
Alunos do Ensino Médio estiveram presentes.
Na semana passada, foi realizado um evento no Auditório Leôncio Magno e algumas salas do Campus Caxias voltado ao Dia do Historiador (19 de agosto). Também houve a “1ª Mostra de Produção e Elaboração de Materiais Didáticos para o Ensino de História”. Alunos do Ensino Médio estiveram presentes.
O professor doutor Jakson Ribeiro, diretor do Curso de História, falou que “o primeiro objetivo deste evento é valorizar o papel do historiador e do professor de História no espaço escolar. Outra finalidade é mostrar para a comunidade em geral, principalmente a estudantil, quais as funções e possibilidades que um professor de História tem hoje”.
Segundo o professor, além de dimensionar uma reflexão crítica sobre as questões sociais, a intenção das atividades foi organizar uma mostra onde se pudesse alinhar o papel do historiador, do professor de História e, principalmente, das coisas que são feitas no cotidiano do curso. Ele destaca ainda a relevância da disciplina de História na Educação Básica.
Pela manhã ocorreu uma palestra feita por Gerhard Berg Araújo Oliveira, mestrando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da UEMA (PPGHIST/UEMA). Ele é colaborador do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, Bacharel em Direito pela UniFacema, professor da rede privada de ensino, e atua no Ministério Público Estadual – Promotoria de Justiça de Caxias.

O tema de sua fala foi ”Em livros de histórias seremos a memória dos dias que virão? A história e os historiadores na contemporaneidade”.
As atividades tiveram continuidade à tarde, com a palestra “Reflexões sobre o Ofício do Historiador: dilemas e desafios contemporâneos”, proferida por Maykon Albuquerque Lacerda, professor mestrando em História, Ensino e Narrativas.
O professor Maykon falou que “em 2020 tivemos um avanço na regulamentação do historiador como profissional no Brasil. Mas diante da realidade regional e local, estamos encontrando desafios. Quando perguntamos o que é História ainda se usa na Educação Básica o termo “matéria escolar”. O termo recente proposto pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é “componente curricular”. Pensando em curso superior, na condição de licenciando em História, na formação de professor, temos que pensar a nossa prática e a forma de lidar com os desafios. A História é uma ciência. O historiador, o pesquisador, é um cientista. Na condição de cientista, o pesquisador também é um professor. A tradição escolar conservadora criou uma separação entre o historiador professor e historiador pesquisador”.

De acordo com ele, para os historiadores, o pesquisador se encontra no espaço acadêmico e o espaço do professor é a Educação Básica. Isso foi desconstruído, pois na Educação Básica também ocorre construção de conhecimento e o ensino de História no Brasil é um campo consolidado. Sobre fontes, muitos historiadores tradicionais trabalhavam com fontes primárias e secundárias e isso também foi desconstruído, pois elas não podem ser hierarquizadas. Uma fonte documental não pode ser considerada melhor que uma oral.
“O ofício do historiador consiste em fazer recortes históricos. O que caracteriza a profissão são as delimitações. Ele precisa fazer seleções que acabam se tornando sua identidade constituída nas práticas. A questão temporal é muito ampla; cada escola historiográfica trabalha o tempo de forma diferente. Sobre o papel da História atualmente, fala-se na História Pública. Por exemplo, questiona-se por que muitos alunos da Educação Básica assistem vídeos sobre História no youtube feitos por pessoas que não são formadas em História. Eduardo Bueno e Laurentino Gomes não são historiadores. Graças a uma ação mercadológica escreveram livros de sucesso sobre História”, exemplificou.
“Durante muitos anos os historiadores foram vistos como chatos porque, ao longo das pesquisas, produziram para seus pares. Surge a dificuldade de fazer essas produções chegarem até a sociedade. Esse é um grande problema atualmente: formar uma consciência histórica no Brasil”, acrescentou.
Entre os desafios citados pelo palestrante podemos citar: embate entre revisionismo histórico e revisionismo ideológico; produção, circulação e consumo de fake news; reformas curriculares e propostas de políticas públicas neoliberais excludentes e prejudiciais; ausência de uma formação, consciência e educação histórica efetiva; ampliação da relação entre ensino, pesquisa e extens
“O conhecimento histórico possui forma e função. Todo sujeito histórico tem uma maneira de difundir a história. A formação histórica se dá no cotidiano das pessoas, pois fazemos escolhas o tempo todo Na aprendizagem escolar o historiador converte conhecimento acadêmico em conhecimento escolar. Nossas produções e falas impactam a sociedade; uma pesquisa bem costurada vai para fora dos muros da universidade”, finalizou.
Após a palestra, houve sorteio de livros, visita a salas de jogos, exibição de documentários e distribuição de lanche.Por: Ascom/ UEMA