A segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe influenza começa hoje (11) e vai até o dia 8 de junho. Promovida pelo Ministério da Saúde em todo o território nacional, a campanha teve início no mês passado e a estimativa é vacinar, no total, 79,7 milhões de pessoas.
A segunda etapa é destinada a idosos com mais de 60 anos e professores. Cerca de 33 milhões deverão ser imunizados nesta fase.
Calendário de Vacinação contra a gripe – 2ª Etapa. – Arte/Agência Brasil
A terceira fase, entre 9 de junho e 9 de julho, abrangerá cerca de 22 milhões de pessoas. Compõem esse público-alvo integrantes das Forças Armadas, de segurança e de salvamento; pessoas com comorbidades, condições clínicas especiais ou com deficiência permanente; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo rodoviário; trabalhadores portuários; funcionários do sistema de privação de liberdade; população privada de liberdade; e adolescentes em medidas socioeducativas.
A campanha teve início no dia 12 de abril com a vacinação de crianças entre seis meses e seis anos, povos indígenas, trabalhadores da área da saúde, gestantes e mulheres puérperas (que estão no período de até 45 dias após o parto). Pessoas que tomaram a primeira ou a segunda dose da vacina contra a covid-19 devem esperar pelo menos 14 dias para tomar o imunizante contra a gripe.
De acordo com o vacinômetro da campanha, já foram aplicadas 6,9 milhões das 27, 3 milhões de doses distribuídas a todos os estados. Por Agência Brasil
Nesta segunda-feira (10), o Maranhão registrou 355 novos casos e 21 mortes por Covid-19. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
Com a atualização, o estado chegou a 273.658 casos e 7.553 óbitos pela doença. Dos novos registros, 60 foram na Grande Ilha (São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa), 3 em Imperatriz e 292 nos demais municípios do estado.
Os casos ativos, ou seja, pessoas que estão atualmente em tratamento contra a Covid-19, continuam subindo e chegaram a 21.490. Desses, 20.338 estão em isolamento domiciliar, 681 internados em enfermarias e 471 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Não podemos nem devemos acreditar que o pior já passou e esquecer de manter constantemente o distanciamento social fazendo sempre o uso de máscaras, é fundamental respeitarmos as regras afim de que as pessoas fiquem em segurança.
O município de Peritoró, agora, conta com um Posto Avançado do Detran-MA. A solenidade de inauguração ocorreu nesta segunda-feira,10, e contou com a presença do secretário de Estado de Segurança Pública, Jefferson Portela; do diretor-geral do Detran-MA, Francisco Nagib; do prefeito Dr. Josué Junior; da secretária adjunta Institucional de Promoção e Parcerias da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, Agnes Oliveira; vereadores do município e de Codó; outras autoridades civis e militares e de membros da diretoria do Detran-MA. O posto localiza-se na Travessa Sete de Setembro, nº 102, bairro Filipinho.
“Este é mais um exemplo de trabalho integrado entre o Estado e o município, parceria que trará ainda mais desenvolvimento e progresso para a população de Peritoró, pois a chegada deste posto, além da prestação de serviços relacionados ao Detran, também movimentará os pequenos negócios, gerando renda para as pessoas. Nosso papel é servir bem as pessoas e este posto chega não para reprimir, mas para servir, colaborar com a cidadania”, afirmou o secretário de Segurança, Jefferson Portela.
Francisco Nagib destacou a parceria do Governo com a Prefeitura de Peritoró e parabenizou o prefeito pela iniciativa. “O prefeito Dr. Júnior está tendo um gesto grandioso em trazer para sua cidade um dos órgãos mais importantes do estado, que é o Detran. Aqui, vamos oferecer serviços necessários para que a população possa ser bem servida nas questões de legalidade do trânsito. Peritoró está de parabéns, pois este Posto demonstra um grande progresso para a cidade, para a Região dos Cocais, e, em nome do governador Flávio Dino, lhes afirmo que os avanços não vão parar por aqui”, afirmou Nagib.
O prefeito Dr. Josué Júnior destacou o apoio que tem recebido do governador Flávio Dino e os avanços que o Posto Avançado do Detran trará para a população de Peritoró. “Com este Posto Avançado do Detran aqui em nosso município, as pessoas não precisarão mais se deslocar para outras cidades para resolver questões relacionadas à carteira de habilitação e a seus veículos. Temos todos estes serviços agora aqui, à disposição do cidadão, graças ao apoio e à parceria com o Governo, o secretário Jefferson Portela e o diretor Francisco Nagib”, disse ele.
No Posto Avançado do Detran, os usuários terão prestação de serviços como renovação, segunda via e mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH); emissão de taxas, licenciamento, vistoria e todos os outros serviços relacionados aos veículos.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante sessão da CPI da Pandemia, no Senado.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (10) não haver outro caminho, se não a ciência, para lidar com os problemas históricos que o Brasil tem nas áreas sanitárias e de saúde. A declaração foi feita durante seminário online destinado ao acompanhamento de projetos que têm apoio do governo federal, visando atender às necessidades das políticas públicas e do Sistema Único de Saúde (SUS). O seminário é fruto de parceria entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) com o Ministério da Saúde. A abertura contou com a participação do ministro do MCTI, Marcos Pontes.
“Todos vivemos há mais de um ano impactados pela maior emergência sanitária do mundo. O Brasil se inclui pelas características de dimensões continentais, pela heterogeneidade do desenvolvimento socioeconômico de nossa nação é pelas vicissitudes crônicas que há no sistema de saúde brasileiro”, disse Queiroga ao abrir sua fala.
Queiroga defendeu que as ações voltadas ao combate à pandemia devem ser orientadas a partir do que diz a ciência, e que parcerias entre universidades e setor provado são relevantes no sentido de impulsionar pesquisas e inovação no país, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos. “Já que somos um governo liberal em relação à economia e conservador em relação aos costumes, não se cumplicia com desvio de verbas públicas que têm de ser alocadas, por exemplo, na pesquisa. Então queremos que a iniciativa privada também apoie a pesquisa”, disse o ministro ao defender a participação tanto da indústria nacional como estrangeira, no cenário do fomento às pesquisas.
“Não há outro caminho, que não a ciência, para que encontremos as soluções para o enfrentamento de questões sanitárias e de uma situação pandêmica como essa. As respostas, quem nos entregarão são os pesquisadores. Temos de fortalecer nosso sistema de saúde. Não somente na assistência à saúde, mas sobre tudo na pesquisa, no desenvolvimento do complexo industrial da saúde, nas parcerias de desenvolvimento produtivo, para a transferência de tecnologia, de forma a ofertar ao sistema de saúde insumos que tenham custo efetividade compatível com as condições do sistema de saúde do Brasil”, acrescentou.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, também ressaltou a importância da ciência e da colaboração entre ministérios para que o combate à pandemia tenha sucesso. “A pandemia nos mostrou a necessidade da união e da atuação forte da ciência. Temos cientistas extremamente capacitados que nos dão diretrizes desde fevereiro, antes portanto do estabelecimento da pandemia no país, por meio de RedeVírus”, disse Pontes.
RedeVírus
A RedeVírus é uma mobilização que vem sendo organizada desde fevereiro de 2020 pelo MCTI, que reúne especialistas em virologia e imunologia para traçar uma estratégia de pesquisas, desenvolvimento e inovação. A iniciativa conta com a participação de universidades, unidades de pesquisa, hospitais, laboratórios, em resposta à emergência do novo coronavírus.Por Agência Brasil
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, da Camara Arthur Lira e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dao entrevista coletiva após a reuniao do Comite de Coordenacao Nacional de Enfrentamento da Pandemia de Covid-19
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) afirmou hoje (10), por meio de uma rede social, que a proposta da reforma Tributária vai ser fracionada e dividida entre três ou quatro relatores. Lira disse que vai definir a questão com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM- MG), em uma conversa ainda nesta segunda-feira.
Lira disse ainda que quer avançar com o texto sem se “preocupar com a paternidade” do projeto e que vai decidir ainda esta semana sobre o formato de tramitação da proposta.
“Vamos avançar com a reforma tributária sem nos preocupar com a paternidade do projeto. Esta semana devemos definir a tramitação, o formato. Temos aí duas reformas, a que envolve renda e a de consumo. Daremos um passo esta semana para fazermos a reforma de maneira ordenada”, disse.
Na semana passada, sob o argumento de estouro de prazo, Lira extinguiu a comissão especial da Casa que analisava a reforma tributária. Segundo ele, os trabalhos da comissão expiraram há um ano e meio e o encerramento evitaria contestações judiciais no futuro.
A extinção dos trabalhos do colegiado ocorreu horas depois de o relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ler o parecer sobre o tema na comissão mista de deputados e senadores, onde está sendo discutido um texto consensual antes da votação nas duas Casas.
A decisão de Lira foi tomada num momento de divergência entre o governo e a comissão mista. A equipe econômica queria uma proposta de reforma tributária fatiada, em que temas específicos fossem votados na medida em que houvesse acordo.
O fatiamento da reforma também era defendido pelo presidente da Câmara, com o argumento de iria facilitar a tramitação da proposta. Ribeiro, entretanto, apresentou um relatório no qual propôs a unificação de cinco tributos no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), texto considerado amplo pelo governo.Por Agência Brasil
Trabalhadores informais e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos em julho podem sacar, a partir de hoje (10) a primeira parcela do auxílio emergencial 2021. O dinheiro havia sido depositado nas contas poupança digitais da Caixa Econômica Federal em 20 de abril.
Os recursos também poderão ser transferidos para uma conta corrente, sem custos para o usuário. Até agora, o dinheiro podia ser movimentado apenas por meio do aplicativo Caixa Tem, que permite o pagamento de contas domésticas (água, luz, telefone e gás), de boletos, compras em lojas virtuais ou compras com o código QR (versão avançada do código de barras) em maquininhas de estabelecimentos parceiros.
Em caso de dúvidas, a central telefônica 111 da Caixa funciona de segunda a domingo, das 7h às 22h. Além disso, o beneficiário pode consultar o siteauxilio.caixa.gov.br.
O auxílio emergencial foi criado em abril do ano passado pelo governo federal para atender pessoas vulneráveis afetadas pela pandemia de covid-19. Ele foi pago em cinco parcelas de R$ 600 ou R$ 1,2 mil para mães chefes de família monoparental e, depois, estendido até 31 de dezembro de 2020 em até quatro parcelas de R$ 300 ou R$ 600 cada.
Neste ano, a nova rodada de pagamentos, durante quatro meses, prevê parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo do perfil: as famílias, em geral, recebem R$ 250; a família monoparental, chefiada por uma mulher, recebe R$ 375; e pessoas que moram sozinhas recebem R$ 150.
Calendário de saques antecipados da primeira parcela do auxílio emergencial. – Divulgação/Caixa Econômica Federal
Regras
Pelas regras estabelecidas, o auxílio será pago às famílias com renda mensal total de até três salários mínimos, desde que a renda por pessoa seja inferior a meio salário mínimo. É necessário que o beneficiário já tenha sido considerado elegível até o mês de dezembro de 2020, pois não há nova fase de inscrições. Para quem recebe o Bolsa Família, continua valendo a regra do valor mais vantajoso, seja a parcela paga no programa social, seja a do auxílio emergencial.
A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio.
O Dia Internacional da Biodiversidade é comemorado anualmente em 22 de maio. Esta data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa conscientizar a população mundial sobre a importância da diversidade biológica, além da necessidade da proteção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta.
A partir disso, a Liga Acadêmica de Evolução Biológica – LAEB, do Curso de Ciências Biológicas Licenciatura – Campus de Caxias da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) realizará entre os dias 17 e 22 de maio a “I Semana da Biodiversidade do CESC/UEMA” com o tema “Tratando da Biodiversidade em épocas de Pandemia”.
O evento tem como objetivo proporcionar discussões entorno de temas que abordam a biodiversidade local e regional, principalmente sobre o conhecimento produzido e ensinado no Campus Caxias.
O evento ocorrerá de forma remota, aberta ao público em geral, através do canal do Youtube “Bioleste”. Conta em sua programação com palestras e minicursos sobre a fauna e a flora da região Meio Norte, além disso, ocorrerão atividades com convidados especiais que abordarão temas sobre a biodiversidade de outras regiões do Brasil.
Os interessados podem se inscrever através da plataforma Even3, no link: https://www.even3.com.br/sdbdctdbeedp2021/. Podem se inscrever estudantes de graduação, pós-graduação, do ensino médio e profissionais e docentes.Por Ascom/UEMA
Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) obtiveram, no último dia 29, a concessão da patente de um processo na área de biotecnologia que promete transformar a matéria da casca de cocos verdes em etanol.
Concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a patente confere ao desenvolvedor de novos produtos e processos a garantia de que, por um determinado período, ninguém mais produzirá ou comercializará tal inovação sem a autorização de quem a patenteou.
A pesquisa com resíduos agroindustriais, dentre eles o coco verde, foi desenvolvida por uma aluna do curso de doutorado, Érica Albuquerque, e dois professores do programa de pós-graduação em Biotecnologia da universidade pública, Antônio Alberto Fernandes e Patrícia Fernandes.
Em nota, a Ufes classificou o processo como “inovador” e “altamente sustentável”, destacando que esta é a sétima patente que o Inpi confere à instituição federal de ensino. Ainda segundo a universidade, o método de produção de bioetanol celulósico a partir do uso de enzimas capazes de “acelerar” reações químicas e, assim, degradar a celulose presente nas células vegetais pode vir a ser utilizado industrialmente.
“O processo é uma alternativa economicamente viável na busca por fontes alternativas de etanol. Além disso, proporciona o aproveitamento e a eliminação de resíduos gerados pela atividade agroindustrial”, indica a universidade, na nota.Por Agência Brasil
Jéssica Melo, Ananda Araújo e Ingrid Azevedo se tornaram mães durante o primeiro ano da pandemia no Maranhão. — Foto: Arquivo pessoal/July e Ruy Fotografia/Montagem G1 MA
Desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Maranhão, há pouco mais de um ano, a pandemia tem transformado as formas de interação social. Experiências, momentos de lazer e até datas comemorativas, precisaram passar por modificações para se adaptar à nova realidade.
A Covid-19 também transformou a experiência da gestação e da maternidade. Vulneráveis devido a incerteza dos efeitos colaterais do novo coronavírus e sem uma rede de apoio por conta do isolamento social, essas mulheres precisaram se reinventar para preparar a chegada dos seus bebês.
E mesmo com tantas dificuldades, muitas destas mulheres ainda têm motivos para celebrar este Dia das Mães na pandemia. Ao G1, três maranhenses que se tornaram mães no último ano, relataram como lidaram com o medo, a ansiedade e os desafios de viver um dos momentos mais felizes de suas vidas em meio ao desconhecido.
‘O esperado que me surpreendeu’
Ser mãe sempre esteve nos planos da jornalista Jéssica Melo Aranha, de 30 anos. Após um período bem curto de espera, em fevereiro de 2020, ela foi surpreendida com a notícia de que estava grávida do seu primeiro filho. A alegria e a expectativa por essa jornada, até então desconhecida, logo deram lugar ao receio pelo que iria acontecer nos próximos meses com a chegada da pandemia de Covid-19.
Ao G1, Jéssica Melo conta que os nove meses de gravidez foram difíceis e conturbados devido ao medo constante que sentia em contrair o novo coronavírus. Durante este período, ela teve ainda que lidar com a perda de dois colegas de trabalho muito queridos para a Covid-19, dentre eles, o jornalista Roberto Fernandes e, com a resistência de alguns familiares em se proteger contra a doença.
“Foi muito difícil. Costumo dizer que não consegui curtir tanto a minha gravidez como tantas outras mulheres que tiveram a oportunidade de viver de fato esse momento. Tive duas perdas de amigos que trabalharam comigo e isso mexeu muito. Foram nove meses de muito medo, tanto de eu contrair a doença, quanto dos meus familiares contraírem a doença. Também sofri muito com a resistência das pessoas ao meu redor que no começo não queriam se cuidar”, disse.
Jéssica Melo e o pequeno João Lucca, meses após sua chegada ao mundo. — Foto: Jéssica Melo/Arquivo pessoal
Durante a gravidez, a jornalista, que é filha única, chegou a ficar um tempo sem o apoio e a presença dos pais que foram infectados pelo novo coronavírus e precisou encarar o desafio de continuar trabalhando na pandemia. Ela conta que sofreu com as cobranças por parte de amigos e conhecidos por conta dessa decisão.
“As pessoas me cobravam e diziam ‘Nossa, como você está indo trabalhar se você tem um bebê?’. E eu não sabia o que dizer a elas, porque nós somos uma pessoa mas assumimos várias funções sociais. Eu sou a Jéssica filha, esposa, jornalista e naquele momento eu era mãe. E apesar que ser mãe era uma prioridade na minha vida, eu não poderia deixar as outras coisas de lado. Então eu tive que encarar isso com medo, mas seguindo todos os cuidados”, conta.
Com as lojas fechadas devido à pandemia e o ‘lockdown’ na Grande Ilha de São Luís, Jéssica Melo relembra da frustração de não poder escolher pessoalmente o enxoval do seu bebê. A tecnologia virou sua principal aliado neste período e foi fundamental para que ela pudesse preparar a chegada do seu filho. Até o quartinho do pequeno João Lucca foi projetado durante uma videoconferência.
O medo de contrair a doença também esteve presente nos momentos mais especiais da gravidez, como as visitas ao obstetra e as ultra sonografias. A jornalista conta que ao mesmo tempo que ficava feliz com a oportunidade de ver o seu bebê, tinha medo de estar no hospital por conta da alta exposição ao vírus.
“Eu adorava o ultrassom porque eu podia ver ele, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de estar naquele lugar. Apesar de que eu tinha esperança dentro de mim, aquilo me confortava de alguma forma e me dizia ‘lute por aquilo ali, lute por sua vida e pela vida dessa criança’”, afirma.
‘O esperado que me surpreendeu’, disse Jéssica Melo em relação a gravidez do pequeno João Lucca, de seis meses. — Foto: Jéssica Melo/Arquivo pessoal
A proximidade do nascimento do filho despertou mais receio na mãe de primeira viagem. Com as restrições por conta da doença e ansidade provocada pelo longo isolamento social, a jornalista afirma que chegou a ficar por dias trancada em um quarto na sua casa com medo do que poderia acontecer no nascimento do filho.
Além disso, Jéssica Melo explica, a restrição imposta pelo hospital em relação à presença do marido, Pedro Moura, durante o parto foi algo complicado para lidar naquele momento. Com ajuda espiritual e da família, ela conseguiu superar esse momento. Logo em seguida, a presença do marido foi liberada pela equipe médica e em poucas semanas depois, João Lucca veio ao mundo. Eu fiquei um tempo muito triste. Fiquei uns três dias trancada em um quarto com medo do que poderia acontecer. Já estava perto de João Lucca nascer e tudo poderia acontecer, inclusive nada. Eu lidava com esse desafio diário de pensar se o meu filho iria nascer com saúde em meio a tudo isso. Mas graças a ajuda da minha família e com muita oração, consegui sair desse buraco que estava me enfiando.— Jéssica Melo, jornalista
O pequeno João Lucca nasceu em outubro de 2020. Na foto, Jéssica Melo e o marido, Pedro Moura. — Foto: Jéssica Melo/Arquivo pessoal
Hoje, seis meses após o nascimento de João Lucca, este será o seu primeiro Dia das Mães com o pequeno no colo. Para Jéssica, ter se tornado mãe na pandemia proporcionou um novo olhar sobre o mundo e a família, principalmente com sua mãe, no qual tem uma relação de gratidão e a vê como inspiração para a sua jornada na maternidade.
“Não há presente maior pra mim do que ter saúde e o meu filho estar com saúde. Esse é meu presente do Dia das Mães. Talvez a Jéssica de fevereiro do ano passado estaria doida pra ser presenteada e viver este momento, mas hoje isso é pequeno perto do que a gente tem de fato. E eu tenho valorizado cada vez mais esse momentos com a minha família. Meu olhar pra minha mãe é de extrema gratidão e hoje, isso é reflexo do que eu vivo com o meu filho. Eu me inspiro nela para criar ele, mesmo nem chegando aos pés dela”, concluiu.
‘Mistura de medo e dúvidas’
A experiência da maternidade em meio à pandemia também foi um desafio para a enfermeira Ananda Araújo, de 24 anos. Ela descobriu a gravidez, que não foi planejada, ainda em 2019, mas o parto do bebê estava previsto para o mês de junho, o que pouco tempo depois, seria considerado um dos mais críticos desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Maranhão.
Não muito diferente das chamadas ‘Mães da Pandemia’, Ananda teve que lidar com o receio em ter o seu filho em meio aos riscos que a doença, até então desconhecida, poderia provocar na criança. Ao G1, ela conta que prrecisou enfrentar o isolamento social sem uma rede de apoio durante os nove meses de gestação, principalmente por morar em uma cidade diferente da sua mãe.Nunca imaginei ter meu filho durante a pandemia. Era uma mistura de medo e dúvidas, porque a gente quase não conhecia o vírus e não sabíamos os riscos aos quais estávamos expostos. Não pude contar com a ajuda da minha mãe, já que ela não mora perto de mim. Foi muito difícil ter que encarar tudo isso praticamente sozinha.— Ananda Araújo, enfermeira
Ananda Araújo e seu primeiro e único filho, Pedro Henrique. — Foto: Ananda Araújo/Arquivo pessoal
O medo aumentou quando nos primeiros meses da gravidez, Ananda perdeu o olfato e o paladar. Na época, logo no começo da pandemia, a estudante não sabia muito sobre os sintomas da Covid-19 e não chegou a realizar um teste para confirmar o diagnóstico. Com receios, ela optou pelo isolamento.
A chegada do pequeno Pedro Henrique trouxe também momentos de tensão para a mãe de primeira viagem. Aos oito meses de gestação, Ananda Araújo precisou ser submetida a uma cesárea de urgência. Segundo a enfermeira, o que seria um dos momentos mais importantes da sua vida, se tornou muito conturbado devido à longa permanência dos dois no hospital.
Ainda grávida de Pedro Henrique, Ananda Araújo chegou a perder o olfato e o paladar.Foto: Ananda Araújo/Arquivo pessoal
Pedro Henrique chegou a ficar alguns dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta do nascimento prematuro. Ananda conta que os dias se tornaram uma eternidade, já que ela tinha muito medo do pequeno ser contaminado com o novo coronavírus ainda na unidade hospitalar.
“Em maio, eu estava com oito meses e meu filho nasceu. Ele teve que ir pra UTI e os cuidados foram redobrados. Mas mesmo assim, eu tive muito medo na maternidade. Estar lá foi um dos meus maiores medos, porque a gente não sabia se crianças pequenas podiam contrair o vírus e na época, também tinham algumas mães internadas com Covid lá”, relembra.
Pedro Henrique nasceu prematuro e precisou passar um tempo internado em um hospital de São Luís (MA)Foto: Ananda Araújo/Arquivo pessoal
Para a enfermeira, a ajuda espiritual foi fundamental para que ela pudesse conseguir superar os momentos difíceis após o nascimento do filho. Hoje, praticamente um ano após a chegada de Pedro Henrique, a maior preocupação de Ananda são com os efeitos que o longo isolamento social podem provocar na chamada primeira infância do pequeno.
“Desde quando começou a pandemia, eu quase não saí pra lugar nenhum, só ia para consultas. E com o Pedro não é diferente, a gente só sai para consultas ou para vacinar. Ele está naquela fase de descobrir as pessoas e as coisas ao redor dele. É essencial que uma criança tenha contato com outras, só que infelizmente ele não está tendo. Então eu estou tendo que me desdobrar para suprir um pouco isso e dando o máximo de atenção”, revela.
‘Isolamento começou antes da pandemia’
Diferente de muitas ‘mães da pandemia’, a jornalista Ingrid Azevedo, de 27 anos, começou a se preparar para o que poderia vir bem antes da confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país. Em janeiro, após descobrir que estava grávida, ela foi alertada pelo seu médico sobre a possibilidade da chegada do novo coronavírus e ficou em isolamento.
“Descobri minha gestação pouco antes do boom da pandemia. Meu susto inicial foi quando fui ao médico e ele já me deixou em isolamento. Ele me avisou sobre o coronavírus e achou mais prudente eu aguardar em casa para ver como ficaria a situação. Dois meses depois, a situação começou a se alarmar no país”, relembra.
Com a mudança de comportamento social, devido à pandemia, Ingrid que também é mãe de primeira viagem, precisou abrir mão de muitos momentos especiais da gestação. O pré-natal chegou a ser feito pela internet, a telemedicina virou aliada e os cuidados com a saúde precisaram ser redobrados por conta da gravidez.
Ao G1, a jornalista afirma que a solidão foi o maior desafio durante o período de gestação. Com um grupo de amigos grande e uma família bem próxima, ela explica que a falta da rede de apoio presencial tornou a a gravidez mais complicada. Mesmo com esse déficit, Ingrid Azevedo buscou alternativas para aproximar as pessoas mais próximas do seu convívio nesse momento especial.
“Senti muita solidão. Quando eu descobri que estava grávida, eu queria ir até os meus amigos e contar pessoalmente, ir até minha avó e contar também, mas não pude porque já estava em isolamento. E aí, tive que comunicar tudo virtualmente. O que eu tentei fazer foi com que esse momento, mesmo que virtual, deixasse próximo de todo mundo que de certa forma estava comigo”, afirmou.
O pequeno Júlio nasceu em setembro de 2020. — Foto: July e Ruy Fotografia/Arquivo pessoal
A rede de apoio, tão importante para a jornalista, ganhou um aliado muito usado durante a pandemia, a internet ese transformou na sua principal ferramenta de aproximação durante a gestação. “Foi uma fase solitária, mas eu tive que me reinventar. Não tinha pessoas próximas de mim, mas eu me apeguei totalmente à tecnologia pra fazer dar certo”, relembra.
Mesmo com a ajuda extra, Ingrid Azevedo também precisou buscar outras alternativas para tentar diminuir os efeitos causados pela pandemia na gestação e na sua saúde mental. Ela retomou a terapia e praticou atividades físicas, como yoga e pilates, para tentar ajudar a aliviar a tensão e o medo.
“Eu retomei a terapia. Já estava tudo misturado, hormônios com pandemia, com o medo do parto por ser meu primeiro filho. Nunca foi dispensada essa questão de suporte psicológico e eu realmente precisava. Cheguei a fazer pilates e yoga online e não saía de casa para nada. Só que depois de um tempo, começou a pesar e eu senti muita falta do contato físico, eu senti muita falta das pessoas”, disse.
A jornalista Ingrid Azevedo revelou que precisou retomar a terapia durante a gravidez, devido aos impactos causados pela pandemia e o isolamento social. — Foto: July e Ruy Fotografia/Arquivo pessoal
A chegada do pequeno Júlio trouxe alegria e realizações, mas momentos de muita tensão e dificuldades pós-parto. Após uma queda, Ingrid Azevedo precisou fazer uma cesárea de emergência e permanecer uns dias no hospital, diferente do que havia planejado. Mesmo com medo do novo coronavírus, ela precisou ficar uns dias no hospital.
Um mês após o nascimento do bebê, a jornalista enfrentou um processo de separação do pai do seu filho. Ainda em recuperação física, devido à cirurgia, repleta de medos em relação ao seu futuro e saúde da criança, Ingrid afirma que viveu momentos muito difíceis, mas encontrou no pequeno Júlio a força para superar as adversidades.O Júlio foi o meu renascimento. Talvez se ele não existisse hoje, no meio dessa loucura que está a pandemia, talvez eu não estivesse tão lúcida quanto hoje. É o sentimento que talvez eu sobreviveria, mas hoje eu tenho certeza que sou uma sobrevivente e uma das melhores.— Ingrid Azevedo, jornalista
Ingrid Azevedo precisou abrir mão de muitos momentos especiais da gestação. — Foto: July e Ruy Fotografia/Arquivo pessoal
Em meio a tantos desejos para o futuro, Ingrid Azevedo diz que tem apenas um único pedido para o Dia das Mães.
“É um sentimento inexplicável viver em um momento tão difícil. E eu só peço tempo. Tempo para conseguir criar meu filho, ver ele com muita saúde, tempo pra ele criar memórias suficientes para ele entender o que é o amor, o que caráter, aprender a ser honesto em um mundo que a gente acha que não existe mais”, finalizou.Por G1-MA