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Enem 2026: estudantes do MA têm novo prazo de isenção

Os participantes do Maranhão que desejam solicitar a isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 têm até o dia 30 de abril para fazer o pedido. O prazo também vale para quem precisa justificar ausência no Enem 2025.

A ampliação foi anunciada nesta sexta-feira (24) pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), data que marcava o encerramento do período.

O pedido de isenção e a justificativa de ausência devem ser feitos na Página do Participante, com login único do Gov.br.

Enem 2026: quem pode pedir a isenção
Têm direito à gratuidade os estudantes que se enquadram em pelo menos um dos seguintes critérios: estar matriculado no último ano do ensino médio em escola pública em 2026; ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada, com renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa; estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico); ou ser participante do programa Pé-de-Meia.

Mesmo com a isenção, o candidato precisará realizar a inscrição no Enem 2026, em período que ainda será divulgado pelo MEC.

A justificativa de ausência é destinada ao participante que obteve isenção no Enem 2025, mas faltou aos dois dias de prova e deseja solicitar novamente o benefício para 2026.

Inep prorroga prazo de isenção e justificativa do Enem 2026
Os estudantes do programa Pé-de-Meia que concluírem o ensino médio em 2026 e participarem dos dois dias de prova podem receber um incentivo adicional de R$ 200. O pagamento será feito após a confirmação da conclusão do ensino médio, na mesma conta em que o participante já recebe os benefícios do programa.

Já os inscritos no CadÚnico precisam estar com os dados atualizados. Caso contrário, o pedido de isenção pode ser negado.

O Inep reforça que a aprovação da isenção ou da justificativa de ausência não garante a inscrição automática no Enem 2026. Os candidatos devem ficar atentos à publicação do edital, que trará as regras e datas oficiais.

Calendário da isenção do Enem 2026:
Pedido de isenção e justificativa de ausência: até 30 de abril
Resultado dos pedidos: 13 de maio
Período para recursos: de 13 a 19 de maio
Resultado dos recursos: 25 de maio
Criado há mais de duas décadas, o Enem é hoje a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil. As notas são utilizadas em programas como o Sisu, Prouni e Fies, além de processos seletivos de instituições públicas e privadas.

O exame também pode ser usado para ingresso em universidades de Portugal que possuem convênio com o Inep, facilitando o acesso de estudantes brasileiros ao ensino superior no exterior.

Imirante

Família e escola devem liderar luta antimachismo, dizem especialistas

Em 2025, a cada 24 horas, ao menos 12 mulheres foram agredidas, em média, no Brasil, o que representa 4.558 vítimas de violência no ano, segundo pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança. O dado se refere a casos registrados em nove estados monitorados pela rede: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

O machismo estrutural faz com que esses casos se repitam, na avaliação de especialistas entrevistados pela Rádio Nacional. Por isso, eles defendem que é urgente a inclusão dos homens na construção de soluções que aumentem o engajamento masculino na luta contra a violência e mudem essa realidade.

Levantamento feito pela ONU Mulheres e pelo Instituto Papo de Homem mostra que 81% dos homens e 95% das mulheres avaliam que o Brasil é um país machista.

O psicólogo Flávio Urra, que trabalha na reeducação com foco na ressocialização de autores de violência, considera que, diferentemente dos homens, as mulheres mudaram o mundo legitimando uma série de pautas. No entanto, diz ele, “os homens continuam com a mesma cabeça de 30 anos atrás, de 50 anos atrás, querendo aquele modelo de família, aquele modelo de mulher que não existe mais.”

Existem exceções, como o engenheiro Carlos Augusto Carvalho, de 55 anos. Em conversas com outros homens, ele aprendeu que combater o machismo é uma luta diária. “Eu acho que o machismo é essa coisa que está enraizada e que a gente tem que diariamente combater. Realmente levantar uma bandeira forte para eliminar isso do nosso caminho.”

 

Brasília (DF) 09/10/2023 - Alexandre Coimbra Amaral é o convidado do programa na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - `DR com Demori´.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Para o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, a questão de gênero deve ser obrigatória na grade escolar – Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil

Família e masculinidades

O psicólogo e terapeuta familiar Alexandre Coimbra Amaral avalia que as dinâmicas familiares influenciam a visão de mundo de crianças e adolescentes e têm um componente cultural. Ele compara a família a um país, com seus códigos. Quando o indivíduo nasce nesse país, aprende o certo, o errado, como se come e se veste, o que se pode ou não falar e como crianças e idosos devem ser tratados.

Amaral entende que existem várias formas de ser homem. No entanto, quando a cultura familiar assume que ser homem é seguir o padrão tradicional, sem outros modelos de masculinidade, entrega para a criança e para o adolescente uma maneira de pensar que pode favorecer a violência.

“Essa biografia mais enrijecida ensina que homens têm que deter o poder, precisam dominar, precisam submeter e, quando as pessoas não são regidas por esse binômio, dominação e obediência, a violência precisa aparecer como uma espécie de cala boca.”

Para o psicólogo, o diálogo na família deve ser aberto não com a justificativa do homem de que foi essa a maneira como ele foi criado, mas que ele saiba questionar a criação que teve.

”Que ele possa se perguntar quais foram os prejuízos que eu tive na condição de homem por eu ter aprendido a ser homem dessa forma, com meu pai, com meu avô, com meu tio, com meu bisavô, vendo todos esses homens. Quais foram as coisas que eles perderam na vida?”

 

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Orientador familiar Peu Fonseca. Foto: Gustavo Minas/Divulgação
Orientador familiar Peu Fonseca defende a construção de uma nova identidade, pensada por homens e mulheres, que não leve à violência – Foto: Gustavo Minas/Divulgação

Na opinião do educador parental Peu Fonseca, é preciso haver uma identidade nova, coletiva e social, pensada por homens e mulheres, que não leve à violência.

“É preciso que essa identidade se afaste do que nos trouxe aqui até hoje, porque o que nos trouxe aqui até hoje está matando mulheres. A gente não tem como admitir isso mais. Chega! É preciso ensinar os nossos meninos a gostar, e não odiar meninas. E não se sentirem ameaçados. O fato de as meninas ocuparem espaços que antes eram nossos não diz sobre as meninas quererem nos dominar. Diz sobre a gente não querer aprender coisas novas.”

Peu Fonseca é pai de João, Irene, Teresa e Joaquim. Para ele, o grande desafio dos pais e responsáveis é entender que o papel de cuidar não é sobre controlar quem serão essas crianças. Mas acolher, dialogar, orientar. “Indicar caminho, corrigir rotas, ser margem e, em outros momentos, ser fluxo, ser água corrente, para que elas se lancem mais ao mundo.”

O consultor de empresas Felipe Requião trabalha com o engajamento de homens na promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres. Para ele, a família, além da  escola e das redes sociais, deve ser protagonista na formação da masculinidade – seja ela sadia, madura, benéfica ou tóxica.

Requião acredita que a família contribui quando não reforça estereótipos do tipo “homem não chora”, “não faz trabalho doméstico” e “não cozinha”.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos. Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal
Pesquisador em masculinidades, Ismael dos Anjos diz que meninos devem ser estimulados a ter cuidado consigo e com o outro – Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal

O jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos diz que, diferentemente das avós e mães, as meninas de hoje já aprendem que o lugar delas é onde quiserem. Agora é a vez de os meninos buscarem uma nova realidade em que cuidem de si e do outro.

Ele defende que, para um futuro mais igualitário, brincadeiras como polícia e ladrão e pega-pega, por exemplo, sejam substituídas por atividades lúdicas em que os meninos sejam estimulados a ter cuidado consigo, com o outro e também com o ambiente ao redor. “Se existe professor e aluna, mamãe e filhinha, por que a gente não ensina professor e aluno, papai e filhinho para os nossos meninos?”

Ismael dos Anjos acredita que “mudar a chavinha” para entender que o cuidado não deve ser algo compulsório apenas para as meninas, mas também seja algo estimulado entre os meninos desde cedo, provocará “uma mudança cultural e uma mudança desejável para uma sociedade de homens que, caso ascendam a posições de influência, de liderança, saibam a responsabilidade que carregam consigo nesses papéis.”

Escola no letramento de gênero

Sete em cada dez professores já presenciaram situações indesejadas de sexualização e silenciamento contra meninas, segundo um estudo da organização não governamental (ONG) Serenas. A ONG trabalha na prevenção de violências contra meninas e mulheres.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello. Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal
Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello avalia que as instituições de ensino têm papel fundamental na promoção do letramento de gênero – Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal

A psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello, referência em gênero e saúde mental, avalia que as instituições de ensino têm papel fundamental na promoção do letramento de gênero. Ela pontua que a tendência é reproduzir os valores aprendidos, como um ciclo de violência familiar. Por isso, vê na escola, na obrigatoriedade do ensino gratuito, público para todas as crianças e jovens, a chance de mudar essa realidade.

“Em muitas famílias a gente vai ter uma genealogia, uma repetição dessa violência por muitas gerações. Então, se minha bisavó apanhava, minha avó apanhava, minha mãe apanhava, o que eu como menina aprendo? É um direito desse homem quando se sente aborrecido, não obedecido, recorrer à violência. É importante então que isso seja problematizado.”

A coordenadora-geral de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas, do Ministério da Educação (MEC), Thaís Luz, concorda que a escola deve ser um espaço de enfrentamento e não de risco.

Ela ressalta que essa luta exige a articulação da escola com as famílias, a comunidade, a rede de proteção, de assistência social, de saúde e o sistema de Justiça. Thaís Luz afirma que a educação básica é importante para a transformação da sociedade e também para desconstrução de padrões culturais machistas.

“Quando nós trabalhamos intencionalmente temas como respeito, equidade, empatia, resolução pacífica de conflitos, nós estamos contribuindo diretamente para a prevenção da violência, incluindo a violência contra meninas e mulheres.”

Para a coordenadora-geral, historicamente, não é um desafio simples. Esses são temas ausentes da formação inicial dos professores, se tornando um desafio estrutural, mas que não deve ser visto como limitador. Para mudar essa realidade, o programa Escola que Protege, do MEC, se soma a outras ações de capacitação nas redes de ensino no enfrentamento à violência.

Ela destaca o curso Escolas ON Violências OFF, em parceria com a ONG Serenas, e também cursos sobre cidadania, democracia e direitos humanos desde a escola, com o Instituto Auschwitz.

“Tudo isso com o objetivo de garantir que os profissionais tenham o repertório necessário, se sintam seguros e sensíveis para lidar com essas situações do cotidiano da escola.”

Thaís Luz defende que, na implementação das mudanças, é fundamental que gestores e entes federativos estejam comprometidos. Para ela, a escola é a parte mais importante dessa transformação, e os profissionais de educação são os protagonistas desse processo, por isso precisam ter apoio institucional.

“Então, é muito importante também reconhecer a responsabilidade dos entes federativos em garantir as condições para que essa agenda se concretize, oferecendo suporte, formação e a estrutura adequada para suas redes, para suas escolas.”

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Especialista em gênero e direito e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Janaína Penalva. Foto: Janaína Penalva/Arquivo pessoal
Professora da Faculdade de Direito da UnB, Janaína Penalva diz que ensino emancipatório é muito poderoso na prevenção de várias formas de violência – Foto: Janaína Penalva/Arquivo pessoal

Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Janaína Penalva também acredita que a transformação social começa pela escola, com a formação de professores e professoras capazes de identificar os estereótipos de gênero presentes na sociedade e nos próprios livros produzidos para a educação.

Para Janaína, um ensino emancipatório é muito poderoso na prevenção de várias formas de violência, incluindo os casos de agressão a mulheres.

Recentemente, o governo lançou um pacote com ações que vão do ensino básico à educação superior e que inclui no currículo conteúdos relativos ao combate à violência contra meninas e mulheres.

O psicólogo Alexandre Coimbra Amaral concorda que a questão de gênero deve ser obrigatória na grade escolar. Ele critica a tentativa de movimentos conservadores de impedir esse avanço afirmando se tratar de ideologia de gênero.

“Essa expressão ideologia de gênero nem existe no campo científico. E, portanto, não existe uma construção de uma ideologia, o que existe é a possibilidade de se conversar abertamente. Toda a história da psicologia mostra o seguinte: onde a palavra não pode existir, há adoecimento psíquico.”

Para o psicólogo, não deve ser feita uma “patologização” do menino que comete uma ação inadequada, nem haver uma conduta punitivista como suspensão ou castigo, mas é necessário promover um diálogo que envolva também as meninas. “Aproveitar aquilo ali como ação educativa. Abrir uma roda de conversa e falar assim: ‘o que a gente pode aprender disso aqui? Quem já se sentiu no lugar dele e no lugar dela?’”

Amaral lembra que a própria criança que age de forma agressiva com outra pode ter sido a vítima em circunstâncias anteriores.

Machismo: redes sociais

Estudos revelam o crescimento de discursos misóginos e machistas nas redes sociais. Passaram a ser comuns, entre outros, os termos machosfera, para se referir a fóruns e grupos na internet que defendem a masculinidade tóxica, o ódio às mulheres e a oposição aos direitos femininos, ou redpills, como são chamados os homens que teriam “despertado” para uma suposta realidade em que as mulheres são exploradoras e manipuladoras.

Um levantamento atualizado este ano, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra que 90% dos canais do YouTube identificados em 2024 com conteúdo misógino continuam ativos na plataforma. Mais de 130 perfis seguem disponíveis e publicando vídeos.

“As redes sociais estão claramente, neste momento, assumindo que promovem mais o tipo de masculinidade tóxica, perversa e violenta”, diz o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral. Para ele, não existe neutralidade uma vez que as redes são regidas pelas big techs.

Amaral avalia que a preferência tem sido pelo conteúdo que repete a mensagem masculina mais violenta, que tem mais alcance e engajamento. Ele alerta que as redes sociais são perigosas por serem uma espécie de TV em que os programas mais vistos, com mais audiência, não são os que o público escolhe, mas os que elas escolhem repetir várias vezes.

O psicólogo defende a construção de um diálogo fora e dentro das redes que questione “o malefício desse conteúdo para os meninos e os adolescentes, para a formação dos homens e para a construção de uma sociedade que não seja regida pela barbárie”.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens. Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal
O consultor Felipe Requião trabalha com o engajamento de homens na promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres – Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal

O consultor Felipe Requião concorda que as redes sociais amplificam conteúdos misóginos, com comunidades de validação. Para ele, a internet acaba tendo um papel de educar mais os meninos, na comparação com a formação oferecida por adultos.

“Às vezes, eu dou o celular na mão de um jovem, de um menino, achando que eu estou ocupando o espaço dele, ocupando o tempo dele, fazendo com que ele tenha acesso à tecnologia. Mas, na verdade, eu estou dando uma forma de educação por algo, por alguém com quem eu não concordo, que eu não conheço e que eu não tenho controle sobre o que está sendo falado. O desafio é ocupar esse espaço com alternativas reais, verdadeiras, de pertencimento masculino saudável.”

Para a psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello, a internet tem um lado negativo e um positivo. Como exemplo de mau uso, as redes sociais amplificam a violência digital com o cometimento de novos tipos de crimes. “A gente vai ter o uso da IA [inteligência artificial], por exemplo, para divulgar fotos montadas de mulheres nuas, então, um novo tipo de nude, mas que nunca existiu, mas o fato de nunca ter existido não impede que afete a honra, as relações sociais das meninas e mulheres.”

No entanto, as novas tecnologias podem se tornar poderosas aliadas quando amplificam o letramento de gênero, a compreensão, a desconstrução e a crítica das normas sociais e estereótipos impostos a homens e mulheres.

As redes sociais, no seu bom uso, combatem a violência digital, com conteúdo educativos, além de possibilitar uma rede apoio e o alcance das denúncias. As campanhas de mobilização podem ser citadas como exemplo. Uma das estratégias é o uso de hashtags. Criado pela ONU Mulheres, o movimento #ElesPorElas (HeForShe) busca engajar homens e meninos na promoção da igualdade de gênero e no empoderamento feminino. Movimentos como o #Metoo, contra o assédio sexual, e o #MexeuComUmaMexeuComTodas evidenciam a importância de dar voz aos movimentos de mulheres.

*Colaborou Luciene Cruz Fonte: Agência Brasil 

Quando o assunto é desconstrução do machismo, grupos, cursos, rodas de conversa e campanhas tentam ajudar, engajando mais os homens no combate à violência contra a mulher e na busca por uma sociedade com mais igualdade.

