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Filho é preso e confessa ter matado a própria mãe no Piauí: ‘vários pisões na cabeça’, diz delegado

Um homem foi preso preventivamente nesta quarta-feira (14) suspeito de matar a própria mãe, Maria Martins, em Parnaíba, no litoral do Piauí. O crime ocorreu em 25 de setembro de 2025, e a prisão foi resultado de investigação conduzida pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo o delegado Abimael Silva, a vítima foi encontrada sem vida dentro de casa por familiares no dia do crime.

Na época, a morte chegou a ser tratada como acidental, já que Maria Martins estava caída no quarto, com a porta fechada. Diante da situação, a perícia criminal foi acionada.

Com o avanço das investigações, a perícia apontou que se tratava de uma morte violenta, com traumatismo craniano e diversas agressões na cabeça.

A polícia reuniu depoimentos e outros elementos que indicaram o filho da vítima como principal suspeito.

Durante o interrogatório, após o cumprimento da prisão preventiva, o homem confessou o crime. Ele relatou que foi até a casa da mãe para pedir dinheiro, mas, diante da recusa, os dois discutiram.

“Ele relatou que foi pedir dinheiro, a mãe se recusou, houve uma discussão, ele a agrediu e, depois que ela caiu no chão, passou a desferir vários pisões na cabeça”, afirmou Abimael Silva.

 

De acordo com o DHPP, o suspeito afirmou que agiu sozinho. O inquérito está em fase de conclusão e ele será indiciado por feminicídio, em razão do vínculo afetivo entre autor e vítima.Fonte: G1-PI

Concurso Sesapi: inscrições terminam nesta quinta (15); salários de até R$ 12 mil

As inscrições para o concurso público da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) encerram nesta quinta-feira (15). O concurso oferece 1 mil vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, com salários de até R$ 12 mil.

O edital foi divulgado no dia 5 de dezembro. Serão 500 vagas imediatas e 500 para cadastro reserva. Os interessados devem se inscrever pelo site da Fundação Carlos Chagas (FCC), organizadora do concurso.

As vagas são destinadas à ampla concorrência, pessoas com deficiência (PCD) e candidatos negros. As provas objetivas estão previstas para 15 de março de 2026.

Cargos e salários

 

O edital reúne vagas para diversas formações. O salário mais alto é destinado para a área médica, chegando a R$ 12.299,94 para carga horária de 24 horas semanais.

Para cargos de nível superior, como farmacêutico, biomédico, fisioterapeuta e enfermeiro, a remuneração é de R$ 3.329,59, com jornada de 30 horas semanais. O cargo de engenheiro clínico tem salário de R$ 4.763,02.

No nível médio e técnico, a remuneração é de R$ 1.997,75, exceto para técnico em segurança do trabalho, que recebe R$ 1.599,21.

Inscrições

 

A taxa de inscrição é de R$ 100 para os níveis técnico e médio e de R$ 180 para o nível superior. O pagamento pode ser feito até 16 de janeiro.

Candidatos que atendiam a critérios específicos, como doadores de sangue e medula óssea, pessoas com deficiência, desempregados e doadores de leite materno, puderam solicitar isenção da taxa de inscrição. O período para solicitação da isenção de taxa foi entre 11 e 15 de dezembro.

Provas

 

As provas objetivas e discursivas serão feitas em Teresina no dia 15 de março de 2026, no turno da manhã. Os candidatos do nível superior farão prova discursiva em formato de estudo de caso, enquanto os do nível médio farão prova discursiva em formato de redação.

Segundo o Governo do Piauí, o concurso terá validade de dois anos, podendo ser prorrogado pelo mesmo período.

Áreas contempladas

 

Nível médio e técnico:

Técnico de Laboratório, Técnico em Enfermagem, Técnico em Patologia Clínica, Técnico em Radiologia, Técnico em Saúde Bucal e Técnico em Segurança do Trabalho.

Nível superior:

Assistente Social, Biomédico, Cirurgião-Dentista, Enfermeiro, Engenheiro Clínico, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Nutricionista, Psicólogo, Terapeuta Ocupacional e Médico Veterinário.

Área médica:

Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgias (Geral, Pediátrica, Torácica, Vascular, Oncológica), Clínica Médica, Endocrinologia, Gastroenterologia, Geriatria, Hematologia, Infectologia, Medicina Intensiva (Adulto e Pediátrica), Nefrologia, Neurocirurgia, Neurologia, Pediatria, Pneumologia, Psiquiatria, Radiologia, Médico Regulador e profissionais com capacitação em APH.

Cronograma

 

  • Publicação do edital: 05/12/2025;
  • Inscrições: 11/12/2025 a 15/01/2026;
  • Pedidos de isenção: 11 a 15/12/2025;
  • Resultado da isenção: A partir de 05/01/2026;
  • Pagamento da taxa: Até 16/01/2026;
  • Lista preliminar (cotas e condições especiais): 27/01/2026;
  • Respostas a recursos: 04/02/2026;
  • Provas: 15/03/2026.Fonte: G1-PI

São Luís registra aumento de 30% nos casos de homicídio em 2025, diz secretaria

Os municípios que fazem parte da Grande Ilha de São Luís registraram um aumento de 30% nos casos de homicídios em 2025 em relação a 2024, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA). A região é composta pelas cidades de São Luís, São José de RibamarPaço do Lumiar e Raposa.

Ao todo, foram registrados 307 homicídios, segundo a secretaria. Especialistas apontam que os dados estão diretamente relacionados ao aumento das disputas territoriais entre facções criminosas.

De acordo com Luís Antônio Pedrosa, vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, a última avaliação de relatórios nacionais indica que, no Maranhão, no primeiro semestre de 2024, havia uma tendência de crescimento nas taxas de violência, envolvendo mortes violentas intencionais e a taxa de homicídios. Ele ainda afirmou que esse balanço passará por análises segregadas.

“A última avaliação de territórios nacionais indica que no Maranhão havia uma tendência até o primeiro semestre de 2024, havia uma tendência de crescimento das taxas de violência, isso envolve mortes violentas intencionais e a taxa de homicídio que de vez em quando se analisa segregadamente”, diz o especialista.

 

Municípios da Grande Ilha de São Luís registram aumento de homicídios — Foto: Reprodução/TV Mirante

Municípios da Grande Ilha de São Luís registram aumento de homicídios — Foto: Reprodução/TV Mirante

Nas ruas, a população ainda não demonstra estar segura e afirma que é preciso avançar mais em relação aos serviços prestados pelas forças de segurança.

Um exemplo do aumento da criminalidade é o caso de Pedro Ricardo Gouveia Chagas, de apenas 16 anos, que veio a óbito após ser baleado durante uma perseguição policial no bairro São Cristóvão, em junho do ano passado. Ele foi atingido por um tiro na região da lombar.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Pedro tentava fugir, pilotando a moto do pai. Entre os policiais envolvidos, quatro foram afastados, mas ainda não foram julgados.

Hildilene Gouveia, mãe de Pedro Ricardo, conta que vive todos os dias angustiada e esperando o caso ter justiça.

“Cada dia a saudade aumenta e aquela angústia de esperar uma justiça que não chega. Foi um pesadelo em nossas vidas, Pedro era uma pessoa ótima, uma pessoa de bem, não fazia mal pra ninguém”, diz a mãe.

 

Pedro Ricardo Gouveia Chagas, de apenas 16 anos, morreu durante uma perseguição policial — Foto: Reprodução/TV Mirante

Pedro Ricardo Gouveia Chagas, de apenas 16 anos, morreu durante uma perseguição policial — Foto: Reprodução/TV Mirante

Uma das soluções, segundo Maurício Fraga, criminólogo, é garantir investimento na qualificação e valorização do aparato investigativo, especialmente dos agentes diretamente ligados à investigação, para que haja comprovação de indícios de autoria, a fim de que o Ministério Público possa oferecer denúncia e dar início à ação penal.

“Uma forma de remediar essa situação está em investir na qualificação e na valorização do aparato investigativo dos agentes de segurança pública diretamente ligados a investigação, de modo que essa investigação seja mais exitosa em comprovar indícios suficientes de autoria, a fim de que o Ministério Público tenha respaldo para oferecer denúncia e dê início a ação penal propriamente dita”, diz Maurício Fraga, criminólogo.

O que dizem as autoridades?

 

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) informou que investe em ações preventivas para reduzir os casos de homicídio. Dentre elas, foram destacadas a ampliação do setor de videomonitoramento e entregas de viaturas, drones, computadores e coletes balísticos para as forças de segurança.

Sobre a morte de Pedro Ricardo Gouveia Chagas, a Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), informou que o caso continua sob investigação e que tem sido apurado de forma técnica, imparcial e transparente. Fonte: G1-MA

Aeroporto de São Luís terá obras e fiscalização contra aves para reduzir risco de acidentes aéreos

O Ministério Público Federal (MPF) conseguiu na Justiça uma decisão que determina ações para reduzir o risco de acidentes aéreos no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís (MA). A medida foi tomada porque urubus e outras aves têm se concentrado na área de segurança do aeroporto, aumentando o perigo de colisões com aeronaves.

A Justiça Federal determinou que o município de São Luís, o estado do Maranhão, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a Concessionária do Bloco Central S.A. (CCR Aeroportos) tomem, em até 90 dias, providências para fiscalizar e eliminar depósitos irregulares de lixo que atraem aves.

O município de São Luís foi obrigado a apresentar um plano de ação para eliminar todos os depósitos irregulares de resíduos sólidos na Área de Segurança Aeroportuária (ASA). A ação deve focar especialmente nas áreas de Vila Cascavel, São Raimundo e Avenida José Sarney.

A prefeitura tem 60 dias para regularizar a coleta de lixo no Mercado do Peixe e no entorno, no Portinho, e deve manter vigilância permanente. Se novos pontos de descarte não forem removidos em 48 horas, haverá multa diária de R$ 5 mil.

O estado do Maranhão precisa apresentar um cronograma anual de fiscalização ambiental para todos os empreendimentos na ASA que atraem aves, como frigoríficos, matadouros e hortomercados. O estado também deve fazer vistorias regulares e aplicar sanções quando encontrar irregularidades no manejo de lixo e efluentes. O descumprimento pode resultar em multa de R$ 500 mil.

A Infraero, em conjunto com a CCR Aeroportos, deve apresentar um laudo técnico detalhado sobre o estado do muro do aeroporto, apontando falhas e vulnerabilidades que permitem o depósito irregular de lixo. A Infraero também será responsável, junto com os demais réus, pelos custos de reparação do dano ambiental acumulado até novembro de 2021, quando a concessão do aeroporto foi transferida para a CCR.

A CCR Aeroportos tem 180 dias, a partir da apresentação do laudo, para fazer todas as obras de reparo e adequação do muro e do perímetro do aeroporto, para impedir o acesso não autorizado e o descarte de resíduos. A empresa também deve implantar e manter um sistema permanente de gestão e fiscalização para coibir o lançamento de lixo e efluentes. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 300 mil.

A Justiça também fixou multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 200 mil, para qualquer obrigação descumprida sem justificativa pelos réus. A decisão ainda pode ser recorrida.

Entenda o caso

 

O MPF entrou com ação civil pública em 2013 para obrigar o município, o estado e a Infraero a remover lixo no entorno do aeroporto e fiscalizar locais que atraem aves. Entre 2013 e 2021, as ordens judiciais foram repetidamente descumpridas, mesmo após várias audiências e um acordo judicial homologado em abril de 2019, que também não foi totalmente cumprido.

Em 2022, por causa da persistência do descumprimento por quase uma década, a 8ª Vara Federal do Maranhão intimou pessoalmente o prefeito e o secretário estadual de Meio Ambiente. Eles tiveram 15 dias para comprovar que cumpriram as obrigações, sob pena de multa pessoal diária.

Entre 2022 e 2023, o governo do Maranhão começou as obras de duplicação da Avenida José Sarney, ao lado do muro do aeroporto. Em maio de 2025, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve a multa pessoal aplicada ao prefeito, por considerar a medida justificada diante do histórico de descumprimento da decisão judicial. Fonte: G1-MA

Assaltante morre e comparsa fica ferido após tentativa de assalto em Pedreiras, no MA

Uma tentativa de assalto a uma distribuidora de bebidas terminou com um homem morto e outro ferido, na tarde de terça-feira (13), no bairro Matadouro, em Pedreiras, no interior do Maranhão.

Segundo a Polícia Militar, os suspeitos já estavam sendo monitorados após informações de que planejavam o crime. Durante a ação, eles atiraram ao perceber a chegada dos policiais, o que deu início ao confronto.

Um dos envolvidos, identificado como Francisco da Conceição Lima, conhecido como “Chucky”, foi baleado nas costas e morreu no local.

O comparsa, que não teve o nome divulgado, de 31 anos, ficou ferido, se entregou e foi socorrido. Ele foi levado para o Hospital de Pedreiras e, depois, transferido para Peritoró, onde permanece internado em estado grave.

O caso está sendo investigado pela polícia. Fonte: G1-MA

MEC fará pesquisa sobre impacto da restrição de celular nas escolas

Neste dia 13 de janeiro de 2026, completa-se um ano da vigência da lei federal que restringiu o uso de celulares nas escolas (Lei nº 15.100/2025). A legislação visa reduzir distrações no ambiente escolar, priorizar o engajamento em atividades pedagógicas e coibir o uso inadequado de dispositivos eletrônicos por parte dos alunos.

O Ministério da Educação (MEC) fará uma pesquisa nacional no primeiro semestre de 2026 para analisar os desdobramentos da lei. O objetivo é compreender como a norma vem sendo adotada nos diferentes sistemas de ensino e quais são os seus efeitos no ambiente escolar.

O ministro da Educação, Camilo Santana, avalia que a restrição do uso de celulares tem sido benéfica para os alunos.

“O brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos em frente a uma tela. Nós somos o segundo país do mundo que fica o maior tempo na frente de uma tela. isso é um prejuízo muito grande para crianças e adolescentes, causa ansiedade, causa déficit de atenção, causa transtornos, distúrbios mentais”, destaca o ministro.

A lei foi instituída em um contexto de crescente preocupação com os efeitos do uso excessivo e desregulado de celulares no ambiente escolar. Dados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa) 2022 mostram que 80% dos estudantes brasileiros disseram se distrair e ter dificuldades de concentração nas aulas de matemática por causa do celular.

Aluno do ensino médio, Nicolas Lima, de 15 anos, teve um pouco de resistência à mudança, mas viu as vantagens de uma vida com menos telas.

“Percebi que não foi tão ruim assim. Logo no primeiro dia de aula, consegui fazer um amigo, porque eu me aproximei. Também percebi que a minha concentração melhorou muito durante as aulas. Eu não usava o celular durante a aula, mas sempre no final de cada aula em que os professores estavam fazendo a troca eu pegava o celular”, conta o estudante.

“Também, quando foi proibido o celular no intervalo, além de ficar conversando com os meus amigos, nós ficávamos jogando vários jogos, jogos de tabuleiro, conversando, um olhando para o outro, interagindo”, completa.

 

como vídeos e comentários postados na internet podem influenciar os interesses e comportamentos individuais
Lei que restringe uso de celular nas escolas completa um ano de vigência nesta terça-feira (13) – Foto: Arquivo/EBC

Para a empreendedora digital e mãe de Nicolas, Cibele Lima, a adaptação foi desafiadora no início, mas recompensadora.

“Estava acostumada a poder conversar com meus filhos no WhatsApp na escola, mas hoje eu vejo que melhorou muito, foi bom pra ele perceber que ele pode fazer amizades, que essa timidez não é uma condição fixa. Mas é algo que pode ser mudado quando a gente tem outro olhar e quando sai das telas. Isso ficou bem claro para mim neste um ano, essa transformação, de novas amizades por meio dessa proibição.”

Especialistas relatam que, após a restrição do uso dos aparelhos, os professores perceberam alunos mais atentos, participativos e focados nas atividades. O hábito de apenas “fotografar o quadro” ficou inviável, e os estudantes passaram a escrever, registrar e interagir mais. A mestre em saúde pública e psicóloga Karen Scavacini avalia que o celular pode ser um importante aliado na aprendizagem.

“O celular pode ser uma ferramenta muito educativa e potente quando ele é utilizado de forma transdisciplinar. Ele vai permitir que tenha produção de conteúdo, leitura crítica de informações, e é um recurso importante para trabalhar educação midiática, ajudar estudantes a avaliar fontes, a ter um raciocínio crítico, a compreender os algoritmos, identificar desinformação e usar as redes de forma ética”, diz a psicóloga.

O MEC desenvolveu e disponibilizou ferramentas para apoiar a implementação da norma, incluindo guias práticos, planos de aula e material de apoio a campanhas de conscientização sobre o uso responsável de celulares. Fonte: Agência Brasil

Lei do salário mínimo, que faz 90 anos, organizou relações de trabalho

A lei que criou o salário mínimo (nº 185, de 1936), e que seria regulamentada em 1940, foi resultado de um contexto de lutas de trabalhadores, demarcou uma reordenação social e incomodou elites econômicas, avaliam historiadores ouvidos pela Agência Brasil

O primeiro artigo da lei enuncia: “Todo trabalhador tem direito, em pagamento do serviço prestado,  a um salário mínimo capaz de satisfazer, em determinada região do país e em determinada época, suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte”.

 A legislação completa 90 anos nesta quarta-feira (14). Segundo o professor de história Mateus Gamba Torres, da Universidade de Brasília (UnB), durante os anos 1910 e 1920, ocorreram greves no Brasil com exigência de melhores condições de trabalho.

“Até então, o contrato era civil, de prestação de serviços. Não existia um valor mínimo que o empregador deveria pagar”, afirma.

Pressões

Inclusive, desde o final do século 19, como ele explica, movimentos de trabalhadores e o contexto internacional, como a legislação mais avançada de outros países (entre elas a do Uruguai) favoreceram a evolução também no Brasil.

Outro pesquisador, o professor Deusdedith Rocha, do Centro Universitário de Brasília (Ceub), aponta que se trata de um período de reorganização das relações trabalhistas da época.

“Esse é um período de transição de uma sociedade mais agroexportadora para uma sociedade cada vez mais urbana e industrial”, afirma.

Segundo ele, a mudança  introduziu uma nova cultura, ainda que fosse efetiva, na prática, na Região Sudeste. Rocha avalia que, em que pese a evolução das relações com o salário mínimo, a legislação favoreceu o controle político.

Em relação a esse momento, Mateus Torres, da UnB, ressalta que a história das conquistas de cidadania por parte da classe trabalhadora tem relação com as pressões exercidas sobre os representantes públicos, como foi o caso.

Postura dúbia

O então presidente Getúlio Vargas sofreu pressões também das elites econômicas, conforme identificam os pesquisadores, mesmo com mais dinheiro injetado na economia. De acordo com o professor Deusdedith Rocha, a elite brasileira teve postura ambivalente ao receber a novidade do salário mínimo.

“Tanto resistiu quanto se acomodou estrategicamente para se adaptar às mudanças que ocorriam naquele momento. As desconfianças do setor agrário eram compensada pela ideia de estabilização social”, afirma.

Mateus Gamba, da UnB, acrescenta que o mínimo se consolidou como conquista fundamental para a regulação das relações de trabalho.

“O trabalhador percebeu o salário mínimo como algo fundamental para ter a possibilidade maior de sobrevivência”. Fonte: Agência Brasil

Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão está em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com relatório divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), disponível onlinea vacina foi considerada cara diante do impacto que poderia ter em relação ao combate a doença.

A vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster é voltada para idosos com idade maior ou igual a 80 anos e indivíduos imunocomprometidos com idade maior ou igual a 18 anos.

“O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório.

O relatório apresenta também um cálculo dos custos em relação a população que seria beneficiada pelo imunizante. “Ao vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano, o custo seria de R$ 1,2 bilhão por ano e, no quinto ano, a vacinação dos 471 mil pacientes restantes com um custo de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões. Dessa forma, a vacina foi considerada não custoefetiva”, diz o texto publicado.

Segundo a portaria publicada nesta semana, a matéria poderá ser submetida a novo processo de avaliação pela Conitec, caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise efetuada.

Herpes-zóster

O herpes-zóster é uma condição de saúde causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Quando a pessoa tem catapora, o vírus permanece no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, ocasionando o herpes-zóster. Essa reativação é mais comum em pessoas idosas ou com a imunidade baixa.

Os primeiros sintomas são queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Depois de um ou dois dias, surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas cheias de líquido. Essas bolhas podem secar e formar crostas. As lesões aparecem em apenas um lado do corpo e seguem o caminho de um nervo, o que dá ao herpes-zóster seu aspecto característico. As áreas mais afetadas costumam ser o tronco, a face, a lombar e o pescoço. Esse processo dura cerca de duas a três semanas.

Segundo informações do relatório divulgado pela Conitec, o herpes-zóster geralmente melhora sozinho, mas em alguns casos pode causar complicações graves, como alterações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos.

Tratamento no SUS

Nos casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático com remédios para aliviar a dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a peleQuando o risco é maior, como em pessoas idosas, imunocomprometidas ou com doença grave, recomenda-se o uso do antiviral aciclovir.

De acordo com dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e hospitalares (SIH/SUS), entre 2008 a 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações de pacientes com herpes-zóster no Brasil.

Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS, entre os anos de 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram por herpes-zóster no país, o que representou uma taxa de mortalidade pela doença de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período. Do total de óbitos registrados, 90% foram de pessoas com idade maior ou igual a 50 anos, sendo 53,4% em idosos mais de 80 anos de idade. Fonte: Agência Brasil

Lula veta benefícios à venda de jogadores e a regras de fidelidade

Sancionada nessa terça-feira (13) em cerimônia em Brasília, a segunda lei de regulamentação da reforma tributária teve trechos vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mudanças atingem, entre outros pontos, a tributação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), programas de fidelidade, regras municipais para a transferência de imóveis e benefícios fiscais específicos.

Ao todo, segundo o Ministério da Fazenda, dez dispositivos do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108 foram vetados. As justificativas foram publicadas na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União.

SAFs e venda de jogadores

Um dos principais vetos atinge as SAFs. O texto aprovado pelos parlamentares previa que os valores obtidos com a venda de jogadores ficariam fora da base de cálculo dos novos tributos criados pela reforma. Com o veto, essas receitas voltam a ser tributadas.

Lula também barrou a redução da carga tributária das SAFs de 6% para 5%. Com a decisão, a alíquota total ficará em 6%, dividida da seguinte forma:

•     4% de tributos não alterados pela reforma;

•     1% de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal;

•     1% de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo estadual e municipal.

Segundo a equipe econômica, a redução contrariaria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que veda a criação de novos benefícios tributários sem compensação.

Programas de fidelidade

Outro veto relevante trata dos programas de fidelidade. O Congresso havia incluído dispositivos que permitiam a tributação de pontos não onerosos, como milhas concedidas por cadastro, promoções ou compensações por atraso de voo.

A pedido do Ministério da Fazenda, Lula vetou a mudança. Assim, esses pontos continuam fora da base de cálculo do IBS e da CBS.

Cashback para gás canalizado

Outro ponto barrado foi uma regra que estendia o cashback, devolução de tributos à população de menor renda, para o gás canalizado. O Congresso tinha incluído a possibilidade de ressarcimento em operações de tributação monofásica, com cobrança em apenas um elo da cadeia produtiva, o que beneficiaria o fornecimento de gás canalizado. A equipe econômica avaliou que a exceção criaria incompatibilidade com o modelo geral do sistema.

Regulamentado na primeira lei complementar da reforma tributária, sancionada em janeiro do ano passado, cashback prevê 100% de devolução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e de pelo menos 20% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) à população de baixa renda sobre:

•     Água;

•     Botijão de gás;

•     Contas de telefone e internet;

•     Energia elétrica;

•     Esgoto.

Para os demais produtos e serviços, o ressarcimento equivalerá a 20% da CBS e do IBS. No caso do IBS, os estados e municípios terão autonomia para definir se a devolução será maior que 20%.

Alimentos líquidos e ITBI

O presidente também vetou a inclusão genérica de “alimentos líquidos naturais” na lista de produtos com redução de 60% das alíquotas. Segundo a Fazenda, a redação era ampla demais e poderia gerar distorções na concorrência entre leites e sucos. O Congresso tinha incluído esse trecho na lei para beneficiar itens como leites vegetais.

Outro veto atingiu o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), cobrado pelos municípios. O projeto previa a possibilidade de o pagamento do imposto ser antecipado para o momento da formalização do título de transferência. A medida foi barrada após pedido da Frente Nacional de Prefeitos, que apontou dificuldades de adaptação entre os municípios, já que cada prefeitura arrecada o tributo de uma maneira.

Zona Franca e simulação

Lula também retirou do texto a atribuição exclusiva da Superintendência da Zona Franca de Manaus para regulamentar procedimentos de verificação e fiscalização, ampliando o escopo da norma.

Além disso, foi vetada a definição legal de “simulação” como fraude fiscal. Segundo a Fazenda, o conceito proposto divergia de interpretações consolidadas no Judiciário, o que poderia gerar insegurança jurídica.

Com a sanção e os vetos, a segunda etapa da regulamentação da reforma tributária entra em vigor. No entanto, o Congresso ainda poderá analisar a derrubada ou manutenção dos vetos presidenciais. Fonte: Agência Brasil