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Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

Erilene (27 anos), Mauro (05 anos) Elias (06 meses) - Família Beneficiária do Programa Bolsa Família - CRAS de Sobradinho 1 - Brasília (DF). Na foto eles seguram o cartão do programa Bolsa Família. Fotos: Lyon Santos/ MDS

A Caixa Econômica Federal paga nesta segunda-feira (24) a parcela de março do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 668,65. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 20,5 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,7 bilhões.

Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Os beneficiários de 550 cidades receberam o pagamento na terça-feira (18), independentemente do NIS. A medida beneficiou moradores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes no ano passado, e de mais nove estados, afetados por chuvas ou por estiagens ou com povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família. O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 3,11 milhões de famílias estão na regra de proteção em março. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. Para essas famílias, o benefício médio ficou em R$ 367,39.

Calendário Bolsa Família 2025 - março
Calendário Bolsa Família 2025/Março – Arte EBC

Auxílio Gás

Neste mês não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que atende a famílias inscritas no CadÚnico. Como o benefício só é concedido a cada dois meses, o pagamento voltará em abril.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica. Fonte: Agência Brasil

Idoso é assassinado a pauladas em Francinópolis, no Piauí; enteado foi preso após confessar crime

Um idoso chamado Moacir Borges Leal, de 64 anos, foi encontrado morto com diversos hematomas no sábado (22), em uma casa no bairro Chapada do Brejo, localizado no município de Francinópolis, a 191 km de Teresina. O enteado da vítima confessou o crime e foi preso em flagrante.

Segundo o delegado Maycon Braga, da Delegacia Seccional de Valença do Piauí, Moacir foi encontrado por volta das 8h com hematomas na região do rosto e uma perfuração no pescoço.

O suspeito do crime, que é filho da companheira do idoso, foi encontrado pela polícia na residência da mãe e confessou que cometeu o crime após uma discussão com o padrasto.

“Ele afirmou o crime. Informou que havia bebido a noite toda e, ao chegar em casa, teve uma discussão com o padrasto. Relatou que o padrasto tentou desferir uma paulada nele e aí nesse momento eles travaram uma luta corporal. Ele conseguiu tomar o pedaço de madeira e desferiu golpes no idoso. Depois do padrasto já estar caído, pegou um canivete e perfurou o pescoço dele”, detalhou o delegado Maycon.

Durante o depoimento, o enteado relatou ainda que Moacir havia ameaçado sua mãe de morte.

O suspeito foi autuado pelo crime de homicídio qualificado. O crime segue sendo investigado pela Polícia Civil.

Instituto de Medicina Legal (IML) de Teresina, no Piauí — Foto: Bárbara Rodrigues/G1
Fonte: G1-PI

Homem é preso no Sul do PI suspeito de feminicídio contra a companheira; vítima teve lesão na cabeça

Instituto de Medicina Legal (IML) de Teresina, no Piauí — Foto: Bárbara Rodrigues/G1

Uma mulher chamada Francisca Rodrigues da Costa foi encontrada morta neste domingo (23), no município de Francisco Santos, a 350 km de Teresina, com um ferimento na região da cabeça. O companheiro dela, Itamar Nunes de Sousa, de 41 anos, foi preso como principal suspeito do crime.

Conforme o Grupamento da Polícia Militar de Francisco Santos, vizinhos acionaram a viatura por volta das 6h informando que Itamar teria assassinado a companheira dentro da casa. No local, os policiais encontraram Francisca já morta, deitada em uma cama.

Quando questionado, o suspeito declarou que havia saído para beber com a mulher na noite do sábado (22) e que ela teria ido para casa após um desentendimento entre ambos. Itamar contou aos policiais que foi até a residência logo em seguida para dormir e, quando acordou pela manhã, encontrou Francisca sem vida.

A Polícia Militar isolou o local e o Departamento de Polícia Científica (Depoc) foi acionado. A perícia constatou que Francisca Rodrigues apresentava um ferimento com sangue na região da cabeça.

O homem foi preso em flagrante e conduzido para a Central de Flagrantes de Picos para a realização dos procedimentos cabíveis ao caso.

Suspeito tem passagem por violência doméstica

 

Itamar Nunes de Sousa possui passagens pela Justiça por crimes distintos. No ano de 2017, foi preso pelo crime de violência doméstica contra a própria irmã. Em 2020, respondeu pelo crime de ameaça contra a mesma familiar.

Em 2021, foi detido após descumprir uma medida protetiva contra a mãe, uma idosa de 82 anos. No mesmo ano, respondeu por receptação. No ano de 2022, foi preso por furto.

Já em 2023, o suspeito foi preso por ameaça e lesão corporal, mas não ficou preso após um laudo comprovar que ele possuía transtornos mentais. Fonte: G1-PI

Morre ex-prefeito de Campina Grande Luiz Motta Filho, e prefeitura decreta luto

Luiz Motta filho morreu em João Pessoa — Foto: Reprodução/ALPB

Morreu na madrugada deste domingo (23) o ex-prefeito de Campina Grande Luiz Motta Filho, em João Pessoa, onde morava há alguns anos.

A Prefeitura de Campina Grande, por meio do prefeito Bruno Cunha Lima, emitiu nota de pesar e decretou luto oficial de três dias.

A Assembleia Legislativa de Paraíba (ALPB) também emitiu uma nota de condolências. O presidente Adriano Galdino disse que “Luiz Motta deixou um legado inestimável para Campina Grande, cidade onde nasceu e casou-se com Maria da Glória Cascudo Motta e foi pai de Lula, Luiza, Gustavo e Carlos Eduardo”.

O velório será realizado na Funerária Morada da Paz, no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, das 10h às 14h30; e o sepultamento acontecerá no Cemitério Monte Santo, em Campina Grande, às 17h.

Natural de Campina Grande e empresário, Luiz Motta Filho foi nomeado interventor federal e prefeito de Campina Grande, assumindo em julho de 1970 e concluindo em janeiro de 1973.

Luiz Motta iniciou a trajetória profissional ainda jovem, ao lado do pai, no tradicional curtume da cidade, que funcionava na área onde foi construído o Parque da Criança. Em João Pessoa, para onde se mudou após ter exercido o cargo de prefeito em Campina Grande, fundou a indústria Cigra (Companhia Industrial Gramame). Fonte: G1-PB

Homem é encontrado morto a tiros e com as mãos amarradas em rua de João Pessoa

Homem é morto a tiros no Rangel, em João Pessoa  — Foto: PMJP/Divulgação

Um homem de 45 anos morreu, após ser atingido por tiros, na madrugada deste domingo (23). O caso aconteceu no bairro do Rangel, em João Pessoa.

Segundo informações da Polícia Civil, a vítima foi identificada como Cleiton José da Silva. Ele foi encontrado com as mãos amarradas e a boca amordaçada em um cruzamento do bairro, por volta das 3h.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a família informou que o homem era usuário de drogas, mas não tinha envolvimento com a criminalidade e trabalhava no comércio local.

Até a última atualização desta notícia, nenhum suspeito havia sido identificado. O caso segue em investigação pela Delegacia de Crimes Contra a Pessoa da capital. Fonte: G1-PB

Carro capota durante grave acidente na Avenida dos Holandeses em São Luís

Carro capota durante grave acidente na Avenida dos Holandeses em São Luís — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um acidente foi registrado, no início da tarde deste domingo (23), na Avenida dos Holandeses, no bairro Olho d’Água, em São Luís. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), o acidente provocou o capotamento de pelo menos um veículo.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas foram socorridas por pessoas que passavam pelo local no momento do acidente e levadas para hospitais da região. Não há informações sobre a quantidade de vítimas e estado de saúde delas.

O acidente causou uma lentidão no trânsito na região. A orientação é que os motoristas evitem trafegar pelo local. Fonte: G1-MA

Livro apresenta memórias de pessoas que passaram a infância no exílio

Brasília (DF) 21/03/2025 - Livro sobre crianças desaparecidas na ditadura. Na foto, Helena Dória e Nico no alto e abaixo a mão Ruth, o pai Lucas e a irmã caçula. Foto: Helena Dória/Arquivo Pessoal

“Chama-se exílio quando a gente vai embora pequenininha, ou mesmo nasce lá fora? Exílio é saudade, é estar fora de sua pátria, longe de suas raízes e seus familiares. Eu nunca tive saudade do Brasil. Saí com 3 anos, minha única lembrança é dos dois coelhinhos que tínhamos em casa; saudades dos avós. E, no entanto… Somos a geração dos filhos de exilados”.

O relato faz parte do livro Crianças e Exílio: Memórias de Infâncias Marcadas pela Ditadura Militar, uma coletânea de narrativas de 46 pessoas que eram ainda bebês ou crianças quando seus pais foram perseguidos, presos, torturados, assassinados ou exilados por causa da ditadura militar. Esse capítulo, especificamente, foi escrito por Silvia Sette Whitaker Ferreira, que viveu no exílio dos 3 aos 18 anos de idade.

Lançado nesta semana, em Porto Alegre, pela Carta Editora, o livro reúne histórias de pessoas que conseguiram trazer à tona os traumas que sofreram por causa da ditadura militar. No entanto, ainda há muitos relatos como esses que não foram escritos, diz Nadejda Marques, uma das organizadoras da coletânea, ao lado de Helena Dória Lucas de Oliveira (foto).

“Trabalhamos com um grupo de 67 pessoas que foram crianças exiladas. Elas trocavam lembranças, fotografias e histórias do exílio. Também foram organizados encontros virtuais para ativação de memórias e motivação para a escrita das narrativas. Tudo foi feito com muito acompanhamento, cuidado e amizade entre os participantes cientes de que as memórias também poderiam trazer à tona traumas vividos. Das 67 pessoas do grupo, 46 conseguiram escrever suas histórias”, disse Nadejda, em entrevista à Agência Brasil.

Ainda há muitas histórias não foram escritas e não são conhecidas, acrescenta. “Não temos um registro oficial de quantas crianças foram exiladas do Brasil durante a ditadura, mas sabemos que o livro traz uma pequena amostra dessas histórias.”

Pesquisadora e professora de direitos humanos, Nadejda Marques também foi uma criança exilada e acabou contando sua história em um dos capítulos do livro.

“Sou escritora e já escrevi vários livros inclusive uma autobiografia chamada Nasci Subversiva, que conta como crianças eram fichadas e tratadas como terroristas ou subversivos durante a ditadura no Brasil. Saí do Brasil em 1973, quando tinha 15 meses. Fui exilada no Chile e depois refugiada política na Suécia após o golpe militar no Chile. Da Suécia, fui para Cuba, onde vivi entre os anos de 1974 e 1979. Em 1979, quando tinha 7 anos, antes de voltar ao Brasil, moramos alguns meses no Panamá, pois o Brasil não tinha relações diplomáticas com Cuba. O Panamá foi um país de exílio, mas também de transição para a nossa volta ao Brasil.”

Histórias

Cada capítulo do livro conta a história de uma dessas crianças que tiveram os pais assassinados, ou foram separadas da famílias ou integraram os grupos de presos políticos que foram trocados por diplomatas. A violência que elas vivenciaram nesse período foram muitas, marcando-as profundamente.

“As histórias contadas no livro são experiências de crianças que viveram durante o golpe no Brasil, foram exiladas, e muitas sofreram com golpes nos países de exílio – como Chile e Argentina. Muitas passaram por dois ou mais países de exílio. Algumas nasceram no exílio, outras tiveram um dos pais assassinados ou dados como desaparecidos na época da ditadura. Algumas crianças tiveram ambos os pais mortos ou desaparecidos, outras foram presas ou torturadas. A maioria voltou para o Brasil depois do exílio. Para algumas, o retorno foi definitivo, para outras, não”, destacou Nadejda.

Escrita sob a perspectiva das próprias vítimas, a coletânea expõe o impacto psicológico e social enfrentado por essas crianças que foram condenadas a viver longe de suas famílias e de sua pátria. Algumas precisaram mudar de nomes para viver no exílio. 

“O que as crianças viveram naquela época ainda é assunto pouco tratado, pouco conhecido e pouco estudado. De certa forma, foram histórias invisibilizadas pela história oficial e negligenciadas nos processos de transição. O livro também é importante para lembrar que ainda há muito trabalho por fazer em termos de memória, verdade e justiça no Brasil. Ainda não conseguimos alcançar justiça nos casos de crimes cometidos pelo Estado. Ainda temos casos de pessoas desaparecidas durante a ditadura e ainda temos torturadores livres”, ressaltou a organizadora do livro.

Relatos de crianças vítimas da ditadura brasileira já foram apresentados em trabalhos das comissões da Verdade, que investigaram as violações de direitos cometidas durante esse período. Da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo, por exemplo, originou-se o livro Infância Roubada, que traz testemunhos de pessoas que foram afastadas dos pais quando crianças ou os viram ser torturados. Há também casos de crianças, inclusive bebês, que sofreram torturas físicas e psicológicas praticadas por militares.

“Não há dúvida de que o exílio foi uma expressão da violência do Estado brasileiro. Antes do exílio, essas crianças foram submetidas a outras formas de violência, como perseguição a seus pais e familiares. Algumas testemunharam a prisão arbitrária dos pais, outras foram torturadas ou usadas para torturar seus pais. O exílio se soma a essas violências forçando a separação das crianças de familiares, amigos, escola e comunidades de forma traumática e abrupta e, em alguns casos, negando a elas o direito à cidadania”, enfatizou Nadejda. Fonte: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

SUS passa a oferecer tratamento inovador de atrofia muscular espinhal

São Paulo (SP), 28/02/2025 - Mês das Doenças Raras. Crianças com doenças raras no hospital Municipal Infantil Menino Jesus. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Crianças que precisam de tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1, doença rara que afeta os movimentos do corpo e também a respiração, terão, a partir desta segunda-feira (24), acesso a um tratamento inovador e gratuito pelo Sistema Único de Saúde. O SUS passará a realizar a terapia genética com o medicamento Zolgensma, que na rede particular custa em média R$ 7 milhões.

“É a primeira terapia gênica que está sendo introduzida no Sistema Único de Saúde. O SUS passa a fazer parte de um pequeno clube de cinco sistemas públicos nacionais no mundo a oferecerem esse medicamento para a sua população”, comemorou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A indicação desse tipo de terapia é para pacientes de até 6 meses de idade que não estejam com a ventilação mecânica invasiva acima de 16 horas por dia. De acordo com o Ministério da Saúde, com a incorporação do Zolgensma, o SUS passará a ofertar para AME tipo 1 todas as terapias modificadoras desta doença.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os 2,8 milhões de brasileiros nascidos vivos em 2023, cerca de 287 foram diagnosticadas com a doença. Na prática, o tratamento faz uso do medicamento em substituição à função de um gene ausente ou que não está funcionando corretamente.

A incorporação do tratamento foi viabilizada por meio de um acordo firmado com a indústria internacional, que condiciona o pagamento ao resultado da terapia no paciente.

“Vai seguir de forma permanente a avaliação do desempenho do medicamento, da melhoria da vida dessa criança e da vida da família, com marcadores clínicos de avaliação, ao longo do tratamento”, explica o ministro.

Protocolo

Para iniciar o tratamento, a família do paciente deve procurar um dos 28 serviços de referência para terapia gênica de AME, presentes nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O paciente será acolhido e passará por uma triagem orientada pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atrofia Muscular Espinhal 5q Tipos 1 e 2, estabelecido pelo Ministério da Saúde. Nas próximas semanas, também será instalado um comitê para acompanhamento permanente dos pacientes que farão o uso do medicamento de dose única.

Antes do acordo, o Zolgensma já era ofertado pelo Ministério da Saúde em cumprimento a 161 ações judiciais.

Entenda

A AME é uma doença rara que interfere na capacidade de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover. A doença é considerada rara, por atingir menos de 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos.

Na rede pública, os pacientes de AME tipos 1 e 2, em outras faixas etárias, são tratados com os medicamentos de uso contínuo nusinersena e risdiplam. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, esses medicamentos tiveram mais 800 prescrições emitidas para tratamento. Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

Transtorno provoca isolamento e põe vida de acumuladores em risco

Brasília (DF) 23/03/2025 - Transtorno de acumulação. Quarto com coisas acumuladas. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Uma casa de três andares pega fogo durante a madrugada, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Em vez de se salvar, o morador da residência, um idoso, tenta entrar novamente no imóvel por duas vezes, e precisa ser impedido pelos bombeiros. O desespero não era por nenhum familiar ainda dentro da casa, mas pelas montanhas de lixo e objetos que se acumulavam no terreno, alimentando o incêndio e dificultando ainda mais o trabalho de contenção das chamas. 

Esse salvamento, realizado na última quarta-feira (19) pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, mostra o perigo que o transtorno traz à segurança de uma pessoa acumuladora e à de seus vizinhos. O porta-voz da corporação, major Fábio Contreiras, conta que, já há algum tempo, a situação de acumulação é presente nas ocorrências.

“Para a vida das pessoas, a acumulação é muito arriscada. A gente atende a incêndios e também fazemos salvamentos de pessoas dentro de casa, quando a pessoa sofreu um acidente, teve uma queda, passou mal. A gente tem que fazer o arrombamento da casa para acessar a vítima”

Contreiras relata que os acumuladores acabam criando pilhas tão altas de coisas que esse material bloqueia as portas e janelas, que são uma rota para pedir ajuda, para os bombeiros acessarem a casa e até mesmo para a fumaça se dissipar se houver um incêndio. “Dificulta o trabalho dos bombeiros, porque, nesse caso, vai ser necessário usar diversos equipamentos para conseguir vencer esse material que está bloqueando a porta”.

O major observa que as pessoas, muitas vezes, armazenam esse material perto de fogões, aquecedores, ou em cima de cabos energizados, o que aumenta o risco de incêndio. Além disso, sem espaço para andar e transportar a vítima dentro da residência, os bombeiros só conseguem se deslocar por cima dos produtos acumulados.

Segundo Contreiras, o que os bombeiros encontram, muitas vezes, são caixas de papelão, livros, roupas, alimentos e material de limpeza. Quanto mais material se acumula, maior é o risco de incêndio.

“Esses materiais são inflamáveis como álcool, e a pessoa tem menos chance de escapar do fogo. A energia liberada pelo calor é muito maior. O incêndio é mais agressivo e se propaga pelos cômodos da casa. Em geral, a gente observa que a prevalência dos casos é em pessoas com mais de 60 anos.”

O major lembra que o acumulador também pode se ferir e até morrer em decorrência de outros tipos de acidentes dentro do imóvel. “Se ele empilhou cinco caixas, esbarra, e essas caixas caem em cima dele, pode causar um traumatismo craniano. Ele pode tropeçar nas coisas, cair, bater a cabeça. Sem falar da questão sanitária, poeira, mofo, insetos, baratas, ratos, fezes de animais domésticos, comida estragada, tudo pode gerar doenças”, afirmou Contreiras.

Questões psicológicas e emocionais

O psicólogo José Maria Montiel, professor de pós-graduação do Programa de Ciências do Envelhecimento da Universidade São Judas Tadeu, explica que não há uma causa precisa para a acumulação de objetos, mas há diferentes facetas psicológicas e emocionais, que acabam desencadeando ao longo da vida esse transtorno. Entre elas, está a ansiedade.

 “A ansiedade, ao longo da vida, vai tomando um formato muito grande, e, com o envelhecimento, a pessoa acaba tendo as manias. A pessoa idosa tem uma peculiaridade de estar sozinha e acaba tendo esses comportamentos de maneira mais exacerbada”, disse o especialista.

O professor destaca que os acumuladores têm argumentos bastante racionais para a doença, como a possibilidade de precisar dos objetos no futuro. Só que isso acaba tomando uma proporção muito maior do que aquilo que poderia ser realmente utilizado ao longo da vida.

“Essas pessoas acabam tendo essa perda da noção da realidade e chegando ao ato de acumular muitos materiais diferentes. O colecionador coleciona um único tipo de coisa. Quem sofre de acumulação faz acúmulos de diferentes coisas, desde objetos pessoais, sacolas de supermercado, potes de sorvete e de muitos outros mais objetos”.

Segundo o psicólogo, pessoas jovens também sofrem desse transtorno, mas é pouco observado porque ainda interagem muito com a vida, com a sociedade. A pessoa, com o decorrer do tempo, acaba ficando mais isolada. O fato de ter restrições sociais é um facilitador também para que esse transtorno ocorra.

Montiel destaca que as pessoas acumuladoras tendem a se isolar socialmente, vão perdendo amigos, relações sociais, e ficam no próprio reduto.

“Isso faz com que elas acabem, muitas vezes, tendo esses comportamentos como uma maneira de ter ocupação na vida. A casa com acúmulo restringe ainda mais a interação social, porque que familiares e amigos não entram mais. A pessoa acaba não tendo muita noção. Para ela, aquilo faz tão parte da vida dela, que ela acaba perdendo essa linha tênue do que é real do que não é real dessa acumulação”, afirmou o psicólogo, que acrescentou que o problema atinge todas as classes sociais e escolaridades.

Ele diz que o tratamento recomendado é a psicoterapia, para ajudar as pessoas a atenuarem esse sofrimento emocional, não só pelo comportamento de acumuladores, como também pelo fato que isto gera consequências, como a dificuldade de inserção com família e outros grupos.

Montiel destaca que, mesmo que familiares e amigos falem para os acumuladores buscarem ajuda médica, as pessoas não o fazem porque a linha é muito tênue do que elas consideram saúde e doença.

“Para elas, isso não é doença, porque a pessoa perde a noção da realidade e tem dificuldade de perceber que aquilo é um problema. Ela só percebe quando aquilo fica insustentável, quando não consegue mais transitar dentro de casa. O modelo de tratamento é o interdisciplinar, que envolve diferentes esferas e modelos de atuação, seja ele familiar, social, de amizades, que levem a pessoa a encontrar ajuda, por ela considerar que a vida dela poderia ser diferente daquela que está causando problema”.

“A falta de senso crítico de que aquilo é danoso para a vida dela é o ponto chave. A pessoa tem dificuldade de considerar que aquilo é um cuidado pessoal, que é um autocuidado. A psicoterapia é fundamental, mas deve envolver diferentes áreas, dentre elas, amigos, familiares. A dificuldade em tratar é conseguir resgatar e levar a pessoa para modelos de tratamento que não sejam invasivos, que não sejam punitivos”.

Compulsão

Brasília (DF), 21/03/2025 - O psiquiatra Leonardo Baldaçara, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins, e diretor regional Centro- Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Foto: Leonardo Baldaçara/Arquivo Pessoal
O psiquiatra Leonardo Baldaçara, diretor regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Leonardo Baldaçara/Arquivo Pessoal

O psiquiatra Leonardo Baldaçara, professor do curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins, e diretor regional Centro-Oeste da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), afirma que o transtorno ocorre quando a pessoa acumula de forma exagerada e causa um prejuízo na vida dela.

“O que pode acontecer junto com o transtorno de acumulação é o transtorno obssessivo-compulsivo, quando se tem pensamentos exagerados e não se consegue tirar aquela ideia da cabeça. O acúmulo de coisas pode ser um dos sintomas do transtorno obssessivo-compulsivo. A acumulação também pode ocorrer em portadores de demência”, diz o médico.

O psiquiatra destaca que há pessoas com transtornos de acumulação que têm senso crítico do que está acontecendo, e outras que não têm a menor noção.

“As que têm senso crítico ficam mais propensas a sintomas depressivos e ansiosos. Se a situação envolve risco, a família pode recorrer chamando o Samu ou procurar o Programa de Saúde da Família, em que, em uma visita domiciliar, a equipe consegue conversar com essa pessoa e convencê-la a ir a um atendimento, para que um profissional de saúde possa mensurar a gravidade.”

Família também sofre

Formada em psicologia, Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa que forma profissionais de organização, lembra que toda a família adoece quando se tem um familiar com transtorno de acumulação. Quem está de fora e tem noção da realidade, se angustia com a situação do familiar acumulador.

“É muito difícil também para quem está fora e está vendo um pai, uma mãe, um irmão com esse transtorno. Os acumuladores não acham que é um problema, porque acreditam estar em um lugar extremamente confortável. Ela está se sentindo acolhida por tudo aquilo. Trazer essa luz à tona é que é a grande dificuldade. Nesse caso, o personal organizer pode começar a abrir essa luz no fim do túnel, buscando ajuda médica e psicológica junto com a pessoa”.

Ivana conta que já prestou serviços na casa de pessoas com acumulação, mas que isso é raro, justamente porque quem tem o transtorno de acúmulo não percebe que aquilo é um transtorno e cria uma “cama de conforto”, juntando todas essas coisas.

Brasília (DF), 21/03/2025 - Formada em psicologia, Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa dedicada aos cuidados com a casa que forma profissionais de organização, fala sobre o transtorno de acumulação. Foto: Rogerio Resende/R2Foto
Ivana Portella, fundadora de A Casa com Vida, empresa dedicada aos cuidados com a casa Rogerio Resende/R2Foto

“Aquilo é um suporte emocional. A última coisa que ele quer é que aquilo seja retirado dele. Então, na maioria das vezes, é alguém próximo, um familiar, um irmão, um filho que percebe que está insustentável, que não se consegue mais entrar na casa. Não adianta tentar organizar nada de uma pessoa que tenha o transtorno, porque é enxugar gelo. A pessoa precisa entender que ela tem essa compulsão. É um trabalho de conscientização que precisa do apoio da família”, acrescenta a profissional.

Para um personal organizer atuar no espaço de uma pessoa que seja um acumuladora, é necessário estar respaldado por um diagnóstico de um psicólogo ou de um psiquiatra.

“O trabalho do personal organizer é o último. Porque essa pessoa precisa de um tratamento, do entendimento de que aquilo é prejudicial a ela, que aquilo está atrapalhando a relação dela com outras pessoas. Dependendo do nível de transtorno dessa pessoa, se alguém mexe nos objetos dela, ela pode ter um surto. O psiquiatra ou psicólogo vai dizer para o personal organizer como e onde ele deve mexer, o processo de organização, de triagem, de limpeza. Não é tão simples”.

Com a orientação do psiquiatra ou psicólogo, o personal organizer vai começar o trabalho com o acumulador a fazer a triagem, a entender o que pode sair, o que pode ser jogado fora. Tudo o que o acumulador aceita jogar fora, terá que se jogar fora na mesma hora.

“Só vai ter resultado se a pessoa realmente quiser descartar. Pode tirar tudo e jogar tudo fora, mas se o acumulador não tiver consciência, ele preenche o espaço todo de novo. É um ciclo sem fim. Tem que ter conscientização mesmo para que o trabalho aconteça. É um trabalho árduo”, completa Ivana. Fonte: Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Flávio Dino vota pela cassação da deputada Carla Zambelli

São Paulo (SP), 17/03/2025 - O ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Flávio Dino, fala sobre

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino votou, neste domingo (23), pela condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A decisão do ministro acompanhou a do relator do processo, Gilmar Mendes, levando à soma de quatro decisões favoráveis pela cassação da parlamentar, contra zero votos contrários. Também acompanharam a tese do relator, os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Carla Zambelli se tornou ré no STF em agosto de 2023, após sacar uma arma de fogo e perseguir o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

“É uma contradição insanável que um representante político ameace gravemente um representado, como se estivesse acima do cidadão ao ponto de sujeitá-lo com uma arma de fogo, em risco objetivo de perder a sua vida”, destacou Dino ao declarar seu voto.

Outros sete ministros devem votar no plenário virtual até o dia 28 de março. Caso a parlamentar seja condenada, deverá cumprir cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto.

Na sexta-feira (21), o advogado de defesa da deputada, Daniel Bialski, declarou em nota enviada à redação da Agência Brasil que houve cerceamento de defesa, impedida de fazer sustentação oral no julgamento. “Esse direito do advogado não pode ser substituído por vídeo enviado – cuja certeza de visualização pelos julgadores inexiste”, declarou.

Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil