ELO HORIZONTE – Na semana passada, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), decidiu de última hora comparecer à reunião de chefes dos Executivos estaduais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. No encontro, evitou imagens com o petista, em um movimento que antecipa como será seu segundo mandato à frente do Estado: o de opositor a Lula e ao PT.
Nesta segunda-feira, 16, Zema reforçou essa estratégia. Em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul, afirmou que o governo federal fez “vista grossa” às invasões e depredações das sedes dos três Poderes para, segundo ele, se “posar de vítima”. Na mesma entrevista, Zema condenou os atos de vandalismo em Brasília.
Para analistas ouvidos pelo Estadão, o governador mineiro terá de fazer movimentos para se firmar como um político de direita, que se opõe ao governo Lula, se desvinculando do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e passou à condição de investigado na sexta-feira passada por suspeita de incitar os atos violentos.
“Com a derrota de Bolsonaro e a corrosão do bolsonarismo, Zema perdeu um grande aliado e vai precisar de um tempo para se encontrar como oposição, dando uma cara nova e descolada do ex-presidente ao seu governo”, disse o professor de Ciências Políticas da UFMG Cristiano Rodrigues. “Zema terá de se firmar como um político de direita, que se opõe ao governo Lula, sem abraçar o bolsonarismo, como fez em seu primeiro mandato. Isso poderia ser sua morte política.”Fonte: Estadão
