Blog do Walison - Em Tempo Real

Suspeito de tentar matar enfermeira é preso após se apresentar na Delegacia da Mulher em São Luís

Foi preso, no fim da manhã desta segunda-feira (23), Rômulo Sousa Coimbra, suspeito de tentar matar a ex-mulher, a enfermeira Sarah Julia Melo, de 29 anos, na sexta-feira (20), no bairro Cidade Operária, em São Luís. A informação foi confimada pelo delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins.

O homem, acompanhado de um advogado, se entregou na Delegacia da Mulher em São Luís, onde foi cumprido o mandado de prisão preventiva que havia sido expedido contra ele nesse domingo (22). Rômulo Sousa está sendo ouvido pela delegada da Mulher Tainara Neves, que investiga o caso.

Segundo a investigação, Sarah foi atraída até a antiga casa do casal depois de receber a falsa informação de que a filha mais nova estava com febre. Ao chegar ao local, ela foi agredida e sofreu golpes de faca principalmente no rosto. Vizinhos ouviram os gritos e ajudaram a vítima. Depois do ataque, o homem fugiu levando as duas filhas e as deixou na casa da mãe dele.

g1 tenta contato com a defesa de Rômulo Sousa Coimbra.

A enfermeira esteve na Casa da Mulher Brasileira na noite de sábado (21), onde registrou a ocorrência e recebeu atendimento. De acordo com a defesa da vítima, Sarah passou por atendimentos médicos, realizou exame de corpo de delito e já tem medida protetiva concedida.

O casal manteve um relacionamento por cerca de 14 anos e estava em processo de separação havia quatro meses. Segundo a família, a relação era marcada por episódios de abuso desde a adolescência.

Ao g1, a prima da vítima, Rayelle Gatinho, contou que Sarah tinha acabado de sair de um plantão quando recebeu a ligação. Separada de Rômulo, ela estava morando com a mãe, mas decidiu ir ao local por preocupação com a criança.

“Ela foi lá e, chegando lá pela manhã, ele já começou a desferir golpes nela. Quando ele pegou uma faca e tentou esfaquear a Sarah, ela se defendeu; está com as mãos cortadas, o rosto cortado e o pescoço perfurado, e ele ainda desferiu golpes tentando cortar os olhos dela”, relatou Rayelle.

Rayelle afirma que o suspeito enviou mensagens a um amigo dizendo acreditar que havia matado Sarah. Os prints das mensagens foram repassados pela própria vítima ao advogado (veja abaixo).

Os prints das mensagens foram repassados pela própria vítima à advogada — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Os prints das mensagens foram repassados pela própria vítima à advogada — Foto: Reprodução/Redes Sociais

  • Fonte: G1-MA

Vereador Marcelo Pires cobra Transparência e Melhorias no TFD de Timbiras

O vereador Marcelo Pires cobrou mais transparência e melhorias no serviço de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) do município de Timbiras.

Segundo o parlamentar, é necessário que a gestão municipal apresente informações mais claras sobre:

  • Critérios de concessão do TFD

  • Lista de pacientes atendidos (respeitando a privacidade)

  • Datas, destinos e custos das viagens

  • Recursos destinados ao programa

Marcelo Pires também destacou a importância de melhorar a logística de transporte, oferecer suporte adequado aos pacientes e acompanhantes, além de garantir maior agilidade na marcação de consultas e exames em outras cidades.

O Tratamento Fora de Domicílio é um direito assegurado pelo SUS para pacientes que precisam realizar procedimentos médicos em municípios que oferecem maior estrutura de atendimento.

A cobrança do vereador reforça a necessidade de fiscalização e transparência na aplicação dos recursos públicos, visando assegurar atendimento digno à população de Timbiras.

Morre mulher que estava em acidente de asa-delta no Rio de Janeiro

A estadunidense Jenny Rodrigues, que estava na asa-delta que caiu no mar neste sábado (21), na Praia de São Conrado (RJ), não resistiu aos traumas e morreu, segundo informações do Hospital Miguel Couto. 

A turista foi levada em estado gravíssimo para o pronto-socorro, onde veio a óbito.

O piloto e dono do equipamento, que voava junto com Jenny, morreu no local.

Segundo divulgado pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, a corporação foi acionada na manhã deste sábado e seguiu para São Conrado para fazer o salvamento com o apoio de aeronaves, motos-aquáticas e ambulância.

O acidente foi registrado na 15ª DP (Gávea) e a perícia investiga os motivos da queda. Fonte: Agência Brasil

Foragido que matou esposa e ateou fogo no corpo na frente dos filhos na PB é preso em MT

O homem condenado por matar e queimar o corpo da esposa na frente dos filhos, Edmilson Souza da Costa, foi preso nessa quinta-feira (19), em uma fazenda de Sapezal, a 473 km de Cuiabá, após fugir do regime semiaberto na Paraíba. Maria do Céu morreu uma semana após o ataque.

Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, ele cumpriu cerca de 10 anos da pena em regime fechado e passou a ser considerado foragido depois de não retornar ao sistema prisional durante o cumprimento da pena no semiaberto. O mandado de prisão foi cumprido por policiais da Delegacia de Sapezal.

O crime foi cometido em 2013, no município de Santa Luzia (PB). No entanto, foi após cinco anos, no dia 27 de março de 2018, que o homem foi condenado. Na época, ele recebeu a sentença de 25 anos de prisão pelo feminicídio.

Após a prisão, Edmilson foi encaminhado à delegacia e permanece à disposição da Justiça.Fonte: G1-PB

Operação policial termina em confronto com mortos e adolescente ferido, em João Pessoa

Duas pessoas morreram e um adolescente ficou ferido em um confronto com a Polícia Militar durante uma operação, na madrugada deste sábado (21), em uma comunidade no bairro Tambiá, em João Pessoa. Segundo informações preliminares, a ação teve início na noite da sexta-feira (20), e horas depois aconteceu o confronto entre os suspeitos e os policiais.

De acordo com a polícia, a operação aconteceu comunidade do Buracão, em Tambiá. Na madrugada deste sábado (21) os policiais voltaram ao local e teriam sido recebidos a tiros por traficantes.

Os policiais revidaram e três homens foram atingidos. Um deles foi socorrido primeiro e os outros dois caíram em um abismo e precisaram da ajuda do Corpo de Bombeiros para serem retirados.

Os suspeitos foram resgatados e socorridos em um carro da polícia para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. A unidade informou que os dois já chegaram mortos.

O terceiro suspeito, um adolescente de 17 anos, foi socorrido pelo SAMU para o hospital e passou por procedimentos de emergência. De acordo com o Trauma, o estado de saúde dele é considerado estável.

Armas, drogas, coletes e munição foram apreendidos na operação. A Polícia Civil deve investigar o caso.

Armas, drogas, coletes e munição foram apreendidos na operação, em João Pessoa — Foto: Zuila David/TV Cabo Branco

Armas, drogas, coletes e munição foram apreendidos na operação, em João Pessoa — Foto: Zuila David/TV Cabo Branco

Idoso de 65 anos é atropelado por ônibus no Terminal da Lagoa, em João Pessoa

Um idoso de 65 anos foi atropelado por um ônibus no Terminal de Integração da Lagoa, no Centro de João Pessoa, na manhã deste sábado (21). O caso aconteceu por volta das 12h30, na área de embarque e desembarque do terminal.

Uma testemunha contou à equipe da TV Cabo Branco que o veículo da linha 701 realizava uma manobra para estacionar quando o homem foi atingido. Com o impacto, a vítima teve a perna presa nas rodas do ônibus e teve um grande ferimento exposto.

A testemunha relatou que o idoso teria se desequilibrado ao tentar subir no ônibus e caiu no momento em que o veículo manobrava. O homem foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa para atendimento médico. Conforme a unidade hospitalar, o idoso segue internado em estado grave estável.

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros no Município de João Pessoa (Sintur-JP) informou que o motorista permaneceu no local, prestou assistência e aguardou a chegada do Samu e da autoridade de trânsito. A entidade também destacou que acompanha o caso e está à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos.Fonte: G1-PB

Mata Atlântica: de bioma devastado a exemplo de restauração florestal

Uma iniciativa de restauração da área florestal da Mata Atlântica, na Bahia, apresentou resultados eficientes ao reduzir o tempo de crescimento das espécies em até 50% e recriando florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.

Segundo a supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, Laura Guimarães, o trabalho é parte de uma estratégia de recuperação ambiental que teve início em 2014, com a coleta e mapeamento para identificar indivíduos com maior potencial de conservação em cada uma das espécies estudadas.

O resultado alcançado pela Empresa Brasileira de Reflorestamento permitiu a recuperação de 1 mil hectares do bioma a partir da seleção genética de 45 espécies nativas. Exemplares como jacarandá, jequitibá, ipês, angicos e muitos outros foram escolhidos para o plantio, a partir de suas capacidades de adaptação e desenvolvimento em diferentes contextos.

“Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica o gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, Mickael Mello.

Além da escolha dos indivíduos mais capazes, as novas florestas foram estruturadas de forma a garantir variabilidade genética e reduzir riscos associados a homogeneização.

“Indivíduos com diferentes comportamentos e níveis de adaptação são essenciais para a recomposição da diversidade. Ao identificar e selecionar aqueles mais adaptados e resilientes, favorece-se a recuperação de populações mais estáveis e preparadas para enfrentar os desafios ambientais”, disse Laura Guimarães.

 

Brasília (DF), 20/02/2026 - Primeira fase de crescimento das mudas no viveiro em área sombreada. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação
Brasília (DF), 20/02/2026 – Primeira fase de crescimento das mudas no viveiro em área sombreada. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação – Symbiosis/Divugação

Impactos

A vegetação nativa da Mata Atlântica já cobriu cerca de 130 milhões de hectares do território nacional, uma área equivalente ao tamanho de países vizinhos como o Peru. Hoje, o Brasil mantém apenas 24% dessa cobertura verde, mas só 12,4% são de florestas maduras e bem preservadas, espalhadas em fragmentos de cobertura verde existentes em 17 estados.

“Essa fragmentação reduz o número de indivíduos, compromete a variabilidade genética e enfraquece a capacidade adaptativa das espécies. Sob pressão da dinâmica de uso e ocupação do solo, essas populações tornam-se mais suscetíveis a eventos como déficit hídrico e mudanças climáticas, o que pode levar ao seu declínio progressivo”, analisou o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, Rafael Bitante Fernandes.

Para Fernandes, menos diversidade impacta diretamente a vida das pessoas, porque diminui a capacidade dos ecossistemas de prestarem serviços que garantem a disponibilidade de água, qualidade do ar, qualidade do clima, controle de doenças e produtividade de alimentos.

“Por fim, isso acaba contribuindo, de forma global, para todos esses problemas climáticos que a gente vem tendo, de chuvas e secas cada vez mais intensas, os extremos climáticos mais constantes, e as tragédias cada vez mais acontecendo – grandes enchentes, enxurradas e escassez de água “, acrescenta o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

De acordo com Fernandes, a pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica e o risco econômico associado aos seus impactos tem gerado um novo posicionamento de empresas privadas que passam a ver a restauração florestal como investimento e oportunidade de negócio e abandonam cada vez mais a ideia de filantropia.

“Existem hoje modelos de restauração florestal que contemplam um bom manejo dessa floresta. Então você tem uma exploração permanente, inclusive de produtos madeireiros, mas nunca faz o corte raso daquela floresta ali. Continua sequestrando carbono, faz o uso nobre dessa maneira e ainda pode aproveitar outros subprodutos que não sejam madeireiros como óleos e essências”, explica.

Com finalidades diversificadas, a restauração da Mata Atlântica foi ganhando em métodos, formas e caminhos possíveis, que vão desde a transformação de solo sem viabilidade agrícola em uma floresta produtiva, até a proteção de recursos que dependem da biodiversidade existente para a viabilidade econômica de um negócio.

“A gente tem, por exemplo, empresas geradoras de energia elétrica através da água, para as quais a gente fez projeto de proteção dos mananciais que abastecem essas hidrelétricas. Consequentemente, além de proteger a floresta ali existente, você dá uma longevidade melhor para esse negócio, reduzindo o risco em períodos mais secos ou de fortes chuvas “, acrescenta o gestor florestal.

>>Caminhos da Reportagem mostra resgate de frutas da Mata Atlântica 

Modelo

O reposicionamento da iniciativa privada associado a um forte movimento que envolve ainda governos e organizações sociais resultou no Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.

“É importante fazer um destaque aqui, para explicar que restauração florestal é quando ela é intencional. Então a gente foi lá, criou um projeto, ainda que você vá apenas induzir a natureza para que aquela floresta volte sozinha”, disse Fernandes.

De acordo com o gestor, esse compromisso é importante diante de uma dinâmica já observada no longo histórico do bioma mais ocupado pelo homem, que atualmente abriga 72% dos brasileiros.

“A SOS Mata Atlântica tem um estudo, liderado pelo professor Paulo Molin, que identificou 4,9 milhões de hectares que entraram em processo de regeneração, entre 1993 até 2022. Nesse mesmo recorte temporal 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados e 3,8 milhões de hectares ficaram lá em pé”, informou.

Na avaliação de Fernandes, no Brasil, o movimento tem contribuído para que o bioma seja um modelo para a restauração ambiental em todo o planeta. “Por diversos congressos que a gente passa pelos países, a Mata Atlântica foi eleita uma das primeiras flagships, carro-chefe, com ações qualificadas em prol da restauração. A Mata Atlântica está entre os dez primeiros exemplos a serem adotados globalmente”, reforça.

 

Brasília (DF), 20/02/2026 - Mudas enxertadas de material genético selecionado. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação
Brasília (DF), 20/02/2026 – Mudas enxertadas de material genético selecionado. Estratégias de reflorestamento da Mata Atlântica. Foto: Symbiosis/Divugação – Symbiosis/Divugação

Desafios

Apesar dos avanços em modelos de restauração, mapeamento das áreas prioritárias ainda há uma longa jornada a ser percorrida para que o mínimo necessário ao perfeito funcionamento da Mata Atlântica seja garantido, e a meta de 15 milhões de hectares seja possível em 2050. Para o representante da fundação, ainda é necessário sensibilizar pessoas já que 90% do território da Mata Atlântica são áreas privadas.

“A gente precisa agora dar um salto em escala com boas políticas públicas que estimulem a restauração florestal. Então, precisamos de pagamentos por serviços ambientais, comando e controle que determine algumas áreas obrigatórias preservadas e uma política de incentivos massiva para manutenção e restauração da floresta”, avalia Fernandes.

Mas o esforço promete compensação na forma de desenvolvimento sustentável e geração de renda. “Se a gente for olhar a grosso modo aquela restauração só para conservar a biodiversidade e resgatar os serviços ecossistêmicos. A gente tem um potencial de gerar a cada dois campos de futebol um emprego. Então, dentro desse universo de até 15 milhões de hectares, a gente pode gerar um benefício social que seria gigantesco”, conclui o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.Fonte: Agência Brasil Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

Santarém: indígenas protestam contra desestatização de hidrovias

Um grupo de indígenas ocupou, na madrugada deste sábado (21), o escritório do terminal que a multinacional Cargill opera no Porto de Santarém, no Pará. 

Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o ato faz parte da série de protestos que há mais de um mês o movimento indígena vem promovendo contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Enquanto representantes de comunidades indígenas paraenses e mato-grossenses ligadas à Cita bloqueavam o acesso ao terminal, a cerca de 3,2 mil quilômetros dali, em São Paulo, ambientalistas e integrantes de entidades sociais protestavam diante do escritório central da Cargill, bloqueando duas faixas da Avenida Chucri Zaidan, na Vila São Francisco, na zona sul da capital paulista.

Em nota, a multinacional classificou as duas ações deste sábado como “violentas”. Segundo a assessoria da Cargill, há 30 dias os manifestantes bloqueiam o acesso de caminhões ao terminal portuário de Santarém, apesar de a Justiça já ter determinado a desocupação da área.

Ainda de acordo com a assessoria da empresa, diante da iminente ocupação do terminal paraense, os funcionários que estavam trabalhando buscaram abrigo em um local fechado onde permaneceram em segurança até serem retirados do local.

Não há, até o momento, registros de trabalhadores ou manifestantes feridos, e a empresa informou estar checando se máquinas ou equipamentos foram depredados.

“Além disso, a companhia, que já tem ordem judicial [favorável] à desocupação [do terminal], segue em contato com as autoridades para que as providências para a desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura”, acrescentou a Cargill.

Indignação

Pelas redes sociais, o Conselho Indígenas Tapajós e Arapiuns afirmou que a ocupação do escritório da multinacional após mais de 30 dias acampados diante do terminal paraense foi motivada pela indignação frente a não revogação integral do Decreto nº 12.600, cujos efeitos “ameaçam a qualidade da água, a pesca, a soberania alimentar e a integridade da floresta”.

“Estamos aqui porque defendemos o direito de existir”, afirmou o Cita, argumentando que, durante a ocupação do pátio do terminal, no último mês, chegou a liberar, “de forma pacífica e organizada”, as vias de acesso e os espaços necessários à operação de carga e descarga.

“Não queremos tratar essa questão como caso de polícia. Nossa luta não é de segurança pública, mas de justiça socioambiental, responsabilidade constitucional e direitos humanos.”

A entidade indígena disse ainda que cobra das autoridades federais responsáveis, explicações sobre os critérios adotados para autorizar a “privatização dos rios da região”, bem como a realização de estudos para avaliar eventuais impactos sociais, ambientais e culturais decorrentes dos empreendimentos.

“Permaneceremos mobilizados até que haja compromisso concreto com a revogação do Decreto nº 12.600 e com a garantia de consulta prévia, livre, informada e de boa-fé antes de decidirem sobre qualquer empreendimento que avance sobre nossos corpos e nossos territórios”, concluiu a Cita.

Em nota enviada à Agência Brasil, a Secretaria-Geral da Presidência da República informou estar acompanhando a mobilização dos povos indígenas do Pará e do Mato Grosso.

A pasta afirmou que reconhece e defende o direito a manifestações pacíficas e reiterou o compromisso de, junto com outros órgãos federais, consultar, previamente, as comunidades que vivem sob a área de influência dos empreendimentos sobre os eventuais impactos sociambientais.

“As condições técnicas para a instalação de um grupo de trabalho interministerial – com a participação de órgãos federais e representantes indicados pelos povos indígenas da região, para organizar e conduzir os processos de consulta – já estão garantidas e, conforme acordado em reunião com as lideranças do movimento, aguarda o aval dessas lideranças, no momento em que julgarem adequado”, assegurou a secretaria-geral.

Dragagem suspensa e consulta pública

No último dia 6, quando organizações indígenas e sociais já protestavam em diferentes localidades do país, o governo federal anunciou a suspensão do processo de seleção e contratação de uma empresa para realizar a dragagem do Rio Tapajós, no Pará.

Na ocasião, o governo federal informou, por meio de uma nota, que a suspensão das obras era um “gesto de negociação”, ainda que a dragagem não tivesse relação direta com o projeto de conceder a hidrovia à exploração comercial privada.

“É importante mencionar que as obras de dragagem anunciadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos constituem ação de rotina, feitas igualmente em anos anteriores, e respondem à necessidade de garantir o tráfego fluviário na Hidrovia do Tapajós diante dos períodos de baixa das águas”, argumentou o governo.

Além disso, assumiu outros dois compromissos: instituir um grupo de trabalho interministerial com a participação de órgãos e entidades da administração pública federal e de representantes indicados pelos povos indígenas da região, para discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta prévia às comunidades afetadas; e apresentar um cronograma para realizar as consultas, definido em comum acordo com a entidades representativas.

Em novembro do ano passado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, já tinha assumido o compromisso de consultar os povos do Rio Tapajós sobre a destinação das hidrovias.

“Temos o compromisso, e o governo federal fará, em relação ao Tapajós, uma consulta livre, prévia e informada a todos os povos da região, antes de implementar qualquer projeto no rio. E nós, da Secretaria-Geral da Presidência da República, criaremos uma mesa de diálogo com todos esses povos, para recebê-los em Brasília e construir a solução.”

Na época, os indígenas protestarem durante a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Também em novembro, a Casa Civil garantiu que não faria qualquer intervenção nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins sem o devido processo de licenciamento ambiental, incluindo a realização de estudos de impacto.

“É compromisso deste governo garantir ao longo do processo de estudo e licenciamento uma consulta prévia, livre e Informada às comunidades locais, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, seguindo a Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho], da qual o Brasil é signatário.”

De acordo com a Casa Civil, o propósito de transferir para a iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção da navegabilidade das hidrovias seria para garantir “um escoamento mais seguro e ambientalmente protegido”.

Matéria ampliada às 18h35 para inclusão de nota da Secretaria-geral de Presidência da República, nos 13°, 14° e 15° parágrafos.Fonte: Agência Brasil Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil