foram também apreendidos ou sequestrados 192 imóveis e duas embarcações.

Além disso, 21 fundos de investimentos tiveram bloqueio total, além de ações em relação a 41 pessoas físicas e 255 pessoas jurídicas. Dos 14 mandados de prisão, seis haviam sido cumpridos, até o início da tarde.

No Paraná, a exemplo de São Paulo, o inquérito foi instaurado a partir de uma outra operação da PF, focada no tráfico de drogas, instaurada em março de 2023.

“Aqui, o foco são as fraudes na cadeia de combustíveis. Encontramos fracionamento de depósito, empresas de fachada, intermediadora e operadoras financeiras, coleta de dinheiro, contas bolsões, adulteração e fraude na venda de combustíveis. Fundamentalmente, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, organização criminosa e adulteração de combustíveis”, disse Andrei Rodrigues.

Carbono Oculto

Alguns detalhes da operação Carbono Oculto foram apresentados pela subsecretária de fiscalização da Receita Federal, Andrea Chaves.

“Percebemos, principalmente na operação Carbono Oculto, uma invasão do crime organizado na economia real e no mercado financeiro. Isso é de extrema relevância porque, além da questão concorrencial, existe uma questão de você não separar o que é legítimo e o que é legítimo”, disse Andrea.

Segundo ela, a estrutura criminosa envolveu toda cadeia de combustíveis, desde a importação até o consumidor final, passando pelas etapas de produção, distribuição e comercialização. “E, na parte financeira, atuou na ocultação e na blindagem de patrimônio, em um esquema semelhante à ocultação de sócios de paraísos fiscais”, acrescentou.

“Para que a gente tenha uma noção, são cerca de mil postos de combustíveis em mais de 10 estados, movimentando R$ 52 bilhões. Uma fintech [empresa de tecnologia] atuava praticamente como um banco paralelo do crime organizado”, acrescentou.

Os postos de gasolina citados pela subsecretária estão localizados em São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins.

A Carbono Oculto cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A Justiça Federal autorizou o sequestro integral dos fundos de investimento utilizados para estas movimentações ilícitas e autorizou o bloqueio de até R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas.

Brasília (DF), 28/08/2025 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva para detalhar duas operações da Polícia Federal para combater a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva para detalhar duas operações da Polícia Federal para combater a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Refinaria do crime

De acordo com o ministro Haddad, as operações não foram “obra do acaso”, mas fruto de uma decisão política.

“Criamos em 2023 uma equipe para decifrar fraudes estruturadas que contam com mecanismos financeiros sofisticados, usando inclusive expedientes próprios de grandes investidores no mercado financeiro”, disse Haddad.

Nesse sentido, foi usada a inteligência do Estado para chegar aos verdadeiros líderes do crime. Segundo Haddad, mais de mil servidores do plano federal e subnacional participaram das operações. “Estamos desmantelando a refinaria do crime”, disse.

“Conseguimos decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado, com muitas camadas, envolvendo fundos fechados [de investimentos]. Para chegar no patrimônio do criminoso, você precisa da inteligência dos auditores-fiscais, que abriram as contas e entenderam o caminho do dinheiro”, acrescentou.

“Não fosse por isso, não teríamos conseguido chegar a mais de mil postos de gasolina, quatro refinarias e mais de mil caminhões que estavam à disposição do crime para transportar o combustível geralmente adulterado”, complementou o ministro.Fonte: Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

“Descobrimos a ponta do iceberg”, diz Lewandowski sobre operações

Brasília (DF), 28/08/2025 - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, durante entrevista coletiva para detalhar duas operações da Polícia Federal para combater a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, alertou que as operações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, nesta quinta (28), representam ainda apenas a “ponta” de um “iceberg”. 

Em entrevista ao programa Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ele indicou que é preciso chegar a todos os níveis hierárquicos das organizações criminosas.

“Nós descobrimos a ponta desse iceberg e vamos agora descobrir a base”, disse o ministro.

Ele explicou que os caminhos das investigações mostraram relações entre o crime organizado, o setor financeiro e empresas de combustíveis. O dinheiro da exploração ilegal, segundo a investigação, era “lavado” por meio de fintechs e de administradores de fundos financeiros. O ministro considerou que as ações expõem formas de migração do crime organizado da ilegalidade para a legalidade. 

Formas de repressão

“Nós chegamos à conclusão de que os instrumentos tradicionais de combate à criminalidade, especialmente à repressão policial, não eram suficientes para enfrentar esse fenômeno que envolve análises financeiras, contábeis e fiscais da atuação do crime organizado”, afirmou.

Ele recordou que, no começo do ano, o ministério criou um núcleo de combate ao crime organizado para uma visão mais abrangente da atuação do crime organizado nos diversos setores.

Atividade integrada

“Resolvemos ter um enfoque multissetorial e multidisciplinar para essa infiltração do crime organizado no setor de combustível. Portanto, envolvendo não apenas, digamos assim, uma repressão física”, disse o ministro à Voz do Brasil.

Outro foco foi, segundo o ministro, o de investigar a lavagem de dinheiro. “Nós entendemos que a participação da Receita Federal era importantíssima”. Então, os agentes descobriram a origem dos recursos.

“Foram operações que demandaram muito esforço, planejamento e finalmente hoje desencadeadas. Com um resultado bastante significativo”, avaliou o ministro.

Movimentações ilícitas

Lewandowski ressaltou que foram cumpridos quase 400 mandados judiciais.

“Nessas operações, nós descobrimos R$ 140 bilhões de movimentações ilícitas. Nós logramos bloquear e sequestrar mais de R$ 3,2 bilhões de bens e valores”, citou.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão. “Nós não tínhamos ideia da dimensão desse esquema ilícito”. Para o ministro, as três operações (denominadas Quasar, Tanque e Carbono Oculto), foi possível penetrar no coração da atividade ilícita na exploração do setor de combustível.

Postos envolvidos

A operação mostrou que havia adulteração do combustível, uma rede de importação de metanol, que era desviado das refinarias para outros destinatários e a lavagem do dinheiro. “A grande preocupação que os órgãos de segurança têm é com a descapitalização do crime organizado. O crime organizado precisa ser sufocado financeiramente”, ressaltou o ministro.

Segundo ele, já foi possível identificar mais de mil postos de gasolina que estavam envolvidos nesse esquema, lavando dinheiro e fornecendo produtos adulterados.

Com os documentos que foram apreendidos, novas operações devem ser realizadas, adiantou o ministro.Fonte: Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

Receita voltará a exigir declaração de fintechs após operações da PF

Superintendência da Receita Federal, em Brasília.

Após as operações que desmantelaram um esquema de ligação entre o crime organizado, o setor financeiro e empresas de combustíveis, a Receita Federal voltará a exigir que as fintechs apresentem a declaração e-Financeira, documento com movimentações de alto valor. O órgão anunciou nesta noite que publicará uma instrução normativa que retoma as obrigações de transparência e de repasse de informações por essas instituições financeiras.

Com a instrução normativa, as fintechs (startups do setor financeiro) terão de repassar ao Fisco as mesmas informações que as demais instituições financeiras. Por causa da onda de fake news sobre uma eventual cobrança de impostos sobre o Pix, a Receita Federal revogou em janeiro uma instrução normativa sobre a prestação de informações sobre as transferências instantâneas.

A revogação, na prática, prejudicou a fiscalização das fintechs e, segundo a Receita Federal, ajudou o crime organizado. “As operações de hoje [quinta-feira, 28], Carbono Oculto, Quasar e Tank, demonstram algo que a Receita Federal já apontava: fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado”, destacou a Receita, em nota.

Fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar, já que elas não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil há mais de 20 anos”, acrescentou o comunicado.

Redação diferente

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia anunciado que a instrução normativa seria publicada nesta sexta-feira (29), mas o comunicado da Receita não informou a data. Apenas trouxe as linhas gerais do texto.

A Receita negou que vá reeditar a instrução normativa revogada em janeiro. O órgão afirmou que a norma terá uma redação diferente, “bastante direta e didática, com apenas quatro artigos”:

“Não queremos dar margem para uma nova onda de mentiras”, afirmou o Fisco.

Detalhes do texto

Segundo a Receita, os quatro artigos serão os seguintes:

  • O primeiro artigo deixará claro o intuito de combater o crime;
  • O segundo artigo afirmará, de maneira clara e direta, que as instituições de pagamento e de arranjos de pagamento (fintechs) sujeitam-se exatamente às mesmas obrigações das instituições financeiras tradicionais (apresentação da declaração e-Financeira);
  • Os artigos terceiro e quarto são instrumentais, apenas referindo-se à regulamentação e à vigência a partir da publicação.

A Receita esclareceu que o segundo artigo terá um parágrafo único, com referência expressa à Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro (Artigo 6º da Lei 12.865 de 2013), para deixar claras as definições de instituições de pagamentos, arranjos de pagamento e contas de pagamento.

“Deixando claro que não estamos criando nada de novo, apenas adotando as definições da lei já existente”, ressaltou o Fisco.Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil