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Enem: prazo para solicitar isenção da taxa de inscrição começa hoje

Começa nesta segunda-feira (15) o período para solicitar a isenção da taxa de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. O prazo, que segue até 26 de abril, vale também para justificativas de ausência na edição de 2023.

Os interessados devem pedir a isenção pela Página do Participante, utilizando o Login Único do Gov.br. Quem não lembrar a senha da conta pode recuperá-la seguindo orientações disponíveis na própria plataforma.

Quem tem direito

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prevê a gratuidade da taxa de inscrição do Enem para candidatos que se enquadram nos seguintes perfis:

– Matriculados na 3ª série do ensino médio em 2024 em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar;

– Estudante que cursou todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada;

– Pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem membros de família de baixa renda, com registro no CadÚnico.

Justificativa de ausência

Segundo o Inep, quem não compareceu aos dois dias de Enem em 2023 precisa justificar a ausência caso queira participar da edição deste ano gratuitamente.

Confira o cronograma completo do Enem 2024:

– Solicitação de isenção da taxa/Justificativa de ausência: de 15 a 26 de abril

– Resultado das solicitações de isenção da taxa/Justificativa de ausência: 13 de maio

– Período de recursos: de 13 a 17 de maio

– Resultado dos recursos: 24 de maio

O exame

O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Instituições de ensino públicas e privadas utilizam o exame para selecionar estudantes.

Os resultados são listados como critério único ou complementar em processos seletivos, além de servirem de parâmetros para acesso a auxílios governamentais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Fonte: Agência Brasil Edição: Graça Adjuto

Caixa libera abono do PIS/Pasep para nascidos em março e abril

Cerca de 3,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada nascidos em março e abril podem sacar, a partir desta segunda-feira (15), o valor do abono salarial do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) em 2024. A quantia está disponível no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital e no Portal Gov.br.

Ao todo, a Caixa Econômica Federal liberará R$ 4 bilhões neste mês. Aprovado no fim do ano passado, o calendário de liberações segue o mês de nascimento do trabalhador, no caso do PIS, ou o número final de inscrição do Pasep. Os pagamentos ocorrem de 15 de fevereiro a 15 de agosto.

Neste ano, cerca de R$ 27 bilhões poderão ser sacados. Segundo o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), o abono salarial de 2024 será pago a 24,87 milhões de trabalhadores em todo o país. Desse total, 21,98 milhões trabalham na iniciativa privada e receberão o abono do PIS e 2,89 milhões de servidores públicos, empregados de estatais e militares têm direito ao Pasep.

O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal e o Pasep, pelo Banco do Brasil. Como ocorre tradicionalmente, os pagamentos serão divididos em seis lotes. O saque poderá ser feito desde o dia de liberação do lote até 27 de dezembro de 2024. Após esse prazo, será necessário aguardar convocação especial do Ministério do Trabalho e Previdência.

Calendário de pagamento do abono salarial em 2024
Calendário de pagamento do abono salarial em 2024 – Arte/EBC

 

arte saque pasep
Saque Pasep – Arte/Agência Brasil

Quem tem direito

Tem direito ao benefício o trabalhador inscrito no PIS/Pasep há, pelo menos, cinco anos, e que tenha trabalhado formalmente por, no mínimo, 30 dias no ano-base considerado para a apuração, com remuneração mensal média de até dois salários mínimos. Também é necessário que os dados tenham sido informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

O valor do abono é proporcional ao período em que o empregado trabalhou com carteira assinada em 2022. Cada mês trabalhado equivale a um benefício de R$ 117,67, com períodos iguais ou superiores a 15 dias contados como mês cheio. Quem trabalhou 12 meses com carteira assinada receberá o salário mínimo cheio, de R$ 1.412.

Pagamento

Trabalhadores da iniciativa privada com conta corrente ou poupança na Caixa receberão o crédito automaticamente no banco, de acordo com o mês de seu nascimento.

Os demais beneficiários receberão os valores por meio da poupança social digital, que pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem. Caso não seja possível a abertura da conta digital, o saque poderá ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, Caixa Aqui ou agências, também de acordo com o calendário de pagamento escalonado por mês de nascimento.

O pagamento do abono do Pasep ocorre por meio de crédito em conta para quem é correntista ou tem poupança no Banco do Brasil. O trabalhador que não é correntista do BB pode fazer a transferência por TED para conta de sua titularidade nos terminais de autoatendimento, no portal ou no guichê de caixa das agências, mediante apresentação de documento oficial de identidade.

Até 2020, o abono salarial do ano anterior era pago de julho do ano corrente a junho do ano seguinte. No início de 2021, o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) atendeu recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU) e passou a depositar o dinheiro somente dois anos após o trabalho com carteira assinada.

Fonte: Agência Brasil Edição: Graça Adjuto

Conflito: China manifesta preocupação e pede calma aos envolvidos

O Ministério das Relações Exteriores da China pediu neste domingo (14) às partes relevantes que exerçam calma e contenção para evitar novas escaladas após o ataque militar do Irã contra o território israelense.

O Irã lançou mísseis e drones contra Israel na noite de sábado (13), afirmando que o ataque é uma resposta ao ataque contra seu consulado na Síria, em 1° de abril. O Irã atribui a responsabilidade da agressão a Israel, que não negou nem assumiu a autoria.

“A China expressa profunda preocupação com a atual escalada e pede às partes relevantes que exerçam calma e contenção para evitar novas escaladas”, diz texto publicado pela agência chinesa Xinhua.

“O porta-voz observou que a situação atual é o mais recente transbordamento do conflito em Gaza. Não deve haver mais atrasos na implementação da Resolução 2.728 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e o conflito deve terminar agora”.

A resolução citada determinava o cessar-fogo imediato em Gaza no mês do Ramadã, que é sagrado para a religião islâmica, além da libertação dos reféns israelenses em poder do Hamas.

No comunicado, a China pede à comunidade internacional, especialmente aos países com influência, que desempenhe um papel construtivo para a paz e a estabilidade da região.

A posição chinesa de pedir contenção a todos os envolvidos vai na mesma linha que o comunicado emitido pela Rússia. Os principais países ocidentais condenaram o ataque e declararam apoio a Israel.

“Apelamos a todas as partes envolvidas para que tenham contenção e para evitar uma escalada perigosa. Contamos com os Estados da região para encontrar uma solução para os problemas existentes, através de meios políticos e diplomáticos”, acrescentou, num comunicado, o ministério chefiado por Serguei Lavrov.

O foverno russo destaca no entanto que, “de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, o ataque [contra Israel] foi realizado no âmbito do seu direito à autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta da ONU, em resposta a ataques contra alvos iranianos no região”, nomeadamente o ataque ao consulado iraniano em Damasco, que Moscou “condenou veementemente”.

Os russos manifestaram também “grande preocupação” com os acontecimentos na região e sublinharam que tinham alertado para o aumento das tensões caso não fosse encontrada uma resolução para “as numerosas crises no Oriente Médio, principalmente na área do conflito israelense-palestino”.

*Com informações da Xinhua e da RTP.

Edição: Juliana Andrade

Mulher é presa após esfaquear companheiro no pescoço no PI; ‘3ª vez que ela tenta matar ele’, diz polícia

A vítima, de 45 anos, está internada no Hospital Aristides Saraiva de Almeida, segundo a polícia, ele não corre risco de morte.

Um mulher de 28 anos foi presa na tarde deste domingo (14) após esfaquear o seu companheiro de 45 anos no pescoço, na cidade de Palmeirais, a 115 km de Teresina. Segundo a polícia, o estado de saúde da vítima não é grave, mas ele está internado no Hospital Aristides Saraiva de Almeida, no município.

“Essa é a terceira vez que ela tenta matar ele. No ano passado [2023] em maio, ela cortou os dedos dele com uma faca, ele teve que fazer cirurgia e colocar uma placa de platina na mão. Em junho ela ateou fogo no quarto dele, queimou tudo, cama, eletrodomésticos”, explicou o sargento Nepomoceno, da Polícia Militar de Palmeirais.

 

Conforme o sargento, por volta do meio-dia deste domingo a vítima estava em um bar, com mais dez pessoas, ingerindo bebida alcoólica quando a mulher chegou e começou a brigar com ele. Ela tinha uma faca e esfaqueou o companheiro no pescoço.

A mulher de 28 anos foi autuada em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio. Ela já responde um processo de lesão corporal grave contra ele e incêndio. Ela está presa na Central de Flagrantes de Teresina a disposição da Justiça. Fonte: G1-PI.

Estudante quilombola aprovada em medicina veterinária na UFCG festeja: ‘Levar adiante o nome do quilombo’

Jovem aprovada no curso de medicina veterinária da UFCG fala como se preparou para a prova do Enem e sobre a emoção de ingressar no ensino superior.

“É muito importante poder levar adiante o nome do quilombo”, afirma Renaly, jovem quilombola aprovada na lista de espera do curso de medicina veterinária da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A estudante, que é descendente do Quilombo Cantinho, na Paraíba, conta sobre o orgulho de representar a comunidade da qual faz parte: “Até para que os nossos ancestrais tenham seu devido reconhecimento”.

Estudante de uma escola pública na cidade de Serra Branca, na Paraíba, Renaly Sousa Costa, de 17 anos, conta que a vontade de cursar medicina veterinária surgiu através de uma amiga de infância que tinha o sonho de ser veterinária e, através do amor pelos animais, despertou em Renaly uma admiração pela área que ela ainda não sabia que tinha.

Apesar da certeza do que queria fazer, a jovem conta que também enfrentou momentos difíceis durante seu período de preparação para a prova.

“A coisa mais difícil foi a ansiedade”, desabafou a adolescente, relembrando o sentimento de apreensão constante que a espera pelo resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) causou dentro dela.

 

Renaly não tenta negar a existência de momentos turbulentos durante a sua trajetória até a aprovação no curso de medicina veterinária na UFCG. “Houve sim, muitos, até pelo fato da adolescência já ser um período turbulento, mas deu tudo certo”, relata, aliviada.

Ainda que o nervosismo estivesse presente durante os meses de estudo para a prova, Renaly fala que não se privou do lazer e de fazer as coisas de que gostava. “Eu sempre tive uma rotina normal de adolescente, saía com os amigos, com o namorado, só nunca deixei de estudar por isso”, ressalta, evidenciando a importância de manter uma rotina constante de estudos.

Renaly confidencia que a matéria para a qual mais se dedicou foi matemática. “Sempre tive mais dificuldade em matemática, por isso estudava mais vezes”, admite.

A mãe de Renaly, que é professora de matemática em uma escola da rede pública, dava aula no horário em que a filha estudava em casa, mas sempre incentivou a filha a continuar dando o seu melhor. “Ela tirava algumas dúvidas que eu tinha e me apoiava a estudar”, declarou a menina.

Sobre sua rotina de estudos, Renaly conta que, ao todo, passava cerca de 6 horas estudando, somando o tempo dentro e fora da escola. “Sempre tive facilidade em português e interpretação textual, isso me ajudou muito para redação e para as questões de línguas”, diz ela, que pontuou 860 na redação.

Espelho da redação do Enem de Renaly Sousa. — Foto: Renaly Sousa/Arquivo pessoal

Espelho da redação do Enem de Renaly Sousa. — Foto: Renaly Sousa/Arquivo pessoal Fonte: G1-PB.

Suspeitos invadem casa, roubam arma e matam CAC, em Bayeux

Igor Costa de Morais tinha registro de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). Ele foi atingido por vários tiros e morreu no Hospital de Trauma de João Pessoa.

Dois irmãos identificados como Yuri Costa de Morais, de 37 anos, e Igor Costa de Morais, 34 anos, tiveram a casa invadida por suspeitos armados e foram atingidos por tiros, na madrugada deste domingo (14), em Bayeux, na Grande João Pessoa. Segundo informações do Hospital de Emergência e Trauma da capital, Igor não resistiu aos ferimentos e morreu.

A Polícia Civil informou à TV Cabo Branco que, na madrugada, pelo menos seis pessoas encapuzadas quebraram o cadeado da porta da casa onde os dois irmãos estavam, no bairro Mário Andreazza. As vítimas foram feitas de refém e obrigadas a abrir um cofre onde estava guardada a arma de Igor, que tem registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC).

Depois, os suspeitos atingiram as vítimas com diversos disparos e fugiram. Yuri foi atingido com um disparo na perna, enquanto que Igor teria recebido tiros no tórax, um disparo na perna direita e outro na lombar.

Pela gravidade dos ferimentos, Igor deu entrada no Hospital de Trauma de João Pessoa, mas não resistiu e morreu na manhã deste domingo (14).

Nenhum dos suspeitos foi identificado ou preso, e o caso segue em investigação. Fonte: G1-PB.

Inscrições do concurso da prefeitura de Salgado de São Félix encerram nesta segunda-feira (15)

As inscrições para o concurso da prefeitura de Salgado de São Félix se encerram nesta segunda-feira (15). São 91 vagas, com oportunidades para cargos de nível fundamental, médio e superior, com salários que vão de R$ 1.412,00 a R$ 5 mil.

As inscrições podem ser realizadas até às 23h59 desta segunda-feira pelo site da organizadora do certame, a Ápice Consultoria. As taxas de inscrição custam R$ 85 para funções de nível fundamental, R$ 95 para médio e R$ 105 para superior.

Veja a lista de cargos com vagas abertas:

  • Agente administrativo: 12 vagas, sendo 1 para pessoas com deficiência
  • Assistente social: 1 vaga
  • Atendente terapêutico escolar: 4 vagas
  • Auxiliar de consultório dentário: 2 vagas
  • Auditor fiscal: 1 vaga
  • Bibliotecário: 1 vaga
  • Coveiro: 1 vaga
  • Cuidador escolar: 14 vagas, sendo 1 para pessoas com deficiência
  • Eletricista: 1 vaga
  • Enfermeiro PSF: 3 vagas
  • Farmacêutico: 1 vaga
  • Fisioterapeuta NASF – 2 vagas
  • Fisioterapeuta plantonista: 2 vagas
  • Fonoaudiólogo NASF- 2 vagas
  • Médico cardiologista – 1 vaga
  • Médico do trabalho: 1 vaga
  • Médico endocrinologista: 1 vaga
  • Médico ginecologista/obstetra: 1 vaga
  • Médico pediatra: 1 vaga
  • Motorista B: 5 vagas, sendo 1 para pessoas com deficiência
  • Motorista D: 5 vagas, sendo 1 para pessoas com deficiência
  • Nutricionista NASF: 1 vaga
  • Operadora de máquinas: 2 vagas
  • Odontólogo PSF: 2 vagas
  • Porteiro escolar: 3 vagas
  • Procurador: 1 vaga
  • Professor da educação inclusiva: 3 vagas
  • Professor de educação física: 2 vagas
  • Professor de inglês: 3 vagas
  • Professor polivalente: 3 vagas
  • Psicólogo: 1 vaga
  • Psicólogo para educação: 1 vaga
  • Psicopedagogo: 2 vagas
  • Técnico de segurança do trabalho: 1 vaga
  • Técnico e radiologia: 1 vaga
  • Terapeuta ocupacional: 1 vaga
  • Técnico em laboratório: 1 vaga
  • Tratorista: 1 vaga Fonte: G1-PB.

FAB diz estar de prontidão para resgatar brasileiros no Oriente Médio

A Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou estar de prontidão para resgatar brasileiros que vivem em áreas de conflito no Oriente Médio. O órgão emitiu uma nota no início da tarde deste domingo (14), horas depois de o Irã atacar Israel com drones e mísseis.

No comunicado, a FAB afirmou estar “preparada e pronta” para atender a qualquer pedido de resgate, desde que acionada pelas autoridades competentes. “Para isso, mantém-se em constante prontidão, com suas tripulações e aeronaves, para se fazer presente onde o Brasil precisar”, destaca o texto.

A FAB também informou que a permanente preparação possibilita a atuação em qualquer hora. “Não somente em relação a missões específicas, mas a quaisquer necessidades, sendo esta prontidão ininterrupta para agir em apoio à sociedade”, conclui o comunicado.

Desde o início da guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas, em outubro do ano passado, a Operação Voltando em Paz da FAB fez 13 voos que trouxeram cerca de 1,5 mil pessoas ao Brasil, entre cidadãos brasileiros e parentes próximos. Do total de voos, três repatriaram pessoas que viviam na Faixa de Gaza.

Fonte: Agência Brasil Edição: Juliana Andrade

Ataque direto do Irã a Israel muda conflito no Oriente Médio

O ataque do Irã a Israel representa uma mudança na situação do Oriente Médio e pode levar a uma escalada nos conflitos na região, de acordo com especialistas entrevistados pela Agência Brasil. O ataque evidenciou alianças e mostrou claramente um posicionamento iraniano.

“O que aconteceu ontem muda a situação do Oriente Médio”, diz o professor do Departamento de Sociologia e coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Michel Gherman. “Não é novo que Israel e Irã se ataquem mutuamente nos últimos 40 anos, mas eles fazem isso de maneira a usar intermediários. O que aconteceu ontem é que o Irã ataca diretamente Israel”, acrescenta.

Segundo Gherman, o ataque marca o posicionamento iraniano na região. “Um reposicionamento se colocando frente à frente com Israel, em algum sentido se preparando para uma guerra regional em algum momento”, diz.

“Então o que o Irã mostrou é que ele está no jogo, que ele está disposto a avançar algumas casas, mas em algum sentido ele apostou no ataque médio. Não foi um ataque pequeno, foi longe de ser pequeno, mas não foi um ataque no limite das possibilidades do Irã. O Irã poderia ter lançado 3,5 mil mísseis e lançou 350”, destaca Michel Gherman.

No início do mês, aviões de combate supostamente israelenses bombardearam a Embaixada do Irã na Síria. O ataque matou sete conselheiros militares iranianos e três comandantes seniores. Neste sábado (13), a ofensiva foi do Irã, que atacou o território israelense com mísseis e drones, que em grande parte foram interceptados pelas forças de defesa israelenses.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) Rashmi Singh diz que é importante contextualizar o ataque. “Precisamos lembrar que o Irã não está fazendo isso do nada, é uma retaliação do bombardeamento do consulado em Damasco, que foi uma coisa muito inaceitável em termos de normas internacionais. Ninguém pode tocar em consulados de outro país em um terceiro país. Então isso foi uma coisa bem errada do lado do Israel”, diz.

Rashmi Singh, que é codiretora da Rede de Pesquisa Colaborativa sobre Terrorismo, Radicalização e Crime Organizado e autora do livro Hamas e o Terrorismo Suicida, chama atenção ainda para uma falta de resposta do Conselho de Segurança das Nações Unidas em relação a esse ataque feito por Israel. “Então, isso já foi um problema em termos de a reposta do Ocidente, do Norte Global, que nós estamos vendo claramente, que não está tratando o conflito Oriente Médio de forma equilibrada, é totalmente em apoio do Israel, sem ver exatamente o que está acontecendo, e tentando pintar ou colocar qualquer país, especialmente o Irã, como se este fosse um ato irracional. Até agora o ato mais irracional nessa situação é de Israel. Então, nós precisamos colocar isso também no contexto”, enfatiza.

O pesquisador e professor do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Bruno Huberman acrescenta que o ataque do Irã respeitou as normas internacionais. “O Irã faz essa resposta previsível, essa informação já tinha sido vazada na sexta-feira, nos jornais, que isso poderia acontecer. No sábado, estava todo mundo esperando isso acontecer e, quando aconteceu, demorou horas para de fato acontecer o início do ataque e a realização dele. Então, teve toda uma preparação, que foi revelada. E esse ataque do Irã, ele respeita o direito internacional”, avalia.

Rio de Janeiro (RJ) 14/04/2024 - Arte Mapa Israel x Irã
Arte EBC

Alianças em evidência

Para Gherman, o ataque evidenciou o apoio que Israel tem de outros países. “Os aliados foram aliados novos e velhos. Os novos, eu diria que tem o reposicionamento da Jordânia e da Arábia Saudita, e os velhos aliados que se colocaram ao lado de Israel foram Grã-Bretanha e Estados Unidos. Então, em algum sentido, o Irã produziu uma coalizão de apoio a Israel contra ele”, diz.

Apesar da aliança, Huberman ressalta que os Estados Unidos mostraram que não estão dispostos a uma ofensiva.

“Isso colocaria Israel sozinho nesse contra-ataque. Porque os Estados Unidos parecem dispostos a auxiliar na defesa israelense, mas não na ofensiva israelense. E esse ataque feito pelo Irã foi extremamente moderado”, destaca Bruno Huberman

O pesquisador enfatiza que não se conhece ao certo as capacidades bélicas iranianas. O conflito poderia levar ainda a um envolvimento da Rússia. “A gente não sabe das capacidades defensivas e ofensivas iranianas. E um movimento diretamente de Israel em território iraniano certamente levaria ao envolvimento russo nesse conflito.” A aliança entre Irã e Rússia vem da Guerra Civil de Síria, permanece e se torna uma aliança estratégica entre os dois atores, de acordo com o pesquisador. “Então, um escalonamento será certamente desastroso. E vai gerar diversas repercussões”, alerta.

O professor chama atenção ainda a outras possíveis repercussões para além dos conflitos externos. O apoio dado pela Jordânia a Israel pode gerar um descontentamento interno. “A Jordânia auxiliou Israel na defesa, o que vai contra completamente os interesses da sua população. Eu acredito que nos próximos dias, semanas, a gente vai ver revoltas populares bastante duras na Jordânia contra a manutenção do atual Reino Haxemita. A maior parte da população jordaniana é de descendência palestina, por exemplo. Então, essa aliança da Jordânia com Israel e com os Estados Unidos não é bem-vista pela população. Então, pode gerar diversos desdobramentos para além do confronto militar em si”.

De acordo com Gherman, a nova configuração pode gerar pressão para o fim do genocídio que Israel está promovendo em Gaza. “Essa guerra em Gaza tem que acabar, porque, enquanto ela não acaba, você tem a produção de mortes em Gaza, é uma situação de produção de instabilidade regional”, diz. “Eu acho que hoje, mostrando como o mundo está instável naquela região, é preciso que a haja um cessar-fogo imediato em Gaza para evitar um alastramento efetivo de uma guerra regional, que seria ruim para todo mundo, inclusive para Israel.”

A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas fez um ataque surpresa a Israel, que deixou 1,4 mil mortos e capturou cerca de 200 reféns. Desde então, mais de 32 mil pessoas perderam a vida em toda a Faixa de Gaza e na Cisjordânia, incluindo 13 mil crianças, e mais de 74 mil ficaram feridos, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Cerca de 1,7 milhão, quase 80% da população da Faixa de Gaza, foram deslocadas. Dessas, 850 mil são crianças.

Na análise do pesquisador, embora o ataque iraniano não impacte diretamente em Gaza, os países que apoiaram Israel nesse contexto podem também pressionar o país para o fim desse massacre. “Eu vejo possibilidades concretas agora de avanço, de esforços para o final do que está acontecendo em Gaza. O que está acontecendo em Gaza tem que parar. Eu acho que é isso que os países envolvidos na defesa de Israel ontem, inclusive Jordânia e Arábia Saudita, de algum jeito, podem avançar numa pressão junto com Biden [presidente dos Estados Unidos, Joe Biden] para que Netanyahu [primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu] se retire definitivamente e Gaza deixe de ser um locus de instabilidade no Oriente Médio.”

Posicionamento brasileiro

Após o ataque iraniano, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou, no sábado (13) à noite, uma nota no qual o governo brasileiro manifesta “grave preocupação” com relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel. De acordo com a nota, a ação militar deixou em alerta países vizinhos e exige que a comunidade internacional mobilize esforços para evitar uma escalada no conflito.

Na avaliação da pesquisadora Rashmi Singh, a resposta do Brasil foi equilibrada.

“Eu acho que a posição do Brasil ficou bem clara. O Brasil está criando um espaço próprio dentro do sistema internacional onde ele está claramente se colocando em uma posição de moralidade em termos do que está acontecendo contra os palestinos, ao mesmo tempo ele está tentando colocar um pouco mais de responsabilidade em ações de Israel”, diz a pesquisadora. “Foi [uma nota] muito equilibrada, que nós podemos perceber que eles não condenaram o ataque, mas ficaram bem preocupados com o ataque em termos da escalada do conflito regionalmente.”

Já para Gherman, o posicionamento do Brasil deixou a desejar. “É uma nota que diz pouco e em um momento em que ela poderia dizer muito mais. Eu acho que o Brasil tem que se colocar publicamente como uma alternativa concreta para o avanço da paz e de acordos na região. Não está fazendo isso. Está resolvendo as questões, tentando manter alianças que já tinha constituído. Parece que é pouco perto do papel que o Brasil pode exercer”, avalia.

Fonte: Agência Brasil Edição: Juliana Andrade

Maranhenses estão presos há mais de seis meses na Venezuela

Trabalhadores naturais de Brejo de Areia trabalhavam no garimpo quando foram detidos.
Detentos denunciam más condições e pedem ajuda ao governo brasileiro (Divulgação)

Um grupo de 18 brasileiros, todos moradores de Brejo de Areia e Vitorino Freire, no Maranhão, está preso na Venezuela desde o dia 4 de outubro de 2023, segundo parentes, ilegalmente.

Os homens saíram do Maranhão para trabalhar em um garimpo no Rio Yuruari, no município Dorado de Sifontes, no Estado Bolívar. De acordo com o assistente social e técnico em agropecuária Mauricio Souza, irmão de um dos detidos, eles estavam legalizados e a empresa à qual prestavam serviços pagava regularmente uma taxa exigida para  liberação da exploração, no valor de aproximadamente US$ 2,5 mil por mês.

Apesar disso, foram abordados durante uma operação desencadeada por forças militares venezuelanas e, então, presos.

“O incidente ocorreu quando três dragas estavam trabalhando no Rio Yuruari (no Município Dorado de Sifontes, no Estado Bolívar) e que essas unidades estavam pagando taxas à Corporação Venezuelana de Mineração no valor de 50 gramas de ouro (2.500 / Dois mil e quinhentos dólares por mês) para poderem trabalhar respeitando a ecologia, a água e o meio ambiente, e eram eventualmente supervisionadas por essa instituição do Estado venezuelano”, diz Janethe Ribeiro Cruz, num relato feito no dia 17 de Novembro de 2023 e que seria encaminhado a deputados federais para intermediar uma solução para o caso.

Ela é esposa de um dos garimpeiros, e alega no texto que os maranhenses foram alvo de discriminação, por isso teriam sido presos.

“Hoje, dia 16/11, esse grupo de brasileiros foram levados da cidade de tumeremo para um presídio, na cidade de San Felix. O certo, é que estamos diante de um fato de discriminação contra cidadãos brasileiros que hoje estão sequestrados há vários dias por órgãos militares sob um sigilo que eles chamam de ‘segurança do Estado venezuelano’ que viola os direitos civis e do cidadão”, completa.

Condições – Registros feitos pelos detentos brasileiros mostram, em vídeos e fotos – obtidos com exclusividade pelo Imirante, as condições em que estão presos na Venezuela.

Eles reclamam de maus tratos, alegam que há vários dos presos com doenças e pedem ajuda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Estamos sofrendo, estamos passando por uma situação difícil, estamos por problemas de saúde, debilitados. Muitos aqui já há muito tempo doentes. Nós estamos pedindo a sua ajuda, para que o senhor entre com providência e faça alguma coisa por nós”, clama Bruno Sampaio, um dos detidos.

Imirante entrou em contato com a embaixada e com o consulado do Brasil em Caracas e aguarda posicionamento sobre o caso.Por: Gilberto Léda/ipolítica