Blog do Walison - Em Tempo Real

Inscrição para processo seletivo do Sisu 2021 termina nesta sexta

Os estudantes aprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) precisam estar atentos. Acaba hoje (6) o prazo para a inscrição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no segundo semestre. O procedimento deve ser feito pelo portal do Sisu, no site do Ministério da Educação.

Ao todo, 62.365 vagas em instituições de ensino superior estão sendo oferecidas neste semestre. O resultado da chamada regular deve ser divulgado na próxima terça-feira (10). A matrícula deverá ser feita de 11 a 16 de agosto.

Quem não conseguir ser selecionado pode entrar na lista de espera, entre 10 e 16 de agosto. O resultado dessa lista será divulgado no dia 18, com a convocação para a matrícula no dia 19.

Pode participar do Sisu quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tenha tirado nota acima de zero na redação. A seleção é feita com base nas notas que o candidato tirou na prova, mas o método de escolha varia conforme o curso e a instituição. Isso porque os pesos das notas em cada matéria são diferentes conforme a área de interesse.

Durante a inscrição, o candidato pode escolher até dois cursos superiores, com a possibilidade de alterar as opções até o encerramento das inscrições. Como a nota de corte de cada curso é atualizada diariamente, o estudante ainda não selecionado precisa ficar de olho para acompanhar as mudanças.

Em relação à política de cotas, cada instituição de ensino tem critérios próprios para a distribuição das vagas. Algumas universidades adotam a seleção opções separadas: uma para o público geral e demais modalidades separadas por raça, renda ou rede escolar. Outras fazem uma lista unificada, concedendo pontos extra a candidatos que façam parte do regime de cotas.Por Agência Brasil

Câmara aprova projeto que permite privatização dos Correios

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (5), o Projeto de Lei (PL) 521/21 que trata da privatização dos Correios. A proposta, encaminhada pelo governo em fevereiro, autoriza a exploração de todos os serviços postais pela iniciativa privada. 

O texto-base da proposta foi aprovado por 286 votos a favor, 173 contra e duas abstenções. A matéria causou controvérsia entre os parlamentares. No entanto, nenhuma das propostas que ainda poderia modificar o texto, os chamados destaques, foi aprovado. A matéria segue para análise do Senado.

O texto do relator, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA), diz que a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) será transformada em uma empresa de economia mista, chamada de Correios do Brasil, e modifica a função da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que também será responsável por regular os serviços postais.

De acordo com o projeto, as tarifas terão reajustes anuais e poderão ser diferenciadas geograficamente com base no custo do serviço, na renda dos usuários e nos indicadores sociais. Para os serviços de cartas, o projeto prevê uma tarifa social para atendimento dos usuários que não tenham condições econômicas de pagar pelo serviço.

O relatório determina ainda exclusividade da nova empresa na operação dos serviços postais pelo prazo de cinco anos e proíbe o fechamento de agências que garantem serviço postal universal em áreas remotas. Esse prazo, segundo o projeto, poderá ser prorrogado.

A exclusividade inclui serviços postais como atendimento, coleta, triagem, transporte e distribuição no território nacional e expedição para o exterior de cartas e cartões postais; serviço público de telegrama; e atendimento, coleta, triagem, transporte e distribuição no território nacional e expedição para o exterior de correspondência agrupada.

O parecer também determina que os trabalhadores da ECT não sejam demitidos pelo período de 18 meses após a privatização. Eles poderão, entretanto, pedir demissão voluntária até 180 dias após a desestatização. O funcionário que decidir pelo desligamento terá direito a indenização de um ano de remuneração, com manutenção do plano de saúde por 12 meses a partir do desligamento e ingresso em um programa de requalificação profissional. Por Agência Brasil

STF abre investigação para apurar ataques à legitimidade das eleições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes aceitou nesta quarta-feira (4) a notícia-crime encaminhada à Corte pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Jair Bolsonaro. 

Na decisão, Moraes determinou a instauração imediata de investigação sobre a conduta do presidente durante a live transmitida na semana passada pelas redes sociais. Na transmissão, foram apresentados apresentados vídeos de eleitores que foram às urnas em eleições anteriores apontando supostos indícios de fraudes na utilização da urna eletrônica.

A investigação tramitará em conjunto com o inquérito que apura divulgação de informações falsas e ataques ao STF, cujo relator é Alexandre de Moraes. 

O envio da notícia-crime foi feito após o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, reafirmar que, desde implantação das urnas eletrônicas, nenhuma fraude foi registrada no sistema de votação. 

Em entrevista à rádio Jovem Pan, transmitida pelo próprio presidente em seus canais nas redes sociais, Bolsonaro comentou a decisão do STF.

“Queremos eleições limpas. Não vai ser o inquérito, agora na mão do senhor querido Alexandre de Moraes, pra tentar intimidar. Lamento o próprio TSE tomar certas medidas para investigar, me acusar de atos antidemocráticos. Eu posso errar, tenho direito a criticar, mas não estamos errados.” Fonte Agência Brasil

Covid-19: França ignora apelo da OMS e prepara terceira dose da vacina

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (5) que o governo se prepara para iniciar a distribuição da terceira dose de vacina contra a covid-19 a partir de setembro. O objetivo é proteger a população “mais idosa e mais frágil” com a inoculação de reforço, à semelhança do que já foi anunciado pela Alemanha e Israel. A confirmação surge horas depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter pedido uma moratória às terceiras doses da vacina até que pelo menos 10% da população de todos os países do mundo sejam imunizados.

Por meio das redes sociais, o chefe de Estado francês anunciou que o governo prepara a campanha de reforço já no “início do ano letivo”, ou seja, a partir de setembro.

Macron diz que a terceira dose “não será para todos de imediato”, mas irá abranger “os mais velhos e mais frágeis” nesta fase.

De camisa, sem gravata e em tom informal, ele aparece em vídeo com cerca de um minuto, gravado na residência de verão do chefe de Estado de França, em Fort Brégançon.

Nos últimos dias, Macron tem usado as redes sociais – sobretudo o Instagram ou TikTok, mais populares entre os jovens – para esclarecer questões sobre a vacinação.

Na França, o número exato de pessoas que poderá receber reforço vacinal no início do ano letivo deverá ser definido “na próxima semana”, anunciou o Ministério da Saúde na terça-feira (3).

Atualmente, a terceira dose só é recomendada para pessoas imunossuprimidas, como por exemplo um doente que tenha recebido um transplante.

OMS 

A decisão de avançar com as doses de reforço na França surge poucas horas depois do mais forte apelo da Organização Mundial de Saúde no sentido de adiar as terceiras doses, pelo menos até que os países mais pobres consigam ampliar a vacinação. 

“Entendemos a preocupação dos governos em proteger as suas populações da variante Delta, mas não podemos aceitar que os países que já utilizaram a maioria dos fornecimentos das vacinas usem ainda mais, enquanto as populações mais vulneráveis do mundo continuam desprotegidas”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Das cerca de 4 bilhões de doses de vacinas administradas no mundo, mais de 80% foram dadas em países mais desenvolvidos, que representam menos de metade da população mundial.

A moratória proposta pela OMS duraria até o final de setembro, até que pelo menos 10% dos habitantes de todos os países do mundo tenham o esquema vacinal completo.

Enquanto grande parte dos países da Europa já conseguiu vacinar mais de metade da população, a maioria dos países do Continente Africano só conseguiu vacinar cerca de 2% da população.

“Precisamos da cooperação de todos, especialmente de um grupo de países e empresas que controlam a produção global de vacinas”, afirmou Tedros Adhanom, apelando aos grupos farmacêuticos para que privilegiem o Covax, o mecanismo de distribuição universal e equitativo de vacinas.

Terceira dose

Esta semana, antes do apelo da OMS, a Alemanha anunciou que vai aplicar uma terceira dose de reforço da vacina a idosos e outros grupos mais vulneráveis a partir de 1º de setembro. A Espanha também pretende avançar com a administração da terceira dose.

Na semana passada, Israel tornou-se o primeiro país a generalizar o acesso à terceira dose da vacina, ao reforçar a imunização da população com mais de 60 anos.

O Reino Unido planeja a campanha de reforço de vacinação para os idosos e os mais vulneráveis a partir de 6 de setembro, já tendo adquirido 60 milhões de doses extra da Pfizer. De acordo com o britânico Telegraph, pelo menos 32 milhões de pessoas deverão receber a terceira dose.

Em Portugal, o Infarmed descarta para já o reforço de vacina, enquanto o representante da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considerou que essa situação será “inevitável”.

Depois das declarações de Tedros Adhanom, os Estados Unidos rejeitaram a ideia de uma moratória, considerando que não será necessário optar por administrar vacinas aos cidadãos norte-americanos ou doá-las a países mais pobres.

“É uma falsa alternativa. Achamos que conseguimos fazer as duas coisas”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki. Ela lembrou que os Estados Unidos já doaram mais de 100 milhões de doses, o que supera as doações de todos os outros países juntos.

Os Estados Unidos ainda não tomaram uma decisão sobre a administração de doses de reforço, ainda que a Pfizer/BioNTech tenham solicitado aos reguladores norte-americano e europeu que aprovem um reforço da vacinação, argumentando que há maior risco de infecção seis meses depois da vacinação.

Em 8 de julho, a Food and Drug Administration (FDA) considerou que os norte-americanos totalmente vacinados não necessitam, para já, de uma dose de reforço. No entanto, o especialista Anthony Fauci admitiu recentemente que os norte-americanos com imunidade comprometida poderão precisar de nova inoculação, diante da ameaça da variante Delta.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) absteve-se, em julho, de fazer qualquer recomendação sobre doses de reforço, sendo que os contratos de Bruxelas com a Pfizer/BioNTech e a Moderna já contavam com a possibilidade de ser necessário adquirir essas doses. 

A Pfizer e a Moderna anunciaram, no início deste mês, o aumento do preço das novas doses nos últimos contratos celebrados com a União Europeia, diz o Financial Times.   Fonte Agência Brasil

Butantan recebe matéria-prima para 8 milhões de doses de vacina

O Instituto Butantan recebeu, hoje (5), mais 4 mil litros de insumo farmacêutico ativo (IFA), o suficiente para produzir cerca de 8 milhões de doses da vacina contra o coronavírus CoronaVac. A carga chegou no início da manhã vinda de Pequim, na China, enviada pelo laboratório Sinovac.

No domingo (1º), o instituto recebeu 2 mil litros de matéria-prima, que possibilita a produção de 4 milhões de doses. A expectativa é que no próximo domingo (8) cheguem mais 2 milhões de doses prontas da vacina.

O Butantan já entregou para o Programa Nacional de Imunizações 64,8 milhões de doses da vacina contra a covid-19. O instituto assinou dois contratos com o Ministério da Saúde para o fornecimento de um total de 100 milhões de doses. Fonte Agência Brasil

Polícia Federal destrói mais de 90 mil pés de maconha durante operação no estado do Maranhão

Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF), entre os dias 26 de julho e 4 de agosto, destruiu aproximadamente 95 mil pés de maconha, 11.580 mudas e 9 mil sementes nas terras indígenas do Alto Turiaçu, Alto Rio Guamá e em Terras da União, localizadas nas proximidades dos municípios Centro do Guilherme e Centro Novo. A PF ainda apreendeu 478 kg da droga pronta para consumo.

A ação que contou com 75 agentes, foi realizada em conjunto com servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA) e militares do Corpo de Bombeiros Militar Estado do Maranhão (CBM-MA). Segundo a Polícia Federal, a operação ocorreu também na região do Nordeste brasileiro, nas regiões dos estados de Pernambuco e Bahia, e ainda fora do território nacional, no Paraguai.

Batizada de “Fusarium”, a operação tem o objetivo de reduzir a produção e oferta de maconha no estado do Maranhão, desarticular a comercialização de drogas na região, identificar os envolvidos e individualizar condutas ilegais. Fonte G1-MA

Operação que destruiu pés de maconha aconteceu nas cidades de Centro do Guilherme e Centro Novo — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Tóquio: Bia Ferreira e Hebert Conceição vão lutar pelo ouro no boxe

Os baianos Beatriz Ferreira e Hebert Conceição estão nas finais do boxe na Olimpíada de Tóquio (Japão). Atual campeã mundial, a peso-leve brasileira avançou após vencer a finlandesa Mira Potkonen, na categoria até 60 quilos, por decisão unânime dos árbitros (5 a 0). Na disputa masculina da categoria peso-médio (75 kg), Conceição superou o atual campeão mundial Gleb Bakshi, do Comitê Olímpico Russo (ROC, na sigla em inglês), por 4 a 1, também por decisão dos juízes. Ambos os duelos ocorreram na madrugada desta quint-feira (5) na Arena Kokugikan, na capital japonesa.

É primeira vez na história dos Jogos Olímpicos que o boxe brasileiro se garante em duas finais olímpicas em uma mesma edição dos Jogos. Além disso, o esporte já assegurou três medalhas em Tóquio, já que além de Bia e Hebert, Abner Teixeira (categoria 91kg) conquistou o bronze.

Pela terceira vez nos Jogos, Bia disse estar ansiosa para enfrentar pela primeira vez na carreira a irlandesa Kellie Harrington, campeã mundial em 2018.

“Queria muito essa luta. Participamos de alguns campeonatos, mas infelizmente não chegamos a lutar. Ela é campeã mundial, tem todo o meu respeito e estou bem ansiosa para esse espetáculo. Espero sair com a vitória e mandar essa medalha para o meu pai”, afirmou a baiana, em depoimento ao Comitê Olímpico do Brasil (COB). 

Logo após a luta da compatriota, foi a vez de Hebert Conceição entrar no ringue contra Gleb Bakshi, do ROC, que já havia derrotado o baiano na semi do Campeonato Mundial em 2019. Mas nesta quinta (5) Conceição levou a melhor.

“Estava um pouco tenso antes da luta, como sempre fico. Acho que temos que ter essa adrenalina, treinei muito com a minha equipe. Foi bom que consegui reverter mais essa revanche. Peguei uma chave muito dura”, contou o pugilista ao COB.

Trajetórias

Beatriz Ferreira estreou nos Jogos Olímpicos com vitória contra Shih-Yi Wu, de Taiwan. A brasileira venceu com julgamento unânime dos juízes(5 a 0), garantindo a classificação para as quartas de final. Na sequência, ela encarou a uzbeque Raykhona Kodirova, que também foi derrotada por decisão concordante dos cinco árbitros.

Já Hebert Conceição estreou com vitória contra o chinês Erbieke Tuoheta em decisão por pontos. No julgamento dos árbitros, a luta terminou com o resultado de 3 a 2. Na sequência, nas quartas de final, o brasileiro derrotou o cazaque Abilkhan Amankul. A vitória foi por decisão dividida, com três juízes dando o triunfo ao brasileiro e dois ao pugilista do Cazaquistão. Fonte Agência Brasil

Psicólogos da Uerj recomendam formas de aprimorar rendimento de atleta

O Núcleo Aplicado de Psicologia do Esporte (Nape), do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), dedicado ao estudo de atletas de alto rendimento, mostra que a psicologia pode contribuir para o aprimoramento da performance desses atletas em diferentes formas de atuação. “Essa é a ideia central do nosso laboratório, que existe há seis anos na Uerj”, disse à Agência Brasil o coordenador do Nape, professor Alberto Filgueiras. Alguns atletas que estão disputando os Jogos Olímpicos, no Japão, participaram dos estudos.

A primeira frente de pesquisas para auxiliar os atletas a ter melhor rendimento diz respeito às funções executivas e ao esporte. “Funções executivas são um grupo de processos da nossa mente, ou formas de pensar, que nos ajudam a render melhor em todos os aspectos da vida”. No caso específico do esporte, Filgueiras disse que é fundamental ter boas funções executivas, no sentido de executar bem alguma coisa.

Os pesquisadores do Nape descobriram que a capacidade de tomar boas decisões em uma competição, ou durante uma disputa, está associada com melhores níveis de funções executivas. A memória de curto prazo, ou memória de trabalho, faz parte dessas funções. “Ela é fundamental para esportes viso-espaciais, como futebol e vôlei.

Um tipo de função executiva é o chamado controle inibitório, que é a capacidade de inibir diferentes estímulos que causam algum tipo de distração. Nesse caso, fala-se de esportes de resistência, de provas longas, como maratona e maratona aquática. Por último, tem a função de flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de pensar estratégias diferentes para a vida e para o esporte, em especial. Isso é visto em atletas de luta e em esportes que buscam fazer pontos contra os adversários, a exemplo de vôlei, vôlei de praia e do basquete.

