O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou nesta segunda-feira (1°) ao Congresso Nacional a decisão da Corte que descriminalizou o porte de maconha para uso pessoal e fixou a quantidade de 40 gramas para diferenciar usuários de traficantes.
Os ofícios foram enviados aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
O envio é uma formalidade para comunicar aos chefes dos demais poderes o resultado do julgamento, que determinou que a quantidade de 40 gramas deve prevalecer até que o Congresso aprove uma norma sobre a questão. O STF ainda sugeriu ao Executivo a criação de campanhas de prevenção ao uso de drogas e à aplicação de medidas de apoio a usuários.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chefe do Ministério Público, e os presidentes dos tribunais do país também foram notificados.
A decisão que descriminalizou o porte começou a ser cumprida na sexta-feira (28), quando a ata do julgamento foi aprovada.
O documento foi publicado no Diário da Justiça Eletrônico. A ata resume os votos proferidos pelos ministros e contém a tese jurídica que deverá ser seguida pela polícia, Ministério Público e o Judiciário de todo o país.
A decisão do Supremo não legaliza o porte de maconha. O porte para uso pessoal continua como comportamento ilícito, ou seja, permanece proibido fumar a droga em local público.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a Polícia Federal (PF) investiga de 18 a 19 focos de incêndio no Pantanal, “para determinar a autoria”. Segundo a ministra, a ação humana é o que tem causado a maior devastação já registrada no bioma.
“O que nós estamos identificando é que 85% dos incêndios que temos hoje estão ocorrendo em propriedades privadas. A história de que pode ser raio, descarga de raio, não é [verdadeira]. É por ação humana”, destacou a ministra em entrevista a jornalistas, no Palácio do Planalto, após a terceira reunião da sala de situação criada pelo governo federal para enfrentar a crise ambiental no Pantanal.
Com base em informações enviadas por órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Marina Silva disse que as autoridades policiais estão apurando as circunstâncias dos incêndios, que podem ser considerados criminosos. Ela classificou a situação vivida pelo Pantanal de desoladora.
“O que tem de concreto é que nós sabemos quais são os focos, de onde surgiu a propagação [do fogo]. Nós trabalhamos com tecnologia altamente avançada, que não permite que haja falha em relação aonde aconteceu esses focos”, observou.
“A gente não faz esse julgamento a priori, espera que a Justiça faça esse indiciamento, aí nós vamos verificar quem são os proprietários, quais são as fazendas, se foi um processo culposo ou doloso”, completou.
Seca severa
O Pantanal já vive uma estiagem severa, com escassez hídrica em toda a bacia. Historicamente, a escalada de incêndios acontece em agosto, mas dezenas de grandes focos foram registradas este mês. Até o momento, segundo balanço da ministra, mais de 3,8 mil focos de calor foram notificados no Pantanal. Mais de 700 mil hectares do bioma foram consumidos pelas chamas.
Por causa disso, os esforços de combate aos incêndios foram antecipados este ano. E, de acordo com o Ibama, a falta de chuvas na região está atípica há pelo menos seis anos.
Brigadistas da comunidade quilombola Kalunga, em Goiás, chegam ao Pantanal para ajudar a combater o fogo – Marcelo Camargo/Agência Brasil
Maior área úmida contínua do planeta, o Pantanal registrou, no acumulado dos últimos 12 meses, 9.014 ocorrências de focos de fogo, quase sete vezes mais que os 1.298 registrados pelo sistema no mesmo período do ano passado. Os dados são do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Além do maior volume de queimadas, chama a atenção a antecipação do problema, que nos anos anteriores só foi intensificado a partir de agosto.
Ações em andamento
Instalada há duas semanas, a sala de situação foi criada para tratar sobre a seca e o combate a incêndios no país, especialmente no Pantanal e na Amazônia. O grupo interministerial é comandado pela Casa Civil da Presidência, com coordenação executiva do Ministério do Meio Ambiente e participação dos ministérios da Integração e do Desenvolvimento Regional, da Defesa e da Justiça e Segurança Pública.
Na última sexta-feira (28), as ministras Marina Silva e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) fizeram um sobrevoo sobre o Pantanal, na região de Corumbá (MS), um dos epicentros dos incêndios.
Para o combate às queimadas, já são mais de 250 agentes federais atuando, incluindo brigadistas e agentes da Força Nacional, que devem ficar por pelo menos 60 dias na região.
Na semana passada, o governo federal anunciou a liberação de R$ 100 milhões para ações do Ibama e do ICMBio no bioma. O governo do estado de Mato Grosso do Sul também reconheceu situação de emergência em municípios afetados pelas queimadas na região, o que facilita a liberação de recursos e flexibiliza contratações públicas para compra de equipamentos, mobilização de equipes e outras ações de enfrentamento à crise.
O governo federal montou duas bases, uma em Corumbá, e outra na altura do km 100 da Rodovia Transpantaneira, segundo Marina Silva, para abrigar equipes, concentrar as ações logísticas e realizar o monitoramento e acompanhamento dos focos de incêndio.
Acréscimo será de R$ 1,88 a cada 100 kW/h consumidos.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que a conta de luz terá acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 kW/h consumidos no mês de julho. A cobrança adicional vai ocorrer por causa do acionamento da bandeira tarifária amarela.
Segundo a agência, a previsão de chuva abaixo de média e a expectativa de aumento do consumo de energia justificam a tarifa extra. O alerta foi publicado na sexta-feira (28).
“Essa é a primeira alteração na bandeira desde abril de 2022. Ao todo, foram 26 meses com bandeira verde. Com o sistema de bandeiras, o consumidor consegue fazer escolhas de consumo que contribuem para reduzir os custos de operação do sistema, reduzindo a necessidade de acionar termelétricas”, afirmou a Aneel.
A previsão de escassez de chuvas e as temperaturas mais altas no país aumentam os custos de operação do sistema de geração de energia das hidrelétricas. Dessa forma, é necessário acionar as usinas termelétricas, que possuem custo maior.
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo real da energia gerada, possibilitando aos consumidores o bom uso da energia elétrica. O cálculo para acionamento das bandeiras tarifárias leva em conta, principalmente, dois fatores: o risco hidrológico e o preço da energia.
As bandeiras tarifárias funcionam da seguinte maneira: as cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração, sendo a bandeira vermelha a que tem um custo maior, e a verde, o menor.Por: Agência Brasil
Os presos estão sendo investigados pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas.
A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) prendeu 20 pessoas durante a Operação Nárke II, deflagrada entre os dias 24 e 28 de junho no município de Imperatriz, no Maranhão. As prisões foram efetuadas por intermédio da Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Senarc). Os presos estão sendo investigados pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas.
Além das prisões, as equipes policiais apreenderam mais de 3kg de drogas (maconha, crack e cocaína; três armas de fogo; 45 munições de vários calibres; um veículo e cerca 4.000,00 (quatro mil reais) em espécie.
No mesmo período da operação, a Polícia Civil também incinerou mais de meia tonelada de drogas que foram apreendidas em ações da Delegacia de Repressão Narcotráfico (DENARC) de Imperatriz.
Nos cinco dias de ações, os policiais cumpriram aproximadamente 50 mandados judiciais de prisões e de busca e apreensão contra alvos investigados.Por: Imirante.com
A jovem foi socorrida e levada a um hospital da cidade, porém, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para uma unidade em São Luís.
Jovem é baleada com cerca de 10 tiros durante assalto em Matinha, no MA — Foto: Arquivo pessoal
Uma mulher, identificada como Daniele Meireles Aires, de 25 anos, foi atingida com cerca de 10 tiros durante um assalto no município de Matinha, a cerca de 240 km de São Luís. O crime aconteceu na noite da última sexta-feira (28).
Segundo a polícia, a vítima estava em uma moto com Eliomar Meireles Azevedo, de 41 anos, quando foram abordados por assaltantes na MA-014, na Zona Rural. Eliomar relatou à polícia que os bandidos roubaram o celular deles e, em seguida, efetuaram os disparos de arma de fogo.
A jovem foi socorrida e levada a um hospital da cidade, porém, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para uma unidade em São Luís.
O caso está sendo investigado pela polícia, e os suspeitos estão sendo procurados. Por enquanto, ninguém foi preso.Por: G1 MA
A vítima foi assassinada a tiros, no dia 29 de dezembro de 2023, no bairro Sá Viana, em São Luís.
Depois do crime, Daniel Silva fugiu do local, escondeu-se na casa de uma irmã, no bairro Vila Nova. E, no dia seguinte, apresentou-se na delegacia, onde foi preso. — Foto: Divulgação
O pedreiro Daniel Silva, de 39 anos, foi condenado pelo 1º Tribunal do Júri de São Luís, a 14 anos de prisão, pelo assassinato da própria mulher, Ana Núbia Santos Coelho, de 38 anos.
A vítima foi assassinada a tiros, no dia 29 de dezembro de 2023, no bairro Sá Viana, em São Luís.
O júri popular foi realizado na última sexta-feira (28) e foi presidido pelo juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Gilberto de Moura Lima. Na acusação atuou o promotor de justiça Rodolfo Reis e, na defesa, a defensora pública Caroline Pinheiro.
O julgamento, que começou às 8h30, no Fórum Des. Sarney Costa (Calhau), terminou por volta das 14h.
Durante o júri popular, foram ouvidas quatro testemunhas, entre elas um irmão da vítima e o filho do casal.
O crime
Segundo a denúncia do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), Ana Núbia e Daniel estavam em casa, quando o homem disse para a esposa e para os filhos do casal se arrumarem, para irem à igreja, pois a mulher precisava ir para “tirar o diabo do corpo”.
Ana Núbia se negou a ir com Daniel, que acabou saindo sozinho de casa e retornou mais tarde, embriagado.
Quando Daniel chegou em casa, a mulher reclamou pelo fato de ele estar bêbado. Por causa disso, o homem foi até o quarto do casal, pegou um revólver e efetuou três disparos em direção à vítima.
Ana Núbia ainda tentou correr, mas caiu no chão do banheiro, sendo socorrida e levada para o Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão I), mas ela acabou morrendo a caminho do hospital.
Após o crime, Daniel Silva fugiu de casa deixando no local o revólver usado no crime e a arma encontrada pelo filho do casal.
Ainda, de acordo com a denúncia do MP-MA, a vítima já tinha sido agredida pelo marido em outros momentos. Em outubro de 2023, conforme os autos, Daniel Silva tentou enforcar a mulher, sendo impedido por um dos filhos.
Consta, também, nos autos que a vítima havia pedido a separação do marido, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento, apesar de ser bastante conhecido por trair a mulher, inclusive, com pessoas conhecidas, tendo chegado até a sair de casa, mas o casal se reconciliou.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o Daniel cometeu o feminicídio na frente das duas filhas menores de 15 e 13 anos, que ficaram apavoradas gritando desesperadas, sendo uma delas autista.
Na época do crime, a delegada Wanda Moura, titular do Departamento de Feminicídio da Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), informou que Daniel e Ana Núbia viveram juntos por cerca de 24 anos e tinham três filhos, sendo um menino e duas meninas.
A sentença
O réu foi a júri popular pelo crime de feminicídio qualificado pela impossibilidade de defesa da vítima, em situação de violência doméstica e familiar. O crime foi cometido por razões de condição de sexo feminino envolvendo violência doméstica e familiar.
No julgamento, Daniel Silva confessou o crime, relatando que quando a vítima começou a brigar pelo motivo dele estar embriagado, ele foi até o quarto, pegou a arma e efetuou os disparos contra Ana Núbia. E, depois do crime, fugiu do local, escondeu-se na casa de uma irmã, no bairro Vila Nova. E, no dia seguinte, apresentou-se na delegacia.
Na sentença condenatória, o juiz Gilberto de Moura Lima destacou que o crime teve consequências e impactos graves.
“No trágico episódio de homicídio aqui discutido, o sofrimento infligido aos filhos é tão avassalador que lança essas famílias em um abismo de dor e desolação inimagináveis. Imaginemos o trauma indelével vivenciado pelos filhos da vítima, testemunhando a perda brutal de sua mãe pelas mãos do próprio pai diante de seus olhos tenros e vulneráveis. Uma das filhas, especialmente frágil por ser portadora de autismo, enfrenta uma realidade ainda mais cruel, onde um ambiente que deveria ser de segurança e afeto se transformou em um palco de violência inescapável”.
Ao final do júri, o réu foi condenado a 14 anos de prisão. Após o julgamento, Daniel Silva foi levado de volta ao presídio, onde estava preso desde a época do crime.Por: G1 MA
Um homem morreu e três ficaram feridos após serem baleados na praia do Sol, região de Barra de Gramame, em João Pessoa, na madrugada deste domingo.
De acordo com informações da Polícia Civil, dois indivíduos em uma moto efetuaram vários disparos na direção de um grupo de pessoas que estava em uma festa realizada no local, acertando quatro homens.
Um deles, identificado como Genilson Nascimento da Rocha, de 21 anos, não resistiu aos ferimentos e veio a óbito no local.
Outras duas vítimas foram socorridas para o Complexo Hospitalar de Mangabeira, o Trauminha, e mais uma para o Hospital Senador Humberto Lucena
Ainda segundo informações da Polícia Civil, as investigações estão sendo feitas para apurar se o ataque pode ter sido registrado por uma câmara de segurança instalada na granja Saturno, que fica no entorno do local. Fonte: G1-PB
17 presos fugiram da Penitenciária Dom Abel Alonso Núñez, em Bom Jesus, na manhã de 19 de fevereiro de 2024. Neste domingo (30), o último deles que continuava em liberdade, Jacson de Sousa Laranjeira, foi localizado e preso em Cristino Castro.
Segundo a Secretaria de Justiça (Sejus), Jacson de Sousa Laranjeira foi localizado e preso por uma equipe da Polícia Militar na cidade de Cristino Castro, a 36 km de Bom Jesus.
Ele estava ocupando uma casa sem a permissão do dono (crime de violação de domicílio). Ao ser preso, ele ofereceu R$ 3 mil para que os policiais o liberassem, e assim cometeu ainda o crime de corrupção passiva.
Na última quarta-feira (26), uma equipe de policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) prenderam, também em Cristino Castro, Ruan Pinheiro da Guia, o penúltimo dos foragidos.
O concurso 2743 da Mega-Sena, realizado na noite deste sábado (29), no Espaço da Sorte, em São Paulo, não teve ganhador na faixa principal. Com isso, o prêmio acumulou e é estimado em R$ 120 milhões. O
As seis dezenas sorteadas foram: 13 – 25 – 27 – 30 – 37 – 53.
A quina teve 147 bilhetes premiados. Cada um receberá R$ 40.291,15. Os 9.980 acertadores da quadra terão o prêmio de R$ 847,80 cada.
Para o próximo concurso da Mega-Sena, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira pelo aplicativo Loterias Caixa e no portal Loterias Caixa. O jogo também pode ser feito nas casas lotéricas de todo o país. A aposta simples, com seis números marcados, custa R$ 5.
Renata Moreira sente toda semana o desafio que é manter o poder de compra – Tânia Rêgo/Agência Brasil
Prestes a sair da feira do Largo do Machado, na zona sul do Rio de Janeiro, a servidora pública Renata Moreira, 47 anos, sente toda semana o desafio da manutenção do poder de compra do real, que completa 30 anos nesta segunda-feira (1º). Cada vez mais a mesma quantia compra menos. “Com R$ 100, eu saía com pelo menos seis ou sete sacolas do mercado. Hoje em dia, sai com apenas uma. Fui ao hortifruti anteontem e gastei R$ 70. E nem comprei tanta coisa”, constata.
A redução do carrinho de compras é sintoma da inflação acumulada nos últimos anos. De julho de 1994, mês da criação do real, a maio de 2024, a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 708,01%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que R$ 1 na criação do real valem R$ 8,08 atualmente. Ou que é preciso gastar R$ 100 hoje para comprar o mesmo que R$ 12,38 compravam há três décadas.
Marina de Souza sente gradualmente seu dinheiro perdendo valor – Tânia Rêgo/Agência Brasil
Frequentadora da mesma feira no Largo do Machado, a aposentada Marina de Souza, 80 anos, também experimenta a redução gradual do poder de compra. “Cada dia a gente vê que eles estão assim, aumentando os preços aos poucos. Todo mês, vêm R$ 2 a mais. Aí vai somando para você ver, né? E assim é que eles tiram da gente. O tomate, a banana, o arroz, que dava para fazer uma boa feira com R$ 50, hoje não faz mais. Uma folhagem, que custava R$ 1 há dez anos, hoje custa R$ 4”, reclama. Ela sente que, de um ano para cá, o problema piorou.
No aniversário de 30 anos, o real enfrenta o desafio de manter o poder de compra, num cenário de inflação global crescente. “A inflação alta no pós-pandemia [de covid19] é perfeitamente explicável e abrange todo o planeta. Tivemos problemas sérios, de rompimento de cadeias produtivas, uma mudança geopolítica mundial, com guerras regionais, e mudanças climáticas que pressionam principalmente a oferta de alimentos”, explica a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Matesco.
Economista-chefe da Way Investimentos e professor do Ibmec, Alexandre Espírito Santo diz que a inflação pós-pandemia é complexa, que desafia os Bancos Centrais em todo o mundo. “Tivemos um choque de oferta, com a quebra de cadeias produtivas no mundo inteiro que ainda estão se recompondo. Além disso, os bancos centrais injetaram muito dinheiro na economia global, dinheiro que ainda está circulando. A inflação no pós-pandemia tem várias causas e ainda vai durar muito tempo”, diz.
Salários
Outra maneira de interpretar a inflação acumulada de 708,01% seria dizer que o real perdeu 87,62% do valor em 30 anos. Isso, no entanto, não quer dizer que a população tenha ficado mais pobre na mesma proporção. Isso porque o poder de compra é definido não apenas pelo nível de preços, mas também pela elevação dos salários.
“A inflação depende de muitos fatores. No médio e no longo prazo, a economia se adapta às variações, inclusive à alta recente do câmbio que estamos experimentando. Existe a reposição dos salários e a interação do preço de um insumo com o restante da cadeia produtiva”, diz o economista Leandro Horie, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Na prática, a reposição do poder de compra é influenciada pelo crescimento econômico. Em momentos de expansão da economia e de queda do desemprego, os trabalhadores têm mais poder para negociar reajustes salariais. Segundo o Dieese, 77% das negociações salariais resultaram em aumento real (acima da inflação) em 2023. Até maio deste ano, o percentual subiu para 85,2%. Com os reajustes acima da inflação, os preços se estabelecem num nível mais alto, sem a possibilidade de retornarem aos níveis anteriores.
Rio de Janeiro (RJ), 25/06/2024 – Feira livre do Largo do Machado, zona sul da cidade. Foto – Tânia Rêgo/Agência Brasil
Novos instrumentos
Em relação à inflação no pós-pandemia, o economista do Dieese concorda com a complexidade do problema e diz que os instrumentos atuais de política monetária, como juros altos, têm sido insuficientes para segurar o aumento de preços. Isso porque a inflação não decorre apenas de excesso de demanda, mas de choques externos sobre a economia, como tragédias climáticas e tensões geopolíticas.
“No regime atual de metas de inflação, o Banco Central atua como se a inflação fosse meramente de demanda e elevando juros para reprimir a demanda interna. Só que a inflação, principalmente nos tempos atuais, é de uma natureza de choque de oferta, que a gente chama. A grande questão que tem de ser colocada, em nível global, é que outras formas os governos podem usar para segurar os preços, até porque a inflação envolve centenas de itens”, diz Horie.
Perspectivas
Em 2024, a inflação começou o ano em desaceleração. O IPCA, que acumulava 4,51% nos 12 meses terminados em janeiro, caiu para 3,69% nos 12 meses terminados em abril. O índice, no entanto, acelerou para 3,93% nos 12 meses terminados em maio, por causa do impacto das enchentes no Rio Grande do Sul e da seca na região central do país. Para os próximos meses, a previsão é de novas altas, com alguns preços influenciados pela recente alta do dólar.
Lucas de Andrade sabe que muito da inflação é efeito da pandemia de covid-19- Tânia Rêgo/Agência Brasil
Alheios às oscilações econômicas e aos debates teóricos, os consumidores sentem os efeitos da inflação no bolso. “A gente sabe que muito da inflação é um efeito colateral da pandemia, que vai reverberando ao longo de toda a cadeia, mas acho que a comida, os bens de consumo em geral e os serviços também aumentaram. Está tudo um pouco mais caro no geral. Todo mundo vai aumentando o preço para tentar sobreviver e conseguir pagar o resto. As contas também”, diz o produtor audiovisual Lucas de Andrade, 40 anos.
Também cliente da feira do Largo do Machado, Lucas diz ter constatado uma diferença notável nos preços após voltar do Canadá, onde morou entre 2019 e 2021. “Estive fora do país, voltei e achei os preços bem absurdos, comparando com a nossa realidade de poder aquisitivo no país, enfim, toda a desigualdade que a gente vive”, opina.