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Ensino superior no Brasil pode mais que dobrar salário

No Brasil, ter um diploma de ensino superior faz diferença: aumenta as chances de ter um emprego e melhores salários, que chegam a mais que o dobro daqueles que têm formação até o ensino médio. Mesmo assim, um em cada quatro estudantes abandona os estudos depois de cursar apenas um ano.

As informações estão no relatório Education at a Glance (EaG2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as principais e mais ricas economias do mundo.

O documento traz dados educacionais como desempenho dos estudantes, taxas de matrícula e organização dos sistemas educacionais dos 38 países-membros da organização, além de Argentina, Bulgária, China, Croácia, Índia, Indonésia, Peru, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul e Brasil – que é parceiro-chave da OCDE.

Neste ano, o relatório tem como foco principal o ensino superior. Os dados mostram que brasileiros de 25 a 64 anos que concluem o ensino superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles que têm ensino médio. Essa diferença é maior do que a média dos países da OCDE, que é de um salário médio 54% maior.

O Brasil fica atrás apenas da Colômbia, onde concluir o ensino superior proporciona, em média, um salário 150% maior do que ter apenas o ensino médio, e África do Sul, onde esse percentual é 251%. 

Mas, essa etapa de ensino não chega a todos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas um a cada cinco, ou seja, 20,5% dos brasileiros de 25 anos ou mais têm ensino superior, conforme dados de 2024.

O relatório da OCDE traz outra preocupação. Quase um quarto (24%) dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil, não estão empregados nem em educação ou treinamento (NEET na sigla em inglês). Essa taxa é maior que a média da OCDE, de 14%. Além disso, há uma diferença entre homens e mulheres, com 29% das mulheres e 19% dos homens sendo NEET em 2024 no Brasil. As taxas de NEET para homens e mulheres tendem a ser semelhantes na maioria dos outros países da organização.

Abandono dos estudos

Entre aqueles que entram no ensino superior, no Brasil, 25% abandonam os estudos após o primeiro ano do bacharelado. Entre os países da OCDE, a média é 13%. Mesmo após três anos do fim do período esperado para a conclusão do curso, menos da metade, 49%, dos ingressantes conclui os estudos. Entre os países da OCDE, essa média é 70%.

Diante desse cenário, no Brasil, apenas 24% de todos os jovens de 25 a 34 anos de fato concluem o ensino superior, o que representa pouco menos da metade da média da OCDE de 49%.

Segundo o relatório, as altas taxas de evasão no primeiro ano “podem sinalizar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou as exigências de seus programas, possivelmente refletindo a falta de orientação profissional para futuros alunos ou apoio insuficiente para novos ingressantes”, diz o texto.

O relatório mostra ainda que, em todos os países, as mulheres que iniciam o bacharelado têm maior probabilidade do que os homens de concluir os estudos ou no tempo esperado ou em até três anos após esse período. No Brasil, a diferença de gênero é de 9 pontos percentuais, 53% para mulheres em comparação com 43% para homens. Essa diferença é menor do que a média da OCDE, de 12 pontos percentuais.

Estudar em outros países

Segundo o EaG, entre os países da OCDE, a mobilidade internacional de estudantes no ensino superior aumentou. Em média, 6% de todos os estudantes do ensino superior na OCDE eram estudantes internacionais ou estrangeiros em 2018. Esse percentual passou para 7,4% em 2023. O Brasil foi um dos poucos países sem aumento, com a proporção permanecendo constante em apenas 0,2%.

Investimentos

Em relação aos investimentos do país em ensino superior, no Brasil os gastos governamentais chegam a US$ 3.765 por aluno, em valores de 2022, o que equivale a cerca de R$ 20 mil. Já a média da OCDE é de US$ 15.102, ou cerca de R$ 80 mil. Embora, em valores, o investimento seja inferior, quando comparado ao Produto Interno Bruto (PIB) – que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país -, o investimento governamental no Brasil é semelhante ao da média da OCDE, 0,9% do PIB- Produto Interno Bruto – no ensino superior, incluindo os investimentos em pesquisa e inovação.

Para a OCDE, é preciso melhorar os indicadores não apenas no Brasil, mas em todo o conjunto de países, para que tanto a formação seja melhor, quanto para que os investimentos tenham mais retorno. Na publicação, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, diz que as baixas taxas de conclusão do ensino superior são “desafio que prejudica o retorno do investimento público, agrava a escassez de competências e limita o acesso a oportunidades”.

Entre as ações possíveis destacadas por ele estão o fortalecimento da preparação acadêmica e da orientação profissional no ensino médio, bem como a concepção de programas de ensino superior com sequências de cursos claramente definidas e medidas de apoio para aqueles em risco de atraso.

“Também são necessárias opções de ensino superior mais inclusivas e flexíveis. Estas devem incluir programas personalizados para estudantes do ensino profissional, processos de admissão que reconheçam melhor os diversos perfis de alunos e ofertas mais curtas e direcionadas”, defende.

A OCDE também chama a atenção para a qualidade dos cursos de ensino superior. Outra pesquisa conduzida pela organização mostra que mesmo entre aqueles com diploma, há dificuldades até mesmo para ler textos complexos. A Pesquisa de Competências de Adultos 2023 mostra que nos 29 países e economias da OCDE participantes, em média 13% dos adultos com ensino superior não atingiram sequer o nível básico de proficiência em alfabetização, o que significa que conseguiam compreender apenas textos curtos sobre temas familiares.

“Isso ilustra a necessidade de os países expandirem o acesso ao ensino superior e aumentarem a qualidade e a relevância da educação oferecida”, diz Cormann.Por: Agência Brasil

Prefeito Raimundinho da Audiolar dialoga com SINTESPEM sobre precatório do FUNDEF em Presidente Dutra

O prefeito de Presidente Dutra, Raimundinho da Audiolar, recebeu em seu gabinete os dirigentes do Sindicato Intermunicipal dos Servidores Públicos Municipais (SINTESPEM) para tratar do precatório do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF).

A reunião, considerada produtiva, contou também com a presença do vice-prefeito, Aristeu Nunes, e do procurador-geral do município, Dr. Éder Lima. Entre os pontos discutidos estiveram o cumprimento da sentença judicial, a elaboração das planilhas de cálculo e a busca de um acordo junto à União, etapa necessária para a liberação dos recursos.

Durante o encontro, o prefeito reafirmou o compromisso da gestão em conduzir o processo com responsabilidade e transparência:

“Hoje tive a satisfação de receber em meu gabinete os dirigentes do SINTESPEM para dialogarmos sobre o precatório do FUNDEF. Foi uma reunião muito produtiva, com a presença do nosso vice-prefeito, Aristeu Nunes, e do procurador-geral do município, Dr. Éder Lima. Reafirmamos o compromisso da gestão em atuar no processo, cumprir a sentença, elaborar as planilhas de cálculo e buscar acordo judicial junto à União, para que os recursos sejam recebidos e aplicados com responsabilidade. Também discutimos a elaboração de um projeto de lei municipal para regulamentar o pagamento dessas verbas, que será encaminhado à Câmara após a homologação do acordo judicial. Agradeço ao SINTESPEM pela
disposição ao diálogo. Seguiremos trabalhando juntos para que os recursos do FUNDEF sejam aplicados com transparência e justiça, valorizando a educação e os nossos educadores.”

A Prefeitura de Presidente Dutra informou ainda que, após a homologação do acordo judicial, será encaminhado à Câmara Municipal um projeto de lei para regulamentar o pagamento das verbas do FUNDEF, garantindo a valorização dos profissionais da educação.

Denúncia anônima revelou local onde corpos que podem ser de casal desaparecido em Sapé estavam

Denúncia anônima revelou local onde corpos que podem ser de casal desaparecido em Sapé estavam — Foto: TV Cabo Branco

Uma denúncia anônima revelou o local onde os corpos que podem ser do casal desaparecido em Sapé estavam. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta terça-feira (9). O casal de idosos, identificados como Nelson e Célia Honorato, está desaparecido desde o dia 18 de agosto.

De acordo com o delegado João Neto, ainda não é possível saber se os corpos encontrados são do casal, somente com realização de perícia. Os corpos foram encontrados em uma área de mata. Os restos mortais estavam envoltos em cobertores e com cordas ao redor, em avançado estado de decomposição.

Em entrevista para a TV Cabo Branco, o perito que esteve no local onde os restos mortais foram encontrados, Miguel Carvalho, disse que há vestígios de que um dos corpos é de uma pessoa do sexo feminino, mas ressaltou a importância dos exames para que isso seja atestado.

“A gente não conseguiu no local dizer se era do sexo masculino ou feminino, mas ainda tinha alguns resquicios de vestimentas, calçados… Tinha um calçado que parecia ser calçado feminino. Mas só o exame de DNA vai dizer”, disse.

 

Os corpos foram transferidos do local de mata para o Instituto Médico Legal (IML) da cidade de Guarabira, onde vão passar por perícia.

O caso do desaparecimento veio a público no dia 25 de agosto. Dois suspeitos já foram presos, um deles encontrado no interior da Bahia e transferido para a Paraíba e apontado como principal investigado.

No dia 22 de agosto, um jovem autista filho do casal foi encontrado ferido em uma área de mata da cidade. À polícia, o jovem disse que foi atacado com golpes de martelo.

Em Sapé, durante o depoimento, o suspeito optou por permanecer em silêncio. A defesa de Ailton diz que ele nega as acusações. Outro suspeito preso confessou ter sido contratado por Ailton para matar o jovem autista, filho do casal desaparecido.

O casal teria assinado uma procuração para o Ailton negociar o imóvel na cidade, intermediando uma negociação com um comprador. A negociação foi feita e o comprador teria dado como parte do pagamento uma caminhonete.

O homem também é alvo do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) pela suspeita de exercer irregularmente a profissão de corretor de imóveis em Sapé, na Paraíba. Em nota, o Creci-PB afirmou que uma equipe de fiscalização foi enviada ao município e, após consulta aos sistemas internos do Conselho, foi confirmado que o investigado não possui registro profissional.

Linha do tempo

 

  • 18 de agosto de 2025: casal de idosos desaparece.
  • 22 de agosto de 2025: filho deles, um jovem autista de 27 anos, é encontrado ferido.
  • 25 de agosto de 2025: homem confessa à polícia que recebeu dinheiro de Ailton Emanuel para matar o jovem autista. Ele foi preso.
  • 26 de agosto de 2025: Ailton Emanuel é preso em Jaguaquara, na Bahia.
  • 27 de agosto de 2025: Após a audiência de custódia , na quarta-feira (27), a transferência de Ailton Emanuel para a Paraíba foi autorizada.
  • 28 de agosto de 2025: Já na Paraíba, suspeito fica em silêncio durante depoimento.Fonte: G1-PB

Justiça da PB manda soltar policiais militares investigados pela morte de cinco jovens no Conde

Carro ficou cheio de marcas de tiros após ação da PM paraibana — Foto: Polícia Militar da Paraíba/Divulgação

A Justiça da Paraíba mandou soltar os cinco policiais militares presos pela suspeita de matar cinco jovens, em fevereiro deste ano, na cidade do Conde. Ao todo, seis policiais são suspeitos pelo crime, mas quando houve uma operação para prendê-los, um deles estava fora do país e não foi preso naquela oportunidade.

Os policiais foram soltos, mas a Justiça determinou as seguintes medidas cautelares:

  • Uso de tornozeleira eletrônica;
  • Afastamento imediato do serviço operacional (policiamento ostensivo ou tático);
  • Proibição de manter contato com familiares das vítimas, testemunhas e demais investigados;
  • Proibição de frequentar localidades próximas às residências das vítimas e seus familiares, complementando a medida de monitoração eletrônica;
  • Recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 5h do dia seguinte, e nos dias de folga;
  • Comparecimento mensal em juízo;
  • Proibição de se ausentar da comarca de suas residências por mais de 10 dias sem autorização da justiça.
  • No mesmo despacho, a Justiça converteu a prisão temporária em prisão preventiva do policial que está fora do país, já que ele não se apresentou e não colaborou com as investigações dentro do prazo de 30 dias, no qual estava aberto o mandado de prisão anterior.

    De acordo com a Justiça, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) requereu que os cinco presos respondessem em liberdade e com o uso de cautelares. Eles devem ser liberados da carceragem do 1º Batalhão da Polícia Militar na quarta-feira (10).

    As investigações sobre o crime apontam indícios de homicídio por parte dos policiais, que foram presos no dia 19 de agosto. A defesa dos investigados alega que um grupo criminoso formado pelas vítimas, à época, para buscar vingança após um feminicídio na cidade teria atirado contra os policiais, que reagiram.

    Foram presos presos os seguintes policiais pela suspeita do crime:

    • Soldado Mikhaelson Shankley Ferreira Maciel
    • Sargento Marcos Alberto de Sá Monteiro
    • Sargento Wellyson Luiz de Paula
    • Sargento Kobosque Imperiano Pontes
    • Cabo Edvaldo Monteval Alves Marques

    Cinco jovens morreram durante ação policial em João Pessoa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

    O Tenente Álex William de Lira Oliveira, que foi alvo de mandado de prisão preventiva, e está em viagem nos Estados Unidos, foi o que teve a prisão decretada pela Justiça após a não colaboração com as investigações e o mandado de prisão em aberto.

    Em nota anterior a determinação da Justiça, a defesa dos policiais investigados afirmou que eles são inocentes.

    Durante a investigação do caso, os policiais afirmaram ter recebido a informação de que o filho de uma vítima de feminicídio estava indo vingar a morte da mãe em Mituaçu, no Conde.

Suspeito de armazenar e compartilhar conteúdos de abuso sexual infantil é investigado pela PF no Piauí

PF cumpre mandado de busca e apreensão de conteúdo de abuso sexual infantil em Picos, no PI — Foto: Reprodução/PF

Nesta terça-feira (9), a Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão de materiais contendo violência sexual contra crianças e adolescentes em Picos, no Piauí.

O objetivo da ação foi identificar e interromper atividades criminosas relacionadas à venda, produção, armazenamento e compartilhamento de materiais contendo violência sexual contra crianças e adolescentes, conforme informações da PF.

A ação é derivada da Operação Carcará, que tem o objetivo de combater crimes de abuso e exploração sexual infantojuvenil praticados na internet.

O investigado pela PF poderá responder por crimes como crimes de posse e compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil. Segundo o artigo 241 da Lei nº 8.069, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a venda ou exposição de registros sexuais de crianças e adolescentes pode resultar em multa e pena de 4 a 8 anos de prisão.

Fonte: G1-PI

Justiça condena dois vereadores e mais três pessoas por desvio de R$ 108 mil da Câmara Municipal de Bom Jardim

Câmara Municipal de Bom Jardim, no Maranhão. — Foto: Divulgação/Redes sociais

A Justiça do Maranhão condenou cinco pessoas, entre elas dois vereadores, por desviar R$ 108.720,23 da Câmara Municipal de Bom Jardim e tentar encobrir o crime.

A sentença, publicada em 6 de setembro, determina ressarcimento do valor desviado, pagamento de multas, suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público, entre outras penalidades.

Os condenados são:

  • o vereador Antônio Gomes da Silva, conhecido como Antônio Cesarino
  • a mulher de Antônio Cesarino, Ana Lídia Sousa Costa, que já exerceu mandato de vereadora
  • o vereador Márcio Sousa Pereira
  • o ex-vereador Manoel da Conceição Ferreira Filho (Sinego)
  • o motorista Márcio Almeida da Silva.
  • A decisão judicial atendeu a um pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), o qual destacou que os réus, liderados por Antônio Gomes da Silva e a esposa, participaram de um esquema para desviar dinheiro público.

    Segundo o MP-MA, o esquema teve início no final de 2014, quando Ana Lídia assumiu a presidência interina da Câmara, destituiu o tesoureiro anterior e nomeou Raurison Lima dos Santos, pessoa de confiança do marido. A partir daí, Ana Lídia e Raurison teriam realizado um saque de R$ 62.834,72 em 16 de dezembro de 2014. Nos dias seguintes, Antônio Gomes e Ana Lídia teriam feito saques adicionais de R$ 35 mil, R$ 8.885,51 e R$ 2 mil, totalizando R$ 108.720,23.

    Em depoimento, o tesoureiro Raurison dos Santos afirmou que Antônio Cesarino o instruiu a assinar um recibo de R$ 1.500, embora ele só tivesse recebido R$ 1 mil, com a justificativa de que os R$ 500 restantes seriam retidos para desconto de INSS. A Justiça concluiu que a retenção indevida de R$ 500 caracterizou apropriação indevida e enriquecimento ilícito.

    O grupo também produziu documentos falsos e tentou fraudar processos, fazendo pessoas assinarem recibos datados de dezembro de 2014, para simular legalidade nos saques. A Justiça considerou as provas suficientes para condenar todos os envolvidos.

    Determinações da Justiça

     

    A Justiça considerou as provas suficientes para condenar todos os cinco réus, comprovando a intenção delituosa em suas ações. As sanções aplicadas foram:

    • Ressarcimento do dano: Todos os réus devem devolver solidariamente R$ 108.720,23, com correção monetária e juros.
    • Perda da função pública: Antônio Gomes, Ana Lídia e Manoel da Conceição perderão funções públicas que ainda exerçam.
    • Suspensão dos direitos políticos: 10 anos para Antônio Gomes e Ana Lídia; 8 anos para Manoel; 5 anos para Márcio e Márcio Almeida.
    • Danos morais coletivos: R$ 10 mil para Antônio Gomes e Ana Lídia; R$ 5 mil para os demais.
    • Outras penalidades: Multa civil, proibição de contratar com o serviço público e pagamento das custas processuais.

     

    O MP-MA destacou que a decisão reforça a importância da responsabilidade de gestores públicos e da transparência na administração municipal, enviando um alerta contra desvios de recursos e fraudes documentais.Fonte: G1-PB

Congresso promulga PEC que muda regras para pagamento dos precatórios

Brasília (DF), 09/09//2025  - Sessão do Congresso para  promulgar a emenda constitucional (PC 136/2025) que estabelece novos limites e prazos para o pagamento de precatórios.  Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (9) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/2023, que retira os precatórios federais do limite de despesas primárias do Executivo a partir de 2026. O texto também limita o pagamento dessas dívidas por parte de estados e municípios e refinancia dívidas previdenciárias desses entes com a União.

Na prática, a medida alivia a situação de estados e municípios, ao permitir que paguem dívidas judiciais em parcelas menores e com prazo mais longo. A PEC também ajuda o governo federal a cumprir a meta fiscal, ao retirar parte desses gastos do teto de despesas.

Os precatórios são ordens expedidas pelo Judiciário para que entes públicos ─ União, estados, municípios e autarquias ─ paguem dívidas reconhecidas em processos judiciais em que já não cabem mais recursos.

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), disse que a medida é uma solução para o pagamento dos precatórios, classificados por ele como “um dos problemas mais complexos e antigos da República”.

“O problema, para todos os entes, é a falta de reservas orçamentárias para o pagamento destas despesas, que geralmente são imprevisíveis. Por conta disso, os pagamentos são adiados, o que acaba aumentando o tamanho desse tipo de dívida devido aos juros elevados”, disse.

Embora retire os precatórios das despesas primárias em 2026, o texto acrescenta, a cada ano, a partir de 2027, 10% do estoque de precatórios dentro das metas fiscais previstas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Limitação

Para precatórios devidos por estados, Distrito Federal e municípios, o texto aprovado limita o pagamento de acordo com o estoque de precatórios em atraso.

Assim, em 1º de janeiro de cada ano, se os valores totais em atraso forem de até 15% da receita corrente líquida (RCL) do ano anterior, o município ou estado poderá pagar os títulos cuja soma seja equivalente a 1% dessa receita. Esses índices valerão, inclusive, para entes federativos que não possuam estoque.

Os percentuais crescem gradativamente até atingirem o pagamento equivalente a 5% da RCL se o estoque for maior que 85% da receita.

Em todas as situações, o cálculo para encontrar o valor do estoque de precatórios será com atualização monetária e juros moratórios. A correção se dará pelo índice de menor valor entre a taxa Selic, atualmente em 15%, e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 2%, calculado de forma simples.

“A promulgação desta emenda é uma verdadeira conquista para o municipalismo brasileiro”, afirmou Alcolumbre. “Temos a clareza que esses novos dispositivos constitucionais não resolverão, como num passe de mágica, os graves e recorrentes problemas financeiros dos municípios. Mas eles representam uma porta de saída, uma salvação para os que souberem se reorganizar financeiramente e aproveitar essa oportunidade para equacionar as suas contas”, apontou.

Refinanciamento

Pelo texto, estados, Distrito Federal e municípios poderão regularizar as dívidas previdenciárias com seus Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e com o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). A PEC abre, também, a oportunidade de regularização das dívidas dos Consórcios Públicos Intermunicipais com o RGPS.

O parcelamento com o RGPS será feito em 300 prestações mensais, prorrogáveis por mais 60, mediante limitação da parcela a 1% da Receita Corrente Líquida (RCL), e correção e juros dados por IPCA + 0% a 4%.

Na avaliação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a alteração na Constituição vai dar maior garantia da saúde fiscal dos entes subnacionais.

“Ao estabelecer limites para o pagamento de precatórios pelos municípios, a nova emenda constitucional confere maior previsibilidade às administrações locais e assegura que as obrigações determinadas pela Justiça não resultem no colapso financeiro para esses entes federados”, disse Motta. “Ao mesmo tempo, abre prazo especial para o pagamento de débitos tanto quanto os seus regimes próprios, quanto com o Regime Geral de Previdência Social, dando fôlego às prefeituras e permitindo que possam reorganizar as suas contas com vistas ao equilíbrio atuarial e a sustentabilidade do sistema”, completou.

Créditos suplementares

A PEC também autoriza que créditos suplementares e especiais abertos em 2025 passem a compor o limite de despesas a partir de 2026. Na avaliação do governo, a medida dá espaço fiscal para que o Executivo Federal possa acomodar precatórios no Orçamento a partir de 2026 e pagar R$ 12 bilhões de licença-maternidade, decorrentes de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2024, a Suprema Corte declarou inconstitucional a exigência de carência mínima de dez contribuições ao INSS para que trabalhadoras autônomas e seguradas especiais possam receber o salário-maternidade. Agora, com apenas uma contribuição, elas podem ter acesso ao benefício, seguindo o mesmo critério das trabalhadoras formais.Fonte: Agência Brasil

“Estamos preservando o que eles não preservaram”, diz Lula na Amazônia

Lula lança Programa União com Municípios em Manaus

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (9), as ações de preservação da Amazônia por parte do governo brasileiro.

Ele assinou, em cerimônia em Manaus, a implementação do Programa “União com Municípios” para a redução do desmatamento e incêndios florestais.

Para o programa, estão previstos R$ 150 milhões, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

Lula criticou países estrangeiros que interferiram na região.

“A gente está preservando o que eles não preservaram. O Brasil ainda é o país que tem a maior quantidade de floresta do mundo. Então, esse país precisa ser respeitado”, afirmou.

“Não precisamos de ninguém metendo o bedelho no nosso país. Cada um cuida do seu nariz. Do nosso quintal, cuidamos nós”, ressaltou. 

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump não teme em usar “meios militares” contra o Brasil e outros países em defesa da liberdade de expressão no mundo.

“COP da verdade”

O presidente disse que a conferência do clima COP30, a ser realizada em Belém, em novembro, significará um evento que marcará a “verdade” para traçar uma diferença entre quem acredita na ciência e quem se comporta como negacionista.

“Essa COP será a COP da verdade. A gente vai ver quem é que acredita na ciência ou quem quer continuar mentindo”, afirmou Lula, destacando as evidências das mudanças climáticas em todo o mundo.

Parceria com prefeituras

Lula defendeu a necessidade de todos os entes de governo se unirem para o combate à devastação e às mudanças do clima. Particularmente, como prevê o plano, a ideia é que a parceria esteja estabelecida com as prefeituras.

“A melhor forma é repassar recursos para ajudar os prefeitos a ter acesso às condições básicas para que eles possam cuidar [do meio ambiente]”, afirmou o presidente. Pelo menos 70 prefeituras da região aderiram ao plano.

“O prefeito não é nosso inimigo, mas nosso principal soldado numa cidade para que a gente possa evitar os desmazelos e os erros que têm acontecido”, disse o presidente.

O presidente reconheceu a importância de viabilizar os recursos do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES.

Lula posicionou-se ainda pela exploração da Amazônia com responsabilidade. “Nós achamos que ela tem que ser explorada de forma correta tirando aquilo que a gente pode tirar, repondo aquilo que a gente tem que repor”.

“Não é causa perdida”

Na cerimônia de assinatura do programa União com Municípios, o indigenista e filósofo Egydio Schwade destacou que serão necessários novos paradigmas na relação do homem com a natureza, e também com as populações tradicionais.

“Me lembro que, quando jovem, decidi trabalhar com os povos indígenas e todo mundo dizia que seria uma causa perdida. Hoje ninguém mais tem coragem [de dizer isso]. A partir dessas causas perdidas é que realmente vão haver mudanças”.

Investimento

O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante criticou a falta de investimento do governo anterior na região. “Eles não tinham nenhum compromisso com essa agenda. Nós já liberamos mais de R$ 2,5 bilhões”.

Esses recursos, conforme Mercadante, incluem apoio para as comunidades indígenas e quilombolas, para demarcação de terra, para cadastro rural e para agricultura familiar.

Desmatamento zero

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) defendeu que o governo retomou investimentos do Fundo Amazônia e com o compromisso de desmatamento zero até 2030.

“Nós estamos fazendo uma ação focada nos municípios. O nosso compromisso é de desmatamento zero até 2030. Nós já conseguimos uma redução do desmatamento de 46% nos dois primeiros anos do governo”, disse a ministra.

“Momento delicado”

Em discurso, o presidente ainda citou o julgamento no Supremo Tribunal Federal em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.

Lula considerou que o país vive um momento delicado.

“Ele sabe que cometeu as burrices que cometeu (…) Esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”, criticou Lula. 

Para o público presente no auditório do campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Lula disse que Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado e recordou a crise enfrentada por Manaus durante a pandemia de covid-19, com falta de respiradores. “Ele não trouxe sequer oxigênio para Manaus, Quando essa cidade estava vendo muita gente morrer”. Fonte: Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

PRF registra cinco mortes em 19 acidentes durante Operação Independência no MA

Motorista de caminhão morre após veículo que ele dirigia ficar preso entre duas carretas na BR-222, no MA — Foto: Divulgação/PRF-MA

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou, nesta terça-feira (9), o balanço da Operação Independência 2025 realizada entre os dias 5 e 8 de setembro no Maranhão. Durante a ação, a PRF atendeu 19 acidentes de trânsito, com 15 pessoas feridas e cinco mortes.

As mortes foram registradas em três acidentes:

  • 5 de setembro, BR-222, Santa Luzia: um homem morreu em colisão lateral após tentativa de ultrapassagem proibida;
  • 7 de setembro, BR-316, Boa Vista do Gurupi: duas pessoas em motocicleta morreram após colisão com carro, que teria invadido a contramão;
  • 8 de setembro, BR-316, entre Caxias e Timon: duas pessoas morreram em colisão envolvendo motocicleta com três ocupantes; o condutor não possuía habilitação.
  • A operação teve como objetivo reforçar a segurança nas rodovias federais durante o feriado prolongado, marcado pelo aumento do fluxo de veículos e por eventos comemorativos na capital maranhense e em cidades do interior do estado.

    Segundo a PRF, durante o policiamento em pontos estratégicos, mais de 3.400 pessoas e 2.600 veículos foram fiscalizados, bem como mais de 2.400 testes de alcoolemia foram aplicados, resultando na prisão de 10 motoristas por embriaguez ao volante. Os flagrantes de embriaguez ao volante aconteceram nas BRs 135 (São Luís), 316 (Bacabal e Boa Vista do Gurupi) e 010 (ImperatrizAçailândia e Campestre do Maranhão).

    No total, foram registradas mais de 2.930 infrações de trânsito. O excesso de velocidade foi a mais recorrente, com 813 casos.

    A BR-402, principal acesso aos Lençóis Maranhenses, concentrou grande parte das autuações, com veículos chegando a 210 km/h em trechos onde o limite era de 100 km/h. Outras irregularidades também se destacaram:

    • 528 veículos não licenciados;
    • 190 condutores sem habilitação;
    • 169 ultrapassagens em locais proibidos;
    • 163 motociclistas sem capacete;
    • 92 registros de não uso do cinto de segurança.Fonte: G1-MA

Governo regulamenta indenização e pensão a vítimas do vírus Zika

bebê com microcefalia

O Ministério da Previdência Social e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) regulamentaram, por meio de uma portaria conjunta, o pagamento de indenização e pensão especial a pessoas com deficiência permanente causada pela síndrome congênita associada ao vírus Zika.

Publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (8), a Portaria Conjunta nº 69 estabelece uma indenização por dano moral de R$ 50 mil – valor que será corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (Inpc) calculado entre 2 de julho deste ano e a efetiva data do pagamento da indenização.

O texto também define a obrigatoriedade do INSS pagar às pessoas nascidas com deficiência permanente decorrente de síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika uma pensão especial, mensal e vitalícia equivalente ao teto dos benefícios pagos pela Previdência Social – hoje, R$ 8.157,40.

Tanto a indenização quanto a pensão especial serão isentas da cobrança de Imposto de Renda. Além disso, a pensão especial poderá ser acumulada com outras indenizações por dano moral concedidas por meio de lei específica; com o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A comprovação da condição de saúde será feita por meio de laudo de junta médica, que será analisado pela Perícia Médica Federal.

medida atende à Lei nº 15.156, em virtude da qual foi definida a data da retroatividade da indenização. A lei foi promulgada em 2 de julho deste ano, após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial ao Projeto de Lei (PL) 6.604/2023.

Com a derrubada do veto e a conversão do PL 6.604 na Lei 15.156, determinando o pagamento de auxílios financeiros às vítimas do vírus Zika, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecesse, em caráter excepcional, a possibilidade jurídica da União implementar e conceder os benefícios. A petição foi endereçada ao ministro Flávio Dino, relator de um mandado de segurança apresentado pela família de uma criança que, a depender da resposta do STF, teria direito a receber, da União, a indenização e a pensão especial.

No início do mês passado, Dino acolheu o pedido da AGU, determinando que a União cumpra o estabelecido na Lei 15.156, assegurando auxílio financeiro a cerca de 3 mil crianças vítimas do vírus Zika. Em sua decisão, o ministro destacou o quadro de vulnerabilidade social e que aceitar o pedido da AGU “não implica dispensa de atendimento, pelo Congresso Nacional e pelo Poder Executivo, das regras fiscais”.

Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou um surto de Zika, uma virose transmitida por meio da picada do mosquito Aedes aegytpi e que despertou a atenção da comunidade científica e da população em geral ao ser associada ao aumento de casos de microcefalia e outros quadros neurológicos graves, especialmente em estados do Nordeste, como Pernambuco e Paraíba.

Em fevereiro de 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a classificar a epidemia como uma Emergência de Saúde Público de Importância Internacional. Passado algum tempo, o número de casos e o espaço dedicado ao tema pela mídia começaram a diminuir, embora as crianças afetadas pela síndrome congênita e suas famílias continuem enfrentando uma dura rotina de cuidados especiais. Fonte: Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil