|
A decisão do meia Mesut Özil de deixar a seleção alemã, em meio a acusações de racismo e críticas à Federação Alemã de Futebol (DFB), ultrapassou as fronteiras esportivas e provocou um debate acalorado sobre a integração de imigrantes e seus descendentes na Alemanha, em especial os teuto-turcos, que formam o maior grupo.
Vários políticos reagiram à decisão do meia do Arsenal, incluindo a chanceler federal Angela Merkel, que em 2010, depois de uma vitória da Alemanha sobre a Turquia em Berlim, pelas eliminatórias da Eurocopa, desceu até o vestiário para cumprimentar os jogadores, inclusive Özil, autor do segundo gol.
Desde que optou pela seleção alemã, o meia – que nasceu e seu criou em Gelsenkirchen, uma cidade da região carbonífera alemã, e é filho e neto de imigrantes turcos – era apontado como um exemplo de integração bem-sucedida de jovens de origem turca na sociedade alemã. Ele abdicara do seu passaporte turco já em 2007, argumentando que sentia pouca afinidade com a Turquia.
Com a eliminação da Alemanha já na fase de grupos da Copa da Rússia, Özil passou a ser um dos jogadores mais criticados do grupo. Seu encontro com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, poucas semanas antes da Copa, foi lembrado com frequência. Jogadores disseram que o caso, que causou enorme polêmica, teve efeitos negativos sobre a equipe. Mesmo o presidente da DFB, o ex-político conservador Reinhard Grindel, e o gerente esportivo, Oliver Bierhoff, se mostraram críticos quanto à performance de Özil na Copa e ao seu silêncio sobre o encontro com Erdogan.
Neste domingo (22/07), Özil abordou tanto o encontro com Erdogan como o tema integração ao comunicar seu afastamento da seleção alemã. O meia afirmou que a origem de outros craques, como Lukas Podolski e Miroslav Klose, não é lembrada quando se fala deles. “[Eles] nunca são apontados como teuto-poloneses, então por que eu sou turco-alemão?”, questionou.
O jogador de 29 anos criticou também, e de forma extremamente dura, o presidente da DFB, afirmando que ele foi desrespeitoso com sua origem, e disse ainda ter sido transformado em bode expiatório após o fraco desempenho da seleção na Copa da Rússia. “Aos olhos de Grindel e seus apoiadores, eu sou um alemão quando ganhamos, mas um imigrante quando perdemos”.
Fonte: msn
