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Trio de assaltantes rende casal de entregadores e foge com van carregada de mercadorias, em João Pessoa

Um trio de assaltantes rendeu um casal de entregadores e fugiu com uma van carregada de mercadorias, na manhã desta terça-feira (4), no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa.

De acordo com uma das vítimas, que não preferiu não se identificar, dois dos crimonosos estavam encapuzados e um escondia o rosto com a camisa. Os suspeitos chegaram em um carro e abordaram o casal de entregadores no momento em que eles estacionaram a van para realizar uma entrega.

“Pararam a gente, mandaram a gente deitar no chão, deram com a arma na minha cabeça e na da minha esposa. Eles pegaram tudo, o celular da gente, a bolsa que a gente tinha e todas as mercadorias que estavam dentro da van. A gente só tinha feito duas entregas. Foi muito violento. É muito complicado você ver a cena de uma pessoa apontando a arma para você e para a sua esposa”, disse o entregador.

 

O carro utilizado pelos criminosos durante o assalto foi abandonado no local. De acordo com a Polícia Militar, o veículo era roubado. O dono, que havia realizado o registro do roubo do carro no mês de setembro deste ano, foi acionado pela polícia para recuperar o veículo.

Carro utilizado por criminosos durante o assalto à van no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução

Carro utilizado por criminosos durante o assalto à van no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução

Após renderam os donos da van, os suspeitos fugiram com o veículo e o deixaram em uma rua nas proximidades. A suspeita da polícia é de que os criminosos tenham planejado toda a ação, pois a van foi encontrada abandonada e completamente vazia. Até o momento, os criminosos não foram identificados e nenhum dos produtos roubados foi recuperado.Fonte: G1-PB

‘Já foi dando coronhadas na cabeça do meu filho’, diz mãe de jovens que tiveram casa invadida por prefeito

“Já foi dando três coronhadas na cabeça do meu filho”, disse Eva Francisca da Conceição, mãe do jovem de 19 anos e do adolescente de 17 anos que tiveram a casa invadida pelo prefeito de Alegrete do Piauí, Márcio Alencar, na noite de sábado (1°).

Vídeos publicados nas redes sociais mostram o prefeito empurrando o portão e entrando à força na residência, acompanhado de outro homem. Nas imagens, a mãe dos jovens aparece chorando e pedindo ajuda.

À TV Clube, Eva Francisca afirmou que também foi agredida durante a briga. Segundo ela, o prefeito sacou uma arma e ameaçou atirar contra o filho.

“Já foi gritando, já foi dizendo que ia matar meu filho, que dava 30 tiros na cabeça dele. Começou aquela confusão e eu abraçada, tentando separar. O ‘Marcim’ [prefeito Márcio], me pegou, deu um chute em mim, e eu quase voei longe, fiquei com as pernas pra cima”, contou a mulher.

 

Em seguida, conforme Eva, os filhos fugiram para uma área de mata próxima. O prefeito então teria voltado para a própria casa, mas retornado à casa da família em seguida.

“O portão já tava fechado [e ele disse] ‘Cadê? Cadê aquele bandido? Eu vou matar ele’. Entrou já caçando e se ele achasse os meninos, ele ia fazer uma besteira”, afirmou.

Eva Francisca afirmou que não consegue esquecer o ocorrido e tem tido dificuldades para dormir e comer,.

Segundo a defesa da família, o prefeito acreditava que os jovens haviam agredido um amigo. Ele os perseguiu de carro e foi à casa duas vezes. O caso foi denunciado à Polícia Civil.

O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou na segunda-feira (3) a suspensão da filiação de Márcio Alencar. A decisão foi unânime e o caso será analisado pela Comissão de Ética.

Prefeito alega ameaça

 

De acordo com Márcio Alencar, ele estava em uma festa privada quando o jovem de 19 anos se aproximou e falou que iria matá-lo. Depois que o prefeito respondeu, o rapaz teria saído do local.

“O rapaz me ameaçou de morte e eu fui saber o porquê. Ele olhou pra mim e disse: ‘eu deveria era lhe matar’. Aí eu disse: ‘peraí que tu vai me ameaçar já’. Quando eu falei assim, ele correu e foi embora”, contou.

 

O prefeito relatou que alguns jovens queriam brigar entre si e, ao pedir que evitassem confusão, sofreu a suposta ameaça do rapaz mais velho.

“Para ir para a minha casa, eu passo em frente à casa dele. Quando passei o portão estava entreaberto e, por isso, entrei”, acrescentou Márcio.

Márcio disse ainda que registrou um boletim de ocorrência por ameaça de forma virtual. Ele negou que tenha agredido alguém.

Defesa nega

 

A defesa dos jovens informou ao g1 que os irmãos estavam em um bar quando um amigo deles ficou bêbado e começou a querer “causar confusão”. Eles o levaram para fora do estabelecimento, onde encontraram o prefeito.

O advogado que os representa, que não quis se identificar, afirmou que o prefeito os confrontou e perguntou se estavam batendo no outro jovem. O mais novo, de 17 anos, respondeu que não e, conforme a defesa, sofreu a primeira agressão do gestor.

“O mais velho viu e perguntou por que o prefeito tinha batido no irmão dele. No calor do momento, o prefeito partiu pra cima dos dois, foi apartado pelo pessoal do bar e correu para pegar uma arma no carro. O dono do bar mandou os meninos irem embora e eles foram de moto”, disse o advogado.

 

De acordo com a defesa, Márcio Alencar passou a persegui-los de carro. Ao chegar na chácara onde os pais dos jovens moram, entrou com uma pistola na mão, deu uma coronhada na cabeça e um tapa no rosto do caçula e engatilhou a arma para atirar.

Os pais entraram na frente e pediram aos filhos que fugissem. Os rapazes pularam uma cerca de arame farpado e se feriram. O advogado deles contou ainda que a mãe foi empurrada pelo prefeito e machucou o braço e a perna. Dez minutos depois, Márcio voltou e a mulher começou a gravá-lo.

“Nesse momento ele estava com a arma na cintura. Como não achou os meninos, xingou os pais ao lado do outro homem e só foi embora quando o irmão dele chegou e o levou”, completou o advogado.

"Já foi dando três coronhadas na cabeça do meu filho", diz mulher que teve casa invadida por prefeito no Piauí — Foto: Reprodução/TV Clube

“Já foi dando três coronhadas na cabeça do meu filho”, diz mulher que teve casa invadida por prefeito no Piauí — Foto: Reprodução/TV Clube

Polícia investiga aterro irregular com entulho da construção civil em área de mangue em São Luís

A Polícia Civil do Maranhão, com apoio do Batalhão de Polícia Ambiental da PMMA e da Patrulha Ambiental Municipal, realizou na manhã desta terça-feira (4) uma operação no bairro São Viana, em São Luís, para apurar denúncias sobre um aterro irregular na região conhecida como Porto da Cultura.

Segundo a Delegacia Especial do Meio Ambiente (DEMA), o local estava sendo usado para descarte de resíduos da construção civil, o que pode causar danos ambientais e aumentar o risco de alagamentos em áreas residenciais próximas.

No local, os agentes confirmaram a denúncia. Eles encontraram uma barreira feita com pneus e grande quantidade de entulho e lixo espalhados por uma área de 15 a 20 metros, atingindo a vegetação de mangue , um ecossistema de preservação permanente.

Polícia investiga aterro irregular com entulho da construção civil em área de mangue em São Luís — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

Polícia investiga aterro irregular com entulho da construção civil em área de mangue em São Luís — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Maranhão

O responsável pela área não apresentou nenhum documento que autorizasse a atividade, como alvará, licença ambiental ou estudo de impacto. Por se tratar de uma prática potencialmente poluidora, ele foi levado à DEMA, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e se comprometeu a comparecer à Justiça.

Além disso, os órgãos ambientais aplicaram multas que somam mais de R$ 10 mil. Também foram solicitadas perícias ao Instituto de Criminalística (ICRIM) para avaliar os danos causados ao meio ambiente.Fonte: G1-MA

Homem é baleado em frente a igreja no bairro Jardim América, em São Luís

Um homem foi baleado no início da noite desta terça-feira (4) em frente à Igreja São João Calábria, no bairro Jardim América, em São Luís. Segundo testemunhas, dois homens em uma motocicleta passaram pelo local e atiraram várias vezes antes de fugir.

Durante o tiroteio, uma caminhonete estacionada na porta da igreja foi atingida por vários tiros e teve os pneus furados. Um dos disparos acertou a parede do prédio, perto da sala onde o padre realizava atendimentos no momento dos tiros.

A parede tem parte de vidro, o que, segundo fiéis, impediu que o padre fosse atingido.

Testemunhas contaram que a vítima estava acompanhada de outro homem, um deles em uma bicicleta, quando os suspeitos chegaram. Após ser baleado, o homem correu para dentro da igreja em busca de abrigo.

Segundo relatos, foram ouvidos cerca de dez disparos. Pouco depois, o homem ferido publicou um vídeo nas redes sociais mostrando que havia sido baleado.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreram a vítima, que foi levada ao Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, em São Luís.

A Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) foi acionada e faz buscas para localizar os suspeitos. Ainda não há informações sobre o estado de saúde da vítima nem sobre a motivação do crime.

Parede da igreja com marcas de bala no bairro Jardim América, em São Luís — Foto: Thárcila Castro/ Grupo Mirante

Parede da igreja com marcas de bala no bairro Jardim América, em São Luís — Foto: Thárcila Castro/ Grupo Mirante

 Fonte: G1-MA

Réu pelo homicídio de Ana Caroline, encontrada sem pele do rosto e sem olhos, deve ser julgado nesta quarta: ‘Quem perdeu fui eu’, lamenta mãe

Está marcado para esta quarta-feira (5) o julgamento de Eliseu Castro, preso suspeito de ter matado a jovem lésbica Ana Caroline Sousa Campelo, de 21 anos. Em dezembro de 2023, Ana Caroline foi encontrada morta, sem a pele do rosto e olhos arrancados, quando voltava do trabalho em Maranhãozinho (MA), cidade a 232 km da capital São Luís.

Elizeu Castro está preso desde 2024, suspeito de ter praticado o crime. Imagens de câmera de segurança obtidas pelo g1 registraram os momentos anteriores à morte de Ana Caroline (veja acima).

O vídeo mostra a jovem pela Rua Nova Um, via que dá acesso à estrada para Cachimbós. Segundos depois, surge na gravação um homem de camiseta branca em uma moto e faz o mesmo trajeto do que a jovem. O Ministério Público (MP) aponta que o homem é Elizeu.

O réu passará por júri popular por homicídio triplamente qualificado, com agravantes de emboscada, tortura e feminicídio (à época da denúncia, ainda não havia o artigo específico e feminicídio era considerado um agravante do assassinato).

Em julho, o júri foi adiado até a nova data nesta quarta-feira (5). São esperadas cinco testemunhas de acusação, além de depoimentos da defesa.

Mãe de Ana Caroline, Carmelita Sousa ainda espera respostas que vão além da condenação do suspeito. Segundo a dona de casa, ela não tem nem sequer uma versão do que aconteceu.

“Eu nunca tive esse assunto. ‘Olha, aconteceu isso, Dona Carmem (como é conhecida a mãe de Ana), o cara ficou observando tantos dias’. Nunca tive esse tipo de conversa”, diz, sem perder a esperança de receber tal resposta.

Carmelita lembra a última conversa que teve com a filha, então com 21 anos, uma semana antes da morte. Diz que ela não aparentava preocupação ou disse ter sido ameaçada. O que a deixa ainda mais aflita por respostas quando questionada o que seria, para ela, justiça.

“Não sei nem dizer. Espero que ele seja condenado e cumprir essa pena todinha, se for 20 anos, 30 anos, 40 anos. Eu só tenho a dizer é que quem vai perder é só eu, quem perdeu fui eu. Ele tirou minha filha. Esse motivo, eu ainda não tive essa resposta”, afirma.

 

Luta para criar o tipo penal ‘lesbocídio’

 

Advogada da família e assistente de acusação do MP, Luanna Lago afirma que o caso de Ana Caroline se trata de um crime de ódio cometido contra uma mulher lésbica, o que é chamado de lesbocídio.

Segundo ela, o fato de o réu passar por um júri popular (quando a pessoa é julgada por outros cidadãos em vez de um juiz de carreira) pode ser representativo a depender da decisão que envolva o caso de Carol, como Carmelita a chamava.

“Quando essas pessoas compreendem a dinâmica do crime, a gravidade da situação e condenam esse indivíduo, a gente conclui que o povo não aceita mais que as mulheres, que as pessoas lésbicas sejam desumanizadas, sejam tratadas de forma monstruosa”, afirma.

Lago considera que uma eventual condenação fortalece a luta para que o lesbocídio vire um tipo penal, processo similar ao que ocorreu com o feminicídio.

Caso a proposta avance, seria um crime seria agravado da mesma forma que um assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres é enquadrado desta maneira. A luta é para reconhecer o homicídio de uma mulher pelo fato de ela ser lésbica.

“É importante trazer essa visibilidade, mostrar porque nós existimos, que esses casos estão acontecendo aqui”, afirma Ana a ativista Maria Esteves, integrante do Coletiva Lesbo Amazônidas, que critica a invisibilidade de crimes de ódio praticados contra mulheres que se relacionam com mulheres.

 

“Precisamos ter cada vez mais do apoio do poder público, da segurança pública, da assistência social, para que reconheça a nossa existência para desenvolver prevenção, promoção de direitos e, principalmente, a reparação para a família e para os amigos”, diz a psicóloga.

Fonte: G1-MA

Copom decide nesta quarta se mantém Taxa Selic em 15% ao ano

Com a inflação desacelerando, mas alguns preços, como o da energia, pressionados, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (4) a penúltima reunião do ano. Os analistas de mercado acreditam na manutenção da taxa no maior nível em quase 20 anos.

Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Desde setembro do ano passado, a taxa foi elevada sete vezes seguidas. Nas reuniões de julho e de setembro, o Copom não mexeu na taxa.

A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. Na ata da última reunião, em setembro, o Copom informou que a Selic será mantida em 15% ao ano por tempo prolongado.

Segundo a ata do Copom, a conjuntura econômica dos Estados Unidos e as tarifas impostas pelo país têm tido “maior impacto” do que temas estruturalmente desafiadores para a formação dos preços de mercado. No cenário interno, alguns preços, como o da energia, continuam a pressionar a inflação, apesar da desaceleração da economia.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve ser mantida em 15% ao ano até o fim de 2025 ou início de 2026. A divergência agora está no momento do próximo ano em que os juros começarão a cair.

Inflação

O comportamento da inflação continua uma incógnita. Prévia do indicador oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) ficou em apenas 0,18% em outubro e acumula 4,94% em 12 meses. O preço médio dos alimentos recuou pelo quinto mês consecutivo. O IPCA referente aos 31 dias de outubro só será divulgado no próximo dia 11.

Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo BC, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,55%, contra 4,8% há quatro semanas. Isso representa inflação levemente acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5% por causa do intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro deste ano, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior é 4,5%.

Nesse modelo de aferição, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em novembro de 2025, a inflação desde dezembro de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em dezembro, o procedimento se repete, com apuração a partir de janeiro de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,8%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de dezembro.Fonte: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Ministra do TSE vota pela cassação do governador Cláudio Castro

A ministra Maria Isabel Galotti, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta terça-feira (4) pela cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição, em 2022.  

A ministra também se manifestou pela decretação da inelegibilidade por oito anos e a realização de novas eleições para o governo do estado. 

O voto da ministra também condenou o ex-vice-governador Thiago Pampolha, Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj; e o deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar (União), ex-secretário de govern

O voto foi proferido no início do julgamento no qual o Ministério Público Eleitoral (MPE) e coligação do ex-deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) pretendem reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que, em maio do ano passado, absolveu Castro e outros acusados no processo que trata de supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Em sua manifestação, a ministra, que é relatora do caso, disse que as contratações foram feitas à margem das normas constitucionais, sem fiscalização e fora da folha de pagamento do estado. Galotti destacou que os pagamentos foram feitos diretamente aos beneficiários, ou seja, na boca do caixa dos bancos.

A relatora citou ainda depoimentos de testemunhas que confirmaram ter sido coagidas a participar da campanha de Castro e fazer postagens favoráveis ao governador nas redes sociais em troca da promessa de manutenção do emprego.

“Cláudio Castro aparece numa posição central de execução do esquema ilícito. Utilizando de suas prerrogativas do chefe do Executivo, não apenas anuiu com as práticas e as autorizou, além de ter editado normativos que viabilizaram as irregularidades”, afirmou.

Após o voto de Isabel Galotti, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira. Não há data definida para a retomada do julgamento. 

Acusação

Durante o julgamento, o vice-procurador eleitoral, Alexandre Espinosa, defendeu a cassação de Castro e condenação à inelegibilidade por oito anos.

O Ministério Público afirmou que Castro obteve vantagem eleitoral na contratação de servidores temporários, sem amparo legal, e na descentralização de projetos sociais para enviar recursos para entidades desvinculadas da administração pública do Rio.

De acordo com a acusação, a descentralização de recursos ocorreu para fomentar a contratação de 27.665 pessoas, totalizando gastos de R$ 248 milhões.

A acusação também citou que os pagamentos aos contratados eram feitos por meio saques na boca do caixa, com objetivo de aliciar eleitores. Além disso, alguns contratados teriam trabalhado na campanha de Castro.

“A prova dos autos autoriza a caracterização do abuso de poder político e econômico, com gravidade suficiente para confiscar a legitimidade do pleito. Essa procuradoria eleitoral se manifesta pelo provimento do recurso para fixar a conduta vedada, a prática do abuso de poder político e econômico, cassando o diploma dos investigados eleitos, declarando a inelegibilidade pelo prazo de oito anos”, disse Espinosa.

Defesa

No julgamento, o advogado Fernando Neves, representante de Castro, disse que o governador apenas sancionou uma lei da Assembleia Legislativa e um decreto para regulamentar a atuação da Ceperj e não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades.

“Se alguma irregularidade existiu na execução desses programas, o governador não pode responder por elas. É imaginar que se um motorista do tribunal tomasse uma multa por excesso de velocidade, fosse cobrar da presidente [Cármen Lúcia]. Evidentemente, não tem sentido”, afirmou. Fonte: André Richter – Repórter da Agência Brasil

Unicef lança agenda de proteção a crianças e adolescentes de periferia

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou nova edição da Agenda Cidade Unicef para orientar ações de proteção a crianças e adolescentes em favelas, periferias e outros territórios vulneráveis de oito capitais brasileiras: Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo.

Nessas cidades, mais de 2.200 crianças e adolescentes foram vítimas de mortes violentas entre 2021 e 2023 e aproximadamente 14.200 sofreram alguma forma de violência sexual, conforme dados do próprio Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o chefe de governança do Unicef no Brasil e coordenador da Agenda Cidade Unicef, Paulo Moraes, o objetivo é contribuir para aprimorar o trabalho que os municípios já precisam fazer, por meio de uma série de atividades de formação, de aprimoramento institucional, de criação de instrumentos administrativos, como decretos e portarias.

“É um trabalho de apoio aos municípios, para que se articulem e desenvolvam ferramentas para fazer a prevenção primária. O menino, estando na escola, com direito à saúde, com espaços de convivência cidadã, onde ele possa circular, ele não terá o seu caminho de casa para a escola, obstaculizado por algum episódio de violência, é isso que a gente quer que a prefeitura garanta”, diz Moraes.

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As ações são pensadas de acordo com a realidades local, mas o Unicef também organiza espaços para a troca de experiências entre as cidades participantes. As intervenções estão estruturadas em cinco eixos integrados:

  • Educação de qualidade
  • Inclusão produtiva
  • Serviços de proteção
  • Saúde integral e bem-estar
  • Voz ativa na construção de soluções

“Por exemplo, na saúde, vamos trabalhar com os profissionais da atenção básica, para que eles melhorem a notificação de violências. Nas escolas, vamos trabalhar ferramentas de busca ativa das crianças evadidas e caso essa escola tenha também alguns episódios violentos, a gente trabalha com ações de cultura de paz”, acrescenta o coordenador do programa.

Outro foco de preocupação são os efeitos das operações policiais. Pesquisas recentes divulgadas pelo fundo mostraram o impacto dessas incursões na educação e na saúde das crianças e adolescentes de regiões periféricas do Rio de Janeiro.

“Essas operações não têm resolvido a questão a que se propõe: de enfrentar a violência armada e o tráfico. E têm trazido prejuízos enormes para as crianças que vivem nesses locais. É uma infância que aprende menos, que tem menos acesso a saúde, que tem mais episódios de saúde mental deteriorada. Então, vamos ter articulações que também transcendem o plano do município, com o sistema de Justiça e segurança, ou seja, o Judiciário, o Ministério Público, Defensoria e as polícias”, destaca Paulo Moraes.Fonte: Tâmara Freire – Repórter da Agência Brasil

Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça

Auxiliar em um consultório odontológico, Mônica Santos, então com 30 anos, moradora do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), saiu de casa para o trabalho naquele dia 5 de novembro perto das 6h da manhã. Era preciso sair cedo para chegar na hora. Ela não imaginava que só veria sua casa de novo 24 horas depois coberta de lama e que dez anos depois ainda lutaria por justiça.

Mesmo passado uma década, a dor e a visão dos escombros ainda estão nítidas em sua memória. “É como se estivesse tudo acontecendo agora”, disse à Agência Brasil a líder comunitária. Atualmente, Mônica está desempregada.

Naquele dia, a barragem do Fundão, operada pela empresa Samarco, se rompeu liberando cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. O desastre matou 19 pessoas e deixou mais de 600 desabrigadas. Outras comunidades afetadas foram Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras, Águas Claras e Campinas.

Casa coberta por lama

No caso de Mônica, ela recorda que recebeu a ligação de uma prima naquela tarde, avisando o que havia ocorrido. Desesperada, buscou a mãe no trabalho e tentou ir no caminho de casa. Passou a tarde e a madrugada na estrada. O sol apontava no horizonte quando chegou a um local mais alto e conseguiu enxergar o que seria a própria casa. “Foi nesse momento que a ficha caiu. Eu não tinha mais nada”.

Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Mariana (MG) – Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil) – Antonio Cruz/ Agência Brasil

Na casa, Mônica morava apenas com a mãe. Segundo ela, a empresa sempre deixou muito claro que a comunidade poderia dormir tranquilamente, já que a barragem era monitorada 24 horas por dia. Mônica lamenta que, no desastre, tenha perdido cinco amigos muito próximos.

Atualmente, ela reside no reassentamento da comunidade de Novo Bento Rodrigues, entregue pela Samarco. Fica a cerca de 13 quilômetros da antiga comunidade. “Mas a nossa casa ainda está cheia de problemas. A gente não pode falar que foi entregue 100%. Uma vez que ainda tem casa sendo construída e ainda tem morador desabrigado que nem projeto de casa tem”.

A líder comunitária diz que é preciso lutar por justiça. “Enquanto eu tiver força, vou lutar para fazer com que as pessoas sejam de fato indenizadas e restituídas”. Ela relata que a casa entregue pela Samarco não está ainda no nome dos desabrigados.

A principal esperança da líder comunitária é ver os conterrâneos reassentados em uma casa, que todas as vítimas sejam indenizadas e que haja responsabilização dos envolvidos. “Se tivesse acontecido a punição, não teria ocorrido a tragédia de Brumadinho (em janeiro de 2019 e que deixou 272 mortos).

Mariana (MG) - Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco – Foto Antonio Cruz/ Agência Brasil

“Projetos antidemocráticos”

Para Márcio Zonta, integrante da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, o desastre é um reflexo de como as decisões minerárias não estão ligadas à população.

“São projetos antidemocráticos em que as empresas não levam em consideração as organizações e populações”, avaliou. Ele entende que não há, em geral, um nível de reparação mínimo ao sofrimento das pessoas e que não existe um projeto nacional de mineração para o Brasil.

O Brasil tem 916 barragens, sendo que 74 delas teriam maior risco de colapso e 91 estão em situação de alerta. O ativista entende que desastres como esse ainda podem se repetir, particularmente em Minas Gerais (onde há 31 barragens). “É onde a Vale iniciou o que ela chama de Sistema Sul de Mineração.

Mariana (MG) - barragem pertencente à mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais (Corpo de Bombeiros/MG - Divulgação)
Barragem da mineradora Samarco se rompeu no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana, em Minas Gerais – Foto Corpo de Bombeiros/MG – Divulgação

O Sistema Norte está na Amazônia e o Sistema Sul é iniciado em Itabira”. Zonta pondera que os episódios de Mariana e Brumadinho também representam o colapso do sistema sul de mineração da Vale.

Caminhos da Reportagem

Nesta semana, o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, intitulado “Lágrimas de ferro” revelou, em 53 minutos de duração, a luta por justiça dos moradores da região.

O  promotor de justiça Guilherme de Sá Meneguin, do Ministério Público de Minas Gerais, destacou, por exemplo, que o rompimento atingiu 3 milhões de pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo.

“Afetou o meio ambiente, matou pessoas, destruiu economias. Eu diria que, mais do que um crime ambiental, foi uma grave violação dos direitos humanos, que foi se perpetuando ao longo do tempo”, disse.

Também para o Caminhos da Reportagem, o superintendente executivo da Agência Nacional de Mineração, Júlio César Rodrigues, considera que a regulamentação das barragens de mineração avançou mais do que a de pilhas. “A política nacional de segurança de barragens já foi alterada. A gente tem hoje uma política bastante robusta para barragens. Isso não se repete ainda em pilhas”, avaliou.

Indenizações

À Agência Brasil, a empresa informou que, desde 2015, foram destinados R$ 68,4 bilhões para as ações de reparação e compensação. Nesse valor, estão R$ 32,1 bilhões pagos em 735 mil acordos de indenização individual.

A empresa defende que esses recursos “têm transformado a realidade econômica da bacia, estimulando o comércio, fortalecendo cadeias produtivas e gerando empregos”.

BENTO, OBRA, REASSENTAMENTO, RENOVA, RODRIGUES
Obras de recuperação no Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG) – Foto Divulgação/Fundação Renova

O agricultor Francisco de Paula Felipe tem esperança que tudo melhore na nova moradia. “Tem dois meses que eu consegui mudar para a minha casa aqui no assentamento novo. A gente recebeu parte da indenização no começo. Parte está na Justiça ainda para ser resolvida. Não foi fácil a gente viver esses dez anos”, disse.

Ele espera ter saúde para encarar a vida. “Acabar de terminar de criar minhas duas filhas, ver elas estudarem e conseguir tomar o rumo da vida delas”, afirma. Fonte: Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil