Blog do Walison - Em Tempo Real

EUA recuam em acusar Maduro de liderar suposto Cartel de Los Soles

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) recuou em acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o suposto Cartel de Los Soles. A nova peça da denúncia contra o venezuelano por narcotráfico, apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA, excluiu a acusação feita na peça anterior, apresentada em 2020.

Na primeira denúncia, o termo “Cartel de Los Soles” aparece 33 vezes e Maduro é apontado como líder dessa suposta organização.

“Nicolas Maduro Moros, o réu, ajudou a administrar e, por fim, a liderar o Cartel de Los Soles à medida que ganhava poder na Venezuela”, dizia a denúncia, apresentada ainda no primeiro mandato de Trump.

Na nova peça do Departamento de Justiça, apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Maduro em relação ao suposto cartel.

“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas e a proteção de seus parceiros traficantes”, diz o texto.

A peça do Departamento de Justiça dos EUA afirma, em seguida, que os lucros dessa atividade foram para funcionários corruptos.

“[Esses funcionários] operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como o Cartel de Los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, diz o documento oficial de Washington.

Fumaça sobe após múltiplas explosões em Caracas
03/01/2026 Vídeo Obtido pela Reuters/via REUTERS
Caracas 3/1/2026 – Fumaça sobe após múltiplas explosões durante invasão dos EUA – Vídeo Obtido pela Reuters/Proibida reprodução

A mudança na linguagem e no teor da acusação do Departamento de Justiça chamou a atenção, uma vez que o suposto cartel foi designado como grupo terrorista pelo governo Trump. A acusação de que Maduro lideraria a organização justificou, no plano discursivo, a invasão da Venezuela.

Especialistas no mercado mundial de drogas vêm rejeitando chamar a Venezuela de narcoestado ou mesmo reconhecer a existência do Cartel de Los Soles.

Não há qualquer menção a esse grupo nas publicações do Escritório para Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU). O Relatório Anual Sobre Ameaças de Drogas da DEA (Administração de Combate às Drogas) de 2025, do governo dos EUA, também não menciona o suposto cartel venezuelano.

Dificuldade em provar existência do cartel

A consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca, avalia que, ao evitar tratar o cartel como uma organização “real”, o Departamento de Justiça reconhece os limites para provar essa tese.

“Até agora, não emergiram evidências suficientes para caracterizar uma organização criminosa – lacuna apontada por especialistas e, inclusive, por parceiros de inteligência dos próprios EUA”, explicou.

Gabriela destacou que a mudança na denúncia passa a enquadrar Maduro como posicionado no “topo” de um sistema criminoso, tratado como uma aliança de corrupção e tráfico, e não como uma entidade formal com personalidade jurídica, como um cartel.

“Essa escolha fortalece a acusação, uma vez que desloca o foco para condutas individualizadas e comprováveis [narcotráfico, corrupção e associação criminosa] em vez de sustentar um rótulo amplo e conceitualmente frágil de ‘cartel’”, ponderou a consultora.

Brasília (DF), 22/08/2025 - A consultara sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca. Foto: Gabriela de Luca/Arquivo Pessoal
Advogada Gabriela de Luca, consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe – Foto: Gabriela de Luca/Arquivo pessoal

A advogada disse ainda que a mudança dialoga ainda com as preocupações de especialistas da ONU com o uso indiscriminado do termo cartel, “advertindo que isso poderia justificar medidas amplas de criminalização generalizada do Estado venezuelano, com efeitos colaterais severos sobre uma população já profundamente vulnerabilizada”.

Apesar da mudança, os EUA seguem acusando Maduro de uma série de crimes ligados ao narcotráfico, incluindo relação com narcoguerrilhas colombianas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), e cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas.

“Maduro Moros e seus cúmplices, durante décadas, fizeram parceria com alguns dos traficantes de drogas e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo, e contaram com a corrupção de funcionários em toda a região, para distribuir toneladas de cocaína para os EUA”, diz a acusação.

Venezuela's captured President Nicolas Maduro and his wife Cilia Flores attend their arraignment with defense lawyers Barry Pollack and Mark Donnelly to face U.S. federal charges including narco-terrorism, conspiracy, drug trafficking, money laundering and others, at the Daniel Patrick Moynihan United States Courthouse in Manhattan, New York City, U.S., January 5, 2026 in this courtroom sketch. REUTERS/Jane Rosenberg
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, comparecem à audiência de instrução no Tribunal Federal, em Nova York, conforme ilustrado em desenho da sala do tribunal – Reuters/Jane Rosenberg/Proibida reprodução

Maduro diz que é inocente

Em depoimento à Justiça dos EUA, Maduro disse que é inocente e se classificou como um prisioneiro de guerra após ser sequestrado por militares estadunidenses no último sábado (3).

O governo de Caracas acusa Washington de criar a acusação de narcotraficante contra lideranças do país para justificar a intervenção na Venezuela com objetivo de controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Trump tem exigido ao novo governo de Delcy Rodríguez, que tomou posse na terça-feira (6) como presidente interina, acesso aos campos de óleo do país.

Em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, admitiu que o petróleo do país sul-americano não pode ficar nas mãos de “adversários” do Hemisfério Ocidental.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata na terça.Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

Mulher é presa ao carregar mais de 2,3 mil pedras de crack dentro de ônibus em rodoviária no Piauí

Uma mulher, que não teve a identidade divulgada, foi presa nesta terça-feira (6) suspeita de transportar 2.368 pedras de substância análoga ao crack dentro de um ônibus na rodoviária de Porto, no Norte do Piauí.

De acordo com a Polícia Militar do Piauí (PM-PI), além da droga, foram encontradas 30 munições de calibre 9 mm e 22 munições de calibre .38 com a suspeita.

A abordagem ocorreu após equipes do 30º Batalhão da Polícia Militar (BPM) receberem informações sobre o transporte de entorpecentes e armamentos para a região.

Segundo a PM, foram realizadas rondas nos bairros de Porto e Campo Largo, além do monitoramento na chegada de ônibus interestaduais. Fonte: G1-PI

Período de matrícula presencial na rede estadual do Maranhão começa nesta terça (6); veja os documentos

Teve início nesta terça-feira (6) e segue até o dia 12 de janeiro o período de efetivação presencial da matrícula dos estudantes da rede estadual de ensino do Maranhão. O ano letivo de 2026 está previsto para começar em 2 de fevereiro, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

➡️ Nesta etapa, os estudantes ou responsáveis devem comparecer presencialmente à unidade escolar indicada no momento da pré-matrícula, com toda a documentação exigida no edital. A apresentação completa dos documentos é necessária para a confirmação da vaga.

Veja, abaixo, os documentos necessários para a matrícula:

Documentos exigidos para matrícula

 

  • Duas fotos 3×4;
  • Histórico escolar, declaração de escolaridade ou declaração/relatório de desenvolvimento;
  • RG e CPF do estudante;
  • Comprovante de residência;
  • Documento que comprove o Número de Identificação Social (NIS), por meio de extrato do FGTS, Cartão Cidadão, Carteira de Trabalho (CTPS) ou comprovante emitido pelo Portal Consulta Cidadão;
  • Comprovação de cadastro no Programa Bolsa Família ou equivalente;
  • Preenchimento de formulário socioeconômico no ato da matrícula (exclusivo para Centros de Ensino em Tempo Integral);
  • Termo de adesão assinado pelo responsável, confirmando a opção pelo tempo integral (exclusivo para Centros de Ensino em Tempo Integral);
  • Autorização do responsável legal para estudantes menores de 18 anos que optarem por vaga no Ensino Médio Regular ou na EJA no turno noturno;
  • Laudo comprobatório de deficiências declaradas (opcional, mas necessário para o planejamento do atendimento pedagógico);
  • Carteira de vacinação atualizada com todas as vacinas obrigatórias.

 

Rematrícula automática

 

De acordo com a Seduc, a rematrícula dos estudantes que já integram a rede estadual será realizada de forma automática, mediante atualização cadastral e confirmação de interesse de permanência por parte dos responsáveis legais.

A Secretaria orienta pais e responsáveis a acompanhar as informações repassadas pelas escolas, especialmente no que se refere à atualização dos dados dos estudantes no sistema.Fonte: G1-MA

Ex-vereador de Tasso Fragoso é assassinado a tiros; suspeito foge após o crime

O ex-vereador Wesdras Barreira, de Tasso Fragoso, foi assassinado na tarde desta segunda-feira (5), no Povoado de Piçarreira, em Balsas, no sul do Maranhão. Ele estava acompanhado de Arlene Matos, que também foi baleada, mas sobreviveu. O principal suspeito do crime é o companheiro de Arlene, Celi José Gomes.

De acordo com a Polícia Militar do Maranhão (PMMA), Celi sacou uma arma e disparou várias vezes contra o casal. Wesdras morreu no local, e Arlene foi levada ao Hospital Municipal de Balsas, onde já recebeu alta.

Após o ataque, Celi fugiu e está sendo procurado pela polícia. Ele é suspeito de homicídio e tentativa de feminicídio.

O comandante da Polícia Militar na região, major Jean Levy, informou que as buscas continuam em Tasso Fragoso. Ele detalhou que a guarnição foi acionada para o local, mas quando chegaram, Wesdras já estava sem vida. A polícia, com apoio do Tático Aéreo (CTA), segue em operação para prender o suspeito. Fonte: G1-MA

39 detentos não retornaram aos presídios após saída temporária de Natal na Grande São Luís

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que dos 710 internos que receberam o benefício da saída temporária de Natal em municípios da Grande São Luís39 não retornaram no prazo determinado pela Justiça do Maranhão.

Os presos beneficiados deveriam ter retornado às unidades prisionais até as 18h do dia 29 de dezembro de 2025. Com isso, eles agora são considerados foragidos da Justiça e podem perder direitos para progressão de regime, além de outras sanções.

Ao todo, a Justiça autorizou a saída de 736 internos presos em unidades localizadas nas cidades de São LuísSão José de RibamarPaço do Lumiar e Raposa. A decisão foi da 1ª Vara de Execuções Penais da Comarca da Ilha de São Luís.

Em maio de 2024, o Congresso derrubou vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à proposta que acaba com a saída temporária dos presos, a “saidinha”, em feriados e datas comemorativas.

A decisão dos parlamentares restringiu ainda mais as saidinhas, porque também proíbe que os detentos deixem os presídios temporariamente para:

  • Visitar a família;
  • Praticar atividades que contribuam para o retorno do convívio social.

 

Dessa forma, o direito a saída temporária segue na Lei de Execuções Penais (Lei 7.210/84), do artigo 122 ao artigo 125, e também proíbe a saída de quem cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa.

Adolescente de 17 anos é morta no Piauí; companheiro apreendido diz que a esganou em discussão por ciúme

Um adolescente identificado pelas iniciais R. R. S. foi apreendido em flagrante na segunda-feira (5) suspeito de matar a companheira Joana D’Arc de Jesus, de 17 anos, em Uruçuí, no Sul do Piauí. Segundo a Polícia Civil, ele afirmou que estava bêbado e esganou a vítima em uma discussão por ciúme após ela ver mensagens no celular dele.

O crime foi cometido na manhã de domingo (4). A jovem tinha saído no sábado à noite, quando foi vista em um bar na companhia de amigos. Por volta das 4h, ela deixou o estabelecimento e seguiu para a casa do suspeito, com quem mantinha um relacionamento há cerca de um mês.

De acordo com o delegado Marcos Halan, titular da Delegacia de Uruçuí, o casal se desentendeu depois de discutir pelas mensagens.

“Ele alega que teria esganado a vítima para se defender, afirmando que ela desmaiou e não mais recobrou a consciência”, afirmou o delegado.

 

Na manhã de segunda, a mãe de Joana foi à delegacia para registrar o desaparecimento da filha. A Polícia Civil passou a investigar o caso e ouviu testemunhas que disseram que o suspeito foi a última pessoa a ser vista com a vítima.

“Como o suspeito já estava sendo procurado pela polícia na cidade, ele se apresentou espontaneamente na delegacia e confessou. No local dos fatos, também foram encontradas porções de substância entorpecente”, acrescentou o delegado.

O corpo de Joana foi encontrado na casa do investigado, próxima ao bar onde a vítima tinha sido vista. A perícia criminal foi acionada para apurar as primeiras informações que ajudem a determinar a causa da morte e a dinâmica do crime.

O adolescente foi levado à Central de Flagrantes e vai passar por audiência de custódia, na qual um juiz vai avaliar a legalidade da apreensão e decidir se ele continua detido. A Polícia Civil o investiga pelo crime de feminicídio.Fonte: G1-PI

“Sou um prisioneiro de guerra”, diz Maduro à Justiça dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, refutou, nesta segunda-feira (5), as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Durante sua audiência de custódia, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, Maduro disse ser inocente, qualificando a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”.

“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou Maduro ao juiz Alvin Hellerstein, que conduziu a audiência de pouco mais de meia hora, realizada esta tarde. “Ainda sou presidente do meu país”, acrescentou o venezuelano após alegar que foi sequestrado por militares estadunidenses.

Durante a audiência, Maduro e sua esposa, a primeira-dama venezuelana Cíilia Flores, foram oficialmente notificados das acusações feitas por autoridades estadunidenses. Elas acusam membros do governo venezuelano, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, de se valerem de seus cargos para favorecer o “transporte de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, beneficiando-se da “corrupção alimentada” pelo narcotráfico.

Maduro e integrantes de sua equipe negam as acusações. Segundo Maduro, o real objetivo dos Estados Unidos, país presidido por Donald Trump, é se apoderar dos recursos minerais estratégicos venezuelanos. A Venezuela é, hoje, a dona das maiores reservas de petróleo do mundo, além de deter grande quantidade de gás e ouro. Especialistas também questionam a falta de provas quanto ao envolvimento de lideranças venezuelanas com o tráfico de drogas, destacando que o país não é um produtor de cocaína.

O presidente venezuelano e sua esposa foram mantidos presos após a audiência de custódia. Os dois estão no Centro Metropolitano de Detenção, em Manhattan, desde que o líder chavista foi deposto e sequestrado por meio de uma operação militar que o governo estadunidense realizou em território venezuelano, no último sábado (3), sem a autorização do Congresso dos EUA ou do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O centro de detenção temporária fica a cerca de 8 quilômetros de distância do tribunal federal, aonde Maduro e Cilia chegaram sob um forte esquema de segurança. Além de curiosos e jornalistas, dois grupos se aglomeraram do lado de fora do centro de detenção desde as primeiras horas da manhã: um favorável à manutenção da prisão do presidente venezuelano; outro que pedia sua libertação.

Defesa

Por indicação da própria Justiça estadunidense, Maduro e Cilia foram acompanhados, durante a audiência, por um advogado local, David Wikstrom. Segundo o jornal New York Times, Maduro também será defendido pelo advogado Barry Pollack.

Wikstrom é um conhecido advogado criminalista que já atuou em casos que despertaram a atenção midiática, como o processo que resultou na condenação do ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, por acusações semelhantes as feitas contra Maduro (narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado). Já Pollack tornou-se mundialmente conhecido ao assumir a defesa do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, nas cortes dos EUA.

Após o fim da audiência de custódia, a defesa revelou que, no momento, não pretende pedir a libertação de Maduro e de Cilia sob fiança, mas que também não descarta fazê-lo posteriormente. O juiz federal Alvin Hellerstein marcou uma segunda audiência para o dia 17 de março.Fonte: Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil*

*Com informações da RTP

Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta segunda-feira (5) que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país. O mandatário ressaltou ainda que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”. 

As declarações, escritas no X, foram dadas em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, neste domingo (4), ameaçou armar uma operação militar contra a Colômbia.

“Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse Petro, que participou do movimento de guerrilha M19 (Movimento 19 de Abril), nos anos 1980.

O presidente da Colômbia afirmou ainda que os comandantes da força pública que não defendam a soberania popular deverão deixar a corporação.

“Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”.

O presidente acrescentou que a ordem à força pública é não atirar contra o povo, mas sim contra o invasor.

Petro listou uma série de ações do seu governo contra a produção e o tráfico de drogas e destacou que foi eleito democraticamente e não tem envolvimento com o narcotráfico. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”.

“Tenho enorme confiança no meu povo, e por isso pedi que o povo defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele”, acrescentou.

Ontem, Trump ameaçou deflagrar uma ação militar contra a Colômbia, disse que o país está doente e é administrado por um homem doente. O presidente dos EUA acusou, sem provas, o presidente Petro de gostar de produzir cocaína e de vender a droga aos Estados Unidos.

As afirmações foram feitas após os Estados Unidos sequestrarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação no sábado (3), e o levarem para Nova York para ser julgado.Fonte: Bruno Bocchni – Repórter da Agência Brasil

Saiba quem é Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela

Formada em direito na Universidade Central da Venezuela (UCV), a nova presidente interina do país sul-americano, Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 56 anos, é um quadro histórico do chavismo e mulher de confiança do presidente sequestrado Nicolás Maduro.

Nascida em Caracas, Delcy foi escolhida por Maduro para a vice-presidência ainda em 2018. Diferentemente do Brasil, o vice-presidente na Venezuela não é eleito em uma chapa, mas escolhido pelo presidente do país, podendo, inclusive, ser trocado.

Além da vice-presidência, Delcy acumulava os cargos de ministra da economia e de presidente da PDVSA, a estatal de petróleo da Venezuela. Ela assumiu a principal empresa do país, em 2024, após a prisão de parte da diretoria da estatal acusada de corrupção.

A formação de Delcy inclui uma pós-graduação em Direito Social na Universidade de Paris e mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres.

Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela 
22/12/2025
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
Irmão de Delcy, Jorge Rodríguez é presidente da Assembleia Nacional da Venezuela – Reuters/Leonardo Fernandez Viloria

A presidente interina é irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e ex-vice-presidente do país. O irmão de Delcy foi também ministro das comunicações.

Jorge Rodríguez é considerado um dos políticos mais influentes do chavismo, tendo construído sua carreira política ao longo do processo da chamada Revolução Bolivariana, iniciada em 1999 com a chegada de Hugo Chávez ao Poder.

A professora Carla Ferreira, do departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que Delcy sempre foi do núcleo duro do chavismo, sendo, até então, a segunda pessoa mais importante do governo depois de Maduro.

“Ela tem uma trajetória muito sólida. Estamos diante de um quadro político e teórico do mais alto gabarito, formada na melhor universidade da Venezuela, em uma das melhores universidades da Europa, que é a de Paris. Ela é um quadro de altíssimo nível, muito bem formada, teoricamente e politicamente.”

A professora Carla Ferreira estudou a história política e social venezuelana, com tese de doutorado sobre o processo bolivariano liderado por Hugo Chávez.

“Sinceramente, eu não vejo um perfil melhor entre os quadros que eu conheço. Ela é o quadro venezuelano mais qualificado na atualidade.”

Carla destacou ainda que Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez, viveram todos os desafios do processo bolivariano da Venezuela.

“Eles passaram pelos maiores embates e desafios que a Venezuela enfrentou nos últimos 25 anos. Eles estiveram praticamente à frente do enfrentamento de todas as dificuldades que vocês podem imaginar”, completou.

Filha de militante marxista

Delcy Rodríguez nasceu em uma família de revolucionários socialistas venezuelanos. O pai, Jorge Antonio Rodríguez, foi um militante marxista torturado e assassinado, em 1976, pela extinta Direção de Serviços de Inteligência Policial (Disip), a polícia política do chamado regime de Punto Fijo.

O acordo de Punto Fijo durou de 1958 a 1998 na Venezuela, até a chegada de Hugo Chávez ao poder. O acordo fixou a arquitetura de governabilidade costurada por três dos principais partidos da Venezuela à época para garantir estabilidade política e apoio dos Estados Unidos (EUA).

Esse acordo permitiu a essas legendas o acesso ao Estado, excluindo as organizações e partidos de esquerda do país.

“Fica evidente que no regime de Punto Fijo, apontado pelos EUA como democrático, não havia espaço para atuação institucional da esquerda. Na verdade, não se tratava de um regime democrático”, avaliou a professora Carla.

Nesse contexto, o pai de Delcy era da extinta organização Liga Socialista e foi acusado de participar do sequestro do empresário estadunidense William Niehous. A morte do pai de Delcy, sob custódia do Estado, teve ampla repercussão interna. Na época, Delcy tinha apenas 10 anos.

“Ela é filha de uma tradição revolucionária na Venezuela. Isso é algo muito importante, muito formativo, do ponto de vista ideológico e pessoal, para esse personagem político. Ela traz em si toda essa história e se manteve fiel a essa formação até os dias atuais”, acrescentou.

Carreira política

No início do primeiro governo de Hugo Chávez, Delcy Rodríguez acumulou diversos cargos, alguns ligados à presidência do país, como chefe de gabinete de Chávez, em 2006.

Após ficar um tempo fora dos círculos do alto comando nacional, Delcy retoma protagonismo nacional em 2013, quando se torna ministra da comunicação e informação, já no primeiro governo Maduro.

De 2014 a 2017, Delcy foi ministra das relações exteriores da Venezuela, tendo sido responsável por articular a saída do país da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ela acusou o presidente da OEA, Luis Almagro, de atuar junto aos EUA para desestabilizar a Venezuela.

Em 2017 e 2018, ela foi presidente da Assembleia Nacional Constitucional (ANC), instituição convocada e criada após impasse entre o governo Maduro e a Assembleia Nacional, controlada pela oposição que pretendia destituir Maduro do cargo.

A partir da criação da ANC, aumentou o isolamento internacional da Venezuela e teve início o embargo financeiro, e depois comercial, que dificulta o comércio externo do país sul-americano até hoje.

Em junho de 2018, Delcy vira vice-presidente do país. Em 2024, assume o Ministério da Economia e a gestão do petróleo. Delcy também foi alvo de sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia (UE).

Ameaças de Trump

No sábado (4), Delcy Rodriguez foi ameaçada pelo presidente Donald Trump, que tem exigido acesso total ao petróleo e recursos naturais venezuelanos.

“Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, disse Trump. A Venezuela é dona das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Em outro momento, o presidente dos EUA disse a repórteres que Delcy teria aceitado as demandas da Casa Branca: “Ela está essencialmente disposta a fazer o que achamos necessário para tornar a Venezuela grande novamente. Muito simples”, disse

Em pronunciamento à nação após o sequestro de Maduro, Delcy Rodríguez disse que o país não voltaria a ser colônia.

“Se há algo que o povo venezuelano e este país têm absolutamente certeza, é que jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”, disse.

A professora da UFRJ Carla Ferreira avaliou à Agência Brasil que a hipótese da Delcy se submeter aos mandos de Washington é parte de uma estratégia de desinformação para corroer o apoio interno na base chavista.

“Provavelmente, a Delcy não vai atender aos desejos do Trump. Vai atender as demandas como o Maduro já tentou atender, abrindo para as empresas estrangeiras e fazendo muitíssimas concessões. O problema é que o governo Trump quer tudo. Ele quer todo o controle direto sobre a PDVSA”, comentou a especialista.

Sobre a mais recente manifestação de Delcy, de que está aberta para cooperar com os EUA, Carla Ferreira avalia que esse é um discurso necessário devido à superioridade militar do inimigo.

“Nenhum país do mundo pode fazer frente militar aos EUA. Não é possível a Venezuela continuar com o discurso de enfrentamento. A Delcy, como quadro político de elevado nível que é, sabe disso”, disse Carla.

A especialista acrescenta que a nova chefe de Estado não tem muita opção frente às agressões militares dos EUA. “Eles plantam a ideia de que ela é uma traidora para tentar fazem ruir o regime bolivariano porque o povo venezuelano não tolerará uma traidora”, completou.Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil