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Moraes proíbe acesso aos prontuários de mulheres que realizaram aborto

Brasília (DF), 05/12/2024 - O ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de requisitar prontuários de pacientes que realizaram aborto legal em hospitais paulistas.

A decisão foi motivada por notícias publicadas pela imprensa sobre solicitações de acesso que teriam sido feitas pelo Cremesp ao Hospital das Clínicas de Botucatu (SP).

Na decisão, que foi publicada nesta quinta-feira (12), Moraes determina que a proibição de acesso aos prontuários das pacientes se estenda a todos os hospitais do estado.

“Determino que está vedado ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo requisitar prontuários médicos de pacientes que realizaram aborto legal”, decidiu o ministro.

Moraes também determinou a intimação do conselho para explicar os pedidos de acesso aos prontuários.

Em maio deste ano, Alexandre de Moraes suspendeu a resolução aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para proibir a assistolia fetal para interrupção de gravidez.  O procedimento é usado pela medicina nos casos de abortos previstos em lei, como o caso de estupro.

No mês seguinte, o ministro determinou a suspensão de processos disciplinares abertos pelo Cremesp contra médicos que realizaram a assistolia.

O caso chegou ao STF por meio de uma ação protocolada pelo PSOL.

Ao editar a resolução, o CFM entendeu que o ato médico da assistolia provoca a morte do feto antes do procedimento de interrupção da gravidez e decidiu vetar o procedimento.

“É vedada ao médico a realização do procedimento de assistolia fetal, ato médico que ocasiona o feticídio, previamente aos procedimentos de interrupção da gravidez nos casos de aborto previsto em lei, ou seja, feto oriundo de estupro, quando houver probabilidade de sobrevida do feto em idade gestacional acima de 22 semanas”, definiu o CFM.   Fonte: André Richter – Repórter da Agência Brasil

Lula sanciona lei que regula mercado de carbono no Brasil

Chaminés de fábrica liberam fumaça em Dunkirk, França
19/01/2023
Reuters/Yves Herman/Proibida reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que regula o mercado de créditos de carbono no Brasil, criando regras para as emissões de gases de efeito estufa. A lei foi publicada nesta quinta-feira (12) no Diário Oficial da União e a sanção anunciada no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, em Brasília.

A nova lei regula a compra de créditos de preservação ambiental para compensar as emissões de gases poluentes, ou seja, medidas de conservação e recuperação de vegetação nativa geram créditos, enquanto que as emissões gerarão débitos a serem compensados. A lei institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e divide o mercado de crédito de carbono brasileiro em dois setores, o regulado e o voluntário.

O primeiro envolve iniciativas do poder público e terá um órgão gestor responsável por criar normas e aplicar sanções a infrações cometidas pelas organizações. Já o mercado voluntário se refere à iniciativa privada, mais flexível.

A partir de agora, empresas, organizações e indivíduos podem compensar as emissões por meio da compra de créditos vinculados a iniciativas de preservação. O objetivo desse mercado é transferir o custo social das emissões poluentes para os agentes emissores, no esforço global de conter o aquecimento global e as mudanças climáticas.

O presidente Lula assinou a nova lei nesta quarta-feira (11), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado para tratamento de uma hemorragia intracraniana consequência de um acidente doméstico sofrido em 19 de outubro, quando caiu no banheiro da residência oficial e bateu com a cabeça.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que todos os pontos do texto, aprovado pelo Congresso no mês passado, já haviam sido discutidos previamente com Lula, e que ele está em “exercício permanente” da Presidência.

“O combinado é tudo aquilo que tenha prazo para sanção, ele está assinando, aí tem um mecanismo, que quem conduz é a Casa Civil, para essa assinatura”, explicou Padilha, após a plenária do Conselhão, no Itamaraty.

Lula também assinou o decreto que trata de uma nova governança para a transformação digital do governo federal. Os dois atos tiveram apoio e foram discutidos no âmbito do Conselhão.

“Talvez não seria possível conseguir aprovar o novo marco regulatório no mercado de carbono no nosso país sem a participação efetiva dos conselheiros e conselheiras. No momento de impasse, no debate, eles entraram em campo, sobretudo atores econômicos, da área do agronegócio, e trouxeram a perspectiva do agro, e isso ajudou muito no diálogo no Congresso Nacional”, disse Alexandre Padilha.

Conselhão

O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, composto por representantes da sociedade civil, é responsável pelo assessoramento do presidente da República na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo. Durante a reunião desta quinta-feira, foram feitas outras entregas de propostas geradas no Conselhão.

Uma delas é da Câmara de Assuntos Econômicos, com participação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que produziu um documento com 40 propostas para reduzir o custo do crédito no Brasil.

Outra iniciativa apresentada pelo grupo de trabalho do Pacto pela Igualdade Racial, é uma carta de compromissos que está aberta a adesões por empresas dos setores público e privado.

É a quarta vez que o colegiado se reúne de forma ampla, desde sua recomposição, em 2023.

Na ausência do presidente Lula, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, presidiu a plenária e também apresentou os investimentos relacionados ao programa Nova Indústria Brasil (NIB), coordenado por sua pasta.

A Missão 5 do NIB, que diz respeito a projetos industriais de bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energética, terá R$ 468,38 bilhões em recursos públicos e privados.

Do total, R$ 88,3 bilhões são públicos, em linhas de crédito para projetos que envolvam atividades como inovação, exportação, produtividade, sendo que R$ 74,1 bilhões já foram contratados de 2023 até este ano. Outros R$ 14,2 bilhões estarão disponíveis para 2025 e 2026. Já o setor privado prevê R$ 380,1 bilhões em investimentos, até 2029. Fonte: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Lula tem dreno retirado e segue lúcido e bem, diz boletim médico

Brasília (DF), 25/10/2024 - Ferimento na cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa de cerimônia de assinatura do novo acordo de repactuação da reparação dos danos da tragédia de Mariana (MG). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O boletim médico divulgado na noite desta quinta-feira (12) informa que foi retirado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o dreno intracraniano que havia sido colocado na cirurgia da última terça-feira (10). O procedimento ocorreu “sem intercorrências”.

“Na parte da tarde, realizou novos exames laboratoriais e, no início da noite, foi retirado o dreno intracraniano, sem intercorrências”, diz o boletim médico do Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, onde o presidente está internado.

O texto diz ainda que Lula permanece lúcido e orientado, conversando normalmente, “alimentou-se bem e recebeu visitas de familiares”.

Nesta quinta-feira, pela manhã, Lula foi submetido a um procedimento endovascular (embolização da artéria meníngea média), procedimento que foi considerado bem-sucedido pelos médicos. Em entrevista coletiva na parte da manhã, o médico de Lula, Roberto Kalil Filho, disse que a previsão de alta do presidente está mantida para o início da semana que vem e que ele deverá deixar de ter o monitoramento 24 horas por dia a partir desta sexta-feira (13).

“Ele está acordado, está comendo, está super estável. Isso não atrasou nem um pouco a programação dos próximos dias que, a depender da evolução do presidente, deverá ter alta no começo da semana”, disse.

“A partir de amanhã, ele vai passar a não ter mais os cuidados de monitoramento 24 horas. Então provavelmente a alta da UTI deve ser feita amanhã”, acrescentou Kalil.

Lula foi submetido a uma cirurgia de emergência na última de terça-feira (10) para drenar um hematoma na cabeça, decorrente de uma queda que sofreu em outubro. Kalil garantiu que não houve novo sangramento, após a drenagem, e que o procedimento realizado nesta quinta-feira foi de caráter preventivo.

Os médicos afirmaram ainda que o exame neurológico de Lula está normal. “Em nenhum momento ele teve nenhuma lesão cerebral”, disse Kalil, ao explicar que o presidente já está “conversando, comendo e andando pra lá e pra cá”.

Os médicos reafirmaram que não há nenhuma sequela e Lula é considerado “cognitivamente íntegro”. Fonte: Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil

Quase 40 trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão na Paraíba

Quase 30 trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão na Paraíba — Foto: MTE/Divulgação

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 36 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Mamanguape e João Pessoa, na Paraíba. A operação, que envolveu inspeções nas áreas rurais e urbanas dessas cidades, aconteceu entre os dias 2 e 11 de dezembro.

No total, 13 estabelecimentos foram fiscalizados nos estados da Paraíba e Pernambuco, e em três deles foram identificadas condições análogas à escravidão. Entre os locais inspecionados estavam uma pedreira e obras de urbanização de calçadas e vias públicas.

Na região de Mamanguape, na Paraíba, 13 trabalhadores foram resgatados de uma pedreira, onde atuavam como quebradores de pedras. No local, eles estavam expostos a condições perigosas, sem equipamentos de proteção individual. Também foram identificados riscos à saúde, segurança e à vida.

Os locais de vivência, construídos pelos próprios trabalhadores para armazenar ferramentas, também eram utilizados para refeições e, em alguns casos, para o descanso. Esses abrigos apresentavam condições precárias, como fiação exposta e falta de higiene. Eles também não tinham água potável e banheiros.

Os trabalhadores também não possuíam registro em carteira de trabalho, não faziam exames médicos ocupacionais e eram remunerados exclusivamente por produção, sem acesso a direitos trabalhistas como 13º salário, férias ou descanso remunerado.

Já em João Pessoa, capital paraibana, 23 trabalhadores foram resgatados de obras de pavimentação de calçadas públicas, onde estavam expostos a riscos de acidentes.

As condições nos alojamentos fornecidos pelos empregadores também eram precárias. Os trabalhadores dormiam em locais superlotados, no chão, com colchões improvisados e sem móveis. A água consumida era armazenada de maneira inadequada e compartilhada sem qualquer tipo de filtragem.

Medidas adotadas

 

Durante a operação, três pessoas com menos de 18 anos de idade foram retiradas de atividades proibidas, sendo um deles resgatado do trabalho rural e dois das obras de pavimentação.

Os trabalhadores resgatados têm direito a três parcelas do seguro-desemprego especial e receberam apoio da Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo da Paraíba (COETRAE-PB), além de contar com assistência dos órgãos municipais responsáveis pela proteção social e pelos direitos trabalhistas.

A coordenadora do GEFM, auditora-fiscal Gislene Stacholski, informou que os empregadores foram notificados para regularizar os vínculos trabalhistas e a pagar as verbas rescisórias, além das contribuições sociais.

Cerca de R$ 183 mil foram pagos em verbas rescisórias, e Termos de Ajuste de Conduta (TACs) foram firmados com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para garantir o cumprimento das obrigações legais e evitar novas infrações.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, em https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/. Fonte: G1-PB

Justiça mantém provas do concurso da Fundação PB Saúde nos dias 14 e 15 de dezembro

Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, é gerenciado pela PB Saúde — Foto: Divulgação/Secom-PB

A Justiça da Paraíba manteve a aplicação das provas do concurso da Fundação PB Saúde nos dias 14 e 15 de dezembro. Essa decisão foi tomada na noite da quarta-feira (11) pela juíza Ivanoska Maria Esperia da Silva.

A medida foi tomada após a Justiça reconsiderar a determinação de que as provas fossem aplicadas para todos os cargos no dia 15 de dezembro ou que fossem adiadas.

A Justiça entendeu que não havia possibilidade de que as provas acontecessem no dia 15 porque também é o dia em que serão aplicadas as provas dos Correios, com mais de 30 mil inscritos. Essa situação teria causado dificuldade em encontrar espaços disponíveis, já que o concurso da PB Saúde registrou quase 50 mil inscrições.

“Diante disso, há agora elementos que comprovam que a manutenção da alteração da data da realização da prova é mais adequada ao interesse público coletivo”, destacou a juíza.

Em nota, a Fundação Paraibana de Saúde reforçou que as provas do sábado (14) serão para profissionais de enfermagem. Já para o domingo (15), para as demais funções. Fonte: G1-PB

Polícia prende suspeitos de golpe contra aposentados que fraudou mais de R$ 400 mil na Paraíba

Grupo preso na Paraíba teria, em cinco meses, movimentado mais de 400 mil reais em transações ilícitas, segundo polícia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Cinco mandados de prisão preventiva estão sendo cumpridos na manhã desta quinta-feira (12), em João Pessoa, como parte da Operação Jogo Sujo, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida em golpes contra aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, o grupo atuava nas regiões de Pitimbu, Alhandra, Pedras de Fogo e Rio Tinto. Os suspeitos fraudavam o acesso às contas bancárias das vítimas, utilizando os dados obtidos para realizar empréstimos em instituições financeiras. Os valores dos empréstimos eram transferidos para outras contas vinculadas ao grupo, deixando os aposentados e beneficiários apenas com as dívidas.

No meio do ano, foram registradas duas ocorrências de aposentados agricultores de Pitimbu que relataram terem sido enganados pela organização. A partir desses casos, a polícia descobriu diversos registros semelhantes em outras cidades. Os criminosos alegavam que realizariam o empréstimo por boleto, mas na verdade acessavam integralmente as contas bancárias das vítimas.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Pitimbu/6ªDSPC, também cumpre quatro mandados de busca e apreensão e realizou o sequestro de bens dos envolvidos, com o objetivo de ressarcir os prejuízos causados às vítimas.

Apurações financeiras apontaram que a líder do esquema, uma mulher de cerca de 25 anos, movimentou mais de R$ 400 mil em transações ilícitas no período de cinco meses. Parte desse montante — mais de R$ 100 mil — foi gasto em plataformas de jogos de azar, incluindo o popular Jogo do Tigrinho.

A mãe da líder, uma mulher de 55 anos, também participava ativamente do esquema, assim como o marido da jovem, que já está preso. Ainda faltam duas pessoas a serem capturadas pela polícia.

Os suspeitos vão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato. O três membros localizados até a última atualização desta matéria estão na Central de Polícia Civil, no Geisel, em João Pessoa.

A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros possíveis envolvidos no esquema. Denúncias podem ser feitas de forma anônima através do disque-denúncia, no número 197. Fonte: G1-PB

Jovem é encontrado morto com golpes de faca em Aroeiras do Itaim

Jovem é encontrado morto com golpes de faca em Aroeiras do Itaim — Foto: Divulgação/PMPI

O jovem Marciano Pereira Feitosa, de 19 anos, foi encontrado morto nesta quarta-feira (11) na cidade de Aroeiras do Itaim, cidade que fica 330 km ao Sul de Teresina.

O corpo foi achado por volta das 6h na localidade Ponta do Morro, por moradores da região, que acionaram a Polícia Militar. Segundo a PM, o corpo tinha perfurações de arma branca, provavelmente faca.

Conforme a PM, o homem tinha mandado de prisão em aberto por lesão corporal seguida de morte, pois havia agredido a avó, que caiu, quebrou o fêmur e por complicações de saúde acabou morrendo.

Não foi informado se há suspeitos do crime, mas a perícia chegou a informar que pela situação em que o corpo foi encontrado, os indícios são de que ele tenha morrido por volta de meia-noite e encontrado aproximadamente seis horas depois. O caso será investigado pela Polícia Civil. Fonte: G1-PI

Homem é preso em São Luís por homicídio cometido em 2005

Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa - SHPP — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Um homem foi preso na manhã desta quarta-feira (11), acusado de ter cometido um homicídio no dia 15 de maio de 2005, no bairro do Miritiua, em São José de Ribamar, na Região Metropolitana de São Luís. A prisão foi realizada pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) no Anjo da Guarda.

Segundo o chefe da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), Carlos Alessandro, o acusado efetuou vários disparos de arma de fogo contra a vítima, identificada como Marcelo dos Santos. O crime ocorreu durante um ensaio de um grupo de bumba-meu-boi.

As investigações apontaram que, à época do crime, a vítima trabalhava como vigilante em um shopping center na região do bairro do Renascença. Em 2004, durante um assalto ao shopping, Marcelo teria reagido, resultando na morte do autor do crime.

Os investigadores acreditam que a execução de Marcelo dos Santos seria uma possível vingança relacionada a esse episódio. Após os procedimentos legais, o homem foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. Fonte: G1-MA

Fux vota no STF pela responsabilização das redes sociais por conteúdos

Brasília (DF), 11/12/2024 - Ministro Luiz Fux durante a sessão plenária do STF. Foto: Antônio Augusto/STF

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (11) a favor da responsabilização civil das redes sociais pelos conteúdos ilegais postados por usuários.

Com a manifestação do ministro, a Corte tem placar de 2 votos a 0 para obrigar as plataformas a retirar imediatamente conteúdos ilegais, como mensagens com ataques à democracia, incitação à violência e racismo, entre outras.

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli, relator de outro processo sobre a questão, também foi favorável à responsabilização das plataformas.

O Supremo julga a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), norma que estabeleceu os direitos e deveres para o uso da internet no Brasil.

De acordo com o Artigo 19, “com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura”, as plataformas só podem ser responsabilizadas pelas postagens de seus usuários se, após ordem judicial, não tomarem providências para retirar o conteúdo.

Durante sua manifestação, Fux disse que as redes sociais não podem ser excluídas do dever de preservar os direitos constitucionais à vida privada, à honra e a imagem dos cidadãos. Dessa forma, a responsabilização não pode ocorrer somente após descumprimento de decisão judicial, segundo o ministro.

“É razoável uma pessoa lucrar com a imagem alheia, com a honra alheia, com a privacidade alheia, por meio de um instrumento que fatura com a desgraça alheia? É isso que a Constituição garante quando ela diz que um dos fundamentos da Republica é a dignidade da pessoa humana?”, questionou Fux.

Fux também entendeu que a retirada de conteúdos ilegais deve ser feita imediatamente pelas redes sociais após as empresas serem notificadas extrajudicialmente pelas pessoas atingidas pelas postagens ilegais. Além disso, o ministro entende que as redes devem realizar o monitoramento ativo das postagens. “Eu defendo a remoção imediata no prazo razoável. Notificou, tira. Quer colocar de novo, judicializa”, completou.

Após o voto de Fux, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista feito pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e será retomado quarta-feira (18).

Nas primeiras sessões do julgamento, representantes das redes sociais defenderam a manutenção da responsabilidade somente após o descumprimento de decisão judicial, como ocorre atualmente. As redes socais sustentaram que já realizam a retirada de conteúdos ilegais de forma extrajudicial e que o eventual monitoramento prévio configuraria censura.

Entenda

O plenário do STF julga dois processos que discutem a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Na ação relatada pelo ministro Dias Toffoli, o tribunal julga a validade da regra que exige ordem judicial prévia para responsabilização dos provedores por atos ilícitos. O caso trata de um recurso do Facebook para derrubar decisão judicial que condenou a plataforma por danos morais pela criação de perfil falso de um usuário.

No processo relatado pelo ministro Luiz Fux, o STF discute se uma empresa que hospeda um site na internet deve fiscalizar conteúdos ofensivos e retirá-los do ar sem intervenção judicial. O recurso foi protocolado pelo Google. Fonte: Agência Brasil

Copom eleva juros básicos da economia para 12,25% ao ano

Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar o ritmo de alta dos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava uma elevação de 0,75 ponto.

Em comunicado, o Copom atribuiu a elevação acima do previsto às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo. O órgão informou que elevará a taxa Selic em 1 ponto percentual nas próximas duas reuniões, em janeiro e março, caso os cenários se confirmem. Os próximos encontros serão comandados pelo futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo.

“O comitê tem acompanhado com atenção como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio. Avaliou-se que tais impactos contribuem para uma dinâmica inflacionária mais adversa”, destacou o comunicado.

Essa foi a terceira alta seguida da Selic. A taxa retornou ao nível de dezembro do ano passado, quando estava em 12,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.

A alta consolida um ciclo de contração na política monetária. Após passar um ano em 13,75% ao ano, entre agosto de 2022 e agosto de 2023, a taxa teve seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, entre agosto do ano passado e maio deste ano. Nas reuniões, de junho e julho, o Copom decidiu manter a taxa em 10,5% ao ano, começando a aumentar a Selic na reunião de setembro, quando a taxa subiu 0,25 ponto, e novembro, quando subiu 0,5 ponto.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, caiu para 0,39%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desaceleração foi puxada pela bandeira verde nas contas de luz e pela queda nos combustíveis, mas o preço dos alimentos, principalmente da carne, e das passagens aéreas continuou a subir.

Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta deste ano. Para 2024, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 4,5% nem ficar abaixo de 1,5% neste ano.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou para 4,31% a previsão para o IPCA em 2024, mas a estimativa pode subir ainda mais mudar por causa da alta do dólar e do impacto da seca prolongada sobre os preços. O próximo relatório será divulgado no fim de dezembro.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,84%, acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,71%.

O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 4,9% em 2024 (acima do teto da meta), 4,5% em 2025 e 4% no acumulado em 12 meses no fim do segundo trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.

O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de novembro, o Copom previa IPCA de 4,6% em 2024, de 3,9% em 2025 e de 3,6% no acumulado em 12 meses no fim do primeiro trimestre em 2026

Crédito mais caro

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 3,39% do PIB em 2024.

O número foi revisado após o crescimento de 0,9% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir. Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil