Blog do Walison - Em Tempo Real

Voo da FAB com brasileiros deportados dos EUA chega a Minas Gerais

Manaus (AM), 25/01/2025 - Deportados dos Estados Unidos recebem alimentação do Governo do Amazonas no aeroporto de Manaus. Foto: Gov AM/Divulgação

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos chegou na noite deste sábado (25) a Minas Gerais. A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, acompanhou o desembarque das famílias no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

A aeronave norte-americana pousou em Manaus (AM) na noite de sexta-feira (24) e a Polícia Federal (PF) tomou conhecimento de que os passageiros deportados estavam sendo transportados algemados. Em razão da soberania nacional, o governo brasileiro determinou a retirada das algemas e enviou uma aeronave da FAB para transportar os brasileiros até o destino final.

“O nosso posicionamento é que os países podem ter suas políticas migratórias mas nunca violar os direitos humanos de ninguém”, disse Macaé, ao recepcionar os brasileiros em Confins. “A gente não pode suportar a violação dos direitos humanos e o que aconteceu nesse voo foi a violação dos direitos dos brasileiros”, acrescentou em vídeo divulgado pelo ministério nas redes sociais.

No mesmo vídeo, o brasileiro deportado Erionaldo Santana contou que foram presos e algemados nos Estados Unidos, na quarta-feira (22). “Chegamos no Brasil, continuamos com algemas, falamos que estávamos em território brasileiro, que eles [autoridades norte-americanas] tirassem as algemas, mas eles não queriam tirar”, relatou. As algemas só foram retiradas após a intervenção da Polícia Federal.

O voo, que tinha como destino o aeroporto em Belo Horizonte, precisou fazer um pouso de emergência em Manaus devido a problemas técnicos.

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos tiveram início poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas foram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, disse.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal no país, cenário classificado por ele como “emergência nacional”. Logo em seu primeiro dia na presidência dos EUA, o republicano assinou ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos. Fonte: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Caminhão carregado de cerveja tomba na BR-316 no Maranhão

Acidente aconteceu na altura do município de Boa Vista do Gurupi (MA) — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um caminhão carregado com grades de cerveja tombou, na tarde de sexta-feira (24) no km 05 da BR-316, em Boa Vista do Gurupi, a 236 km de São Luís. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente foi provocado após o motorista não ter conseguido fazer uma curva.

Ao tentar fazer a curva, o caminhão acabou tombando no acostamento da rodovia. O motorista sofreu escoriações leves, foi socorrido e recebeu atendimento médico após o acidente. Até o momento, ele não foi identificado.

Segundo a PRF, o caminhão do tipo cavalo-trator com cabine estendida tem placas do estado de Santa Catarina. Após o acidente, uma equipe da policiais rodoviários esteve no local para atender a ocorrência e impedir possíveis furtos a carga de cerveja. Fonte: G1-MA

Colisão entre caminhonete e moto deixa duas pessoas mortas na BR-316 em Caxias

Caminhonete se envolve em acidente na BR-316 em Caxias (MA) — Foto: Divulgação/Polícia Rodoviária Federal

Um acidente envolvendo uma caminhonete e uma motocicleta resultou na morte de duas pessoas na noite de sábado (25), no km 577, da BR-316, em Caxias, a 360 km de São Luís.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF-MA), os dois veículos seguiam no mesmo sentido quando a caminhonete colidiu na motocicleta. Os dois ocupantes da moto foram arremessados e o veículo seguiu por cerca de 130 metros até parar.

Os dois ocupantes da motocicleta não resistiram e morreram no local. As vítimas eram o condutor da moto, um homem de 45 anos, natural de Aldeias Altas (MA) e o passageiro, um homem de 60 anos, natural de Timon (MA).

Além da PRF, equipes da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), do Serviço Móvel de Urgência e Emergência (SAMU) e do Instituto Médico Legal (IML) estiveram no local do acidente. As causas do acidente serão investigadas.

Os dois ocupantes da motocicleta morreram no acidente. — Foto: Divulgação/Polícia Rodoviária Federal

Fonte: G1-MA

Frentista é morto a tiros enquanto abastecia motocicleta de cliente em posto de combustíveis de João Pessoa

Frentista de posto de combustíveis é morto a tiros enquanto abastecia motocicleta de cliente, em João Pessoa — Foto: Hebert Araújo/TV Cabo Branco

Frentista de posto de combustíveis é morto a tiros enquanto abastecia motocicleta de cliente, em João Pessoa — Foto: Hebert Araújo/TV Cabo Branco

Um frentista de um posto de combustíveis, identificado como Dayan Alves de Sousa, de 28 anos, foi morto a tiros enquanto abastecia uma motocicleta de um cliente na tarde deste sábado (25), no bairro Portal do Sol, na zona sul de João Pessoa.

De acordo com informações preliminares da Polícia Militar, antes do crime contra a vítima, testemunhas relataram que cerca de três homens estavam próximo do local observando a movimentação do posto de combustíveis. Pessoas do posto estavam, inclusive, com receio de que eles estivessem planejando fazer um assalto contra o estabelecimento.

O homem suspeito de atirar contra a vítima tinha, minutos antes do crime, ido ao posto abastecer a motocicleta em que estava. Ele fez o abastecimento do veículo com outro frentista do estabelecimento.

Instantes depois, o suspeito retornou ao posto, desceu do veículo que estava, e efetuou os disparos contra a vítima, que, no momento do crime, estava abastecendo a motocicleta de um cliente. Dayan morreu ainda no local e a moto que ele estava abastecendo na hora do crime caiu ao lado do corpo da vítima.

Com os disparos, o cliente e proprietário da motocicleta que estava sendo abastecida conseguiu correr e se abrigou num terreno próximo ao posto.

O atirador fugiu após o crime. Os três homens suspeitos de ficarem observando o movimento do posto de combustíveis também fugiram do local após os tiros. Atirador e os suspeitos de monitorarem não foram identificados ou localizados até a publicação desta reportagem.

De acordo com a Polícia Militar, Dayan seria natural de Pernambuco, mas residia em João Pessoa há alguns anos. A vítima morava no bairro de Paratibe, também na zona sul da capital paraibana. Ainda segundo a PM, Dayan nunca teria relatado ter sido perseguido ou ter inimizades na região.

A Polícia Civil esteve no local para realizar a perícia do local do crime e deve utilizar, principalmente, imagens do circuito de câmeras de segurança, que estavam funcionando no momento da execução, para identificar os participantes do crime. Fonte: G1-PB

Mulher morre atropelada por caminhão após ser empurrada no dia do seu aniversário, no Norte do Piauí

Mulher morre atropelada por caminhão após ser empurrada no dia do seu aniversário, no Norte do Piauí — Foto: Polícia Militar do Piauí

Sandra Vieira de Oliveira morreu na madrugada deste domingo (26) ao ser esmagada por um caminhão na PI-115, entre as cidades de Juazeiro do Piauí e Castelo do Piauí, a cerca de 300 km de Teresina. Sandra faria 35 anos neste domingo.

O motorista do caminhão não parou para prestar socorro, mas foi abordado pela polícia em Campo Maior. Ele contou à Polícia Civil (PC) que a vítima estava trafegando na PI-115 com um homem e que foi empurrada por ele em direção ao veículo.

O caminhoneiro foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Campo Maior, cidade onde foi parado pela Polícia Militar, para depoimento. Ele foi ouvido e depois liberado, outras testemunhas também já se apresentaram.

A policia do Piauí busca pelo principal suspeito do crime, que fugiu após o atropelamento.

O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) em Teresina para exames e depois será liberado para sepultamento pelos familiares de Sandra. Fonte: G1-PI

Exposição no Memorial da Resistência lembra vítimas da ditadura

São Paulo (SP), 24/01/2025 - Memorial da Resistência em São Paulo, inaugura painel de Rafael Pagatini, que faz parte da exposição Uma Vertigem Vision.ária - Brasil Nunca Mais. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Memorial da Resistência de São Paulo, único espaço do país a salvaguardar um acervo sobre os atos de resistência a aparatos de repressão no Brasil, comemorou 16 anos de atividade nesta sexta-feira (24). Para marcar o aniversário, o museu, instalado no prédio onde funcionou por quase quatro décadas o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops/SP), preparou um mural para provocar reflexões bastante atuais.

A obra Este capítulo não foi Concluído (2024), de Rafael Pagatini, ficará em exibição no mural externo do museu. Para homenagear e honrar a memória de perseguidos políticos durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964, com o golpe que derrubou o presidente João Goulart, Pagatini escolheu expor um painel de 14,2m x 4,5m composto por 72 páginas dos processos do Superior Tribunal Militar (STM) relacionados às violências praticadas contra tais pessoas, como retaliação aos questionamentos que faziam.

Para tornar mais pronunciadas as presenças das vítimas da ditadura, o pesquisador e docente gaúcho mostra as folhas de papel com itens como roupas e adereços. Essas páginas foram copiadas do projeto Brasil: Nunca Mais, que, com esforços coletivos de diversos segmentos, de militantes a figuras das igrejas católica e presbiteriana, preservou 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do STM entre 1979 e 1985.

Uma das leituras possíveis conecta o painel ao livro O Processo, de Franz Kafka, escrito no contexto da Primeira Guerra Mundial, em 1914. O romance serve de referência na medida em que também trata do assombro do protagonista, Josef K., a quem imputam algo que não sabe o que é e que por isso é levado a julgamento. A angústia, por não haver certeza do que serão o desfecho do julgamento e, portanto, seu destino e por ser vítima de uma justiça são algo que marca o livro e também identificado em períodos de regimes autoritários.

São Paulo (SP), 24/01/2025 - Memorial da Resistência em São Paulo, inaugura painel de Rafael Pagatini, que faz parte da exposição Uma Vertigem Vision.ária - Brasil Nunca Mais. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
São Paulo (SP), 24/01/2025 – Memorial da Resistência em São Paulo, inaugura painel de Rafael Pagatini, que faz parte da exposição Uma Vertigem Vision.ária – Brasil Nunca Mais. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

Exposição

O painel integra a exposição temporária Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais, de 400 m² e curadoria de Diego Matos. Uma das seções oferece aos visitantes a oportunidade de ver obras da Coleção Alípio Freire, realizadas por ex-presos políticos como Artur Scavone, Ângela Rocha, Rita Sipahi, Manoel Cyrillo, Sérgio Ferro, Sérgio Sister e o próprio Alípio Freire, durante a permanência em presídios de São Paulo, na ditadura.

Segundo a diretora do Memorial da Resistência, Ana Mattos Pato, um dos pontos mais interessantes e relevantes a se notar é a natureza do material que serviu de base para o Brasil: Nunca Mais: documentos elaborados pelos próprios militares, agentes da repressão. “É uma documentação e, nesse sentido, irrefutável”, diz à Agência Brasil, acrescentando que nisso o Brasil difere da Argentina, que também é retratada em outra exposição atualmente aberta no museu, de nome Memória argentina para o mundo: o Centro Clandestino ESMA.

Parte dos visitantes, diz a diretora, chega ao museu sem saber nada do Brasil: Nunca Mais, enquanto alguns já viram uma cópia impressa, mas, sem tê-la aberto antes, somente agora, pisando no memorial é que desvendam seu conteúdo. “O que noto das pessoas que vêm aqui é, primeiro, uma surpresa. Muita gente não conhecia, diz, ah, tinha na estante do meu avô, do meu pai, do meu tio. Um ‘ah, já ouvi falar’. Mas esse ‘já ouvi falar’, quando você começa a conversar, vê que é uma memória distante”, comenta.

“E isso me impressionou muito também, porque, se a gente for pensar, do ponto de vista dessa história, ela merecia um longa-metragem, ser conhecida, estudada a fundo, porque é uma história não só de uma coragem muito grande, mas, com pouco, se produzir uma reação de documentação única e um relato profundo da violência de Estado na ditadura. E, mais, um retrato da tortura como estratégia de coerção”, emenda.

Uma das principais tarefas de que se ocupam as equipes do memorial é a coleta de depoimentos de pessoas que narram o que ocorria na ditadura. Com a exposição, tem sido retomada com mais intensidade. “É a primeira vez que muitas dessas pessoas vêm a público”, salienta Ana.

Para a diretora, o silêncio prolongado até hoje é explicado por um pacto que se fez, a fim de não deixar ninguém vulnerável na época, mas também por um receio que ainda perdura. “Acho que tem a ver com o arquivo da militância, arquivos que foram criados, muitas vezes, para não serem encontrados. Tinham que viver na clandestinidade”, pondera.

“E acho que muita gente também se envolveu intensamente, no período da redemocratização continuou com muito medo de falar, de dizer ‘olha, eu participei’, porque era fato, a vigilância continuou depois, no período da democracia. [Demonstra] o quanto essas pessoas são marcadas por esse receio.”

Serviço

A exposição Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais fica em cartaz até o dia 27 de julho, no Memorial da Resistência, em São Paulo. A mostra tem entrada gratuita e está aberta todos os dias (exceto terça), das 10h às 18h.

“Tenho obrigação de lutar”, diz mãe que perdeu os filhos em Brumadinho

Rescue crew work in a dam owned by Brazilian miner Vale SA that burst, in Brumadinho, Brazil January 25, 2019. REUTERS/Washington Alves

Manifestações, debates, seminário, exibição de filme e apresentação artística são algumas das atividades que compõem uma extensa agenda em curso desde o início da semana. Os eventos marcam os seis anos do rompimento da barragem da mineradora Vale. O episódio vem sendo lembrado com uma programação que não se restringe a Brumadinho (MG), epicentro da tragédia. Por meio do esforço de diferentes entidades, também foram organizadas atividades em Belo Horizonte, Ouro Preto e São Paulo.

O rompimento da barragem ocorrido há exatos seis anos liberou uma avalanche de rejeitos que gerou grandes impactos ambientais e socioeconômicos que afetaram milhares de pessoas em diferentes municípios mineiros da bacia do Rio Paraopeba. Naquele 25 de janeiro de 2019, foram perdidas 272 vidas, incluindo dois bebês de mulheres que estavam grávidas. Até hoje, nenhuma pessoa foi responsabilizada em âmbito criminal, o que eleva o clamor por justiça na série de atividades programadas pelos atingidos.

Brumadinho (MG), 23/01/2025 - Helena Taliberti. Tragédia em Brumadinho. Foto: Jozzuu/ICLT
Helena Taliberti perdeu os dois filhos na tragédia em Brumadinho – Jozzuu/ICLT

“A gente precisa com muito afinco lutar para que de fato possamos ter um futuro para os nossos filhos, para as novas gerações. Infelizmente eu não tenho mais filhos e não vou ter netos, mas eu acho que tenho obrigação de lutar por isso, para que esse planeta seja viável e para que o Brasil seja viável”, diz a presidente do Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), Helena Taliberti.

Com sede em São Paulo, a entidade foi criada em homenagem aos dois filhos de Helena, que morreram respectivamente aos 33 e aos 31 anos de idade. Ambos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, que foi engolida pelos rejeitos.

Não foram as únicas vítimas da família. Aos 30 anos, Fernanda Damian, mulher de Luiz Taliberti, também teve sua vida interrompida. Ela estava grávida há cinco meses do primeiro neto de Helena. Estava presente ainda o ex-marido de Helena, pai de Camila e Luiz. Ele acompanhava a viagem junto com sua esposa. Era para ser um dia feliz: o grupo estava na cidade mineira a turismo, para conhecer o Instituto Inhotim, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

“Não foi uma morte normal e, por isso, não é um luto normal. É um luto muito dolorido, porque a gente sabe que podia ter sido evitado. O rompimento da barragem não teria acontecido se a ética empresarial tivesse sido obedecida”, diz Helena.

De acordo com Helena o que lhe dá forças para continuar na luta por justiça é a união das vítimas, o que possibilita “viver o luto junto”. Ela destaca também os apoios que recebeu desde o primeiro momento e que recebe ainda hoje. “A solidariedade é uma das características do caráter humano que eu mais admiro. As pessoas se mobilizam por amor. E é um amor a um próximo que você não conhece. Eu recebo mensagens até hoje de pessoas me dando apoio, me dando força, dizendo que pensam em nós”.

A house is seen in an area next to a dam owned by Brazilian miner Vale SA that burst, in Brumadinho, Brazil January 25, 2019. REUTERS/Washington Alves
Rompimento de barragem em Brumadinho ocorreu há exatos seis anos – Reuters/Washington Alves/Direitos Reservados

Segundo Helena, essas mensagens ajudam a atravessar os momentos mais difíceis. “Para você ter uma ideia eu estou com pneumonia. Todo ano nesta época eu tenho alguma coisa assim. Meu corpo não não aguenta.”

Helena explica que, apesar de estar sediado em São Paulo, o Instituto Camila e Luiz Taliberti possui uma forte união com a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum), que tem um papel de destaque na mobilização por justiça.

Criada também em 2019 por mães e pais, viúvas e viúvos, irmãs e irmãos, filhos e filhas de pessoas que morreram na tragédia, a entidade organiza anualmente em janeiro uma semana de eventos. O cronograma que se iniciou no último domingo (19) incluiu carreata, passeio de bicicleta e um seminário de debates.

Um ato nas ruas do centro de Brumadinho a partir das 11h deste sábado (25) fecha a agenda. A mobilização será reforçada com a presença dos integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), organização que luta contra os impactos causados pela atividade minerária em todo o país e que também também construiu uma programação para marcar a data da tragédia: ao longo dessa sexta-feira (24), uma assembleia, um debate e uma marcha para cobrar por justiça foram realizados em Belo Horizonte.

No ato em Brumadinho, os familiares farão coro à luta contra a impunidade e prestarão homenagens aos entes queridos, os quais são chamados de joia. Trata-se de uma resposta ao ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, que na época da tragédia avaliou que a empresa era um “joia brasileira” que não poderia ser condenada.

Além de apoiar as mobilizações da Avabrum, o Instituto Camila e Luiz Taliberti também possui sua agenda própria. A criação da entidade foi uma ideia que nasceu nos meses seguintes à tragédia, a partir da indignação de amigos dos dois irmãos. A proposta foi abraçada por Helena Taliberti, que preside a entidade. Desde então, vem desenvolvendo uma série de atividades em torno dos seus objetivos: de defender os direitos humanos, empoderando grupos de mulheres e engajados com a preservação do meio ambiente, e cobrar respostas para a tragédia de Brumadinho e outros crimes ambientais.

Brumadinho (MG), 23/01/2025 - Exposição
Exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território está em cartaz no anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto – Isabelle Aguiar/ICLT

Para a marca dos seis anos, o instituto inaugurou, no final de novembro do ano passado, a exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território. Reunindo obras de 12 artistas mulheres, a mostra ficará em cartaz até março ocupando um anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, berço da mineração no século 18, no chamado ciclo do ouro.

Além disso, neste sábado, quem visitar a exposição poderá acompanhar uma performance da artista Morgana Mafra, na qual o público será convidado a uma reflexão sobre as cicatrizes que a exploração mineral deixa nos territórios e nas vidas que os habitam.

Na sequência, quando Morgana Mafra sair de cena, os olhos do público que a acompanha poderão se voltar para a tela onde o documentário Sociedade de Ferro, dirigido por Eduardo Rajabally, aborda as conexões entre grandes empresas e o poder público em meio a uma investigação sobre a tragédia ocorrida em Brumadinho e também a que ocorreu em 2015 na bacia do Rio Doce. Na ocasião, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), causou 19 mortes e um aborto, além de gerar impactos para populações de dezenas de cidades mineiras e capixabas.

Helena Taliberti explica a aposta no evento como forma de conscientização. “A arte é uma forma de expressão que toca o coração da sociedade de uma forma mais profunda. Escolhemos artistas mulheres especificamente para expressar essa situação porque são as mulheres as mais atingidas por essas tragédias. São muitas viúvas, mães, filhas, esposas”, diz.

Brumadinho (MG), 23/01/2025 - Quadro assinado pela artista Isis Medeiros. Tragédia em Brumadinho. Foto: Lais Teixeira/ICLT
Quadro assinado pela artista Isis Medeiros, uma das 12 artistas com obras na exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território  – Lais Teixeira/ICLT

Helena destaca a liderança feminina na luta por justiça. Enquanto ela está à frente do Instituto Camila e Luiz Taliberti, oito dos dez membros da diretoria da Avabrum também são mulheres. Além das atividades artísticas em Ouro Preto, o Instituto Camila e Luiz Taliberti convocou também um ato público na região central de São Paulo. A mobilização irá se iniciar às 10h deste domingo (26) na Avenida Paulista. “É importante falarmos desse assunto aqui em São Paulo. Hoje em Minas Gerais, as pessoas sabem as consequências da mineração. Fora de Minas Gerais, as pessoas não sabem”, pontua Helena.

Memória

Para a agenda de 2025, o lema adotado pela Avabrum é “Memória Irreparável – Uma Tragédia que Rompeu Histórias Não Será Esquecida”. A entidade vem adotando uma postura crítica à ideia de reparação. Dois anos após a tragédia, uma série medidas foi prevista em um acordo firmado entre a Vale, o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A mineradora Vale ficou responsável por destinar o valor de R$ 37,68 bilhões ao longo de dez anos, com intuito de reparar os danos coletivos.

Foram previstos investimentos socioeconômicos, ações de recuperação socioambiental, ações voltadas para garantir a segurança hídrica, melhorias dos serviços públicos, obras de mobilidade urbana, entre outras. A implementação das medidas tem sido bem avaliada pelo MPMG e pelo MPF. No entanto, o acordo é alvo de críticas dos atingidos, que o consideram insuficiente para fazer frente aos problemas.

“Quando dizem reparação, dá uma ideia de restaurar e reviver. Eu perdi a família inteira. Como é que tem reparação para isso? Não tem. Infelizmente isso virou um chavão e acaba caindo em um lugar-comum. É uma coisa muito repetida e, na repetição, cai na banalização. Mas não tem reparação. O que eles tentam fazer talvez seja uma retratação. Mas não é uma reparação. E estão fazendo o suficiente? Não. E nunca será. Não vai preencher o lugar vazio dos meus filhos na mesa de Natal ou no dia dos aniversários deles”, avalia Helena.

Ela lembra que, por exigência da Avabrum, todas as obras realizadas com recursos do acordo deverão ter uma placa em homenagem dos 272 mortos. Para Helena, é uma forma de preservar a memória e fazer com que as pessoas permaneçam vivas. “Precisamos homenageá-las, lembrar o que elas foram e o legado que elas deixaram”, defende.

Brumadinho (MG),  26/01/2024 - Vista parcial do Memorial Brumadinho a partir da antiga mina do Córrego do Feijão. Espaço de memoria em homenagem às vítimas do rompimento da barragem. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Memorial Brumadinho será inaugurado neste fim de semana – Tânia Rêgo/Agência Brasil

É justamente com essa proposta que será inaugurado o Memorial Brumadinho também neste fim de semana. As portas serão abertas pela primeira vez com uma programação em dois dias. Trata-se de um pavilhão com cerca de 1,5 mil metros quadrados de área construída, integrado a um amplo jardim, em um terreno de 9 hectares, pensado para ser um espaço de homenagem e de conexão com as vítimas.

Sua construção foi uma exigência das famílias dos mortos. Elas participaram da seleção do projeto arquitetônico. A Vale bancou o custo da obra e também será responsável por arcar com a manutenção. Mas, embora tenha assumido o compromisso financeiro, a mineradora não participará da gestão do espaço. Esse era um desejo dos atingidos. Apesar do impasse inicial, uma solução foi encontrada em 2023 com a criação da Fundação Memorial de Brumadinho, que terá protagonismo dos familiares das vítimas.

Helena Taliberti lembra que ali será também um espaço de denúncia. Para ela, a memória é importante como instrumento de pressão por responsabilização. Ela cobra que os 16 denunciados pelo MPF sejam julgados. Um deles, o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, obteve no ano passado um habeas corpus e deixou a condição de réu.

A mãe de Camila e Luiz considera que o julgamento é fundamental para evitar que novas tragédias aconteçam. Ela afirma não ter dúvidas de que a impunidade no caso do rompimento da barragem em Mariana contribuiu para que um episódio similar ocorresse em Brumadinho pouco mais de três anos depois. “Não podemos deixar que isso se repita. As pessoas precisam ser responsabilizadas. Claro que temos que ter muito cuidado em não colocar a carroça na frente dos bois. Existem os denunciados, e a Justiça determinou que eles fossem a julgamento. Então que se faça esse julgamento. Que os denunciados sejam de fato julgados. É a única forma de fazer com que o setor tome atitudes para que isso não aconteça de novo.” Fonte: Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Morre em Brasília o poeta e compositor Vicente Sá

Brasília (DF), 25/01/2025 - Poeta Vicente Sá. Foto: Vicente Sá/Arquivo Pessoal

“A morte é para os outros, não para os poetas”, assevera o poeta Nicholas Behr, cuiabano de nascimento e brasiliense de verso. Ele sabe, no entanto, que “a morte é incontornável, está mais adiante esperando.” A certeza da morte faz o poeta criar, “na ilusão, na esperança, de que alguns versos deles vão sobreviver”. Na noite desta sexta-feira (24), morreu em Brasília (DF), o poeta Vicente Sá, aos 68 anos, mas a sua poesia, não.

Além de poeta, Vicente Tadeu Maranhão Gomes de Sá era compositor, cronista, romancista, roteirista e jornalista. Natural de Pedreiras (MA), viveu de amores pela capital federal, em especial pelo bairro da Asa Norte.

“Estamos perdendo uma alma genuinamente brasiliense. Ele assumiu Brasília como a sua cidade, como sua musa, como sua fonte de inspiração, como personagem, digamos”, avalia Nicolas Behr.

Segundo Behr, Vicente Sá é da geração que “humanizou a maquete”, o Plano Piloto projetado pelo urbanista Lúcio Costa e adornada pelos edifícios e monumentos de Oscar Niemayer. A geração que começou a forjar o primeiro movimento cultural genuíno na cidade, ainda nos anos 1970.

Para o maestro Renio Quintas, contemporâneo e também parceiro musical de Vicente Sá, a criação dele foi gestada em “tempos de resistência” à ditadura cívico-militar (1964-1985), com o propósito de que “a construção da epopeia [de Brasília] fosse bem sucedida. Por isso que a gente não foi embora daqui”.

Naquele lugar de onde ninguém saiu, foi possível ter encontros “sem posições subalternas” que não aconteceriam em outros lugares, como o do carioca Renio Quintas, que passou a infância “nas areias brancas de Copacabana”, e Vicente Sá, do interior do Maranhão. Nas primeiras décadas de Brasília, de acordo com o maestro, “era virtuoso e necessário estudar na mesma escola pública. Não tinha alternativa”.

Sem escolha e outras possibilidades, restava criar. “Nós descobrimos, sacamos que se a gente não fizesse, não ia ter nada, não tinha nada. Aí a gente começou a ocupar os espaços. Os artistas começaram a ocupar as galerias, os museus e os teatros. A gente tinha consciência que estávamos fazendo realmente a cidade”, recorda-se o violonista Sérgio Duboc e parceiro de canções de Vicente Sá.

Sem fórmula única

Em entrevista à Agência Brasil, Duboc diz que sentirá falta de compor com Vicente Sá. “Me acostumei nos últimos 45 anos a fazer isso.” Em tanto tempo de parceria, não tinha fórmula única para os dois trabalharem.

“Às vezes, eu chegava com uma música pronta, ele letrava. Às vezes eu chegava com um pedaço da música, ele letrava esse pedaço e daí me abria outras portas para continuar a música e ele ia junto comigo. Também acontecia de quase na hora de ir embora, eu vinha com uma ideiazinha de música ou ele vinha com uma ideiazinha de letra e saía outra música.”

O advogado e poeta Fabrizio Morelo, que compôs com a dupla Duboc e Sá, é grato a Vicente por ser também compositor. “Ele me esperava às vezes para terminar uma música, para ganhar a parceria, sabe? A música estava pronta, ele tinha o verso na cabeça. O verso dele ia ser melhor que o meu, inclusive. Mas ele e o Duboc falavam, ‘vamos esperar’. A bola estava na marca do pênalti, era só empurrar para o gol.”

Nas redes sociais e aplicativos de artistas de Brasília circulam neste sábado (25) versos de Vicente Sá, como aqueles em que diz “Quero morrer assim/ cercado de amigos e cachaça/ no colo da eterna companheira/ bonito/ poeta.”

Vicente Sá morreu de pneumonia, agravada pelo tratamento contra o câncer. Ele será velado neste domingo (26) no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) a partir das 10h. “Haverá uma celebração com poetas e músicos. Vamos celebrar a vida e a obra dele”, promete o maestro Renio Quintas.

Neto de Mãe Bernadete vive sob escolta e sem emprego

Salvador (BA), 17.08.2024 - Evento na casa de Dona Bernadete. Foto: Alberto Lima/Divulgação

Desde o assassinato de sua avó, a líder quilombola baiana Maria Bernadete Pacífico, Wellington Gabriel de Jesus dos Santos tem a vida fora dos trilhos. Aos 24 anos, fase em que se começa a pavimentar mais solidamente os caminhos que se deseja percorrer, ele anda escoltado 24 horas por dia por policiais militares e permanece desempregado, depois de ter tido que abandonar “o melhor emprego que já teve”.

Em entrevista à Agência Brasil, o jovem contou que, além de ter se sentido obrigado a deixar o trabalho na indústria petroquímica, parou de fazer música. Tudo para evitar estar exposto “e que se repita esse derramamento de sangue”. Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, situado na cidade de Simões Filho, região metropolitana de Salvador.

A yalorixá de candomblé era presidente da Associação Etnodesenvolvimento Muzanzu, uma das entidades atuantes no local. Ela foi executada com pelo menos 25 tiros, diante dos três netos. As autoridades que investigam e acompanham o caso, como o Ministério Público da Bahia, entendem que se tratou de um recado de violência deixado por uma facção que pretendia se expandir pela região e quis silenciar Mãe Bernadete quando ela questionou a abertura de um ponto de drogas na comunidade quilombola.

“Eu tentei trabalhar e acabou que, com a agenda da comunidade somada ao processo criminal de minha avó, que estava em fase de audiências de instrução, tive que sair daquele emprego novamente. Então, enfrento o desemprego praticamente desde que perdi minha avó. Nesse tempo, tive que viver com apoio de terceiros, com uma dependência financeira absurda”, lamenta Wellington.

A ocupação profissional teve grande importância para o jovem, que também lida com o luto pelo pai, o também líder Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como “Binho do Quilombo”, no mesmo contexto de violência que mais tarde viria a recair novamente sobre a comunidade, com a execução de sua avó. Por isso, quando a perdeu, ampliou-se a sensação de desamparo. Jurandy Wellington Pacífico dos Santos, irmão de Binho e tio de Wellington, também vive sob escolta da Polícia Militar (PM).

Integridade mental

Apesar de valorizar a disponibilidade da PM em fazer sua segurança, a integridade mental de Wellington não tem estado tão preservada quanto a física, segundo afirma. Até hoje, apesar de o quadro tornar cada vez maior a propensão de os integrantes da comunidade desenvolverem transtornos psicológicos, como a depressão e a ansiedade, o Poder Público nunca ofereceu atendimento especializado, nem mesmo às vítimas mais diretas, como os familiares da yalorixá.

Brasília (DF) 24/01/2025 -  Legado de Mãe Bernadete cresce como raiz de luta no Quilombo Pitanga dos Palmares (BA).
Foto:  Ester Cezar/ISA
Jurandy (de branco) e Wellington (no canto direito) enfrentam uma série de dificuldades após a morte de Mãe Bernadete e vivem sob escolta policial. Foto: Ester Cezar/ISA

“Na verdade, o Estado só fez uma coisa durante muito tempo, que foi colocar a proteção da Polícia Militar. Ninguém nunca se importou com nossa saúde mental, se tinha comida na nossa geladeira, como é que estava a nossa independência financeira, a nossa segurança alimentar. Ninguém se preocupou com esse aspecto. Tanto que chegou ao ponto de minha irmã tentar suicídio,”

“A gente move essa ação no sentido de que seja reparada pelo assassinato do meu pai, que já foi uma coisa que mudou nossa vida drasticamente, e pela falha do PPDDH [Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas], que contribuiu para que a vida de minha avó fosse ceifada. Ela morreu acreditando que era protegida e monitorada pela Secretaria de Segurança Pública.”

A ação que cobra R$ 11,8 milhões de indenização por danos morais, que contém 940 páginas, destaca que, das sete câmeras que deveriam captar imagens, apenas quatro estavam funcionando e, segundo Wellington, não eram transmitidas às equipes de segurança do estado. Por saber dessa informação, os criminosos aproveitaram a brecha para cometer o assassinato de Mãe Bernadete.

“Ademais, a providência tomada pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) no tocante à “proteção”/”segurança” de Maria Bernadete Pacífico Moreira consistia numa ronda informal e meramente simbólica feita pela Polícia Militar do Estado da Bahia, que uma ou duas vezes por dia (aleatoriamente) disponibilizava uma viatura/guarnição para ir até a sede da associação Muzanzu ver como estava Bernadete e perguntar a ela se estava tudo bem. Algo que não chegava a durar sequer 10 minutos – cada ronda informal ora relatada. Deixando, pois, Mãe Bernadete totalmente desprotegida e à mercê da própria sorte após o término dessas brevíssimas e meramente simbólicas visitas, donde os respectivos policiais militares na (grande) maioria das vezes sequer desciam da viatura”, detalha trecho da ação.

Cavalo de Troia

Um dos pontos mais impactantes da história recente do Quilombo Pitanga dos Palmares e que mais ilustra como as autoridades têm lidado com a comunidade é a instalação de um presídio dentro do território. A Colônia Penal de Simões Filho foi anunciada inicialmente à comunidade como uma fábrica de sapatos, algo que geraria empregos, tendo recebido aceitação da comunidade. A unidade foi projetada para comportar 250 presos em regime semiaberto e inaugurada em 2007.

Na ação, menciona-se que os quilombolas esperavam que a regularização fundiária garantisse a inativação da unidade prisional. A defesa dos familiares de Mãe Bernadete pontuam no documento que o governo estadual prometeu formalmente, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a cumprir medidas mitigadoras e compensatórias no local e no entorno, sendo uma delas a transformação da colônia penal em uma escola técnica profissionalizante e agrícola ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o que nunca se concretizou.

“Eu gosto de uma frase que propago muito em várias reuniões: a juventude do Quilombo Pitanga dos Palmares está muito mais perto de uma ficha criminal do que de um certificado de conclusão de ensino médio, uma vez que o presídio está ali dentro do território, mas a escola de ensino médio, não, a faculdade, não”, diz Wellington.

“O presídio é um monumento à violência e ao racismo institucionais e veio com esse cavalo de Troia que seria uma fábrica de sapatos, que empregaria as pessoas, os moradores da comunidade.”

Procurada, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que não foi intimada de que a referida ação foi ajuizada. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) também foi procurado. O órgão afirmou ter recebido na manhã dessa sexta-feira (24) a ação movida por familiares da Mãe Bernadete. Por isso, afirmou que ainda não é possível se manifestar. A reportagem entrou em contato com o governo da Bahia e aguarda retorno.Fonte: Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

FAB vai transportar deportados dos EUA para Minas Gerais

 Brasília-DF 06/10/2024  Aeronave KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB). Foto FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, neste sábado (25), que uma aeronave KC-30 foi destacada, após solicitação do governo federal, para prestar apoio  a passageiros deportados procedentes dos Estados Unidos que aguardam o término de seu traslado em Manaus.

A aeronave, segundo a FAB, decolou da Base Aérea de Brasília às 13h, com pouso previsto para 14h30 no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazonense. “O tempo de solo em Manaus dependerá de trâmites diversos a serem realizados pelos órgãos competentes”, informou.

Segundo o comunicado, a FAB vai disponibilizar ainda profissionais de saúde para realizar o acompanhamento dos passageiros deportados – ao longo de todo o trajeto, até o destino final, o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais começaram poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas acabaram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

Ilegais criminosos

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, afirmou ele.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal nos EUA, cenário classificado por ele como “emergência nacional”.

Logo em seu primeiro dia na presidência, o Trump assinou uma série de ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil (*)*Com informações da RTP.