
Governo muda regras da poupança para ampliar crédito imobiliário à classe média

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (10), em São Paulo, mudanças nas regras da poupança com o objetivo de ampliar o crédito imobiliário voltado à classe média. A medida, segundo o governo, vai facilitar o acesso a financiamentos com juros menores para imóveis de até R$ 2,5 milhões.
Durante o lançamento, Lula destacou que o programa foi pensado para famílias com renda a partir de R$ 12 mil, que desejam adquirir uma casa maior e melhor localizada.
“Esse programa foi feito pensando em dar àqueles que ainda não têm o direito de ter a sua casinha um pouco melhor. Ele não quer uma casa de 40 metros quadrados, ele quer uma casa de 70, de 80 metros quadrados. Ele não quer morar nos ‘cafundós do Judas’, ele quer morar em um lugar mais próximo de onde ele está habituado a morar”, afirmou o presidente.
O evento ocorreu em um centro de convenções na capital paulista e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jader Filho (Cidades) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), além dos presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.
Mais crédito e novas regras para a poupança
Com a medida, o governo busca aumentar o volume de crédito imobiliário disponível no mercado, beneficiando famílias de renda média e estimulando o setor da construção civil. O limite dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,5 milhões.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, apenas na Caixa Econômica Federal a mudança deve gerar cerca de 80 mil novos financiamentos, com juros de até 12% ao ano.
Atualmente, 65% dos recursos da poupança são aplicados obrigatoriamente em crédito imobiliário, 20% ficam retidos no Banco Central (os depósitos compulsórios) e 15% são de livre aplicação. O novo modelo prevê uma transição gradual até 2027, quando essas regras deixarão de existir.
Ao final do processo, todo o volume depositado na poupança poderá ser utilizado como fonte de financiamento imobiliário. Assim, quanto mais recursos forem poupados, maior será a oferta de crédito para a compra da casa própria.
*Fonte: Correio Braziliense
Dia das Crianças: Brasil é o único país com a celebração em 12 de outubro; entenda o motivo

Celebrar a infância, o universo lúdico e reforçar a importância dos direitos das crianças. Essa é a ideia central do Dia das Crianças, data que no Brasil é comemorada neste domingo, 12 de outubro. A escolha desse dia específico no calendário nacional, tem uma história que passa por questões políticas, uma tentativa de unificar a comemoração nas Américas e também uma campanha publicitária.
A origem oficial da data no país remonta a 1924. Naquele ano, o então presidente Arthur Bernardes assinou um decreto que instituía o “Dia da Festa da Criança”, após um projeto de lei ser aprovado no Congresso. A inspiração veio do 3º Congresso Sul-Americano da Criança, realizado no Rio de Janeiro em 1923, que debateu temas como educação, alimentação e desenvolvimento infantil.
Segundo informações da Agência Senado, o contexto da década de 1920 era muito diferente do atual. As crianças, especialmente as mais pobres, não tinham seus direitos assegurados, muitas eram obrigadas a trabalhar e não frequentavam a escola.

Por que 12 de outubro?
Durante o congresso de 1923, surgiu a sugestão de que a data comemorativa coincidisse com o dia do Descobrimento da América, também em 12 de outubro. O objetivo, de acordo com a Agência Senado, era associar simbolicamente a nova geração (as crianças) à chegada de Cristóvão Colombo à América, induzindo todos os países americanos participantes do evento a adotarem a mesma data.
No entanto, a tentativa de unificação não deu certo. Cada nação das Américas acabou escolhendo uma data própria para a celebração. O Paraguai, por exemplo, comemora em 16 de agosto, data que recorda um batalhão de crianças mortas na Guerra do Paraguai. O Brasil, assim, tornou-se o único país do mundo a celebrar suas crianças em 12 de outubro, conforme um artigo publicado pelo Senado.
Mudanças de data e a força do comércio

A data, porém, não se fixou de imediato. Antes do decreto de 1924, a comemoração era feita informalmente em 2 de outubro, dia em que a Igreja Católica celebra os Anjos da Guarda. E, em 1940, o presidente Getúlio Vargas mudou a comemoração oficial para 25 de março, mas a efeméride não “pegou” entre a população.
Foi apenas em 1960 que o 12 de outubro retornou com força, impulsionado por uma campanha de marketing. Uma fabricante de brinquedos se uniu a uma empresa de cosméticos para criar a “Semana do Bebê Robusto”, ainda conforme relata a Agência Senado. A estratégia comercial foi um sucesso e popularizou a data.
Uma coincidência que fortaleceu a data comercialmente foi o fato de 12 de outubro ser também o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, instituída como feriado nacional em 1980. Fonte: G1
Sanfoneiro de 9 anos ‘monta banda’ com os irmãos e se inspira no pai: ‘Gosto de ver ele tocar’
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Samuel Dantas, sanfoneiro mirim, tomou gosto pela música desde cedo e aprendeu a tocar seu primeiro instrumento musical aos três anos de idade. Hoje, aos nove anos, ele é o mais velho de quatro irmãos, e já assume a liderança da sua banda de forró de baixinhos, mantendo a essência da música nordestina na família.
Filho de músico, o menino não esconde a admiração que nutre pelo pai, e afirma que gosta de tocar sanfona por se inspirar nele. Seguindo o mesmo caminho, também estão seus irmãos mais novos: Maitê, de seis anos, Arthur, de cinco anos e Miguel, de dois anos de idade.
O talento de Samuel apareceu para o grande público em um vídeo que viralizou. O menino aparece tocando outro instrumento, o triângulo, em uma apresentanção ao lado do pai.
“Gosto de tocar sanfona porque é bonito e eu gosto de ver meu pai tocar. Também tô aprendendo a tocar sanfona”, conta Samuel.
Joab Dantas, pai das crianças e sanfoneiro, conta que a música esteve presente na vida dele desde quando tinha a idade dos filhos. Sua infância, vivida na cidade de Picuí, no Seridó da Paraíba, foi repleta de confraternizações de família regadas por música e pelo ritmo do forró.
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Samuel Dantas, sanfoneiro mirim de 9 anos — Foto: Joab Dantas/Arquivo Pessoal
Para ele, que atualmente mora em João Pessoa, é motivo de orgulho ver que seus filhos também são crianças que vivem a música.
“Sinto uma profunda alegria e orgulho em tê-los inserido nesta cultura que é tão nossa. Para eles, é praticamente como se fosse uma brincadeira quase que diária. Um vê o outro tocando, aí o outro vai lá e pega o outro instrumento e quando a gente vai perceber, já tá todo mundo junto brincando tocando”, explica Joab.
O vídeo publicado pelo pai de Samuel, no qual o menino aparece tocando triângulo aos três anos de idade, viralzou nas redes sociais no começo de 2025 ao ser compartilhado por um perfil. O registro mostra a criança de pé ao lado do pai, que toca sanfona no palco durante uma apresentação.
Na gravação, é possível ver Samuel tocando triângulo e acertando as batidas da música com uma enorme desenvoltura para alguém ainda tão pequeno. O pai lembra da ocasião com carinho, e fala que ter contato com a música desde cedo teve um impacto muito positivo no crescimento do filho.
“Samuel aprendeu a fazer seus primeiros ritmos no triângulo aos 3 anos de idade, de tanto vivenciar a essência desse estilo em casa e nos lugares em que frequentava já desde novinho. A música ajuda bastante na questão do diálogo com outras pessoas, da interação, de forma bem positiva”, conta Joab Dantas, pai do menino.Fonte: G1-PB
Três pessoas ficam feridas após serem baleadas durante festa em João Pessoa
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Três pessoas foram baleadas, na madrugada deste domingo (12), durante uma festa de pagode, em João Pessoa.
Conforme informações da Polícia Militar, testemunhas que estavam na festa, na Estação das Artes, relataram que um homem sacou uma arma durante uma discussão e efetuou vários tiros. As pessoas relataram que o suspeito seria um policial e estava à paisana. No entanto, ele ainda não foi identificado.
Foram atingidos um homem de 29 anos, um homem de 31 anos e uma mulher de 32 anos. As três vítimas foram socorridas para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
A unidade de saúde informou que os dois homens já receberam alta. A terceira vítima, uma mulher, foi atingida no abdômen e precisou passar por uma cirurgia. O quadro clínico dela é grave, porém estável.Fonte: g1-PB
Até agora, Maranhão não tem casos suspeitos de intoxicação por metanol, informa SES

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-MA) informou nessa sexta-feira (10) que até o momento não há notificação de casos suspeitos de intoxicação por metanol no Maranhão. A declaração foi feita após a transferência de um paciente do município de Monção para o Hospital Carlos Macieira (HCM), em São Luís.
Segundo a SES, o paciente está em avaliação médica e a situação dele, até o momento, não se enquadra como caso suspeito desse tipo específico de intoxicação, podendo tratar-se de outro agente causador. Ele aguarda exames complementares e será acompanhado por equipe especializada no Macieira.
Leia, abaixo, a nota da SES na íntegra:
A Secretaria de Estado da Saúde informa que, até o momento, não há notificação de casos suspeitos de intoxicação por metanol no Maranhão. O paciente citado está em avaliação médica e, até agora, não se enquadra como caso suspeito desse tipo específico de intoxicação, podendo tratar-se de outro agente causador.
O paciente aguarda avaliação clínica no HCM, onde será submetido a exames complementares e acompanhamento especializado.
Brasil tem 24 casos confirmados de intoxicação por metanol
Na última terça-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou que o Brasil já contabiliza 24 casos confirmados de intoxicação por metanol. Os registros estão concentrados nos estados do Ceará, Pernambuco e São Paulo. A maioria dos pacientes apresentou sintomas graves como cegueira, vômitos, dores abdominais e dificuldade respiratória — alguns evoluíram para óbito.
As autoridades federais suspeitam que a contaminação esteja relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, vendidas de forma clandestina. O metanol, usado em processos industriais, é extremamente perigoso para consumo humano e pode causar danos neurológicos irreversíveis.
Alerta à população
O Ministério da Saúde e a Anvisa emitiram alertas para que a população evite o consumo de bebidas de origem duvidosa e denuncie estabelecimentos suspeitos. A recomendação é que qualquer pessoa que apresente sintomas após ingerir bebidas alcoólicas procure imediatamente atendimento médico.
Tratamento da intoxicação por metanol
Diante do aumento de casos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, o Ministério da Saúde, em parceria com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), divulgou orientações específicas para profissionais de saúde sobre o manejo da intoxicação por metanol.
As recomendações incluem:
- Reconhecimento precoce dos sintomas, como alterações visuais, vômitos, dor abdominal e dificuldade respiratória
- Administração imediata de antídotos, como etanol ou fomepizol
- Encaminhamento dos casos graves para unidades de terapia intensiva (UTI)
- Notificação imediata às autoridades de saúde
O objetivo é garantir uma resposta rápida e eficaz, reduzindo os riscos de complicações graves como cegueira, danos neurológicos e óbito.FontePor: Imirante
Suspeita de morte por demora em transferência entre hospitais e atrasos em cirurgias são investigados pelo MP
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O Ministério Público do Piauí (MPPI) abriu, neste mês de outubro, mais de 10 inquéritos para investigar denúncias de problemas em hospitais no estado. As apurações envolvem atrasos em cirurgias e até uma morte que teria sido causada pela demora na transferência entre unidades de saúde.
As investigações estão sendo conduzidas pela 29ª Promotoria de Justiça de Teresina. Um dos inquéritos apura se a morte foi provocada por “excessiva demora na transferência entre hospitais credenciados na Rede Municipal de Saúde”.
A portaria que abriu esse inquérito foi enviada ao Conselho Superior do Ministério Público e ao Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde e Cidadania (Caods). A investigação está em andamento.
Outros procedimentos investigam denúncias de demora excessiva na realização de cirurgias no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh) e na Rede Municipal de Saúde.
Procurado pelo g1, o HU informou que, até o momento, não foi notificado oficialmente sobre inquéritos envolvendo a unidade. O hospital afirmou que atua como prestador de serviços, seguindo normas e critérios definidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“O hospital tem ciência das necessidades da população e tem reunido esforços para reduzir o tempo de espera em relação aos serviços de saúde ofertados, por meio de ações e mutirões”, informou em nota (veja a íntegra).
O MP também apura atrasos em procedimentos oftalmológicos pelo SUS e suspeitas de irregularidades na convocação de técnicos de enfermagem no último concurso da Fundação Municipal de Saúde (FMS). Procurada, a FMS não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Nota do HU
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh) informa que não foi, até o momento, notificado oficialmente acerca da instauração de Inquérito Civil Público pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
O HU-UFPI esclarece que atua na condição de prestador de serviços, observando rigorosamente as normas, fluxos e critérios definidos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital tem ciência das necessidades da população e tem reunido todos os esforços para reduzir o tempo de espera na fila do SUS em relação aos serviços de saúde ofertados — cirurgias, exames e consultas —, por meio de ações e mutirões como o Dia E, dentro do projeto Ebserh em Ação, e os Sábados Cirúrgicos.
A instituição reafirma seu comprometimento com a transparência, a eficiência e a qualidade do atendimento à população, e permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público, tão logo seja formalmente notificada.
Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024
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Fazia sete anos que a operadora de caixa Jaqueline Chagas, então com 35 anos e hoje com 46, ouvia do ginecologista que o caroço que deformava seu seio era benigno. “Dava para sentir o nódulo no abraço”, relembra.
O que ela não sabia é que fazia parte de uma tendência crescente no Brasil e no mundo: o aumento de casos de câncer em pessoas de até 50 anos.
- Entre 2013 e 2024, o número de diagnósticos nessa faixa etária cresceu quase quatro vezes (84%) no Sistema Único de Saúde (SUS) — de 45,5 mil para 174,9 mil casos, segundo um levantamento feito pelo g1 com dados do painel DataSUS.
- Os tumores de mama, colorretal e fígado estão entre os que mais crescem nesse grupo.
- O câncer de mama lidera os diagnósticos, com alta de 45% entre 2013 e 2024 e mais de 22 mil novos casos anuais de mulheres de até 50 anos registrados no SUS.
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Foi durante uma mamografia de urgência que Jaqueline descobriu o diagnóstico.
“A médica que me examinava olhou para a colega dela e disse: ‘Mais uma jovem com câncer de mama, essa é a terceira hoje’. Foi assim que descobri que tinha câncer”, conta.
“Eu congelei. Primeiro, tive certeza de que morreria. Depois, pensei na minha mãe.”
Câncer em adultos de 18 a 50 anos no SUS
Evolução dos casos entre 2013 e 2024 (Brasil)
Ano Casos registrados Variação acumulada 2013 45.506 – 2016 49.024 +7,7% 2019 155.655 +242% 2022 174.565 +283% 2024 174.938 +284% Brasil tem lacuna de dados
O diagnóstico de Jaqueline foi carcinoma grau 3 localmente avançado. Vieram oito sessões de quimioterapia, uma mastectomia radical e complicações graves durante o tratamento no Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro.
Na sexta quimio, Jaqueline teve neutropenia (queda brusca dos leucócitos, responsáveis pela defesa do organismo) e sepse, uma infecção generalizada grave que, segundo os médicos, poderia ser fatal.
“Disseram ao meu marido que eu tinha poucos dias de vida. Lembro de pensar que não veria mais minha casa. Depois de uma semana, os leucócitos começaram a reagir”, diz.
Assim como Jaqueline, a maioria dos pacientes com diagnóstico precoce passa pela rede pública, onde estão concentrados os registros: 75% da população é atendida pelo SUS.
Especialistas ouvidos pelo g1, porém, alertam que o problema é ainda maior do que as estatísticas mostram: o Brasil não tem dados completos da saúde suplementar, e parte expressiva dos casos pode estar oculta nos planos privados, sem notificação oficial.
“Toda política de saúde depende de dados, e hoje eles são frágeis”, afirma Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. “Na saúde suplementar, a notificação não é compulsória. Então o país subestima a real dimensão do problema.”
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou à reportagem que não é possível medir a incidência de câncer na rede privada, responsável por aproximadamente 25% da cobertura populacional, porque desde 2010 uma decisão judicial impede o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas bases das operadoras.
O Ministério da Saúde tampouco possui dados que contemplem todo o sistema — apenas estimativas trienais.
Tipos de câncer mais incidentes entre adultos de até 50 anos
Tipo de câncer Casos (2013-2024) Observações Mama (C50) 219.449 Mais prevalente entre mulheres; aumento expressivo na última década. Colo do útero (C53) 105.269 Associado à baixa adesão à prevenção e ao rastreamento. Colorretal (C18-C20) 45.706 Em crescimento; ligado ao estilo de vida e a alimentação. Estômago (C16) 38.574 Mantém incidência alta em regiões com dieta rica em sal e ultraprocessados. Fígado (C22) 26.080 Relacionado ao consumo de álcool, hepatites e obesidade. Aumento do câncer colorretal
Entre os tumores que mais crescem na faixa de até 50 anos, o colorretal — que inclui os de cólon, reto e canal anal — é um dos que mais preocupam os médicos.
De acordo com dados do DataSUS, os diagnósticos passaram de 1.947 em 2013 para 5.064 em 2024, um crescimento de 160% no período.
“É uma doença de estilo de vida. Só 5% dos casos são hereditários; mais de 90% têm relação com alimentação, sedentarismo e obesidade”, explica Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center e diretor do programa de Residência Médica.
Segundo o médico, o aumento ocorre justamente em uma geração exposta desde a infância a dietas industrializadas, excesso de gordura corporal e pouco movimento físico.
Outro fator que justifica o boom é a baixa adesão ao rastreamento precoce, já que a colonoscopia, principal exame de detecção, ainda é pouco realizada antes dos 50 anos.
“Muitos pacientes jovens são diagnosticados em estágios avançados porque os sintomas são confundidos com hemorroidas ou alterações intestinais leves. Falta cultura de prevenção nessa faixa etária”, completa Aguiar.
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— Foto: AdobeStock
O novo perfil dos pacientes
Os médicos observam, ainda, uma mudança geracional no padrão de risco.
Antes, os tumores eram mais frequentes em idosos e estavam ligados ao tabagismo ou à exposição ocupacional. Agora, predominam fatores cotidianos: alimentação rápida, estresse, sobrepeso e noites mal dormidas.
“Os pacientes chegam ao consultório jovens, ativos, cuidando dos filhos, e de repente descobrem um câncer avançado. É um choque, não se viam no grupo de risco”, relata Stefani.
Esses novos hábitos também explicam por que a doença aparece mais cedo. A obesidade, por exemplo, funciona como um órgão inflamatório, produzindo substâncias que desregulam hormônios e estimulam o crescimento de células defeituosas.
O resultado é um organismo permanentemente inflamado, mais suscetível a mutações genéticas.
Prevenção e rastreamento
Médica nuclear pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e coordenadora do PET/TC da Clínica Villela Pedras, Sumara Abdo reforça que o sistema ainda não está preparado para diagnosticar precocemente pacientes jovens.
“Os protocolos de rastreamento ainda são voltados para pessoas acima dos 50 anos. Mas a realidade mudou. Já temos evidências de que tumores como o de mama e o colorretal vêm aumentando muito antes dessa idade”, diz.
Sumara defende incluir pacientes jovens em programas de prevenção e diagnóstico precoce, com foco em histórico familiar, obesidade e sintomas persistentes.
“Precisamos parar de associar o câncer a idosos. O corpo fala, e o diagnóstico precoce salva. No INCA, vemos mulheres de 30 anos com tumores agressivos e sem histórico familiar.”
Entre as principais medidas preventivas estão:
- manter alimentação rica em fibras, frutas e vegetais;
- reduzir o consumo de ultraprocessados e bebidas alcoólicas;
- praticar atividade física regularmente;
- fazer exames de imagem ou endoscópicos conforme orientação médica.
Sistema não está preparado
Mesmo com avanços recentes — como a ampliação da mamografia a partir dos 40 anos no SUS, anunciada em 2025 —, especialistas dizem que o sistema ainda não acompanha o novo perfil da doença.
“A demora entre diagnóstico e início do tratamento segue um desafio. Muitos não começam dentro dos 60 dias previstos por lei”, afirma Isabella Drummond, oncologista e membro das sociedades Americana e Europeia de Oncologia.
Ela acrescenta que a oncologia de precisão — baseada em testes genéticos e terapias-alvo — avança no setor privado, mas ainda é inacessível à maioria dos pacientes do SUS.
“Sem políticas públicas de rastreamento e diagnóstico molecular, a desigualdade em câncer só vai aumentar”, diz.
É justamente essa diferença de acesso que Jaqueline vê todos os dias. Ao se recuperar, ela criou um grupo nas redes sociais chamado Unidas, onde mais de 500 mulheres com câncer de mama trocam experiências.
“Tem mulher que espera seis meses por um exame. Outras não conseguem voltar ao trabalho por falta de acompanhamento psicológico. A gente tenta se ajudar com informação e acolhimento, porque muitas ainda descobrem o câncer tarde demais”, conta.
Uma tendência global
O fenômeno não é exclusivo do Brasil.
Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine (2022) mostra que a incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos vem crescendo em todos os continentes, especialmente em países urbanizados e de renda média.
- As causas mais prováveis são o estilo de vida moderno, as mudanças na microbiota intestinal, o sono insuficiente e a exposição a poluentes desde cedo.
“O fenômeno é global, mas no Brasil ele é agravado por desigualdade e diagnóstico tardio”, resume Stefani.
A publicação alerta que, sem políticas públicas que integrem prevenção e acesso, o país pode repetir o padrão observado nos Estados Unidos e Reino Unido — onde os casos precoces já representam até 20% dos novos diagnósticos anuais.
Sinais de alerta
Nem todo câncer gera sintomas no estágio inicial, mas é importante ficar atento a alguns sinais:
- Perda de peso inexplicável.
- Sangue nas fezes ou urina.
- Nódulos persistentes.
- Mudança no hábito intestinal.
- Cansaço extremo.
- Sangramento anormal.
“O câncer diagnosticado cedo tem mais de 90% de chance de cura”, reforça Isabella. “Mas para isso, o paciente precisa ser ouvido e ter acesso rápido ao exame certo”, afirma.Fonte: g1-MA
Diretor-geral de unidade prisional é morto em São Luís; crime teria acontecido após briga de trânsito
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O policial penal e diretor da Unidade Prisional de Coroatá (UPR), Dyego Antônio Mendes Ferraz, de 40 anos, morreu nesse sábado (11) após uma suposta briga de trânsito no bairro Forquilha, em São Luís.
Segundo informações preliminares da polícia, durante uma discussão, o suspeito efetuou disparos de arma de fogo contra Dyego, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Dyego era policial penal desde 2017 e exercia atualmente o cargo de diretor-geral da unidade prisional de Coroatá, município localizado a cerca de 260 km da capital maranhense.
Dyego deixa esposa e três filhos. O velório acontece neste domingo (12), às 12h, na Central de Velórios Pax Calhau, na capital.
Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) manifestou profundo pesar pela morte do servidor, destacando o compromisso e os relevantes serviços prestados ao Sistema Penitenciário Maranhense. Leia abaixo a nota na íntegra.
“A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) manifesta profundo pesar pelo falecimento do Policial Penal Dyego Antônio Mendes Ferraz da Silva, Diretor da UPR de Coroatá.
Neste momento de tristeza e dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e colegas de trabalho, expressando sinceras condolências pela perda do eximio servidor.
A secretaria também reconhece e agradece pelos anos de dedicação, compromisso e relevantes serviços prestados ao Sistema Penitenciário Maranhense”.Fonte: G1-MA