“Se a gente for olhar o número de homens hoje engajados pelo fim da violência contra a mulher, ainda é muito pequeno. Então, é urgente a gente inserir mais homens nessa discussão”, diz o psicólogo Flávio Urra, do programa E Agora, José?. Ele avalia que, no enfrentamento à violência, é necessária uma participação maior dos homens.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicólogo Flávio Urra. Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal
Psicólogo Flávio Urra diz que homens, de modo geral, não se consideram responsáveis pelo machismo – Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal

E Agora, José?

Lei Maria da Penha determina o comparecimento obrigatório de agressores a programas de recuperação e acompanhamento psicossocial. O programa E Agora, José? Pelo Fim da Violência contra a Mulher é um grupo socioeducativo de responsabilização de homens.

Flávio Urra considera que o homem, de modo geral, não se enxerga como responsável pelo machismo, o que provoca uma resistência muito grande a debater o assunto. O que é maior entre os autores de violência. “Nós fazemos grupos com esses homens, autores de violência contra a mulher, [e no caso] deles a resistência é maior ainda, porque eles se sentem injustiçados por estarem ali obrigados a participar do grupo por uma juíza, um juiz.”

Os participantes do curso oferecido no âmbito do programa frequentam 20 encontros de duas horas de duração. E, ao fim da participação no projeto, segundo Flávio Urra, é unânime a percepção deles de que se tornaram pessoas melhores.

“Estão melhores pais, estão melhores companheiros, trazem isso no discurso que houve uma mudança ali. Se a gente for pensar que já passaram para nós cerca de 2 mil homens e se a gente conseguir, de alguma forma, afetar a vida desses 2 mil homens e das mulheres que convivem com eles, possivelmente está havendo uma mudança na sociedade.”

Empresas

Com experiência de sete anos como facilitador de grupos de homens, o consultor de empresas Felipe Requião identificou alguns padrões de comportamento recorrentes, como a desresponsabilização individual, com o uso de expressões como “eu não faço esse tipo de coisa, não sou eu” e “tem coisa muito pior que acontece”.

Felipe Requião cita ainda a invisibilização do impacto e, em alguns casos, a vitimização, o deslocamento do foco. De acordo com ele, esse tipo de comportamento resulta de um aprendizado cultural, por isso as rodas de conversa são importantes no processo de mudança.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens. Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal
O consultor de empresas Felipe Requião atua há sete anos como facilitador de grupos de homens – Foto: Felipe Requião/Arquivo pessoal

A resistência dos homens em participar de conversas é presente também no mundo corporativo, observa Requião. “Tem uma [resistência] que é muito recorrente que é a sensação de perda de espaço. ‘Poxa, agora vão tirar espaço dos homens’. Ou ‘agora eu não posso mais, não serei considerado para determinadas posições, promoções’, etc.”, afirma.

Felipe Requião ressalta a importância do envolvimento das lideranças na defesa das pautas de diversidade, equidade, inclusão e pertencimento. Para ele, é fundamental que seja uma jornada contínua, não apenas uma palestra, aula ou roda de conversa. Segundo ele, os homens começam a se envolver no problema depois de três ou quatro encontros reflexivos.

O consultor cita estudos que mostram que um ambiente de trabalho com mais igualdade entre homens e mulheres melhora o clima organizacional.

“Uma mudança real acontece quando a gente, homem, percebe que não está perdendo. Está se libertando de um modelo que nos restringe, que nos limita, que nos cerceia e que a gente pode fazer diferença performando uma masculinidade de um outro lugar.“

Um exemplo de liderança comprometida é o engenheiro Carlos Augusto Souza Carvalho, de 55 anos anos. Ele levou para os funcionários de sua empresa de engenharia a experiência que aprendeu em um grupo de homens. “Ponho palestra para eles sobre masculinidade, e o que sai dessas reuniões é impressionante, é realmente enriquecedor, a gente vê o quanto todos os homens, independentemente de classe social, condição financeira, posição no mundo, de opção sexual, têm para falar.”

Redes sociais

Na internet, existe um espaço terapêutico online e gratuito, oferecido desde 2017 pelo psicólogo Alexandre Coimbra Amaral. Ele diz que a melhora já começa quando os homens percebem que podem expor suas dores, ou apenas testemunhar conversas sobre machismo e masculinidades.

Brasília (DF) 09/10/2023 - Alexandre Coimbra Amaral é o convidado do programa na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - `DR com Demori´.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Psicólogo Alexandre Coimbra Amaral oferece espaço terapêutico online e gratuito para homens desde 2017 – Foto: Joédson Alves/Arquivo/Agência Brasil

Terapeuta familiar, Amaral defende que pais conversem sobre o assunto com outros pais, nos grupos de mensagens da escola, para trocar experiências sobre formas de lidar com o problema quando os filhos estão envolvidos.

“Construir parâmetros comuns que vão para além da família, escutar a escola, perceber na escola um lugar possível para construir também essas pontes. Então acho que a formação de comunidade, que é uma coisa em baixa no nosso século, é fundamental para a gente produzir discursos que vão além da família. A comunidade é esse meio do caminho entre a família e as políticas públicas e a lei.”

Laço Branco

O movimento global Laço Branco estabeleceu no Brasil a data 6 de dezembro como Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

A campanha promove ações o ano todo, como o projeto Homens de Honra, que forma multiplicadores. Segundo a fundadora e diretora do Instituto Laço Branco Brasil, Patricia Zapponi, faz toda diferença quando é o homem que fala sobre enfrentamento ao machismo em espaços como clubes, escolas e templos.

“Quando você leva o homem, seja para um canteiro de obra, seja para uma escola, você muda o olhar. Então é um desafio, porque o homem, na grande maioria [dos casos], ele é o agente da violência, mas ele passa a ser o agente do enfrentamento. Então ele tem mais voz para falar com o próprio ofensor.”

Para Patricia Zapponi, o engajamento dos homens nos projetos é um dos destaques. “O nosso número de voluntários homens é quase o dobro do número de voluntárias mulheres. E olha que todos eles passam por uma severa inspeção no CPF deles, para a gente saber se não é nenhum ofensor querendo chegar perto da questão.”

A campanha Laço Branco tem ações continuadas e permanentes que envolvem os homens, como o Orange Day. Outra iniciativa são os núcleos integrados de Acolhimento à Mulher, em que advogados prestam serviço às mulheres vítimas de violência.

Escolas

Na educação de crianças e jovens, o programa Maria da Penha Vai à Escola, para prevenir e coibir a violência contra a mulher, é realizado há dez anos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

Atualmente, fazem parte da parceria o TJDFT, o Ministério Público do Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Educação do DF, entre outros. Recentemente, o Maria da Penha Vai à Escola se tornou uma das ações previstas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio envolvendo os Três Poderes.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello. Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal
Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello destaca o papel da escola nas transformações sociais – Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal

A psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello diz que, em todo o país, existem práticas construtivas no sentido de promover reflexão.

“É importante pensar que já existem boas práticas com uma certa história, com uma boa avaliação em vários estados brasileiros. A gente não precisa inventar a roda, a gente precisa trocar esse conhecimento e afinar cada vez mais essas práticas.”

Ela destaca o papel da escola para transformar a comunidade e sugere outras iniciativas que envolvam pais. “É possível também abarcar os pais nesse letramento de gênero, promovendo, por exemplo, nas reuniões, palestras que sejam não apenas informativas, mas que também afetem esses pais sobre esse letramento. Convidando, por exemplo, profissionais de áreas diferentes, para falar sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, sobre violência doméstica.”

O orientador familiar Peu Fonseca defende que, para repensar o machismo, é preciso envolver homens e mulheres, em rodas plurais. Ele observa, principalmente em comunidades escolares, que os homens têm os seus próprios grupos de diálogo e conversam entre si.

“Falam sobre o seu parentar, sobre o seu papel no cuidar, tudo isso. Só que eles não falam, talvez, como a gente tem a expectativa do que seja esse papel do homem a ser desempenhado. O que eu acho, na verdade, é que a gente precisa convidar os homens e os pais para ambientes integrados, inclusive não apenas entre homens, mas também com mulheres.”

*Colaborou Luciene Cruz Fonte: Agência Brasil 

Leis de proteção à mulher: transformação social pode demorar gerações

Especialistas que estudam a violência de gênero apontam que a legislação brasileira para o enfrentamento desses casos é uma das mais avançadas no mundo. A Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, por exemplo, são consideradas marcos legais no combate à violência contra a mulher.

A professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) Janaína Penalva pondera, no entanto, que ainda é cedo para avaliar os impactos dessas leis na sociedade.

“Elas são importantes, extremamente importantes. A gente ainda não conhece, não viu na sociedade o impacto de uma legislação protetiva, porque ela é muito recente. Mas ela não é e nunca será suficiente”, afirma a professora, ela, que é especialista em gênero e direito.

Janaína destaca que a Lei Maria da Penha completou 20 anos e a do Feminicídio, dezCom isso, segundo ela, os efeitos dessa legislação na sociedade vão demorar a ser sentidos.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello. Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal
Pesquisadora Valeska Zanello acredita que transformações sociais decorrentes da legislação protetiva da mulher devem demorar de 30 a 50 anos – Foto: Valeska Zanello/Arquivo pessoal

A pesquisadora Valeska Zanello acredita que a transformação real da sociedade provocada por essas leis deve levar ainda de 30 a 50 anos.

“Estudos transculturais mostram que são necessárias pelo menos três gerações para ter modificações nas configurações emocionais. Então, esse é o grande desafio para a nossa geração, para as futuras gerações.”

O arcabouço legal de proteção às mulheres teve avanços com a publicação de novas normas. Sancionada no dia 9 deste mês, a Lei 15.383/2026 estabelece o monitoramento eletrônico do agressor como medida protetiva de urgência, quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar. Além disso, a vítima poderá usar um dispositivo de segurança alertando sobre a aproximação do agressor.

Lei nº 15.384/2026 tipifica o crime de vicaricídio, que é o assassinato de filhos e outros parentes como forma de punir ou causar sofrimento às mulheres. A legislação prevê pena de 20 a 40 anos em regime fechado para casos de violência vicária.

A pena pode ser aumentada de um terço até a metade se o crime for praticado na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento, punição ou controle; contra criança ou adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência; em descumprimento de medida protetiva de urgência.

Já leis como o Marco Civil da InternetCarolina Dieckmann e a que criminaliza o stalking (perseguição insistente, física ou virtual), por sua vez, ajudam a combater a violência digital.

Para o psicólogo Flávio Urra, que trabalha com a ressocialização de autores de violência, foi o movimento de mulheres que pressionou para que a legislação fosse reforçada.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Psicólogo Flávio Urra. Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal
Psicólogo Flávio Urra diz que pressão do movimento de mulheres resultou em mudanças na legislação protetiva – Foto: Flávio Urra/Arquivo pessoal

“Então, mudanças de teorias, mudanças de comportamentos. Foi o movimento de mulheres e alguns poucos homens que se engajaram e lutaram ao lado das mulheres nesse enfrentamento.”

Nos últimos anos, também aumentaram as denúncias. Em 2025, o Ligue 180 recebeu, entre janeiro e outubro, mais de 155 mil denúncias de violência contra a mulher, a maioria delas feita pelas próprias vítimas.

Flávio Urra avalia que hoje em dia a tolerância das mulheres com atitudes machistas é menor. “Muitos homens são denunciados por causa disso. E, como essa mudança não chegou para eles, não acreditam que aquilo que eles fizeram é um crime.”

