Após morte de peixes, equipes de saúde investigam possível intoxicação de moradores na zona rural de São Luís

Equipes de saúde da Prefeitura de São Luís estiveram, nesse sábado (17), na comunidade Terra do Rumo, na zona rural da capital, para investigar uma possível intoxicação de moradores após a morte de centenas de peixes em um igarapé da região. Moradores relatam problemas respiratórios e de pele e suspeitam de contaminação da água.

Profissionais da Unidade de Saúde da Família do Coqueiro e técnicos da área de vigilância de riscos da prefeitura visitaram a comunidade para levantar informações sobre os problemas de saúde relatados pelos moradores.

Durante a ação, os técnicos elaboraram relatórios sobre a suspeita de intoxicação por exposição a substâncias externas ao organismo. Os casos ainda serão investigados, e não há confirmação de que os sintomas tenham sido causados pela água do igarapé.

Moradores relatam aumento de problemas respiratórios e de pele, além de forte mau cheiro e mudanças na coloração da água. No início do mês, a comunidade denunciou um suposto despejo irregular de resíduos químicos que teria origem na fábrica da Solar, empresa que faz parte do sistema Coca-Cola (veja o que diz a empresa).

Moradores relatam problemas de saúde

Um menino de 2 anos, que vive na comunidade, apresenta pequenas bolinhas no peito e nas costas. A autônoma Renata Perria conta que a criança sente coceira intensa e chega a apresentar ferimentos na pele.

“Quando ele coça de noite ou até de dia mesmo, ele começa a ferir, começa logo a sair sangue, e ele não estava assim.”

 

Segundo Sérgio Andrade, técnico de vigilância dos riscos associados a desastres, a equipe reuniu informações sobre os sintomas para avaliar a possível exposição dos moradores a substâncias que possam causar intoxicação.

O levantamento busca identificar os problemas de saúde registrados na região e ajudar a determinar quais casos precisam de investigação.

Análises da água ainda estão em andamento

 

Centenas de peixes aparecem mortos em igarapé e moradores denunciam poluição em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

Centenas de peixes aparecem mortos em igarapé e moradores denunciam poluição em São Luís — Foto: Reprodução/TV Mirante

No dia 8 de outubro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) coletou amostras de água em quatro pontos do igarapé para investigar a causa da morte dos peixes. Segundo a pasta, as análises ainda estão em andamento. Os resultados serão divulgados após a conclusão dos procedimentos.

Desde a denúncia, representantes da comunidade acompanham as medidas adotadas na região. O presidente do Instituto Reviva Rio, Márcio Cruz, afirma que houve a correção de uma tubulação rompida e mudanças na aparência da água.

“Além disso, houve uma melhora, pelo menos na cor da água. Isso não quer dizer que os nutrientes que foram jogados não estejam lá.”

 

A presidente da Associação de Moradores da Terra do Rumo, Jéssica Brenda dos Santos, afirma que a Solar comunicou à comunidade que adotaria medidas para tentar reduzir o mau cheiro na região.

O que diz a Solar

 

Em nota, a Solar informou que continua apurando a situação e que as análises permanecem em andamento. A empresa afirmou ainda que mantém diálogo com moradores, lideranças comunitárias e autoridades responsáveis.

Em manifestação anterior, a empresa declarou que os resíduos líquidos da fábrica passam por tratamento conforme as normas ambientais e são encaminhados, por meio de uma tubulação, a uma localidade situada a cerca de 3,5 quilômetros da unidade. Leia a íntegra.

“A Solar informa que seus efluentes são tratados em conformidade com os parâmetros técnicos e legais aplicáveis e são destinados, por meio de emissário, a uma localidade a cerca de 3,5 km da sua unidade fabril.

Assim que tomou conhecimento de publicações envolvendo um córrego adjacente à fábrica, a empresa imediatamente iniciou apurações internas para avaliar as circunstâncias da situação relatada. As análises permanecem em andamento.

Desde o início da averiguação, a empresa mantém diálogo com representantes da comunidade local e com a autoridade ambiental competente, permanecendo à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos”. Fonte: G1-MA

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