Blog do Walison - Em Tempo Real

MP-MA recomenda suspensão de contratações temporárias e abertura de concurso público em cinco municípios

O Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria de Justiça de Maracaçumé, emitiu, no dia 20 de janeiro, uma recomendação aos prefeitos dos municípios da comarca: Maracaçumé, Centro Novo do Maranhão, Junco do Maranhão, Boa Vista do Gurupi e Amapá do Maranhão. A medida solicita a suspensão de novas contratações temporárias para funções permanentes, exceto em casos de emergência ou interesse público excepcional.

A recomendação, assinada pelo promotor de justiça Igor Adriano Trinta Marques, dá um prazo de 90 dias para que os municípios iniciem os processos necessários para a abertura de concursos públicos para cargos efetivos, especialmente nas áreas com escassez de pessoal.

Além disso, o documento estabelece um prazo de 30 dias para que os gestores apresentem um cronograma detalhado, identifiquem cargos vagos e necessidades permanentes, elaborem um projeto de lei para reestruturação administrativa e planejem a publicação do edital e a realização do concurso.

A recomendação também pede que sejam assinados Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), proibindo a renovação ou prorrogação de contratos temporários irregulares. Os ocupantes de cargos comissionados que desempenhem funções típicas de cargos efetivos deverão ser exonerados. Uma minuta do acordo foi anexada à recomendação, para que os gestores municipais analisem e, se necessário, assinem.

O MPMA esclarece que a abertura de novos concursos não afetará os processos seletivos já em andamento ou sob análise no Poder Judiciário. Caso as recomendações não sejam atendidas, o Ministério Público tomará as medidas judiciais cabíveis. Fonte: G1-MA

Justiça determina reabertura de agências do Banco do Brasil no Maranhão

A Justiça determinou que o Banco do Brasil mantenha o atendimento nas agências de São Luís (Cohatrac e Reviver), Bacabal (Teixeira Mendes), Imperatriz (Praça da Cultura) e Caxias (Volta Redonda), evitando o fechamento, suspensão ou redução dos serviços. Além disso, o banco deve garantir que os serviços ofertados nessas unidades sejam mantidos.

O Banco do Brasil também está obrigado a manter as agências em Amarante do Maranhão, Itinga do Maranhão, Lima Campos, Matões, Olho d’Água das Cunhãs, Parnarama e as unidades Alemanha e Anil em São Luís. Essas agências não podem ser transformadas em postos de atendimento. Caso já tenham sido fechadas ou transformadas, o banco deverá reabrir as unidades, com estrutura e funcionários para atender a população local.

A decisão também impôs ao banco o pagamento de R$ 54 milhões em indenização por danos morais coletivos, a ser depositado no Fundo Estadual de Proteção dos Direitos Difusos.

As determinações foram feitas pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, ao julgar uma ação movida pelo Instituto Brasileiro de Defesa das Relações de Consumo (IBEDEC/MA). A ação questiona o Plano de Reorganização do Banco do Brasil, anunciado em 11 de janeiro de 2021.

Segundo o IBEDEC, a medida é abusiva, pois altera unilateralmente a prestação de serviços essenciais. A ação também destaca o impacto da pandemia de Covid-19, que poderia agravar a aglomeração de pessoas e expor a população a riscos sanitários e exclusão social.

O IBEDEC ainda informou que uma pesquisa do IBGE, de 2017, apontou que o Maranhão é o estado com menor acesso à internet no país. Para a entidade, a imposição do atendimento digital à população composta por idosos, aposentados, trabalhadores rurais e pessoas com baixa familiaridade digital torna esses consumidores ainda mais vulneráveis, promovendo a exclusão financeira.

O g1 solicitou um posicionamento para a instituição financeira, mas não teve resposta até a última atualização da reportagem.

Fundamentos da decisão judicial

 

Na decisão, o juiz lembrou que a Constituição Federal de 1988 garante a livre iniciativa, mas também estabelece que a ordem econômica deve priorizar a defesa do consumidor e a função social da propriedade e da empresa. O objetivo, conforme a Constituição, é garantir uma existência digna e respeitar a justiça social.

Além disso, o fechamento de cinco agências em cidades polo e a transformação de outras sete unidades em postos de atendimento (com serviços limitados) configuram uma falha na prestação do serviço, violando o Código de Defesa do Consumidor.

Embora o Banco do Brasil tenha justificado a medida com a alta taxa de transações online (92,7%), o juiz considerou que o lucro do banco não pode se sobrepor aos custos sociais e humanos que essa mudança impõe à população, o que, segundo ele, representa uma grave lesão à dignidade humana.Fonte: G1-MA

Gás do Povo chega a todas as capitais a partir desta segunda

O Programa Gás do Povo passa a atender todas as capitais brasileiras a partir desta segunda-feira (26). Nesta segunda fase, 950 mil novas famílias de 17 capitais passam a receber o vale para recarga gratuita do botijão de gás de cozinha (GLP) de 13 quilos (kg), que pode ser utilizado em mais de 10 mil revendedoras credenciadas em todo o país.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social , Família e Combate à Fome (MDS), o Gás do Povo deve estar em pleno funcionamento em março, quando 15 milhões de famílias serão beneficiadas. O programa pretende combater a pobreza energética, definida como a dificuldade de uma família em ter acesso a serviços de energia essenciais e modernos, como iluminação, aquecimento, refrigeração e energia para cozinhar.

De acordo com o governo, o programa traz vantagens não apenas para as famílias de baixa renda, mas para a saúde pública. O MDS ressalta que o acesso ao botijão reduz o uso de alternativas perigosas (como lenha, carvão e querosene) para o cozimento, diminui riscos de doenças respiratórias e queimaduras e garante acesso a fontes de energia limpas e seguras.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, ressalta que o programa ajuda diretamente no orçamento das famílias. “O benefício alivia o orçamento familiar dos mais pobres, que podem destinar o dinheiro que gastariam no botijão para comprar alimentos ou suprir outra necessidade básica”, afirma. O Auxílio Gás, benefício atual que permite a compra de um botijão de 13 kg a cada dois meses por cerca de 4,4 milhões de famílias de baixa renda, será substituído.

O que muda nesta etapa

•    Inclusão de 950 mil novas famílias no programa

•    Expansão para 17 capitais que ainda não participavam

•    Cobertura passa a alcançar todas as capitais do país

•    Vale pode ser usado em mais de 10 mil revendas credenciadas

 

Capitais incluídas a partir de 26/01

•    Aracaju (SE)

•    Boa Vista (RR)

•    Brasília (DF)

•    Campo Grande (MS)

•    Cuiabá (MT)

•    Curitiba (PR)

•    Florianópolis (SC)

•    João Pessoa (PB)

•    Macapá (AP)

•    Maceió (AL)

•    Manaus (AM)

•    Palmas (TO)

•    Porto Velho (RO)

•    Rio Branco (AC)

•    Rio de Janeiro (RJ)

•    São Luís (MA)

•    Vitória (ES)

 

Quem tem direito ao Gás do Povo

Para receber o benefício, a família precisa:

•    Ser beneficiária do Bolsa Família;

•    Ter ao menos duas pessoas no núcleo familiar;

•    Ter renda per capita de até meio salário-mínimo;

•    Estar com o Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses;

•    Ter o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Responsável Familiar regular, sem pendências.

 

Como usar o vale do gás

O benefício pode ser acessado de diferentes formas:

•    Aplicativo Meu Social – Gás do Povo;

•    Cartão do Bolsa Família (com chip);

•    Cartão de débito da Caixa;

•    Informar o CPF do Responsável Familiar na maquininha da revenda e receber código por SMS.

 

Onde consultar o benefício

•    Aplicativo Meu Social – Gás do Povo, disponível para os celulares dos sistemas Android e iOS;

•    Página oficial do Gás do Povo no site do MDS;

•    Portal Cidadão Caixa;

•    Caixa Cidadão: 0800-726-0207.

 

Canais para tirar dúvidas

•    Disque Social 121 (MDS);

•    FalaBR, do Governo Federal <https://falabr.cgu.gov.br/web/home>;

•    SAC Caixa: 0800-726-0101;

 

Próximos passos do programa

•    Cobertura em todos os 5.571 municípios do país até março;

•    Atendimento de 15 milhões de famílias nos próximos dois meses;

•    Substituição definitiva do antigo Auxílio Gás, com foco na recarga direta do botijão.Fonte: Agência Brasil

Agências do INSS fecham de quarta a sexta-feira desta semana

As agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o país estarão fechadas de quarta (28) a sexta-feira (30) para atendimento presencial em razão de melhorias programadas nos sistemas previdenciários da Dataprev, empresa responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social.

Vale lembrar que os canais remotos de atendimento, como o Meu INSS (site e aplicativo ) e a central telefônica 135, funcionarão normalmente até o dia 27, com mais de 100 serviços disponíveis.

O INSS alerta ainda que, a partir das 19h do dia 27 até o dia 31 de janeiro, o Meu INSS (site e aplicativo) e a central telefônica 135 ficarão indisponíveis.

A medida, segundo o instituto, é necessária para a modernização dos sistemas, de modo a assegurar maior estabilidade, segurança e eficiência dos serviços.

Para reduzir os impactos aos cidadãos, o INSS realizou atendimento extra no último final de semana, “com o objetivo de antecipar agendamentos e compensar a suspensão temporária do serviço presencial”.

O instituto informou ainda que garantiu o reencaixe nos casos em que o beneficiário preferiu receber atendimento presencial em dia útil.Fonte: Agência Brasil

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 6

A Caixa Econômica Federal paga nesta segunda-feira (26) a parcela de janeiro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 697,77. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 18,77 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,1 bilhões.

Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes e nutrizes (mães que amamentam), um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Pagamento unificado

Os beneficiários de 176 cidades de nove estados receberam o pagamento no último dia 19, independentemente do NIS. A medida beneficiou os moradores de 120 municípios do Rio Grande do Norte, que sofrem com a seca. Também foram beneficiadas cidades nos seguintes estados: Bahia (29), Sergipe (10), Roraima (6), Paraná (4), Amazonas (3), Piauí (2), Rio Grande do Sul (1) e Santa Catarina (1).

Essas localidades foram afetadas por chuvas ou por estiagens ou têm povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios com pagamento antecipado está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 2,44 milhões de famílias estão na regra de proteção em janeiro. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

No ano passado, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, a mudança só abrange as famílias que entraram na fase de transição a partir de junho de 2025. Quem se enquadrou na regra até maio de 2025 continuará a receber metade do benefício por dois anos.

Auxílio Gás

Neste mês não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que beneficia famílias inscritas no CadÚnico. Como o benefício só é pago a cada dois meses, o pagamento voltará em fevereiro.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

Calendário do Bolsa Família de 2026
Calendário do Bolsa Família de 2026 – Arte EBCFonte: Agência Brasil

Defensoria Pública abre inscrições com vagas para o Maranhão

A Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA) publicou edital do novo concurso público com 10 vagas para o cargo de Defensor Público. As inscrições estarão abertas a partir do dia 26 de janeiro, no site da banca organizadora, a Fundação Carlos Chagas (FCC).

O valor da taxa de inscrição está fixado em R$ 377,65 e deverá ter o pagamento efetuado até o dia 27 de fevereiro de 2026.

O salário inicial dos Defensores Públicos de Classe Inicial é de R$ 37.765,60 por mês.

O cargo de Defensor exige ser bacharel em direito, ter três anos de atividade jurídica, estar em dia com as obrigações eleitorais, entre outros requisitos.

O concurso terá várias etapas de avaliação, e elas envolverão:

Prova escrita preliminar objetiva, de caráter eliminatório e classificatório;
Prova Escrita discursiva, de caráter eliminatório e classificatório;
Inscrição definitiva, de caráter eliminatório;
Prova oral, de caráter eliminatório e classificatório;
Avaliação de títulos, de caráter classificatório.
As provas serão realizadas na cidade de São Luís nas seguintes datas:

Prova escrita preliminar objetiva no dia 19 de abril (domingo), período da manhã;
Prova Escrita discursiva 1 no dia 21 de abril, período da manhã;
Prova Escrita discursiva 2 no dia 21 de abril, período da tarde.

Fonte: Central de Notícias Brasil

Paraíba tem 597 vagas abertas em concursos com salários de mais de R$ 19 mil

A Paraíba tem sete ditais de concurso público e processos seletivos com vagas abertas neste mês de janeiro. São 597 oportunidades em diferentes áreas.

Confira as oportunidades disponíveis e como concorrer.

 

Rodoviários da 1001 começam a receber salários e ônibus voltam a circular parcialmente na Grande Ilha

Após mais de 24 horas de paralisação, rodoviários da empresa 1001 começaram a receber, neste domingo (25), os salários e benefícios que estavam em atraso. A manifestação que provocou o funcionamento de 15 linhas de ônibus da Grande Ilha de São Luís teve início na sexta-feira (23) como forma de protesto contra o não pagamento dos valores devidos aos trabalhadores.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, Marcelo Brito, alguns rodoviários começaram a retornar ao trabalho e os ônibus estão voltando a circular gradualmente. Ele explica que o movimento não foi organizado pelo sindicato e partiu diretamente dos funcionários da empresa.

A paralisação aconteceu devido à falta de pagamento do décimo terceiro salário, do tíquete-alimentação referente ao mês de dezembro e do adiantamento salarial de janeiro, que deveria ter sido depositado no último dia 20.

Durante o sábado (24), mais de 10 bairros ficaram sem transporte público em São Luís e em municípios da Região Metropolitana. Entre os bairros afetados estão Ipem Turu, Parque Vitória, Ribeira, Vila Isabel Cafeteira, Pedra Caída, Recanto Verde e Forquilha.

Segundo o presidente do sindicato, a circulação total da frota de ônibus da 1001 depende da regularização completa dos salários em atraso. Entretanto, ele ressaltou que aos domingos a Grande São Luís tem a frota de transporte público reduzida.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) a paralisação não havia sido comunicada oficialmente pelos trabalhadores e por isso, o sindicato considerou o movimento ilegal e abusivo.

Fonte: G1-MA

Pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025, diz dossiê

Um dossiê que será divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revela que pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025.

O número apresenta uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes contabilizadas em 2024.

Apesar disso, segundo a Antra, o estudo mantém o Brasil pelo 17º ano consecutivo como país mais perigoso para a população trans em todo o mundo.

De acordo com o dossiê, a vítima mais nova tinha 13 anos.

O perfil das vítimas é majoritariamente de “jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade“.

Ceará e Minas Gerais registraram o maior número de mortes: 8 em cada estado.

Assassinatos de pessoas trans e travestis no Brasil entre 2015 e 2025
118118144144181181163163124124175175140140131131145145122122808020152016201720182019202020212022202320242025050100150200

2015
Número de casos 118
Fonte: Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)

Como é feito o levantamento?

 

O dossiê da Antra leva em conta informações publicadas em reportagens, redes sociais e fontes não governamentais.

Segundo a presidente da associação, Bruna Benevides, isso acontece porque o Estado brasileiro ainda não produz dados próprios com esse recorte.

Por fazer o relatório apenas com as informações disponíveis publicamente, a entidade reconhece um risco grande de subnotificação. Ou seja: o risco de que os números sejam ainda maiores.

“A ausência de registros em determinados estados está diretamente relacionada à subnotificação estrutural, à invisibilidade das identidades trans nos boletins de ocorrência, à recusa institucional em reconhecer crimes como transfóbicos e à dependência quase exclusiva da mídia para o mapeamento dos casos. Em locais onde a imprensa cobre menos a pauta ou onde há maior precariedade institucional, as mortes simplesmente não entram nos registros”, diz Bruna Benevides.

 

O documento ressalta ainda que “o medo de represálias, a falta de acesso à Justiça, a violência policial e a desconfiança histórica das pessoas trans em relação ao Estado contribuem para o apagamento estatístico”.

“Muitas mortes são registradas com nomes civis incorretos, gêneros errados ou nem sequer são identificadas como crimes de ódio, o que impede sua inclusão nos levantamentos”, pontua a Antra.

Segundo a associação, isso vale inclusive para estados com “zero casos” de assassinatos de pessoas trans. O dado serve como um alerta, e não como um indício de tranquilidade.

“[Os estados com ‘zero casos’] Representam, na maioria das vezes, territórios onde a violência não é documentada, onde vidas trans seguem descartáveis e onde o silêncio institucional substitui qualquer política real de proteção. O dossiê é explícito ao afirmar: quando o Estado não produz dados, ele também não assume responsabilidade”, explica Bruna.

 

Número de assassinatos por estado

 

Dos assassinatos em 2025:

  • 77 foram contra travestis e mulheres trans/transexuais
  • 3 contra homens trans e pessoas transmasculinas

 

Veja os números de mortes em cada estado e no Distrito Federal, segundo a Antra:

  • Minas Gerais e Ceará: 8 casos cada
  • Bahia e Pernambuco: 7 casos cada
  • Maranhão, Pará e Goiás: 5 casos cada
  • Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo: 4 casos
  • Mato Grosso e Rio de Janeiro: 3 casos
  • Piauí e Rio Grande do Sul: 4 casos cada
  • Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul: 3 casos cada
  • Amazonas, Amapá, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe: 1 caso cada
  • Acre, Piauí, Rondônia, Tocantins e Roraima: não foram encontrados registros

 

Veja o perfil das vítimas, segundo o dossiê

 

  • Jovens trans entre 13 e 29 anos
  • Pessoas empobrecidas, em contexto de alta vulnerabilidade social, que utilizam o trabalho sexual como fonte primária ou secundária de renda;
  • Dentre os 57 casos em que foi possível determinar a raça/cor das vítimas, 70% eram pessoas trans negras.

 

“Muitos crimes acontecem em espaços públicos, com uso de extrema violência, revelando a combinação de transfobia, racismo e desigualdade social como motores centrais dessas mortes”, diz Bruna Benevides.

 

Caso emblemático em MG

Uma das vítimas em 2025, Alice Martins Alves, tinha apenas 23 anos e foi espancada ao sair de um bar na Savassi, na Região Centro-Sul de BH.

Ela se levantou, foi embora e se esqueceu de pagar a conta de R$ 22. Por isso, foi perseguida e espancada por dois funcionários, segundo a polícia. (veja vídeo acima).

Quando ocorreu o caso, a irmã de Alice, Gabrielle Martins, chamou a atenção para a realidade de pessoas LGBTQIA+ no Brasil. Afirmou que ainda existe a negligência da sociedade e do poder público dentro do contexto social em que a irmã vivia.

Cautela sobre a ‘melhora’ nos dados

 

O dossiê dedica um capítulo inteiro para explicar por que a redução numérica de casos registrados em 2025 não representa uma melhora no cenário real.

A pesquisa lista seis fatores principais:

  1. Dificuldades crescentes de monitoramento: Falta de cooperação estatal e ausência de sistemas oficiais específicos para catalogar crimes contra a população trans
  2. Retração da mídia tradicional: 49% dos casos foram divulgados apenas em portais regionais de baixo alcance
  3. Controle nas redes sociais: Limitação de conteúdos que denunciam violência contra pessoas trans
  4. Ataques às organizações: Tentativas de deslegitimação do trabalho de entidades que monitoram esses crimes
  5. Medo e isolamento: População trans deixando de circular em espaços públicos como estratégia de sobrevivência
  6. Descrédito nas instituições: Vítimas e famílias deixando de registrar ocorrências por falta de confiança na polícia e no sistema de justiça

Um dado crucial expõe a complexidade do problema: 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior, contra apenas 32,5% nas capitais.

Essa interiorização da violência, em locais com acesso ainda mais restrito a redes de apoio, dificulta ainda mais a catalogação das mortes e sugere que a redução de registros em certas regiões pode ser um sintoma do isolamento geográfico das vítimas.

Combatendo a violência

 

A presidente da Antra destaca a necessidade de ações para o combate à violência contra travestis e transsexuais. Segundo ela, são necessárias políticas específicas e integradas, entre elas:

  • Produção de dados oficiais com recorte de identidade de gênero;
  • Políticas de prevenção à violência, formação das forças de segurança;
  • Investigação adequada dos crimes;
  • Responsabilização dos autores;
  • Políticas de inclusão social;
  • Acesso a trabalho, saúde e educação, além do enfrentamento direto à transfobia institucionalFonte: G1-MA

Imagens de satélite mostram Açude Velho, em Campina Grande, mudando de cor antes de toneladas de peixes mortos

Imagens feitas via satélite mostram o Açude Velho, em Campina Grande, mudando de cor antes da retirada de 10 toneladas de peixes mortos no reservatório. As imagens foram feitas pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélits (Lápís), vinculado a Universidade Federal de Alagoas, coordenado pelo professor Humberto Barbosa.

Ao g1, o coordenador explicou que essa mudança de coloração, entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, indicam um sinal de sujeira entrando e se espalhando no reservatório, principalmente esgoto e, alguns momentos, uma a “explosão” de algas por causa dessa contaminação, o que contribuiu para a falta de oxigenação da água para os peixes.

Ele afirma que esse acompanhamento por meio de imagens e dados sugere que, apesar do processo de eutrofização, que é o aumento descontrolado de águas e plantas aquáticas que absorvem o oxigênio que seria utilizado pelos peixes, outros fatores são mais determinantes para explicar o que houve no Açude Velho. Entre esses fatores estão: o despejo irregular de esgoto e o aumento do volume das águas antes da mortandade.

O estudo foi entregue ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), que investiga a morte dos peixes e também o despejo irregular de esgoto no reservatório. O laboratório já fez estudos de impactos ambientais semelhantes em casos reconhecidos no Brasil, como o aparecimento de manchas de óleo no litoral nordestino e também o desabamento de bairros por conta de atividade de mineração.

As imagens via satélite

 

Imagens de satélite do Açude Velho, em Campina Grande, antes da mortandade dos peixes

Imagem mostra coloração do Açude Velho em julho de 2025
Imagem mostra coloração do Açude Velho em novembro de 2025
Imagem mostra coloração do Açude Velho em dezembro de 2025
Imagem mostra coloração do Açude Velho em janeiro de 2026
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Imagem mostra coloração do Açude Velho em julho de 2025Fonte: G1-PB