“Quem estiver vindo aí, toma cuidado, meu véi, que caíram de bala aqui. Mandaram parar o carro aqui, eu meti foi os pés, caíram foi de bala”, diz um dos áudios.
O áudio é de um caminhoneiro que sofreu um ataque no fim de março. Um tiro atingiu o para-brisa do caminhão. “Ah, já abriram a tampa do cara aí, ó!”
Geralmente a quadrilha usa pneus para montar as barricadas, que obrigam os motoristas a reduzir a velocidade ou até mesmo parar.
“Aí, por força aqui, ó, que fizeram na pista aí… fechada para abrir os caminhões de soja.”, diz outro áudio.
Este é um dos principais pontos de ação dos criminosos. Por conta da fiscalização eletrônica, eles aproveitam que os motoristas reduzem a velocidade, se penduram na traseira do caminhão e abrem as travas.
Quando a caçamba da carreta se abre, os grãos vão ficando pelo meio do caminho.
“Ali é 3, 4 mil quilos de grão que cai ali, entendeu?”, diz o caminhoneiro José Barbosa. “E quem paga essa conta?”, pergunta a repórter. “O prejuízo vai para o motorista, entendeu?”, responde.
“Alguns caminhões já estão colocando parafusos, colocando um suporte a mais para dificultar o roubo deles”, revela o caminhoneiro Rogério da Silva.
Em outros vídeos, os criminosos aparecem juntando a soja que cobre a pista.
“Ó eles enchendo lá o saco lá… bando de safado, rapaz”, diz um caminhoneiro.
Esse é o trecho em que a quadrilha age: são 17 quilômetros da BR-135 que dá acesso ao Porto do Itaqui. É por onde passa parte da safra de grãos produzidos na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Nesse período da safra da soja, aumentam os roubos e furtos.
“Hoje está virando o Paranaguá, lá no Paraná… lá agora controlou, mas aqui em São Luís agora está um absurdo. Ninguém pode trabalhar, ninguém pode ser chamado de noite para descarregar.”, diz o caminhoneiro Airton Ramalho.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, em 2025 foram registradas 44 ocorrências de furtos e roubos de grãos. Também no ano passado, uma operação policial prendeu 20 suspeitos de roubo de carga só nesta área.
“Todos os anos nós estamos seguidamente denunciando esse problema e vendo maneiras de se resolver isso aí, buscando alternativas”, revela o Daniel Lech, produtor de soja. Fonte: G1-MA