O consultor de empresas Felipe Requião trabalha com o engajamento de homens na promoção da equidade de gênero e na prevenção da violência contra as mulheres. Na avaliação dele, apesar do arcabouço legal reconhecido, os atos de violência ainda são minimizados culturalmente, assim como a responsabilização dos homens.

“Existem, ainda, muitos discursos que legitimam a violência, em muitos campos, no campo político, no campo educacional, dentro das organizações, principalmente no campo social.”

Na visão de Requião, faltam ações preventivas que sejam eficazes e que interrompam o ciclo de violência.

“Então, se existe um ciclo, é porque ele é contínuo. E, se a gente trabalhasse na prevenção, esse ciclo seria interrompido nas primeiras denúncias de atos violentos. A gente atua depois que a violência aconteceu. Não é à toa que é amplamente divulgado pelos institutos de defesa da mulher sobre o ciclo da violência”, diz Requião.

Para ele, não se trata de um problema de falta de leis, mas de um cenário que requer transformação cultural.

Brasília (DF), 24/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Combate ao machismo estrutural. Jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos. Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal
Pesquisador em masculinidades, Ismael dos Anjos diz que existem limites, inclusive legais, que dificultam o papel dos homens no cuidado – Foto: Ismael dos Anjos/Arquivo pessoal

O jornalista e pesquisador em masculinidades Ismael dos Anjos acredita que os homens precisam se engajar e lutar por mudanças. Segundo ele, existem limites, inclusive legais, que dificultam o papel dos homens no cuidado, por exemplo.

Como embaixador da CoPai, coalizão pela licença-paternidade, o jornalista cita o aumento gradual da licença-paternidade de cinco dias para 20 dias, ao final desta década. A ampliação está prevista na Lei n° 15.371, sancionada no fim de março deste ano. Apesar de considerar o aumento uma vitória, Ismael dos Anjos diz que 20 dias ainda não são suficientes para um pai cuidar de um filho recém-nascido.

Ele entende que as estruturas culturais, econômicas e institucionais só vão mudar quando homens fizerem sua parte nas micropolíticas de mudança de comportamento. “Só passa a ter trocador no banheiro masculino quando homens suficientes perguntarem ‘onde eu posso trocar a fralda do meu filho?’”

Para o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, além de um sistema de Justiça que responsabilize, criminalize, julgue e conceda a pena, são necessárias mais políticas públicas transformadoras.

“Política pública significa a gente ter investimento público na promoção de saúde, na prevenção,  na construção de práticas educativas, de mensagens que são colocadas, de ensinar os profissionais de saúde, de educação, que estão em contato com esses meninos e como construir boas conversas nesse aspecto”, defende.

Em 2025, foram sancionadas 19 leis de proteção social à mulher. Além disso, tramitam no Congresso Nacional vários outros projetos sobre o tema. Um deles equipara a misoginia a crimes de discriminação, como o racismo, tornando condutas de ódio contra mulheres inafiançáveis e imprescritíveis.

Fonte: Agência Brasil *Colaborou Luciene Cruz

Vacinação contra gripe segue neste fim de semana em shopping da Grande São Luís

O governo do Maranhão promove, neste sábado (25) e domingo (26), mais uma ação de vacinação contra a Influenza para grupos prioritários na Grande São Luís. A ação será realizada no Pátio Norte Shopping, que fica na Estrada de Ribamar, em São José de Ribamar. O objetivo é aumentar a cobertura vacinal e prevenir casos graves da doença.

No sábado (25), a vacinação acontece das 10h às 20h. Já no domingo (26), o atendimento será das 14h às 20h, em dois pontos do shopping: no Piso 3, na Praça de Alimentação, e no piso 2, próximo ao Hospital São Domingos.

A mobilização é coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) e faz parte das estratégias para ampliar o acesso da população à vacina.

Para receber a dose, é necessário apresentar documento oficial com foto e cartão de vacinação.

Grupos prioritários

 

Podem se vacinar os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. Entre eles estão crianças de até 6 anos, gestantes, idosos com mais de 60 anos e puérperas. Também fazem parte do público-alvo povos indígenas, quilombolas e pessoas em situação de rua.

A vacinação inclui ainda trabalhadores da saúde, professores do ensino básico e superior e profissionais das forças de segurança, salvamento e Forças Armadas. Pessoas com deficiência permanente e com doenças crônicas ou condições clínicas especiais também estão aptas, independentemente da idade.

Outros grupos contemplados são trabalhadores do transporte coletivo rodoviário urbano e de longo curso, trabalhadores portuários e dos Correios. A lista inclui ainda a população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional e adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas. Fonte: G1-MA

PF afasta funcionário da Caixa suspeito de alterar dados de clientes para desviar dinheiro em Caxias

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão e afastou um funcionário da Caixa Econômica Federal durante uma operação contra fraudes bancárias, realizada nessa quinta-feira (24), em Caxias.

A ação faz parte da Operação Logchain, que investiga crimes eletrônicos praticados contra a instituição financeira. A própria Caixa colaborou com as investigações.

Segundo a Polícia Federal, o funcionário é suspeito de usar acesso privilegiado e credenciais funcionais para alterar dados cadastrais de clientes sem autorização. Com isso, ele viabilizava transferências via PIX para contas de destinatários recorrentes.

As investigações apontam que as alterações eram feitas diretamente nos sistemas internos, sem a presença dos titulares das contas, o que foi constatado por meio de imagens de monitoramento.

Durante o cumprimento dos mandados, foram recolhidos celulares, computadores, mídias digitais e documentos. O objetivo é detalhar como o esquema funcionava e identificar outros possíveis envolvidos.

O prejuízo identificado até o momento é de R$ 91.835,36, mas o valor pode aumentar com a análise dos materiais apreendidos.

O investigado poderá responder por crimes como associação criminosa, estelionato majorado e furto qualificado, caso as suspeitas sejam confirmadas. Fonte: G1-MA

Suspeito de participação na morte de PM em São Luís morre em confronto com a polícia; outros dois estão presos

Um dos suspeitos de envolvimento na morte do sargento da Polícia Militar do Maranhão Marx Hommel Rocha Gomes, de 36 anos, morreu durante um confronto com a PM no início da noite dessa sexta-feira (24), na Vila Cutia, região do São Raimundo, em São Luís. Outros dois suspeitos do crime já estão presos e um quarto identificado ainda está foragido.

Segundo informações do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), a ocorrência foi registrada na Rua Oito da Vila Cutia. De acordo com a polícia, uma guarnição realizava rondas na região quando houve troca de tiros com indivíduos suspeitos de participação no assassinato do policial militar.

No confronto, um dos suspeitos foi atingido. O homem, que não teve o nome divulgado, foi encaminhado ao Hospital da Cidade (Socorrão II), mas acabou não resistindo e morreu na unidade hospitalar.

Durante a mesma ação, a Polícia Militar prendeu um segundo suspeito do crime. Com ele foram apreendidas duas armas de fogo, sendo um revólver e uma pistola, que foram encaminhadas para a Delegacia de Homicídios, responsável pela investigação do caso.

Já outro investigado se apresentou à Polícia Civil nesta sexta-feira, quando foi cumprido o mandado de prisão contra ele. Um quarto homem também já foi identificado como um dos envolvidos na morte do PM, mas ele ainda está foragido.

A polícia segue investigando o caso e está em busca do veículo utilizado no homicídio, um sedan preto que ainda não foi localizado. As autoridades também tentam identificar outros suspeitos de envolvimento no caso.

O sargento Marx Hommel está sendo velado no quartel da Polícia Militar do Maranhão, em São Luís. O enterro dele está previsto para as 10h deste sábado (25).

O sargento da Polícia Militar do Maranhão Marx Hommel Rocha Gomes, de 36 anos, foi morto a tiros na noite dessa quinta-feira (23), em uma rua do bairro São Raimundo, enquanto estava de folga.

Segundo o delegado Murilo Pedroso Lapenda, titular da Área Leste que integra a investigação, a região do São Raimundo tem registrado conflitos recentes entre facgões criminosas rivais. E a morte do PM tem características semelhantes a outros ataques já registrados na localidade.

“O ataque que vitimou o policial segue a mesma característica de outros que são investigados por nós. Em vista disso, do veículo utilizado, da quantidade de pessoas, das características e também de algumas testemunhas que foram ouvidas, nós já conseguimos identificar os quatro indivíduos que estavam dentro do carro e participaram do ataque”.

 

Ainda de acordo com o delegado, a principal hipótese é de que o PM tenha sido vítima de um ataque aleatório, quando criminosos saem em busca de integrantes de facções rivais e, ao não encontrarem, acabam atacando pessoas que estão na rua.

“Infelizmente (trabalhamos com a hipótese) de um ataque aleatório. Essas guerras que as facções travam, eles saem na busca de algum alvo, de algum faccionado da área rival, quando não encontram, tendem a atacar qualquer pessoa que está na rua”, destacou o delegado.

 

Sobre o policial morto, o delegado afirmou que o histórico de vida da vítima será analisado, como ocorre em todas as investigações. No entanto, neste momento inicial, o foco é esclarecer a motivação do crime e as circunstâncias do ataque.

“Como a investigação está muito no início, o objetivo inicial é saber o que a vítima estava fazendo lá e porque houve oportunidade desse crime. É claro que o histórico de vida da vítima é levado em consideração, como ocorre em todos os casos”, explicou o delegado Murilo Pedroso Lapenda.

 

O crime

 

Polícia Civil do Maranhão investiga se PM morto em São Luís foi vítima de guerra entre facções — Foto: Reprodução/TV Mirante

Polícia Civil do Maranhão investiga se PM morto em São Luís foi vítima de guerra entre facções — Foto: Reprodução/TV Mirante

O sargento da Polícia Militar do Maranhão Marx Hommel Rocha Gomes, de 36 anos, foi morto a tiros na noite dessa quinta-feira (23), no bairro São Raimundo, em São Luís, enquanto estava de folga.

Imagens de uma câmera de segurança mostram a correria no momento do crime (veja acima). Segundo as informações policiais, criminosos chegaram à Rua da Glória, próximo à Praça da Família, e efetuaram cerca de 20 disparos. O policial foi baleado e morreu no local.

Durante a ação, duas pessoas também foram baleadas e levadas para atendimento hospitalar. Um jovem foi atingido no braço direito, e um homem sofreu disparos no pescoço e no tórax.

Ambos foram socorridos e encaminhados ao Hospital da Cidade, conhecido como Socorrão II, no bairro Cidade Operária, em São Luís. O estado de saúde das vítimas não foi divulgado.

Max Hommel integrava a Polícia Militar desde 2014 e estava lotado no 43º Batalhão, na Cidade Olímpica, em São Luís. A unidade prestou homenagem ao sargento em suas redes sociais. Ele deixa esposa e filho. Fonte:G1-MA

Quatro são presos por morte de mulher que se jogou na frente de namorado para salvá-lo de tiro, na Paraíba

Quatro suspeitos de integrar um grupo criminoso foram presos por participarem da morte de Natália Ferreira, de 27 anos, após dispararem tiros e ela se jogar na frente do namorado para salvá-lo, na cidade de Mataraca, no Litoral Norte da Paraíba, em um crime que aconteceu em março. As prisões aconteceram nesta sexta-feira (24).