Flexibilidade

A estratégia para vencer o adversário depende muito dessa flexibilidade cognitiva, afirmou o professor. “A gente sabe, concretamente, que quando comparados a pessoas normais, os atletas de elite têm até 30% mais essas funções executivas do que nós, meros mortais. Os atletas conseguem inibir distrações 30% melhor, conseguem reter informações na memória 30% a mais e também conseguem pensar em diferentes estratégias, ou seja, ser mais criativos, 30% mais do que nós”, acrescentou.

O estudo descobriu também que quando esses atletas não estão bem em termos de saúde mental, o rendimento cai. “E cai junto a performance em funções executivas”, destacou Filgueiras. Quando o atleta está mal do ponto de vista da saúde mental, ele é melhor do que uma pessoa comum apenas fisicamente, porque está mais bem preparado. Comparado, porém, com outros atletas que têm a saúde mental em dia, seu rendimento esportivo é pior, bem como as funções executivas. “O que nos ligou um alerta é que, do ponto de vista de saúde mental, atletas de alto rendimento podem chegar a ter até três vezes mais prevalência de transtornos de ansiedade e depressão do que a população em geral”.

Alberto Filgueiras informou que, em geral, atletas de alto rendimento vivem, em média, cinco anos a mais que a população em geral. “São mais longevos e têm muito menos doença cardíaca ou vascular. Ou seja, fazer esporte de alto rendimento é algo benéfico à saúde física. Porém, não é benéfico à saúde mental. Do ponto de vista psicológico, essas pessoas apresentam piores níveis de bem-estar, qualidade de vida e saúde mental quando comparados com o restante da população. Isso vale um alerta. É uma espécie de compensação, de equilíbrio”.

Soluções

O laboratório busca também soluções para os problemas. Segundo os pesquisadores, há quatro distintas técnicas que são eficazes para a melhora de rendimento e performance de atletas. Uma delas é a imagem mental, que envolve a visualização e todas as estruturas sensoriais, como olfato, tato, paladar. Ela serve para diminuir a ansiedade do atleta e para melhorar o aprimoramento da técnica e da estratégia de competição. Outra boa técnica é o estabelecimento de metas. “Não é estabelecer qualquer meta, nem fazer de qualquer maneira. É necessário ter um ajuste fino para cada atleta, para que se possa estabelecer a meta correta para cada um e que seja atingível, porque se um determinado atleta não se considera capaz, ele pode acabar desmotivado. Se, por outro lado, é dada a outro atleta uma meta fácil, ele também pode acabar desmotivado”.

O fundamental, na opinião de Filgueiras, é que a meta não pode estar atrelada a um resultado. Isso se explica porque o resultado na competição não está totalmente sob o controle do atleta. O processo de preparação aumenta a chance de alcançar o resultado final, mas não garante o resultado final. “A gente já percebeu que esse é um problema”. A meta deve estar atrelada ao dia a dia do atleta.

Outra técnica psicológica é a construção de time, em que se faz intervenções em grupos para que seus integrantes passem a ter os mesmos valores internos e os mesmos objetivos. A tendência é ter o mesmo nível de coesão. “A gente sabe que a coesão de um grupo está associada ao nível de rendimento desse grupo em competições”.

Diálogo interno

A última técnica é o diálogo interno. “A nossa mente vai aonde ela quer e não para onde a gente quer que ela vá”, observou o professor. A psicologia está aí para ensinar às pessoas a lidar com esses pensamentos, de forma a construir um diálogo interno que seja o tempo todo positivo e focado no que a pessoa tem que fazer durante a competição. O Nape ensina a substituir pensamentos negativos por outros que são mais úteis para o rendimento do atleta. Para evitar que a saúde mental do atleta seja afetada, é necessário fazer um trabalho para ele conversar melhor consigo mesmo na parte pessoal, e não se sinta culpado por tomar um sorvete, por exemplo.

Os psicólogos do Nape chamam o diálogo interno de reestruturação cognitiva, que é a modificação ou substituição de um pensamento antifuncional, isto é, que não funciona, por outro funcional. A dificuldade é que cada pessoa vai ter um pensamento substitutivo diferente. “Não dá para chegar com aquelas frases prontas, os chamados valores do esporte, que não funcionam para todos os atletas”, advertiu Alberto Filgueiras. Por isso, ele disse ser fundamental que o profissional que faz o treinamento técnico saiba como fazer a modificação desses pensamentos, para que eles sejam adequados àquele indivíduo. Fonte Agência Brasil