O capitão da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva, preso nesta quinta-feira (8) após ser flagrado agredindo duas mulheres em São Luís, também responde a um processo por violência doméstica contra a ex-companheira em 2023. Em entrevista à TV Mirante, um homem que preferiu não ser identificado relatou que também foi agredido pelo policial ao tentar ajudar a mulher na época.
O homem contou que sofreu socos, chutes e ameaças com uma arma de fogo. Ele não quis mostrar o rosto durante a entrevista por medo de ameaças que afirma ter recebido. Um exame de lesão corporal confirmou os ferimentos sofridos por ele.
Em 2023, a ex-companheira de Jurambergson, que também é policial militar, pediu ajuda ao homem após sofrer agressões. Segundo o relato, ela estava machucada e com medo de desmaiar. Ao perceber a situação, ele entrou no carro com a mulher para ajudá-la.
Durante o trajeto, os dois perceberam que estavam sendo perseguidos pelo capitão. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o homem pede para descer do veículo. Segundo ele, as agressões começaram logo depois.
“Nisso que ela ficou por atrás de mim, já começou as agressões dele contra mim. Começou a me dar soco, chute. Aí eu saí correndo, ele correu atrás de mim, meu celular caiu”, relatou.
O homem afirmou que o policial pegou o celular que havia caído durante a fuga e voltou para o próprio carro. Ao tentar recuperar o aparelho, ele disse que foi novamente ameaçado.
Segundo a vítima, Jurambergson quebrou o telefone e pegou uma arma de fogo que estava no veículo. Com medo de ser baleado, o homem fugiu e pediu ajuda a um motociclista que passava pela avenida.
“Nisso eu saí correndo, encontrei um motoqueiro na avenida, pedi ajuda”, contou.
Em nota, a defesa de Jurambergson informou que aguarda a conclusão do inquérito policial e reiterou que o investigado se colocou voluntariamente à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.
O policial permaneceu preso por alguns dias na sede do Comando-Geral da Polícia Militar. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar a conduta do oficial.
O processo relacionado à agressão contra o homem que tentou ajudar a mulher foi arquivado. Já o caso de violência doméstica envolvendo a ex-companheira ainda não foi julgado.
Estou deformada’, diz uma das vítimas agredidas pelo capitão da PM
Sara, uma das vítimas agredidas por um capitão da Polícia Militar em um posto de combustíveis, em São Luís — Foto: Reprodução/ TV Mirante
Sara estava na loja de conveniência de um posto de combustível, em São Luís, quando viu uma policial militar caída no chão e decidiu intervir. Segundo ela, ao tentar afastar o capitão da mulher, também passou a ser agredida com coronhadas e chutes.
Sara contou que tentou afastar o capitão da outra mulher e que não esperava ser atacada. Segundo ela, naquele momento, também não havia percebido que o policial estava armado.
“Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele. Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim, entendeu? Eu empurro, tentando só afastar e nisso ele veio para cima de mim. E nessa que ele veio para cima de mim, ele já vem com a arma em punho e começa a me dar muita, muita coronhada, muita coronhada, muita coronhada”, disse a vítima.
Segundo Sara, as agressões continuaram mesmo depois que ela perdeu a consciência. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a vítima se aproxima de outra mulher e é agredida pelo capitão. Durante a confusão, o militar também aparece armado, e um disparo atingiu um homem que estava no local.
Sara afirmou que ainda sofre as consequências das agressões e espera que o capitão seja responsabilizado pela Justiça.
“Eu espero que dessa vez a Justiça seja feita, porque não é possível eu só tentar defender alguém e ficar dessa forma aqui como eu estou, toda deformada.”