A Polícia Civil informou que o grupo criminoso agiu em conjunto com a ex-namorada da vítima, após desavenças com o término do relacionamento e o começo de uma nova vida conjugal dela com outra pessoa. A corporação afirmou que a ação em conjunto queria matar o novo namorado da mulher.

De acordo com o delegado Sylvio Rabelo, responsável pelas investigações, inicialmente se achava que o próprio namorado da mulher havia disparado acidentalmente contra ela em meio à troca de tiros com integrantes desse grupo criminoso, com atuação no litoral do estado. No entanto, com o decorrer das investigações, ficou indicada outra dinâmica da situação.

Ainda conforme foi apontado pela corporação, a morte aconteceu após o grupo criminoso abordar o homem e a mulher em uma área entre os municípios de Mataraca e Baía da Traição. Na ocasião, os suspeitos abordaram o casal, houve uma discussão e um dos suspeitos, armado, disparou em direção ao homem. A jovem foi atingida ao se colocar à frente do companheiro.

Durante as prisões, armas de fogo foram apreendidas. A ex-namorada de Natália foi presa durante as ações, já na divisa com o Rio Grande do Norte, na tarde desta sexta-feira.

A versão anterior, descartada pela polícia

 

De acordo com a polícia à época da apuração do ocorrido, a vítima estaria utilizando a moto de uma amiga no dia do crime, em 4 de março. Naquela noite, ela teria pegado o veículo para se encontrar com o namorado, ainda dentro da versão inicial que foi descartada posteriormente.

Também naquele momento da investigação, foi apontado que durante a noite a amiga precisou da moto de volta e entrou em contato para pedi-la. O pedido teria acabado gerando um desentendimento entre eles, e teria sido combinado que se encontrariam para que a vítima devolvesse o veículo.

Ainda conforme a versão preliminar, no momento do encontro, teria acontecido uma discussão entre a dona da moto e o namorado da vítima, que, “de forma agressiva”, teria sacado uma arma e atirado contra a pessoa que estava cobrando a devolução da moto. No entanto, esse disparo, na investigação inicial, acabou atingindo a própria namorada.

Essa versão foi descartada pela Polícia Civil com o andar das investigações.

Natália Ferreira foi socorrida para o hospital municipal da cidade, mas não resistiu aos ferimentos. Fonte: G1-PB

Suspeito de envolvimento na morte de motorista de app é assassinado a tiros no PI; outro homem foi baleado

Um jovem de 22 anos, identificado como Jorge Gustavo Félix Costa, foi morto a tiros na tarde desta sexta (24), no município de Altos, a 41 km de Teresina. Segundo a Polícia Militar, ele havia sido liberado da cadeia na última quarta-feira (22).

Jorge Gustavo ficou preso por 14 dias por suspeita de envolvimento no desaparecimento e na morte do motorista por aplicativo Francisco Alan Marques da Silva e estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica após a soltura. Ainda não se sabe se os crimes estão relacionados.

Outro homem, que não teve o nome divulgado, foi baleado e levado a um hospital na cidade. Não há detalhes sobre o estado de saúde dele.

De acordo com o subcomandante da PM de Altos, major Genival, homens armados invadiram pelos fundos a residência de Jorge Gustavo, no bairro Batalhão, e efetuaram disparos contra ele. As balas atingiram outro homem, que estava próximo da vítima.

Envolvimento na morte de motorista por aplicativo

 

O motorista por aplicativo Francisco Alan Marques da Silva desapareceu no dia 30 de março, após sair de casa, no bairro Angelim, na Zona Sul da capital, para atender a uma corrida. O corpo dele foi encontrado no dia 8 de abril, em Altos.

Também no dia 8 de abril, Jorge Gustavo foi preso durante uma operação que investigava a morte de Francisco Alan. Ao todo, seis pessoas foram detidas pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) em Teresina e Altos. Fonte: G1-PI

Sem acesso à escola na infância, idoso de 91 anos começa a aprender a ler no PI: ‘queria ter tido essa chance antes’

Aos 91 anos, José Manoel da Silva está aprendendo a ler. Mesmo com limitações na audição e na visão, o idoso ingressou no Centro Estadual de Jovens e Adultos (Ceja) Estela Nunes, localizado na zona rural de Bocaina, no Piauí e, há dois anos, se dedica ao processo de alfabetização.

Rotineiramente, o idoso fica pronto para ir à escola antes mesmo do horário das aulas. Ele participa de todas as atividades propostas pelos professores e, em casa, revisa os conteúdos estudados.

“Eu gosto demais de estudar. O dia que não tem aula, eu fico triste. Eu gosto do professor, dos colegas e até da merenda. Eu amo estar na escola. Queria ter tido essa chance antes, mas agora estou feliz porque estou aprendendo”, comentou.

Natural de Fronteiras, José Manoel não teve acesso à escola na infância. Na época, ele precisou priorizar o trabalho no campo. Ainda jovem, tornou-se vaqueiro e formou família.

“Naquele tempo, não tinha oportunidade. Meu pai tinha seis filhos e só a mulher pôde estudar. Nós [homens] fomos todos trabalhar”, afirmou.

Mais de sete décadas depois, o idoso conseguiu iniciou o processo de aprendizagem, por meio do programa Alfabetiza Piauí, que busca reduzir o analfabetismo e ampliar o acesso à educação para pessoas que não foram alfabetizadas na idade adequada.

Para incentivar a permanência dos estudantes, o programa oferece uma bolsa de R$ 800, paga em quatro parcelas, além de benefícios como transporte e alimentação. Fonte: G1-PI