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Caminhão com calcário cai no rio Mearim após ponte desabar em Grajaú

Caminhão com calcário cai no rio Mearim após ponte desabar em Grajaú — Foto: Reprodução/ TV Mirante

Uma ponte de madeira que liga o município de Grajaú a várias aldeias indígenas desabou no início da tarde dessa sexta-feira (10). O acidente ocorreu nas proximidades da Terra Indígena Bacurizinho. Um caminhão carregado com 44 toneladas de calcário caiu no rio Mearim. O motorista não ficou ferido.

Segundo informações, o veículo vinha do estado do Tocantins e seguia para uma empresa na zona rural de Grajaú. Moradores registraram o momento logo após o acidente e divulgaram as imagens nas redes sociais.

De acordo com os moradores, mesmo após manutenções pontuais, a ponte — construída há mais de 20 anos, apresentava condições precárias.

Com o desabamento, diversas comunidades indígenas ficaram isoladas. Solicitamos o posicionamento da Prefeitura de Grajaú sobre o assunto,

g1 entrou em contato com a Prefeitura de Grajaú para pedir um posicionamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.Fonte: G1-MA

Homem morre e três pessoas ficam feridas em acidente entre duas caminhonetes na zona rural de Aldeias Altas

Um homem morreu e três pessoas da mesma família ficaram feridas em um acidente entre duas caminhonetes na noite de quinta-feira (10), na zona rural de Aldeias Altas, município localizado no interior do Maranhão. O caso aconteceu no povoado Baixão dos Albuquerque.

De acordo com informações da Polícia Militar, a família viajava em uma caminhonete quando o veículo foi atingido de frente por outra caminhonete branca em uma estrada vicinal da região. O impacto foi tão forte que uma motocicleta que era transportada na carroceria foi arremessada e ficou completamente destruída.

Na caminhonete estavam um casal e duas filhas. As três mulheres ficaram ferida, a mãe sofreu uma fratura na perna e as jovens tiveram ferimentos leves. Elas foram socorridas e levadas para o hospital.

O pai, que conduzia o veículo, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Até o momento, não há informações sobre o estado de saúde do motorista da caminhonete branca envolvida no acidente.Fonte: G1-MA

Força Nacional do SUS reforça atendimento no Círio de Nazaré

Belém (PA) - Procissão do Círio de Nazaré em Belém (PA) é uma das maiores festas religiosas do mundo. Foto: ASCOM/Círio de Nazaré

Para dar maior apoio na realização do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atuará, neste fim de semana, em diversos pontos do trajeto das procissões, em Belém. A ação tem como objetivo apoiar as secretarias estadual e municipal de Saúde no atendimento à população durante o maior evento religioso do estado, que reúne milhões de romeiros e visitantes.

Segundo o Ministério da Saúde, as equipes estarão em postos estratégicos, equipados para atendimentos de urgência e emergência, com estrutura semelhante à de hospitais de campanha.

Neste sábado (11), o trabalho ocorre durante o Círio Fluvial, com as equipes localizadas na Escadinha; na Transladação, com a força situada na Alfândega e Casa das 11 Janelas. No domingo (12), o trabalho segue durante a procissão do Círio na Casa das 11 Janelas e no Centro Arquitetônico de Nazaré.

Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma festa que mostra a devoção do povo paraense. A previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo.

Este ano, a maior procissão católica do mundo celebra a sua 233ª edição às vésperas da  30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30).

A pasta informou ainda que a iniciativa também integra as ações de preparação do Ministério da Saúde para a COP30, fortalecendo a capacidade de resposta do sistema público a grandes eventos.Força: Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

Romeiros que vão a Aparecida usam tendas de apoio em rodovias de SP

Belém (PA), 11/10/2025 - Romeiros utilizam as tendas de apoio da RioSP durante o Círio de Nazaré. Foto: Comunicação RioSP/Divulgação

Mais de 36 mil romeiros foram atendidos nas tendas de orientação instaladas na Via Dutra pela concessionária RioSP,  uma empresa do grupo Motiva, desde a última segunda-feira (6) até a manhã deste sábado (11). Segundo a Motiva, só na Rota da Luz, 1.519 romeiros passaram pelas quatro tendas montadas entre Pindamonhangaba e Aparecida. 

A instalação das tendas faz parte do Projeto Romaria Segura 2025, com diversas ações para conscientização e segurança dos peregrinos que utilizam a Via Dutra para chegar ao Santuário Nacional de Aparecida, no período do feriado em homenagem à padroeira do Brasil.

Ao todo são 23 pontos de orientação em locais estratégicos da Via Dutra (entre Arujá e Resende), principalmente próximos a passarelas, e na Rota da Luz, entre Pindamonhangaba e Aparecida. As equipes estão disponíveis 24h por dia, fornecendo informações e dicas de segurança, especialmente sobre o caminho que o pedestre e os ciclistas devem seguir.

Além disso, os romeiros estão utilizando os pontos para descanso, que contam com cadeiras, totens para carregar celular, banheiros, e recebem também itens de segurança, como coletes e adesivos refletivos, e água.

Orientações

Os romeiros que vão a pé até Aparecida são orientados a percorrer a estrada sempre no sentido contrário ao fluxo de veículos e caminhar em fila indiana. Além disso, os pedestres devem evitar a rodovia à noite. Caso opte pela caminhada noturna, devem utilizar roupas claras e itens refletivos. Em caso de chuvas, a orientação é a de interromper a caminhada e se abrigar em um local seguro, como postos de serviço e bases de atendimento. Os ciclistas devem pedalar no mesmo sentido da via, conforme legislação de trânsito.

Já os motoristas são orientados a redobrar a atenção neste período, reduzindo a velocidade, ficando atento às entradas e saídas da rodovia, nos acessos a postos de serviço ou vias locais, ter cautela nas ultrapassagens mesmo em locais permitidos, não acompanhar com veículo os romeiros que estão caminhando. Os veículos de apoio devem estacionar em postos de serviço ou áreas afastadas da rodovia e nunca no acostamento.

Santuário

No Santuário Nacional de Aparecida, a programação começou às 5h30, com o toque dos sinos, seguido de uma missa, às 6h. As missas acontecem durante todo o dia, com intervalos para cerimônias como a Escola de Maria, a Acolhida no altar central e a Novena da Tarde. À noite acontecem a Novena Solene, a Procissão Memória para a Capela São Geraldo e a Vigília Mariana.

A Vigília Mariana segue pela madrugada do domingo (12) e às 4h45 acontece o Toque dos sinos, seguido pela primeira missa do dia, que transcorre com missas entre os intervalos da Escola de Maria, Missa solene, um novo Toque dos Sinos, seguido da Missa das crianças.

Às 15h é realizada a Consagração Solene, na Basílica Histórica. Às 18h os fiéis podem assistir à Missa de Encerramento, e participar em seguida da Procissão Solene que termina com um show pirotécnico.

Desde sexta-feira (10), o acesso ao Santuário Nacional e a visita à Imagem Original de Nossa Senhora Aparecida permanece aberto 24 horas por dia, até o encerramento das festividades. O objetivo é acolher os milhares de peregrinos que chegam de todo o Brasil para homenagear a Mãe Aparecida.

Plantão de Bênçãos

Durante os dias 11 e 12 de outubro, os religiosos, Missionários Redentoristas intensificam a acolhida aos devotos na Sala das Promessas, com o Plantão de Bênçãos em dois horários, 8h às 11h e 14h às 17h. O espaço que já recebe os objetos de devoção, também é dedicado à escuta, bênçãos e agradecimentos, reforçando a espiritualidade e o acolhimento do Santuário Nacional.

Todas as celebrações poderão ser acompanhadas pela Rede Aparecida de Comunicação, por meio da TV e Rádio Aparecida, como também pelo Portal A12 e redes sociais do Santuário Nacional.Fonte: Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil

Morre Diane Keaton, uma das atrizes mais celebradas de Hollywood

FILE PHOTO: 2017 American Film Institute Life Achievement Award  – Arrivals – Los Angeles, California, U.S., 08/06/2017 - Actress Diane Keaton. Reuters/Mario Anzuoni/Arquivo/Proibida reprodução

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz de 1977 pelo filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Diane Keaton morreu neste sábado (11), aos 79 anos, segundo um comunicado divulgado por sua família. Ainda não há detalhes das causas.

Diane começou sua carreira no teatro e em 1970 chegou ao cinema e à TV, fazendo participações em filmes menores e em seriados. Seu primeiro longa foi As Mil Faces do Amor. Depois disso fez aparições em algumas séries e em 1971 entrou para o elenco de O Poderoso Chefão, que seria lançado em 1972. Ela já se tornou bem conhecida por sua atuação neste clássico de Francis Ford Coppola e sua carreira deslanchou rapidamente depois disso. No mesmo ano atuou em Sonhos de um Sedutor ao lado de Woody Allen. Em 1974, trabalhou em O Poderoso Chefão 2.

Já com bastante reconhecimento, Diane seguiu em grandes produções em Hollywood. Em 1977 ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, mais uma colaboração sua com o diretor e roteirista Woody Allen.

A atriz teve uma longa carreira e seguiu trabalhando bastante até recentemente. Seu último trabalho nas telas foi Summer Camp, mas ela também atuou em outras produções famosas nos últimos anos como De Repente 70Procurando Dory (dublagem), Tudo em FamíliaO Pai da Noiva etc.

Diane nasceu em Los Angeles, em 1946, e nunca se casou oficialmente. Ela deixa dois filhos: Dexter e Duke.

Casos de coqueluche crescem e provocam internações e mortes

Brasília (DF) 15/04/2025 A Secretaria de Saúde do DF promove um dia de vacinação infantil  na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia, DF  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os casos de coqueluche em crianças pequenas aumentaram mais de 1200% no Brasil, conforme alerta o Observatório de Saúde na Infância. Em 2024, foram registrados pelo menos 2.152 casos da doença entre crianças menores de 5 anos de idade, que são as mais vulneráveis a complicações, mais do que a soma dos cinco anos anteriores. Dessas, 665 precisaram ser internadas por causa da doença, e 14 morreram, superando as dez mortes registradas entre 2019 e 2023.

“Como explicar todas essas crianças que morreram de algo totalmente prevenível?”, questiona a coordenadora do Observatório, Patrícia Boccolini. Este ano, os registros feitos até o mês de agosto indicam uma ligeira melhora, mas ainda em patamares altos: foram 1.148 casos, com 577 internações.

A coqueluche é uma infecção respiratória, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que pode ser prevenida com a vacinação. Os bebês devem receber três doses da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses de idade e as grávidas devem ser imunizadas com a DTPa em todas as gestações, para proteger os recém-nascidos.

Os dados coletados pelos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Faculdade de Medicina de Petrópolis do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase) mostram ainda que mais da metade dos casos do ano passado foram registrados em crianças menores de 1 ano, que também respondem por mais de 80% das internações.

Patricia Boccolini acredita que vários fatores podem estar contribuindo para o aumento dos casos, como a retomada dos ciclos naturais da doença no pós-pandemia, a desorganização de serviços locais de saúde e o aumento da testagem, mas uma das principais vulnerabilidades é a desigualdade das coberturas vacinais pelo país.

“Embora a gente não esteja conseguindo bater as metas, as coberturas vacinais não estão tão baixas assim, quando a gente olha para números nacionais e regionais. O grande problema é quando a gente começa a olhar no micro, os dados municipais mostram muita heterogeneidade, alguns polos com altas coberturas e outros não”, explica.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 90% dos bebês e de 86% das gestantes receberam os imunizantes que protegem contra a coqueluche no ano passado, superando os números de 2013. Mas a coordenadora do Observatório lembra que a meta de cobertura de 95% ainda não foi batida, e crianças mais velhas e adultos não vacinados também podem contrair e transmitir a doença, apesar dela atingir os pequenos de forma mais grave.

A quantidade de casos de 2024 se aproxima da de 2015, quando foram registrados mais de 2.300 casos entre crianças com menos de cinco anos. A partir de 2016, os casos começaram a cair e o último ano com mais de 1 mil registros havia sido em 2019.

Mas não é só o Brasil que enfrenta aumento de casos. Toda a região das Américas está em alerta para a doença. De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), nos primeiros sete meses de 2025, nove países da região notificaram mais de 18 mil casos e 128 mortes em todas as idades.

Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que a coqueluche tem essa característica de “ciclicidade”.

“Dez anos atrás, alguns anos antes já se observava um aumento de casos no mundo, depois isso acaba chegando ao Brasil também. Então, mesmo que a gente tenha tido melhoria nas coberturas vacinais nos últimos dois anos, como a gente ainda não alcançou as metas, a gente tem esses casos, conforme a ciclicidade da doença”, disse.

Cunha lembra que a vacinação das gestantes foi incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) justamente durante esse ciclo anterior de aumento de casos.

“Só a partir dos 6 meses que o bebê vai estar totalmente protegido, depois de receber todas as doses da vacina pentavalente. Então, vacinar a gestante é a principal forma de proteger o bebê nos primeiros meses de vida. É preciso falar para as grávidas, que elas precisam se vacinar para se protegerem e protegerem seus bebês”, recomenda.

“Tem muita gente que não sabe nem o que é coqueluche. E isso também é fruto de um passado recente glorioso que a gente teve nas nossas altas coberturas. Mas, a partir do momento que a gente não viu mais muitos casos, não viu mais crianças morrendo de coqueluche, a gente perdeu o medo da doença. Eu espero que esses números sensibilizem a população”, alerta a coordenadora do Observatório de Saúde da Infância, Patrícia Boccolini.Fonte: Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil

Vacina brasileira de covid fortalece ciência e país, diz ministra

Brasília (DF), 11/10/2025 – Ministra Luciana Santos (Ciência e tecnologia), fala sobre a nova vacina para Covid-19.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Brasil publicou este mês o primeiro artigo científico sobre testes de segurança envolvendo uma vacina contra a covid-19 totalmente nacional. Os resultados demonstram que o imunizante, chamado SpiN-TEC, é seguro. A dose avança agora para a fase final de estudos clínicos e deve estar disponível para a população até o início de 2027.

Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a vacina conta com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Ao todo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiu R$ 140 milhões, por meio da RedeVírus, apoiando desde os ensaios pré-clínicos até as fases clínicas 1, 2 e 3.

Em entrevista à Agência Brasil e à TV Brasil, a chefe do MCTI, Luciana Santos, classificou o desenvolvimento do imunizante como algo revestido de simbolismos em meio à luta contra o negacionismo. Ela se mostrou otimista em relação a uma futura aprovação da dose pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e citou outras iniciativas de fomento de novas tecnologias em andamento no país.

Confira os principais trechos da entrevista:

TV Brasil: Ministra, o que representa o desenvolvimento dessa vacina para a ciência brasileira?
Luciana Santos: Um grande marco da luta contra as evidências científicas e do negacionismo se deu no auge da covid-19, uma pandemia que impactou o mundo todo. No Brasil, tínhamos um chefe de Estado que negava a ciência. E todos nós sabemos os impactos disso: fomos a segunda população do planeta com mais mortes por covid.

Acho que o desenvolvimento dessa vacina se reveste de muitos simbolismos. Primeiro, da capacidade da inteligência brasileira. Nós temos um histórico, através de instituições que são longevas, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, que, naquele momento de pandemia, acudiram através de transferência de tecnologia, o que salvou o povo brasileiro.

Os desafios para as pandemias vão ser cada vez mais urgentes. No caso específico, a SpiN-TEC, do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, que a gente apoiou com investimentos no montante de R$ 140 milhões, mostra que o Brasil é capaz de produzir soluções brasileiras, da inteligência brasileira.

Penso que é um momento de afirmação da necessidade de virar a página do negacionismo no país e de dizer que a inteligência brasileira resolve questões, resolve problemas. Fico imensamente feliz, orgulhosa e com a certeza de que a gente tem capacidade de enfrentar vários desafios.

A SpiN-TEC é um libelo à inteligência brasileira, 100% produzido no Brasil.

TV Brasil: O fomento do MCTI foi fundamental para o desenvolvimento da vacina. Que outras iniciativas de fomento de novas tecnologias estão em andamento para a melhoria da qualidade da saúde pública no Brasil?
Luciana: Como é um centro de tecnologia de vacinas que, inclusive, funciona em rede, contando com o Parque Tecnológico de Belo Horizonte, esse ecossistema é que faz valer as soluções. São muitas pessoas envolvidas no processo, muitas mãos para chegar a soluções complexas. Lá, nós vamos tratar da malária, da doença de Chagas, doenças propriamente do nosso clima, da nossa floresta tropical. Além das terapias que já existem hoje, nós vamos garantir uma vacina. Tudo isso está em andamento. É algo muito importante e animador.

Assim, a gente vai poder dar ênfase aos desafios do complexo industrial da saúde, que são garantir equipamentos, insumos, medicamentos e vacinas que possam enfrentar coisas que são próprias do Brasil, contra as quais só a gente mesmo é que pode apresentar soluções.

TV Brasil: O Brasil vem conquistando cada vez mais reconhecimento no mundo em vários campos da ciência. Um exemplo foi o mapeamento do genoma do coronavírus, realizado pela cientista Jaqueline Goes de Jesus. Como as políticas de fomento podem contribuir para esse processo?
Luciana: O complexo industrial de saúde engloba desafios propriamente da área de saúde, equipamentos, insumos e medicamentos. Aliás, esse é o segundo déficit da balança comercial do Brasil, próximo de US$ 20 bilhões. E eles integram a Nova Indústria Brasil [política industrial lançada pelo governo federal em janeiro de 2024, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional até 2033].

É um desafio. Uma das escolhas que o Brasil fez foi nos tornarmos independentes, diminuir a nossa dependência desse conjunto de questões que diz respeito ao povo brasileiro. E, com isso, baratear custos, dar mais acesso, facilitar. Só pra dar um exemplo, a produção nacional do fator recombinante 8, que é um IFA [insumo farmacêutico ativo] de hemoderivados, vai significar US$ 1,2 bilhão a menos na balança comercial brasileira.

Toda essa agenda que o presidente Lula lidera vai na direção de superar a dependência, ainda mais no contexto que a gente está vivendo, de muito ataque à nossa soberania. Soberania diz respeito a conseguir garantir que algumas soluções para o povo brasileiro a gente não precise importar. Nossa infraestrutura de pesquisa, nossa inteligência, pesquisadores e pesquisadoras, esses milhares de brasileiros e brasileiras que estão nos laboratórios, nos estudos de ciência e tecnologia, nas universidades, produzindo soluções, precisam cada vez mais ter visibilidade pra gente dar valor.

São Paulo (SP), 21/05/2025 - Vacina SpiN-TEC desenvolvida na UFMG, que protege contra mais variantes do vírus da covid-19. Foto: Virgínia Muniz/CTVacinas
Vacina SpiN-TEC desenvolvida na UFMG, que protege contra mais variantes do vírus da covid-19. Foto: Virgínia Muniz/CTVacinas

Agência Brasil: A senhora citou um certo otimismo para levar a vacina até a Anvisa. O governo trabalha com algum tipo de prazo para essa aprovação junto à agência reguladora? Seria algo a se esperar ainda este ano ou em meados do ano que vem?
Luciana: Esse é um debate que todo o ecossistema de medicamentos tem reiterado. A necessidade de a gente dar celeridade, ter corpo, gente suficiente. E a expectativa é que a vacina já vai entrar pra poder fazer a avaliação junto à Anvisa. Eu sou otimista, eu acho que nós vamos conseguir fazer isso de modo a garantir que ela entre em produção ainda no ano que vem.

Agência Brasil: A gente já tem algumas vacinas produzidas no Brasil. Qual a diferença, exatamente, no caso da SpiN-TEC?
Luciana: A diferença é que não vamos precisar importar insumos ou princípio ativo, que chamam de insumo farmacêutico ativo. No Brasil, a gente pôde produzir, dentro da Fiocruz, por transferência de tecnologia, tanto a CoronaVac como a AstraZeneca, cada uma vinda de uma de um país diferente. Agora, não vamos depender de nenhuma transferência tecnológica nem de insumo. Por isso é 100% nacional. Os insumos utilizados para poder produzir essa vacina são nossos. E a inteligência e a tecnologia adquirida para ter a eficácia da vacina também são brasileiros. Ou seja, zero necessidade de alguma dependência de tecnologias.

Com isso, não quero dizer que nós sejamos avessos à pesquisa em rede ou à transferência. Pelo contrário, o mundo precisa de transferência tecnológica. Tanto é que nós estamos sempre dispostos a socializar o que a gente tem de conhecimento de tecnologia. É isso que nos move. Mas ter algo 100% nacional é motivo de esforço de gerações, de muitas mãos que conseguiram garantir isso.

É uma emoção para todos os pesquisadores e pesquisadoras que participaram desse processo. É uma grande conquista, né? De autoestima, de autodeterminação. E a gente poder dizer que, assim como a covid, em outras circunstâncias, nós vamos poder nos antecipar às pandemias.

Agência Brasil: Findadas todas as fases de estudo clínico, com a aprovação da Anvisa, a vacina teria de passar ainda pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e passe a fazer parte do calendário nacional de vacinação?
Luciana: Ah, certamente. Afinal, o SUS acaba sendo o principal comprador de medicamentos. Até porque ele é singular. Só existe no Brasil um sistema que tem como pressuposto ser universal, ser gratuito, dar acesso a todo mundo. No caso do centro de tecnologia de Minas, é claro que não vai ser uma universidade que vai produzir as doses. Ele deu a solução e vai fazer a transferência tecnológica para uma empresa nacional produzir a vacina.Fonte: Paula Laboissière e Bruna Saniele – Repórteres da Agência Brasil e da TV Brasil

Lula viaja para Roma para abertura do Fórum Mundial da Alimentação

Brasília (DF), 01/07/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento do Plano Safra 2025/26, no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca no final da tarde deste sábado (11), na Base Aérea de Brasília, para a Itália. O presidente participa da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, na segunda-feira (13), em Roma, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Na sequência, participa da reunião presencial do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Copresidida por Brasil e Espanha, a Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza reunirá ministros, representantes de governos, agências da ONU, bancos multilaterais e organizações da sociedade civil. O encontro ocorrerá em formato híbrido e avaliará o progresso da iniciativa desde sua criação, em 2024.

A Aliança foi estabelecida como uma proposta da presidência brasileira do G20 para apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e a pobreza e, ao mesmo tempo, reduzir as desigualdades.

Entre os principais temas estão os avanços da Iniciativa de Implementação Acelerada (Fast Track), que apoia planos nacionais de combate à fome e à pobreza em países como Etiópia, Quênia, Haiti, Ruanda e Zâmbia, com mais de 80 manifestações de interesse por parte de parceiros financeiros e técnicos.

Como parte da iniciativa, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza está apoiando ativamente o desenvolvimento de nove planos nacionais voltados para acelerar a ação contra a fome, a pobreza e os riscos climáticos.

De acordo com o Itamaraty, a Aliança está prestes a contabilizar 200 membros, entre países e organismos como agências, programas, instituições universitárias e bancos de desenvolvimento – as principais fontes de financiamento de seus projetos e planos.

Há, atualmente, 13 pedidos de novos integrantes no grupo, sendo sete do continente africano, dois da América Latina e Caribe, três do sudeste asiático e um do Oriente Médio.

O presidente Lula também participará, em Roma, da inauguração do espaço onde funcionarão os mecanismos de apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, antes de retornar ao Brasil, ainda no dia 13.

O convite para a participação de Lula no Fórum partiu do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, em julho, quando o presidente brasileiro foi informado, por ligação telefônica, de que o Brasil saiu do Mapa da Fome.

O Fórum Mundial da Alimentação vai até o dia 18, período em que também serão comemorados os 80 anos de criação da FAO. Criado em 1945, o Fórum Mundial da Alimentação é uma plataforma global para acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares, em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS).

Estruturado nos pilares Juventude, Ciência e Inovação e Investimentos, o Fórum adota os “quatro melhores” (four betters) que orientam a gestão do diretor-geral, Qu Dongyu: melhor produção, melhor nutrição, melhor meio ambiente e melhor vida.

A edição de 2025 será marcada por uma série de atividades comemorativas e de reconhecimento de boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável.

“Como parte da iniciativa, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza está apoiando ativamente o desenvolvimento de nove planos nacionais voltados para acelerar a ação contra a fome, a pobreza e os riscos climáticos”, disse o Itamaraty.Fonte: Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil